{"id":7423,"date":"2010-11-18T13:45:49","date_gmt":"2010-11-18T13:45:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7423"},"modified":"2010-11-18T13:45:49","modified_gmt":"2010-11-18T13:45:49","slug":"agricultura-uganda-urina-resolve-o-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/africa\/agricultura-uganda-urina-resolve-o-problema\/","title":{"rendered":"AGRICULTURA-UGANDA: Urina Resolve o Problema"},"content":{"rendered":"<p>KAMPALA, 18\/11\/2010 &ndash; Enfrentando um grave decl\u00ednio na fertilidade do solo, que resulta numa baixa produ\u00e7\u00e3o de culturas, os agricultores ugandeses decidiram recorrer \u00e0 urina humana para melhorar a produtividade do solo. <!--more--> Os cientistas descobriram que a urina \u00e9 uma fonte prim\u00e1ria de nitrog\u00e9nio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio, elementos cruciais para a sa\u00fade das plantas e para criar resist\u00eancia contra as doen\u00e7as. Afirmam que o uso da urina como fertilizante ir\u00e1 ajudar a reabilitar os solos do pa\u00eds que sofrem os efeitos da eros\u00e3o e est\u00e3o deteriorados. <\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o da urina humana tamb\u00e9m \u00e9 muito mais barata que os adubos qu\u00edmicos, o que representa uma vantagem adicional para os pequenos agricultores do pa\u00eds, que muitas vezes n\u00e3o t\u00eam capacidade financeira para comprar insumos agr\u00edcolas. No Uganda, um saco de 50 quilos de fertilizante custa a quantia colossal de 70 d\u00f3lares enquanto que a urina custa&#8230; zero.<\/p>\n<p>N\u00e3o desperdi\u00e7ar &#8230; <\/p>\n<p>A ideia de usar a urina como fertilizante l\u00edquido foi inicialmente promovida pelo Saneamento Ecol\u00f3gico (EcoSan), um fabricante internacional de retretes ecol\u00f3gicas sem \u00e1gua, atrav\u00e9s da Cruz Vermelha do Uganda. As retretes EcoSan separam a urina das fezes em compartimentos diferentes para que possam voltar a ser usados como fertilizante l\u00edquido e estrume. <\/p>\n<p>Mas, uma vez que a Cruz Vermelha s\u00f3 pode financiar um n\u00famero limitado destas retretes, que custam entre 320 e 1.500 d\u00f3lares, a maior parte dos ugandeses que ganham perto de 300 d\u00f3lares por ano, segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, n\u00e3o tem recursos financeiros para comprar uma destas retretes. <\/p>\n<p>Em vez disso, os agricultores em mais de 30 distritos no Uganda arranjaram uma alternativa: simplesmente pediram aos membros das suas fam\u00edlias que urinassem para dentro de baldes ou bacias onde acumulam a urina. <\/p>\n<p>Rose Nabirye, uma agricultora de Mayuge, no leste do Uganda, disse que inicialmente olhou para esta quest\u00e3o com cepticismo e pensou que o fertilizante composto por urina n\u00e3o era higi\u00e9nico mas, quando o p\u00f4s \u00e0 prova, ficou extremamente satisfeita com os resultados. <\/p>\n<p>\u201cAgora tenho recipientes atr\u00e1s da minha retrete para recolher a urina de manh\u00e3 e \u00e0 tarde. Depois guardo-a em recipientes fechados durante uma semana antes de a espalhar por cima do estrume que \u00e9 aplicado no jardim,\u201d explicou. <\/p>\n<p>&#8230;N\u00e3o querer <\/p>\n<p>Nabirye afirma que o estrume embebido em urina, al\u00e9m de fertilizante l\u00edquido, a ajudou a aumentar a produ\u00e7\u00e3o de milho e legumes. <\/p>\n<p>Steven Nabuyaka, um agricultor de legumes do distrito de Bududa, relata como costumava gastar 20 d\u00f3lares em cada esta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para comprar alguns quilos de fertilizante para a sua horta de cebolas, at\u00e9 ser informado que, em vez disso, podia usar urina. <\/p>\n<p>Afirma que, depois de organiza\u00e7\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria como a Cruz Vermelha e a CARITAS, organismo de caridade cat\u00f3lico, terem come\u00e7ado a educar os pequenos agricultores sobre o fertilizante composto por urina humana, a not\u00edcia espalhou-se rapidamente por via oral nas comunidades de agricultores do pa\u00eds. <\/p>\n<p>\u201cExperimentei, e funciona,\u201d diz Nabuyaka com satisfa\u00e7\u00e3o. \u201cNa \u00faltima esta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o comprei qualquer tipo de fertolizante no mercado, e a colheita foi boa. Experimentei o fertilizante nas bananas e os resultados foram promissores.\u201d <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m constatou que a urina ajuda a destruir as pragas, especialmente nas bananeiras. <\/p>\n<p>Fertilizante essencial <\/p>\n<p>Quanto a Nabuyaka, o fertilizante de urina \u00e9, para a maior parte dos agricultores, a primeira oportunidade vi\u00e1vel de poderem adubar a terra. O Uganda tem um dos n\u00edveis mais baixos de uso de fertilizante em \u00c1frica. <\/p>\n<p>De acordo com um estudo efectuado em 2006 pelo Departamento de Agricultura do pa\u00eds, o Uganda usa apenas 0.37 quilos de nutrientes provenientes de fertilizantes por cada hectare, por compara\u00e7\u00e3o aos seis quilos por hectare na Tanz\u00e2nia, 16 quilos por hectare no Malawi, 31.6 quilos por hectare no Qu\u00e9nia e 51 quilos por hectare usados na \u00c1frica do Sul. <\/p>\n<p>As raz\u00f5es desta situa\u00e7\u00e3o, identificadas pelo estudo, s\u00e3o o elevado pre\u00e7o dos fertilizantes, o baixo n\u00edvel de distribui\u00e7\u00e3o de fertilizantes nas \u00e1reas rurais e a percep\u00e7\u00e3o por parte agricultores que os solos do Uganda n\u00e3o precisam de ser fortalecidos. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, acontece o contr\u00e1rio: a eros\u00e3o e o esgotamento dos nutrientes do solo constituem um problema no Uganda h\u00e1 d\u00e9cadas e levaram \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o generalizada das terras agr\u00edcolas e \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar. O solo est\u00e1 a ser esvaziado dos seus nutrientes a um ritmo alarmante, enquanto os agricultores se esfor\u00e7am para alimentar uma popula\u00e7\u00e3o em r\u00e1pida expans\u00e3o.<\/p>\n<p>O Professor Matete Bekunda, um cientista do solo na Faculdade de Agricultura da Universidade de Makerere, em Kampala, confirma que a produtividade agr\u00edcola no Uganda em larga medida tem permanecido estagnada devido ao baixo teor de nutrientes no solo. <\/p>\n<p>Refere que um grande problema \u00e9 o facto de os agricultores terem deixado de colocar as terras em pousio durante uma esta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de modo a dar-lhes a oportunidade de recuperarem alguma da sua fertilidade. \u201cA press\u00e3o populacional agora obriga-os a plantar cultura ap\u00f3s cultura, e esta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s esta\u00e7\u00e3o. Isto retira ao solo nutrientes que n\u00e3o s\u00e3o repostos. Assim, os alimentos produzidos pelo solo inf\u00e9rtil ser\u00e3o reduzidos,\u201d explicou. <\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Estabelecimentos Humanos (Habitat) de 2009, o Uganda tem uma taxa de crescimento populacional de 3.3 por cento, comparado com a m\u00e9dia mundial de 1.1 por cento. Cerca de 80 por cento da popula\u00e7\u00e3o depende de recursos como a terra e os lagos para a sua sobreviv\u00eancia. <\/p>\n<p>Os especialistas agr\u00edcolas como Bekunda esperam que o uso do fertilizante composto por urina pode constituir uma forma de melhorar um dos elementos que faz parte desta situa\u00e7\u00e3o, a degrada\u00e7\u00e3o dos solos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KAMPALA, 18\/11\/2010 &ndash; Enfrentando um grave decl\u00ednio na fertilidade do solo, que resulta numa baixa produ\u00e7\u00e3o de culturas, os agricultores ugandeses decidiram recorrer \u00e0 urina humana para melhorar a produtividade do solo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/africa\/agricultura-uganda-urina-resolve-o-problema\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":209,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-7423","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/209"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7423\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}