{"id":742,"date":"2005-06-29T00:00:00","date_gmt":"2005-06-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=742"},"modified":"2005-06-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-29T00:00:00","slug":"direitos-humanos-cresce-o-repdio-a-prticas-antiterroristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/direitos-humanos-cresce-o-repdio-a-prticas-antiterroristas\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Cresce o rep&uacute;dio a pr&aacute;ticas antiterroristas"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 29\/06\/2005 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, grupos de direitos humanos e membros do Congresso dos Estados Unidos condenam seq&uuml;estros, traslados extrajudiciais, deten&ccedil;&otilde;es indefinidas e torturas praticadas por agentes norte-americanos contra supostos terroristas. As vozes contra a &quot;guerra antiterrorista&quot; dos Estados Unidos, lan&ccedil;ada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington, multiplicaram nos &uacute;ltimos dias. &quot;Proibir a tortura n&atilde;o &eacute; algo negoci&aacute;vel&quot;, disse o secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan, por ocasi&atilde;o do Dia Internacional de Apoio &agrave;s V&iacute;timas da Tortura, celebrado no &uacute;ltimo domingo. &quot;Isto inclui uma absoluta proibi&ccedil;&atilde;o de trasladar qualquer pessoa para outra jurisdi&ccedil;&atilde;o onde h&aacute; raz&otilde;es para se pensar que estar&atilde;o em risco de serem torturadas&quot;, acrescentou Annan, em clara alus&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas de Washington.<br \/> <!--more--> <br \/> O governo do presidente George W. Bush adotou a chamada pol&iacute;tica de &quot;rendition&quot; (traslados extrajudiciais) de presos para outros pa&iacute;ses a fim de interrog&aacute;-los e tortur&aacute;-los longe das restri&ccedil;&otilde;es legais dos Estados Unidos. Grupos defensores dos direitos humanos documentaram v&aacute;rios casos em que agentes norte-americanos trasladaram pessoas para lugares onde as submetiam a torturas sistem&aacute;ticas. Um dos casos chamou a aten&ccedil;&atilde;o da imprensa no final de semana, e colocou &agrave; prova as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre Estados Unidos e It&aacute;lia. A justi&ccedil;a italiana pediu h&aacute; alguns dias a deten&ccedil;&atilde;o de 13 funcion&aacute;rios da Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA) acusados de terem seq&uuml;estrado um cl&eacute;rigo eg&iacute;pcio nas ruas de Mil&atilde;o e t&ecirc;-lo enviado em segredo para o Egito.<\/p>\n<p> Hassan Mustaf&aacute; Nasr, de 42 anos, foi interceptado por agentes da CIA em fevereiro de 2003 quando se dirigia a uma mesquita. Os funcion&aacute;rios da ag&ecirc;ncia espirraram uma subst&acirc;ncia qu&iacute;mica em seus olhos e o colocaram em uma caminhonete. Primeiro, foi levado para uma base militar norte-americana na Alemanha e em seguida para o Egito. No ano passado, Nasr foi libertado temporariamente e p&ocirc;de se comunicar por telefone com familiares e amigos. Contou a eles que seus seq&uuml;estradores o torturaram com choques el&eacute;tricos nos &oacute;rg&atilde;os genitais e que ficou surdo de um ouvido por causa dos maus-tratos. Em seguida, voltou a desaparecer. A acusa&ccedil;&atilde;o na It&aacute;lia contra os agentes da CIA foi a primeira a&ccedil;&atilde;o legal contra pessoal norte-americano pela &quot;guerra antiterrorista&quot;.<\/p>\n<p> Autoridades dos dois pa&iacute;ses se negam a comentar o caso, enquanto cada vez mais organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos humanos e especialistas legais europeus expressam seu rep&uacute;dio a esse tipo de procedimento da CIA. Tamb&eacute;m criticam a resist&ecirc;ncia de Washington em permitir que observadores internacionais visitem pris&otilde;es como a da base militar de Guant&acirc;namo, em territ&oacute;rio cubano, onde permanecem detidos cerca de 500 &quot;combatentes inimigos&quot; capturados durante as invas&otilde;es norte-americanas no Afeganist&atilde;o, em 2001, e no Iraque, em 2003. O governo Bush se nega a reconhecer-lhes o status de prisioneiros de guerra, mas tampouco apresenta processos penais contra eles, nem permitem que tenham defesa legal.<\/p>\n<p> Na &uacute;ltima sexta-feira, a Anistia Internacional pediu a Washington para abrir seus centros de deten&ccedil;&atilde;o em todo o mundo para que especialistas da ONU sobre tortura possam realizar uma investiga&ccedil;&atilde;o. &quot;Os Estados Unidos n&atilde;o somente est&atilde;o em falta por n&atilde;o fazerem uma investiga&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, mas tamb&eacute;m por impedirem que especialistas estrangeiros em direitos humanos realizem uma inspe&ccedil;&atilde;o independente&quot;, disse a AI em um comunicado. Esta organiza&ccedil;&atilde;o uniu-se &agrave; reclama&ccedil;&atilde;o da semana passada de quatro especialistas em direitos humanos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas aos quais foi negado acesso &agrave; pris&atilde;o de Guant&acirc;namo. &quot;Nenhum pa&iacute;s est&aacute; acima da lei&quot;, disseram os especialistas no &uacute;ltimo dia 23.<\/p>\n<p> Annan disse que a tortura &eacute; uma pr&aacute;tica &quot;inaceit&aacute;vel que n&atilde;o pode ser tolerada&quot; em nenhuma de suas formas e em nenhum contexto, e destacou o artigo 3 da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas contra a Tortura, que explicitamente pro&iacute;be o traslado de pessoas para outras jurisdi&ccedil;&otilde;es para serem submetidas a maus-tratos f&iacute;sicos. Os Estados Unidos ratificaram o tratado em 1994, mas o governo Bush agora argumenta que seu pa&iacute;s enfrenta um perigo sem precedentes que o obriga a adotar medidas dr&aacute;sticas para enfrentar um inimigo que viola todas as regras da guerra.<\/p>\n<p> A Anistia Internacional considerou &quot;essencial&quot; realizar uma investiga&ccedil;&atilde;o independente e alertou que quanto menos contato os detidos tiverem com o mundo exterior maior &eacute; o risco de serem submetidos a tratamentos degradantes e desumanos. Al&eacute;m disso, exortou o Congresso norte-americano a designar uma comiss&atilde;o independente para investigar as pol&iacute;ticas de deten&ccedil;&atilde;o e interrogat&oacute;rio na &quot;guerra antiterrorista&quot; e pedir um conselho de especialistas da ONU para garantir a imparcialidade do estudo perante os olhos do mundo. &quot;A tortura n&atilde;o det&eacute;m o terrorismo. A tortura &eacute; o terrorismo&quot;, afirmou a Anistia.<\/p>\n<p> No &uacute;ltimo final de semana, legisladores norte-americanos visitaram a pris&atilde;o de Guant&acirc;namo. Alguns disseram que se trata de &quot;uma vergonha internacional&quot; para os Estados Unidos, mas outros defenderam sua exist&ecirc;ncia.&quot;Nossa posi&ccedil;&atilde;o &eacute; que, legalmente (a pris&atilde;o) pode permanecer de forma perp&eacute;tua&quot;, afirmou h&aacute; alguns dias o assistente do promotor-geral, Michael Wiggins, durante audi&ecirc;ncia na Comiss&atilde;o Judicial do Senado. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 29\/06\/2005 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, grupos de direitos humanos e membros do Congresso dos Estados Unidos condenam seq&uuml;estros, traslados extrajudiciais, deten&ccedil;&otilde;es indefinidas e torturas praticadas por agentes norte-americanos contra supostos terroristas. As vozes contra a &quot;guerra antiterrorista&quot; dos Estados Unidos, lan&ccedil;ada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington, multiplicaram nos &uacute;ltimos dias. &quot;Proibir a tortura n&atilde;o &eacute; algo negoci&aacute;vel&quot;, disse o secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan, por ocasi&atilde;o do Dia Internacional de Apoio &agrave;s V&iacute;timas da Tortura, celebrado no &uacute;ltimo domingo. &quot;Isto inclui uma absoluta proibi&ccedil;&atilde;o de trasladar qualquer pessoa para outra jurisdi&ccedil;&atilde;o onde h&aacute; raz&otilde;es para se pensar que estar&atilde;o em risco de serem torturadas&quot;, acrescentou Annan, em clara alus&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas de Washington.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/direitos-humanos-cresce-o-repdio-a-prticas-antiterroristas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/742\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}