{"id":7426,"date":"2010-11-19T12:51:15","date_gmt":"2010-11-19T12:51:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7426"},"modified":"2010-11-19T12:51:15","modified_gmt":"2010-11-19T12:51:15","slug":"factor-feminino-e-fundamental-para-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/africa\/factor-feminino-e-fundamental-para-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"Factor Feminino \u00c9 Fundamental Para Direitos Humanos"},"content":{"rendered":"<p>DURBAN, 19\/11\/2010 &ndash; A forma\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es do g\u00e9nero antes das opera\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de paz \u201cn\u00e3o \u00e9 algo que se fa\u00e7a durante duas semanas antes do envio para o terreno,\u201d afirma Florence Butegwa, a representante da UNIFEM junto da Uni\u00e3o Africana (UA) e da Comiss\u00e3o Econ\u00f3mica das Na\u00e7\u00f5es Unidas para \u00c1frica (UNECA). <!--more--> O crescente reconhecimento internacional do valor das mulheres nas for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o de paz tem impulsionado os esfor\u00e7os da Uni\u00e3o Africana, com o apoio da UNIFEM, para aumentar o n\u00famero das muheres em opera\u00e7\u00f5es de paz. <\/p>\n<p>A Nig\u00e9ria abriu o caminho no que diz respeito \u00e0 presen\u00e7a das mulheres africanas nas for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o de paz enviadas para o terreno e espera aumentar o seu n\u00famero em conson\u00e2ncia com o esfor\u00e7o mundial, iniciado h\u00e1 um ano, no sentido de aumentar a propor\u00e7\u00e3o de mulheres nas opera\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de paz da For\u00e7a Policial das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNPOL) para 20 por cento at\u00e9 2014. <\/p>\n<p>Isto representaria mais do dobro dos actuais 8.7 por cento \u2013 1.218 mulheres da UNPOL distribuidas por v\u00e1rias partes do mundo \u2013 de acordo com as Na\u00e7\u00f5es Unidas. <\/p>\n<p>Outros pa\u00edses africanos querem seguir este exemplo. O Ruanda vai enviar 130 mulheres como parte da for\u00e7a de paz conjunta entre a Uni\u00e3o Africana e as Na\u00e7\u00f5es Unidas no Darfur antes do fim do ano. <\/p>\n<p>Seguem-se excertos da entrevista de Butegwa com a Terraviva: <\/p>\n<p>P: Que esfor\u00e7os espec\u00edficos est\u00e3o a ser envidados para garantir o recrutamento de mais oficiais do sexo feminino na for\u00e7a de manuten\u00e7\u00e3o da paz?<\/p>\n<p>R: Isso faz parte do debate em curso na Uni\u00e3o Africana e nos pa\u00edses membros, porque o recrutamento \u00e9 responsabilidade desses pa\u00edses. Em pa\u00edses como o Ruanda, estamos a fazer parcerias com o Minist\u00e9rio da Defesa e as for\u00e7as policiais de forma a garantir que o pa\u00eds aumente o seu pr\u00f3prio recrutamento e preste mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres nas for\u00e7as armadas. <\/p>\n<p>Pretende-se assegurar que n\u00e3o apenas haja um aumento do n\u00famero de mulheres nas for\u00e7as armadas do Ruanda mas tamb\u00e9m, quando contribuem para as opera\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas ou da Uni\u00e3o Africana, que as mulheres altamente treinadas e com um n\u00edvel hier\u00e1rquico superior sejam enviadas para o terreno de forma a fazerem diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>P: Como \u00e9 que os estados membros responderam? <\/p>\n<p>R: A resposta variou de pa\u00eds para pa\u00eds. Na Lib\u00e9ria, houve um esfor\u00e7o no sentido de ter for\u00e7as armadas altamente qualificadas que compreendam os direitos humanos. Muitas mulheres n\u00e3o conseguiram atingir esse patamar, devido em parte aos n\u00edveis educativos em geral das mulheres no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com o apoio da miss\u00e3o de paz e das organiza\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o governo conseguiu conceber um curr\u00edculo especial destinado a proporcionar qualifica\u00e7\u00f5es aceleradas \u00e0s mulheres e aos jovens. <\/p>\n<p>P: A Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana est\u00e1 a preparar um manual de forma\u00e7\u00e3o sobre o g\u00e9nero destinado a opera\u00e7\u00f5es de paz. Como \u00e9 que o manual ser\u00e1 usado e por quem? <\/p>\n<p>R: A UNIFEM est\u00e1 a apoiar a Direc\u00e7\u00e3o do G\u00e9nero a este respeito e o manual estar\u00e1 dispon\u00edvel ser usado nas institui\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Africana e, mais importante ainda, nos pa\u00edses que contribuem com tropas. Pretende-se que o g\u00e9nero seja integrado no curr\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 algo que se fa\u00e7a durante duas semanas antes do envio para o terreno. Para maior efic\u00e1cia, tem de fazer parte da cultura de aprendizagem. <\/p>\n<p>P: Que impacto t\u00eam as mulheres em miss\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de paz na seguran\u00e7a e paz em zonas de conflito? <\/p>\n<p>R: Depende. Por exemplo, trabalhei na Lib\u00e9ria [onde] a ideia \u00e9 que as mulheres sobreviventes, especialmente aquelas que sofreram viol\u00eancia baseada no g\u00e9nero, se sentem mais confort\u00e1veis quando falam com algumas destas mulheres que integram as for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o de paz. <\/p>\n<p>Mas lidar e responder \u00e0 viol\u00eancia baseada no g\u00e9nero, e compreender as rela\u00e7\u00f5es de g\u00e9nero numa zona de conflito, deve ser absolutamente a responsabilidade de todos. <\/p>\n<p>P: Como \u00e9 que a abertura do processo de entrada das mulheres nessas for\u00e7as pode afectar a natureza da forma\u00e7\u00e3o, que \u00e9 talvez vista como tendo um esp\u00edrito muito \u2018masculino\u2019? <\/p>\n<p>R: N\u00e3o sei, porque isto \u00e9 o in\u00edcio de um processo. At\u00e9 agora, nalguns pa\u00edses assiste-se a uma mudan\u00e7a, mas penso certamente que os valores subjacentes \u00e0 estrutura de comando, masculinos por natureza, tamb\u00e9m devem ser questionados. Tem de haver di\u00e1logo sobre esta quest\u00e3o, porque n\u00e3o se trata apenas de informa\u00e7\u00e3o sem se saber se as estruturas autorizam que o soldado responda de forma adequada&#8230;<\/p>\n<p>Obviamente que a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser dirigida apenas aos soldados, porque se os comandantes superiores n\u00e3o souberem integrar a sensibilidade de g\u00e9nero na sua estrutura de comando, ent\u00e3o n\u00e3o se haver\u00e1 qualquer impacto. <\/p>\n<p>P: N\u00e3o ser\u00e3o as pr\u00f3prias mulheres nas for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o de paz de alguma forma vulner\u00e1veis \u00e0 viol\u00eancia baseada no g\u00e9nero? <\/p>\n<p>R: Sem uma sensibilidade institucionalizada de g\u00e9nero, corre-se sempre o risco que isso aconte\u00e7ar, mas h\u00e1 pa\u00edses que t\u00eam tido mulheres soldados. Por exemplo, nos Estados Unidos h\u00e1 casos espor\u00e1dicos de ass\u00e9dio e abuso sexual. <\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 que exista uma pol\u00edtica clara que indique que esse comportamento n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel, acompanhado de um mecanismo para corrigir a situa\u00e7\u00e3o. Esperemos que os governos africanos levem isto a s\u00e9rio e que seja criado o mesmo tipo de modelos de rectifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DURBAN, 19\/11\/2010 &ndash; A forma\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es do g\u00e9nero antes das opera\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de paz \u201cn\u00e3o \u00e9 algo que se fa\u00e7a durante duas semanas antes do envio para o terreno,\u201d afirma Florence Butegwa, a representante da UNIFEM junto da Uni\u00e3o Africana (UA) e da Comiss\u00e3o Econ\u00f3mica das Na\u00e7\u00f5es Unidas para \u00c1frica (UNECA). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/africa\/factor-feminino-e-fundamental-para-direitos-humanos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-7426","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7426"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7426\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}