{"id":743,"date":"2005-06-29T00:00:00","date_gmt":"2005-06-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=743"},"modified":"2005-06-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-29T00:00:00","slug":"ambiente-o-milho-da-discrdia-da-monsanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/ambiente-o-milho-da-discrdia-da-monsanto\/","title":{"rendered":"Ambiente: O milho da disc&oacute;rdia da Monsanto"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 29\/06\/2005 &ndash; Milho transg&ecirc;nico cultivado e comercializado nos Estados Unidos e no Canad&aacute; teve um efeito adverso ao ser administrado a ratos de laborat&oacute;rio, conforme um estudo reservado da multinacional biotecnol&oacute;gica Monsanto revelado este m&ecirc;s pela justi&ccedil;a alem&atilde;. Cientistas independentes e ativistas europeus expressaram sua preocupa&ccedil;&atilde;o ao tomarem conhecimento desse fato. &quot;Se este milho &eacute; totalmente seguro, como afirma a Monsanto, por que a companhia procurou impedir que o estudo sobre o texto fosse conhecido?&quot;, perguntou &Eacute;ric Darier, da filial canadense da organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace. &quot;Por acaso, tentam ocultar o fato de que talvez n&atilde;o seja seguro?&quot;, acrescentou.<br \/> <!--more--> <br \/> Um tribunal da cidade de Col&ocirc;nia, na Alemanha, autorizou a divulga&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio cient&iacute;fico de 1.139 p&aacute;ginas a respeito da salubridade do milho transg&ecirc;nico MON 863, depois de desconsiderar os argumentos da Monsanto em favor da confidencialidade. O estudo, conclu&iacute;do em 2002, indica que ratos de laborat&oacute;rio que receberam como alimento o milho MON 863 durante 90 dias acabaram sofrendo m&aacute;s-forma&ccedil;&otilde;es nos rins e apresentando elevados n&iacute;veis de gl&oacute;bulos brancos. No entanto, a Monsanto afirmou que as &quot;supostas&quot; anormalidades n&atilde;o foram causadas pela ingest&atilde;o de seu milho, ao qual foi incorporada atrav&eacute;s da engenharia gen&eacute;tica uma prote&iacute;na que mata a larva do verme que ataca a raiz desse cultivo. Este relat&oacute;rio, junto com outras pesquisas, foram levadas &agrave; Autoridade Europ&eacute;ia de Sanidade Alimentar.<\/p>\n<p> O vice-presidente da Monsanto para regulamenta&ccedil;&otilde;es aliment&iacute;cias mundiais, Jerry Hjelle, disse que esse organismo europeu havia conclu&iacute;do que o MON 863 &quot;n&atilde;o teria, ao que parece, um efeito adverso sobre a sa&uacute;de humana ou animal ou sobre o meio ambiente&quot;. O produto atendeu todos os tr&acirc;mites obrigat&oacute;rios para seu cultivo e consumo nos Estados Unidos e no Canad&aacute;, onde &eacute; produzido desde 2003, informou Hjelle. Mas estas declara&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tranq&uuml;ilizaram o p&uacute;blico, segundo Darier. Anos de cortes or&ccedil;ament&aacute;rios nesses dois pa&iacute;ses esgotaram os recursos humanos dos laborat&oacute;rios cient&iacute;ficos estatais. Pior ainda: o controle da salubridade dos alimentos passou a ser responsabilidade das pr&oacute;prias empresas, afirmou o ativista.<\/p>\n<p> Funcion&aacute;rios da sanidade aliment&iacute;cia canadense afirmam que n&atilde;o realizaram suas pr&oacute;prias pesquisas sobre o milho MON 863 e que por isso o produto permanecer&aacute; no mercado, segundo noticiou a imprensa. Os organismos reguladores raramente verificam os resultados de estudos feitos por companhias como a Monsanto, pois n&atilde;o reiteram as provas apelando a cientistas independentes ou governamentais, explicou Darier. O estudo da Monsanto sobre o milho MON 863 &quot;&eacute; o primeiro levado a p&uacute;blico&quot;, afirmou o ativista. Os cientistas que revisaram a an&aacute;lise consideraram que obriga a uma investiga&ccedil;&atilde;o mais ampla.<\/p>\n<p> &quot;Se uma experi&ecirc;ncia produz resultados t&atilde;o chocantes, deve ser repetida&quot;, disse Gilles-Eric S&eacute;ralini, da Comiss&atilde;o de Engenharia Biomolecular, &oacute;rg&atilde;o do governo franc&ecirc;s encarregado de avaliar os riscos dos produtos transg&ecirc;nicos. De qualquer forma, o milho em quest&atilde;o &quot;n&atilde;o deveria contar com autoriza&ccedil;&atilde;o para ser destinado a alimento ou ra&ccedil;&atilde;o&quot;, disse S&eacute;ralini. Por sua vez, o cientista Arpad Pusztai, que revisou o estudo da Monsanto para o governo alem&atilde;o, disse que sua realiza&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o tinham muitos problemas. &quot;Os cientistas especialistas em nutri&ccedil;&atilde;o e as revistas especializadas n&atilde;o aceitariam estes erros e m&aacute;s interpreta&ccedil;&otilde;es flagrantes&quot;, disse Pusztai. &quot;Como os reguladores podem aceit&aacute;-los para um novo alimento geneticamente modificado?&quot;, perguntou.<\/p>\n<p> Os organismos reguladores canadenses e norte-americanos n&atilde;o analisaram este estudo, pois a Monsanto apenas o entregou aos reguladores alem&atilde;es, como determinam as normas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. A governamental Administra&ccedil;&atilde;o de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) n&atilde;o requer estudos sobre os efeitos da ingest&atilde;o de vegetais transg&ecirc;nicos, explicou o cientista Doug Gurian-Sherman, do n&atilde;o-governamental Centro de Sanidade Aliment&iacute;cia (CFS), com sede em Washington. &quot;A FDA assume que todos os cultivos transg&ecirc;nicos s&atilde;o perfeitamente seguros&quot;, disse Gurian-Sherman a IPS. De fato, a FDE n&atilde;o requer em absoluto nenhum estudo e somente faz recomenda&ccedil;&otilde;es e sugest&otilde;es. &quot;O processo que regulamenta os cultivos transg&ecirc;nicos &eacute; conduzido pelas empresas&quot;, explicou.<\/p>\n<p> As vers&otilde;es sobre efeitos adversos do milho transg&ecirc;nico da Monsanto come&ccedil;aram a circular h&aacute; mais de um ano na Europa, mas nenhuma ag&ecirc;ncia reguladora do governo norte-americano procurou obter o estudo completo. O CFS garantiu t&ecirc;-lo obtido no ano passado, disse Gurian-Sherman. Os organismos reguladores do governo norte-americano &quot;est&atilde;o dispostos a assumir certos riscos para incentivar a tecnologia&quot;, ironizou. Os ministros de Meio Ambiente da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia decidiram estabelecer oito proibi&ccedil;&otilde;es nacionais para a colza e o milho transg&ecirc;nicos. O milho MON 863 parece ter escapado da proibi&ccedil;&atilde;o, mas se for aprovado somente poder&aacute; ser utilizado como alimento para animais. Representantes da Monsanto negaram-se a comentar estas informa&ccedil;&otilde;es. (IPS\/Envolverde)<br \/> &#8212;<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 29\/06\/2005 &ndash; Milho transg&ecirc;nico cultivado e comercializado nos Estados Unidos e no Canad&aacute; teve um efeito adverso ao ser administrado a ratos de laborat&oacute;rio, conforme um estudo reservado da multinacional biotecnol&oacute;gica Monsanto revelado este m&ecirc;s pela justi&ccedil;a alem&atilde;. Cientistas independentes e ativistas europeus expressaram sua preocupa&ccedil;&atilde;o ao tomarem conhecimento desse fato. &quot;Se este milho &eacute; totalmente seguro, como afirma a Monsanto, por que a companhia procurou impedir que o estudo sobre o texto fosse conhecido?&quot;, perguntou &Eacute;ric Darier, da filial canadense da organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace. &quot;Por acaso, tentam ocultar o fato de que talvez n&atilde;o seja seguro?&quot;, acrescentou.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/ambiente-o-milho-da-discrdia-da-monsanto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-743","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=743"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}