{"id":7408,"date":"2010-11-16T12:03:01","date_gmt":"2010-11-16T12:03:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7408"},"modified":"2010-11-16T12:03:01","modified_gmt":"2010-11-16T12:03:01","slug":"a-amazonia-pecuarista-se-industrializa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/america-latina\/a-amazonia-pecuarista-se-industrializa\/","title":{"rendered":"A Amaz\u00f4nia pecuarista se industrializa"},"content":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 16\/11\/2010 &ndash; Ap\u00f3s se transformar em exemplo de desmatamento da Amaz\u00f4nia brasileira, ao acumular um rebanho de 12 milh\u00f5es de reses, o Estado de Rond\u00f4nia aproveita a constru\u00e7\u00e3o de duas grandes hidrel\u00e9tricas e corredores interoce\u00e2nicos para passar de fronteira agr\u00edcola para industrial.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7408\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/96892-20101115.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7408\" class=\"size-medium wp-image-7408\" title=\"O cimento domina trecho do Rio Madeira onde est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o a Hidrel\u00e9trica Santo Ant\u00f4nio. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/96892-20101115.jpg\" alt=\"O cimento domina trecho do Rio Madeira onde est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o a Hidrel\u00e9trica Santo Ant\u00f4nio. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7408\" class=\"wp-caption-text\">O cimento domina trecho do Rio Madeira onde est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o a Hidrel\u00e9trica Santo Ant\u00f4nio. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A Ind\u00fastria Metal\u00fargica Mec\u00e2nica da Amaz\u00f4nia, inaugurada em mar\u00e7o pelo grupo franc\u00eas Alstom, em sociedade com a empresa brasileira Bardella, marca esta transi\u00e7\u00e3o. Em Porto Velho, capital de Rond\u00f4nia, produzir\u00e1 equipamentos para as centrais el\u00e9tricas previstas em rios amaz\u00f4nicos do Estado e do resto do Brasil, da Bol\u00edvia e do Peru, apesar dos protestos de ambientalistas, ind\u00edgenas e moradores ribeirinhos. <\/p>\n<p>O conglomerado industrial brasileiro Votorantim j\u00e1 havia inaugurado, em 2009, uma f\u00e1brica de cimento em Porto Velho para atender a demanda de Santo Antonio e Jirau, as hidrel\u00e9tricas em constru\u00e7\u00e3o no trecho do Rio Madeira, um dos maiores afluentes do Amazonas, que passa pelo Estado. Somente Santo Ant\u00f4nio exigir\u00e1 uma quantidade de concreto correspondente a 36 Maracan\u00e3s, o est\u00e1dio de futebol do Rio de Janeiro considerado o maior do mundo, e o a\u00e7o corresponder\u00e1 a 16 torres Eiffel, segundo Eduardo Bezerra, funcion\u00e1rio da Odebrecht, principal s\u00f3cia e construtora da hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>Abund\u00e2ncia de eletricidade e mat\u00e9rias-primas, al\u00e9m de facilidades log\u00edsticas por estar no centro do corredor entre portos peruanos do Pac\u00edfico e brasileiros do Atl\u00e2ntico atra\u00edram investimentos produtivos para o Estado, afirma Gilberto Baptista, superintendente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de Rond\u00f4nia. As duas hidrel\u00e9tricas aumentaram em 6% a capacidade de gera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, contribuindo com 6.450 megawatts, que aumentar\u00e3o se forem aprovadas amplia\u00e7\u00f5es dos projetos originais.<\/p>\n<p>Mais importante, segundo Gilberto, ser\u00e1 uma melhor liga\u00e7\u00e3o ao Sistema Integrado Nacional de eletricidade, o que garantir\u00e1 o fornecimento est\u00e1vel \u00e0 ind\u00fastria. Santo Antonio e Jirau, combatidas por ambientalistas como elementos de um desenvolvimento tradicional depredador da Amaz\u00f4nia, exigir\u00e3o investimentos equivalentes a US$ 15 bilh\u00f5es, quase o dobro do atual produto interno de Rond\u00f4nia. O emprego para 30 mil trabalhadores e a forte demanda por bens e servi\u00e7os aumentaram a renda local, impulsionaram a constru\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio e atra\u00edram imigrantes, com sua consequente explos\u00e3o de pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o e dos alugueis.<\/p>\n<p>Entretanto, esse crescimento \u00e9 anterior ao in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o das centrais, em 2008. O PIB de Rond\u00f4nia cresceu quatro vezes mais do que a m\u00e9dia nacional entre 2003 e 2007, segundo o economista Valdemar Camata, gerente de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Odebrecht. Em 2009, gerou dois ter\u00e7os de todos os empregos da regi\u00e3o Norte. A isen\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o de impostos, tanto para o mercado interno quanto para a exporta\u00e7\u00e3o, bem como um cr\u00e9dito barato, favorecem esta industrializa\u00e7\u00e3o, acrescentou.<\/p>\n<p>Atualmente, Rond\u00f4nia \u00e9 produto da expans\u00e3o agr\u00edcola para o interior da Amaz\u00f4nia, empurrada pelo regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Terras doadas e uma migra\u00e7\u00e3o principalmente do Sul, atra\u00edda por enganosas promessas de encontrar o \u201cEldorado\u201d, multiplicaram por dez sua popula\u00e7\u00e3o entre 1970 e 1991. Tr\u00eas d\u00e9cadas depois do auge da \u201ccoloniza\u00e7\u00e3o\u201d, apenas 53,8% de seus 1,52 milh\u00e3o de habitantes s\u00e3o naturais do Estado, destacou o economista.<\/p>\n<p>O cultivo de arroz, cacau, caf\u00e9, milho e outros produtos cedeu a primazia \u00e0 pecu\u00e1ria, que, a partir da d\u00e9cada de 1980, cresceu vertiginosamente, at\u00e9 chegar aos 12 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado bovino atuais, o que d\u00e1 a espantosa propor\u00e7\u00e3o de oito animais para cada habitante do Estado. A carne se converteu na principal produ\u00e7\u00e3o do Estado. A ind\u00fastria de l\u00e1cteos e frigor\u00edficos se seguiu \u00e0 economia anterior, extrativa florestal e mineradora, golpeada pelo desmatamento e pelas crescentes exig\u00eancias ambientais. De 2.500 empresas madeireiras, \u201choje restam n\u00e3o mais de 200\u201d, disse Valdemar.<\/p>\n<p>As vias de transporte, at\u00e9 agora escassas e prec\u00e1rias, ser\u00e3o outro fator a empurrar o desenvolvimento econ\u00f4mico em Rond\u00f4nia. Est\u00e3o em marcha a pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas que cruzam todo o Estado e o vizinho Acre, com ramifica\u00e7\u00f5es at\u00e9 a fronteira com Bol\u00edvia e Peru, junto com a constru\u00e7\u00e3o de pontes e hidrovias que far\u00e3o de Rond\u00f4nia um centro log\u00edstico das regi\u00f5es amaz\u00f4nica e andina.<\/p>\n<p>O setor empresarial de Rond\u00f4nia, com escassa cultura exportadora, \u201capenas olhava S\u00e3o Paulo\u201d e outros grandes mercados brasileiros, mas agora se volta tamb\u00e9m para o Pac\u00edfico, abrindo \u201cuma nova fronteira de progresso\u201d, resumiu Gilberto. Isso significa um mercado de 140 milh\u00f5es de habitantes nos pa\u00edses andinos vizinhos que, por serem \u201cpouco industrializados, se abastecem no oeste dos Estados Unidos e na \u00c1sia\u201d, acrescentou Valdemar.<\/p>\n<p>Rond\u00f4nia, mais pr\u00f3ximo, pode disputar consumidores com essas na\u00e7\u00f5es que somam um PIB de US$ 1,3 trilh\u00e3o. A potencialidade se reflete no com\u00e9rcio do Brasil com o Peru. Em 2003, o interc\u00e2mbio era de apenas US$ 727 milh\u00f5es e em 2008 chegou a US$ 3,255 bilh\u00f5es, com grande super\u00e1vit para o Brasil, disse Valdemar, afirmando que ap\u00f3s uma queda em 2009, devido \u00e0 crise econ\u00f4mica mundial, as exporta\u00e7\u00f5es se recuperaram este ano.<\/p>\n<p>Os planos empresariais e governamentais, que fazem de Porto Velho um ponto de conflu\u00eancia de v\u00e1rias rotas, compreendem a estrada para Manaus, capital do Amazonas, uma ferrovia para a regi\u00e3o Sudeste, a mais rica do pa\u00eds, e uma hidrovia para unir Rond\u00f4nia com o Norte da Bol\u00edvia e o Sudeste do Peru. A rodovia BR 139, constru\u00edda na d\u00e9cada de 1970, atualmente intransit\u00e1vel na maior parte de seus 870 quil\u00f4metros, exige uma reconstru\u00e7\u00e3o entravada por exig\u00eancias ambientais. Teme-se que aumente o desmatamento para o centro ainda preservado e muito biodiverso da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u00c9 uma alternativa mais r\u00e1pida do que a paralela hidrovia do Rio Madeira, facilitando o transporte de produtos perec\u00edveis, como verduras, para o grande mercado de Manaus, um polo industrial de 1,7 milh\u00e3o de habitantes, com sa\u00edda para o Caribe por uma estrada que cruza a Venezuela, e para o Norte do Atl\u00e2ntico pelo Rio Amazonas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de gerarem eletricidade, Santo Antonio e Jirau t\u00eam o \u201cobjetivo estrat\u00e9gico\u201d de promover a integra\u00e7\u00e3o entre Brasil, Bol\u00edvia e Peru, \u201cpara a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio\u201d e a exporta\u00e7\u00e3o de madeira, segundo Guilherme Carvalho, coordenador na Amaz\u00f4nia da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Fase. Para isso est\u00e3o previstas eclusas e no futuro a constru\u00e7\u00e3o de uma extens\u00e3o da hidrovia do Madeira para a parte alta e acidentada da bacia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, segundo Valdemar, ser\u00e1 vi\u00e1vel apenas se foram constru\u00eddas outras duas hidrel\u00e9tricas em rios formadores do Madeira: uma binacional em Mamor\u00e9, na fronteira com a Bol\u00edvia, e outra nesse pa\u00eds vizinho, no Rio Beni. Isso aumentaria a hidrovia em 4.225 quil\u00f4metros, para alcan\u00e7ar a \u00e1rea central boliviana e a regi\u00e3o peruana de Madre de Dios.<\/p>\n<p>Ambientalistas e ativistas sociais s\u00e3o contra esses projetos, por consider\u00e1-los parte de um modelo de desenvolvimento que destroi as florestas, a biodiversidade e as condi\u00e7\u00f5es de vida dos povos tradicionais da Amaz\u00f4nia, o que agrava a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Est\u00e1 em jogo a \u201c\u00faltima fronteira amaz\u00f4nica\u201d, segundo Alfredo Wagner de Almeida, antrop\u00f3logo que organizou o livro \u201cConflitos Sociais no Complexo Madeira\u201d, com estudos de 21 pesquisadores, e coordena o projeto Nova Cartografia Social da Amaz\u00f4nia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 16\/11\/2010 &ndash; Ap\u00f3s se transformar em exemplo de desmatamento da Amaz\u00f4nia brasileira, ao acumular um rebanho de 12 milh\u00f5es de reses, o Estado de Rond\u00f4nia aproveita a constru\u00e7\u00e3o de duas grandes hidrel\u00e9tricas e corredores interoce\u00e2nicos para passar de fronteira agr\u00edcola para industrial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/america-latina\/a-amazonia-pecuarista-se-industrializa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-7408","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7408"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7408\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}