{"id":7414,"date":"2010-11-17T12:07:51","date_gmt":"2010-11-17T12:07:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7414"},"modified":"2010-11-17T12:07:51","modified_gmt":"2010-11-17T12:07:51","slug":"invasao-capitalista-brasileira-incentiva-socialismo-venezuelano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/america-latina\/invasao-capitalista-brasileira-incentiva-socialismo-venezuelano\/","title":{"rendered":"Invas\u00e3o capitalista brasileira incentiva socialismo venezuelano"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 17\/11\/2010 &ndash; Pontes, ferrovias, petroqu\u00edmicas, siderurgia, eletricidade, aquedutos, agricultura, frigor\u00edficos, estaleiros e at\u00e9 telef\u00e9ricos: o potente bra\u00e7o empresarial brasileiro avan\u00e7a para o Caribe atrav\u00e9s da Venezuela, cujo governo se empenha em construir o que chama de socialismo do S\u00e9culo 21.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7414\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/83575.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7414\" class=\"size-medium wp-image-7414\" title=\"A Odebrecht amplia o Metr\u00f4 de Caracas. - Fidel M\u00e1rquez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/83575.jpg\" alt=\"A Odebrecht amplia o Metr\u00f4 de Caracas. - Fidel M\u00e1rquez\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7414\" class=\"wp-caption-text\">A Odebrecht amplia o Metr\u00f4 de Caracas. - Fidel M\u00e1rquez\/IPS<\/p><\/div>  \u201cAs construtoras brasileiras trabalham de maneira c\u00f4moda com o governo da Venezuela porque por tr\u00e1s est\u00e1 o Brasil, com sua pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o, com o entendimento entre os dois governos, e seu Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES)\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria Venezuelano-Brasileira, Fernando Portela.<\/p>\n<p>Historicamente, a Venezuela vincula a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura a suas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo. O ciclo de altos pre\u00e7os internacionais do setor nesta d\u00e9cada encontrou seu poderoso vizinho do Sul em condi\u00e7\u00f5es vantajosas de oferecer servi\u00e7os de engenharia e associa\u00e7\u00f5es para a ind\u00fastria pesada e o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um interesse de empresas brasileiras por aproveitar o parque industrial e o mercado venezuelano, por adquirir empresas ou associar-se a elas, ao se apresentar como uma grande \u00e1rea de neg\u00f3cios o Norte de seu pa\u00eds, Venezuela e Caribe\u201d, disse Fernando. Uma caracter\u00edstica desta presen\u00e7a \u00e9 que estas companhias n\u00e3o s\u00e3o tocadas pelo processo de estatiza\u00e7\u00e3o iniciado em 2007 pelo presidente venezuelano, Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica se aprofundou este ano com a estatiza\u00e7\u00e3o de 220 empresas, estrangeiras e venezuelanas, inclusive em setores onde tamb\u00e9m atuam como protagonistas as companhias brasileiras, como siderurgia, constru\u00e7\u00e3o e qu\u00edmica. Jornalistas que no dia 26 de maio de 2009 acompanhavam em Salvador, no Estado da Bahia, um encontro entre Ch\u00e1vez e o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, ouviram, quando ficaram abertos acidentalmente os microfones de uma reuni\u00e3o privada, o mandat\u00e1rio venezuelano dizer: \u201cEstamos em uma fase de nacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas, menos as brasileiras\u201d.<\/p>\n<p>Em tom de brincadeira, Ch\u00e1vez admitiu que pediu ao empres\u00e1rio brasileiro Emilio Odebrecht que aderisse \u00e0 causa socialista. \u201cTentei conversar com don Emilio para que seguisse o socialismo. Ele riu e me disse que n\u00e3o\u201d, contou o governante. Mas a Odebrecht conduz na Venezuela pelo menos 15 grandes obras de infraestrutura, no valor de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares, e, \u201ccom Ch\u00e1vez ou sem ele, aqui tem trabalho para no m\u00ednimo dez anos\u201d, disse \u00e0 IPS o empres\u00e1rio venezuelano Luis Berlioz, da Comopa, empresa que trabalha com a brasileira em produtos de concreto.<\/p>\n<p>A obra mais vis\u00edvel e emblem\u00e1tica \u00e9 a segunda ponte rodovi\u00e1ria sobre o Rio Orenoco, de pouco mais de tr\u00eas quil\u00f4metros de comprimento, que com suas liga\u00e7\u00f5es e acessos foi constru\u00edda entre 2001 e 2006, ao custo de US$ 1,28 bilh\u00e3o. S\u00f3 a ponte custou US$ 886 milh\u00f5es, embora a estimativa original fosse US$ 480 milh\u00f5es. Esta ponte beneficia dois milh\u00f5es de habitantes no sudeste venezuelano e, por sua localiza\u00e7\u00e3o junto a Ciudad Guayana, cidade industrial a 500 quil\u00f4metros de Caracas, \u00e9 o entroncamento para a conex\u00e3o vi\u00e1ria entre os dois pa\u00edses com portos do Caribe no nordeste da Venezuela.<\/p>\n<p>Em milh\u00f5es pode-se tamb\u00e9m contar os usu\u00e1rios de outras obras das quais a Odebrecht participa, como a represa Tocoma, com custo de US$ 3 bilh\u00f5es que quando estiver conclu\u00edda, em meados desta d\u00e9cada, agregar\u00e1 dois mil megawatts aos quase 14 mil que j\u00e1 disp\u00f5e o sistema hidrel\u00e9trico do baixo Caron\u00ed, o sudeste venezuelano.<\/p>\n<p>A Odebrecht constroi tamb\u00e9m linhas do metr\u00f4 em Caracas e cidades vizinhas, o sistema combinado de trens subterr\u00e2neos e \u00f4nibus, bem como infraestrutura para tratamento de \u00e1gua a leste da capital e para a cidade de Maraca\u00edbo, e o Metrocable (telef\u00e9ricos) para bairros em colinas de Caracas. Tamb\u00e9m est\u00e1 encarregada de construir 11 mil moradias no sudeste, uma usina petroqu\u00edmica, molhes e uma terceira ponte sobre o Orenoco.<\/p>\n<p>\u201cUma caracter\u00edstica da Odebrecht, que deixa bons resultados para a Venezuela, \u00e9 sua exig\u00eancia em quest\u00f5es como solv\u00eancia de seus contratistas ou seguran\u00e7a para seus oper\u00e1rios. E \u00e9 dif\u00edcil ajustar or\u00e7amentos quando h\u00e1 atraso no fornecimento de materiais ou lidar com at\u00e9 dez sindicatos, frequentemente rivais entre si\u201d, segundo Luis.<\/p>\n<p>A Camargo Correa, outra construtora, executa obras no Rio Tuy, que fornece \u00e1gua a Caracas, por US$ 476 milh\u00f5es, parte de um projeto para saneamento h\u00eddrico e aumento da capacidade dos aquedutos. No Estado de Zulia, a brasileira Gerdau opera desde 2007 a sider\u00fargica Sizuca, que produz 300 mil toneladas anuais de a\u00e7o cru e 200 mil toneladas de laminados, e a qu\u00edmica Oxiteno tem ali uma usina de tensoativos, que s\u00e3o insumos para detergentes, cosm\u00e9ticos, pinturas e t\u00eaxteis.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e1rea, a estatal Corpozulia, que explora minas de carv\u00e3o, assinou com a brasileira Vale um conv\u00eanio de explora\u00e7\u00e3o de mais minas na serra de Perij\u00e1, que \u00e9 reivindicada como habitat por quatro etnias ind\u00edgenas, e entre elas v\u00e1rias comunidades s\u00e3o contra o prosseguimento da explora\u00e7\u00e3o mineira.<\/p>\n<p>Enquanto a presen\u00e7a brasileira se mostra em guindastes e concreto armado, o com\u00e9rcio bilateral floresce e, ao contr\u00e1rio do ocorrido nas \u00faltimas d\u00e9cadas do S\u00e9culo 20, a balan\u00e7a favorece esse pa\u00eds, cada vez menos dependente do petr\u00f3leo importado e transformado em grande fornecedor dos alimentos consumidos na Venezuela. Em1999, o com\u00e9rcio bilateral foi de US$ 1,511 bilh\u00e3o, dos quais US$ 974 milh\u00f5es foram vendas venezuelanas. Em 2009, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras foram de US$ 3,61 bilh\u00f5es e suas importa\u00e7\u00f5es da Venezuela de apenas US$ 581 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cPara este ano, a tend\u00eancia se manter\u00e1, com cerca de US$ 600 milh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es da Venezuela e US$ 3,5 bilh\u00f5es do Brasil disse \u00e0 IPS o chefe de promo\u00e7\u00e3o comercial na Lega\u00e7\u00e3o brasileira, Carlos Santana. Os produtos que a Venezuela mais importa s\u00e3o carnes bovina e de frango, a\u00e7\u00facar, telefone celular, pneus e pe\u00e7as de autom\u00f3veis, \u00f3leo de soja, caf\u00e9 e leite. O que o Brasil mais compra s\u00e3o insumos para petroqu\u00edmica, coque, hulha e eletricidade (US$ 31,5 milh\u00f5es em 2009), atrav\u00e9s de uma rede de linhas desde as represas do Rio Caron\u00ed.<\/p>\n<p>No entanto, nem sempre tudo corre bem. A crise global, desatada nos Estados Unidos em 2008, levou a petroqu\u00edmica Braskem a reformular a Propilsur, uma usina para produzir 450 milh\u00f5es de toneladas anuais de polipropileno, que \u00e9 constru\u00edda no leste venezuelano, e na qual o Brasil j\u00e1 n\u00e3o investir\u00e1 US$ 1 bilh\u00e3o, mas US$ 500 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Do seu lado, a estatal Petroleos de Venezuela se viu em apuros para dar os 40% que lhe cabem no projeto da refinaria \u201cAbreu e Lima\u201d, no Nordeste brasileiro, com custo estimado de US$ 4 bilh\u00f5es, que poderia refinar diariamente 230 mil barris de petr\u00f3leo, principalmente venezuelano. Sua contraparte, a Petrobras, que captou em mercados internacionais US$ 70 bilh\u00f5es para seus planos de expans\u00e3o, desenvolve apenas os trabalhos de constru\u00e7\u00e3o da refinaria, desde 2009.<\/p>\n<p>Na Venezuela, \u201ccerca de 36 projetos envolvendo empresas brasileiras est\u00e3o \u00e0 espera de melhores condi\u00e7\u00f5es, como fluidez nos recursos ou que o pa\u00eds ingresse no Mercosul\u201d, disse Fernando. A entrada no Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, como membro pleno \u2013 que aguarda a aprova\u00e7\u00e3o do parlamento paraguaio \u2013 \u201csimplificaria os processos aduaneiros para mais com\u00e9rcio e daria maior seguran\u00e7a jur\u00eddica, permitindo a entrada de mais empresas brasileiras\u201d, acrescentou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 17\/11\/2010 &ndash; Pontes, ferrovias, petroqu\u00edmicas, siderurgia, eletricidade, aquedutos, agricultura, frigor\u00edficos, estaleiros e at\u00e9 telef\u00e9ricos: o potente bra\u00e7o empresarial brasileiro avan\u00e7a para o Caribe atrav\u00e9s da Venezuela, cujo governo se empenha em construir o que chama de socialismo do S\u00e9culo 21. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/america-latina\/invasao-capitalista-brasileira-incentiva-socialismo-venezuelano\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,10,11],"tags":[],"class_list":["post-7414","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7414\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}