{"id":7422,"date":"2010-11-18T13:43:52","date_gmt":"2010-11-18T13:43:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7422"},"modified":"2010-11-18T13:43:52","modified_gmt":"2010-11-18T13:43:52","slug":"voltar-a-formar-as-parteiras-tradicionais-do-rwanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/africa\/voltar-a-formar-as-parteiras-tradicionais-do-rwanda\/","title":{"rendered":"Voltar a Formar as Parteiras Tradicionais do Rwanda"},"content":{"rendered":"<p>KIGALI, 18\/11\/2010 &ndash; Dois anos de forma\u00e7\u00e3o de parteiras tradicionais em \u00e1reas rurais remotas permitiram ao Ruanda reduzir a mortalidade materna, afirma o Departamento de Sa\u00fade daquele pa\u00eds. <!--more--> No Ruanda, onde quase metade das mulheres d\u00e1 \u00e0 luz em casa, a maioria das parteiras tradicionais s\u00e3o trabalhadoras n\u00e3o qualificadas que dependem das compet\u00eancias que lhes s\u00e3o transmitidas pelas mulheres mais velhas da comunidade. Muitas delas utilizam equipamento n\u00e3o esterilizado, por vezes prejudicando m\u00e3e e b\u00e9be. <\/p>\n<p>Sendo extremamente pobres, as m\u00e3es gr\u00e1vidas est\u00e3o muito dependentes das parteiras tradicionais visto n\u00e3o terem acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, uma vez que n\u00e3o t\u00eam os recursos necess\u00e1rios para pagarem o transporte para a cl\u00ednica ou hospital mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Laetitia Mureshyankwano, uma m\u00e3e de 42 anos que vive no distrito montanhoso de Gisagara, no sul do pa\u00eds, diz que teve cinco filhos com a ajuda das parteiras tradicionais, mas s\u00f3 dois b\u00e9bes sobreviveram ao parto.<\/p>\n<p>Como Mureshyankwano, muitas mulheres nas zonas rurais sofreram muito quando tiveram complica\u00e7\u00f5es durante o parto, enquanto outras descrevem o medo de serem infectadas com o VIH devido a precau\u00e7\u00f5es insuficientes com a seguran\u00e7a e saneamento.<\/p>\n<p>\u201cEmbora usem luvas e aventais durante o parto, n\u00e3o nos sentimos seguras porque n\u00e3o sabemos o grau de limpeza do equipamento,\u201d explica Mureshyankwano. Ela acredita que o programa de forma\u00e7\u00e3o das parteiras tradicionais \u00e9 uma boa iniciativa para melhorar a situa\u00e7\u00e3o das mulhers gr\u00e1vidas que vivem em \u00e1reas remotas. <\/p>\n<p>Segundo as estat\u00edsticas do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia, em 2008 o Ruanda apresentou uma taxa de mortalidade materna de 750 mortes por 100.000 pessoas. O Departamento de Sa\u00fade nacional est\u00e1 confiante que o pr\u00f3ximo relat\u00f3rio, que dever\u00e1 ser apresentado em 2011, mostrar\u00e1 uma melhoria significativa relativamente a este n\u00famero. <\/p>\n<p>Na cimeira das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Mil\u00e9nio (ODM) realizada em Nova Yorque em Setembro, o Ruanda foi aplaudido pelo \u201cimportante progresso\u201d alcan\u00e7ado na consecu\u00e7\u00e3o do ODM 5, referente \u00e0 melhoria da sa\u00fade materna. <\/p>\n<p>\u201cO governo est\u00e1 empenhado em alcan\u00e7ar a meta de nenhuma morte porque nenhuma mulher deve morrer durante o parto,\u201d observpu a Secret\u00e1ria Permanente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Agnes Binagwaho, acrescentando que, atrav\u00e9s do programa de forma\u00e7\u00e3o das parteiras tradicionais, \u201ceste empenho tornou-se realidade porque as comunidades est\u00e3o mais bem servidas.\u201d<\/p>\n<p>A fim reduzir a mortalidade materno-infantil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Ruanda lan\u00e7ou um programa de forma\u00e7\u00e3o destinado \u00e0s parteiras tradicionais em Agosto de 2008, que lhes ensina t\u00e9cnicas de enfermagem e de obstetr\u00edcia b\u00e1sicas. Atrav\u00e9s do programa, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tamb\u00e9m espera resolver a escassez geral de trabalhadores de sa\u00fade, especialmente nas zonas rurais. <\/p>\n<p>O Ruanda tem menos de uma parteira por 10.000 pessoas, de acordo com as estat\u00edsticas do Departamento. <\/p>\n<p>As parteiras tradicionais que n\u00e3o participaram no programa de forma\u00e7\u00e3o est\u00e3o oficialmente proibidas de assistirem a partos mas podem ajudar a monitorizar as gravidezes, encorajar as mulheres a receberem cuidados pr\u00e9-natais regulares e educ\u00e1-las sobre potenciais problemas. <\/p>\n<p>Para ajudar as parteiras tradicionais recentemente formadas, o Departamento de Sa\u00fade tamb\u00e9m providenciou telem\u00f3veis para 432 trabalhadoras de sa\u00fade comunit\u00e1rias respons\u00e1veis pela sa\u00fade materna a n\u00edvel distrital. Atrav\u00e9s delas, as parteiras tradicionais podem agora comunicar os casos dif\u00edceis e as complica\u00e7\u00f5es ou emerg\u00eancias \u00e0 cl\u00ednica ou hospital mais pr\u00f3ximos. <\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m comprou 67 ambul\u00e2ncias, uma para cada hospital distrital, para assegurar que as mulheres gr\u00e1vidas em zonas rurais possam aceder a cuidados de emerg\u00eancia. <\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios do Departamento de Sa\u00fade afirmaram que n\u00e3o podiam divulgar o or\u00e7amento dispon\u00edvel para o programa de forma\u00e7\u00e3o das parteiras tradicionais e iniciativas semelhantes. <\/p>\n<p>O Departamento de Sa\u00fade reconhece que ter\u00e1 de continuar a investir nos cuidados de sa\u00fade materna. Outros servi\u00e7os de sa\u00fade materna e sexual, como o planeamento familiar, v\u00e3o tamb\u00e9m precisar de serem refor\u00e7ados. <\/p>\n<p>Para assegurar a sustentabilidade a longo prazo do programa das parteiras tradicionais ser\u00e1 crucial que as parteiras tradicionais formadas recebam um n\u00edvel de remunera\u00e7\u00e3o que as encoraje a continuar a trabalhar nas zonas rurais em vez de procurarem empregos nos hospitais e cl\u00ednicas das zonas urbanas \u2013 como muitos trabalhadores de sa\u00fade qualificados o fizeram no passado. <\/p>\n<p>Marie Rose Mujawamariya, residente no distrito de Kamonyi, uma hora a sul de Kigali, a capital do Ruanda, \u00e9 uma das parteiras tradicionais que recentemente participaramu no programa de forma\u00e7\u00e3o de parteiras tradicionais de Departamento de Sa\u00fade. <\/p>\n<p>Ela ainda n\u00e3o recebe um sal\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas diz esperar que a forma\u00e7\u00e3o a ajude a criar uma melhor fonte de rendimento.<\/p>\n<p>Enquanto anteriormente os seus clientes negociavam os honor\u00e1rios pagos pelos seus servi\u00e7os, Mujawamariya planeia cobrar $10 por parto com base nas suas novas compet\u00eancias. <\/p>\n<p>Embora Mujawamariya costumasse ajudar as mulheres com base naquilo que tinha aprendido da av\u00f3, agora fala com orgulho das suas novas compet\u00eancias como parteira, como verificar a posi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ainda por nascer para se certificar que pode efectuar-se um parto natural ou determinar quando \u00e9 necess\u00e1rio prestar assist\u00eancia m\u00e9dica. <\/p>\n<p>\u201cAgora posso ajudar as mulheres a terem um parto seguro,\u201d declarou. <\/p>\n<p>Diz Mujawamariya: &#8220;Esta medida (proporcionar forma\u00e7\u00e3o \u00e0s parteiras tradicionais) d\u00e1 esperan\u00e7a que a sa\u00fade da m\u00e3e e da crian\u00e7a sejam garantidas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KIGALI, 18\/11\/2010 &ndash; Dois anos de forma\u00e7\u00e3o de parteiras tradicionais em \u00e1reas rurais remotas permitiram ao Ruanda reduzir a mortalidade materna, afirma o Departamento de Sa\u00fade daquele pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/africa\/voltar-a-formar-as-parteiras-tradicionais-do-rwanda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-7422","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7422\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}