{"id":7460,"date":"2010-11-26T12:39:07","date_gmt":"2010-11-26T12:39:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7460"},"modified":"2010-11-26T12:39:07","modified_gmt":"2010-11-26T12:39:07","slug":"a-juventude-europeia-nova-vitima-do-neoliberalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/economia\/a-juventude-europeia-nova-vitima-do-neoliberalismo\/","title":{"rendered":"A juventude europeia, nova v\u00edtima do neoliberalismo"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 26\/11\/2010 &ndash; O protesto sindical que percorre a Europa chegou ontem a Portugal, na segunda greve geral em 22 anos, em um pa\u00eds com as duas grandes centrais de trabalhadores separadas entre comunistas e socialistas, por suas orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas irreconcili\u00e1veis. <!--more--> A paralisa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds afetou servi\u00e7os essenciais, como educa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a, transporte, com\u00e9rcio, turismo e bancos, e \u00e9 a primeira greve geral que insiste em enfatizar a defesa dos direitos dos jovens.<\/p>\n<p>A nova gera\u00e7\u00e3o de europeus, em geral, e portugueses, em particular, foi descrita ontem pelo deputado independente Rui Tavares como \u201cuma m\u00e3o-de-obra prec\u00e1ria e n\u00e3o aproveitada, v\u00edtima do neoliberalismo e da crise do neoliberalismo\u201d. Como na paralisa\u00e7\u00e3o geral de 1988, contra o governo conservador (1985-1995) de An\u00edbal Cavaco Silva, atual presidente de Portugal, o protesto foi organizado pela Uni\u00e3o Geral de Trabalhadores (UGT), de tend\u00eancia socialista e socialdemocrata, e a Central Geral de Trabalhadores Portugueses (CGTP), majoritariamente comunista.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a desta mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 que o secret\u00e1rio-geral da UGT, Jo\u00e3o Proen\u00e7a, \u00e9 um destacado membro da dire\u00e7\u00e3o do Partido Socialista (PS), que hoje governa o pa\u00eds. Sem papas na l\u00edngua para criticar o governo de Jos\u00e9 S\u00f3crates, o l\u00edder sindical socialista desvirtuou as cr\u00edticas do executivo sobre os elevados custos para Portugal da jornada de paralisa\u00e7\u00e3o. Proen\u00e7a recordou que, nos dias 19 e 20, Lisboa foi paralisada pela c\u00fapula da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) na capital, e ent\u00e3o \u201cningu\u00e9m do governo se preocupou em fazer os c\u00e1lculos da perda econ\u00f4mica que isto significou para o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>A greve centrou seu protesto no or\u00e7amento para 2011, que inclui a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o congelamento das aposentadorias e as promo\u00e7\u00f5es de carreiras, o aumento do imposto sobre valor agregado (IVA) de 21% para 23% e redu\u00e7\u00f5es na ajuda a fam\u00edlias indigentes. A CGTP e a UGT representam cerca de 700 mil trabalhadores dos 5.587.300 integrantes da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, em um pa\u00eds de 10,6 milh\u00f5es de habitantes. Por\u00e9m, os sindicatos conseguiram mobilizar o grosso da popula\u00e7\u00e3o, segundo an\u00e1lises independentes ao fim da greve.<\/p>\n<p>As duas centrais concordam que os jovens s\u00e3o as novas v\u00edtimas do sistema, com um \u00edndice de desemprego que at\u00e9 duplica a taxa geral. A atual gera\u00e7\u00e3o portuguesa conta com as maiores qualifica\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, especialmente as mulheres, que constituem 52% dos estudantes universit\u00e1rios. Entretanto, a juventude n\u00e3o se v\u00ea beneficiada pelos postos de trabalho, pelo contr\u00e1rio. Pelos jovens esperam empregos que nada t\u00eam a ver com suas aptid\u00f5es acad\u00eamicas, por isso decidem emigrar, situa\u00e7\u00e3o em que se encontram 20% dos formados nas universidades, em uma tend\u00eancia em aumento, segundo estat\u00edsticas do Banco Mundial. Por este \u00eaxodo crescente, em breve \u201cseremos mais pobres, mais velhos e mais vulner\u00e1veis\u201d, diz em seu editorial sobre a jornada de greve o influente matutino independente P\u00fablico, de Lisboa.<\/p>\n<p>A greve criou um caos total em Portugal. Os sindicatos afirmam que a ades\u00e3o foi de 90%, enquanto o governo insistia em dizer que foi de apenas 20,1%. No entanto, estimativas dos jornalistas no terreno desmentem o otimismo do governo e avalizam as porcentagens dos sindicatos. As cidades paralisaram e todos os voos nacionais e internacionais foram cancelados nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e no arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores. Apenas funcionaram parcialmente os servi\u00e7os m\u00ednimos estipulados legalmente, como urg\u00eancias m\u00e9dicas, energia e abastecimento de combust\u00edvel e \u00e1gua, os bombeiros e integrantes das profiss\u00f5es que n\u00e3o concedem o direito \u00e0 greve: ju\u00edzes, parlamentares, militares e for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A greve portuguesa se insere em uma onda de reivindica\u00e7\u00f5es que se faz sentir em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, com um vasto movimento de protesto sindical contra a austeridade que ganhou terreno na Gr\u00e9cia, Fran\u00e7a, Espanha, Irlanda e recentemente Gr\u00e3-Bretanha. Tamb\u00e9m est\u00e3o previstos protestos para breve na Eslov\u00eania, Pol\u00f4nia e Rom\u00eania. Ao expressar seu apoio \u00e0 greve portuguesa, o brit\u00e2nico John Monks, secret\u00e1rio-geral da Confedera\u00e7\u00e3o Europeia de Sindicatos, previu \u201cmuita agita\u00e7\u00e3o e greves gerais nos pr\u00f3ximos meses\u201d. Nesse contexto, anunciou para dezembro uma jornada de mobiliza\u00e7\u00e3o geral da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>No bloco de 27 pa\u00edses, 502 milh\u00f5es de habitantes e uma popula\u00e7\u00e3o ativa de 239,3 milh\u00f5es (7,2% imigrantes), os desempregados s\u00e3o 23 milh\u00f5es, o que deixa milh\u00f5es de europeus em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. No caso de Portugal, 610 mil trabalhadores est\u00e3o desempregados e o futuro s\u00f3 piora. A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) projeta que a economia lusa cair\u00e1, em 2011, -0,2% e o desemprego vai afetar 11,4% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, contra 10,6% atuais.<\/p>\n<p>A estes desanimadores \u00edndices somam-se a redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios sociais e, em v\u00e1rios casos, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio. Os sindicatos europeus afirmam que a crise n\u00e3o deve ser suportada apenas pelos trabalhadores e Monks alerta que os planos de austeridade fiscal provocar\u00e3o \u201cum efeito brutal sobre os indiv\u00edduos e sobre a economia\u201d. O que n\u00e3o esteve em greve nesta jornada foi a inclemente press\u00e3o dos mercados sobre Portugal e Espanha, o que faz prever que o resgate \u00e0 Irlanda, no dia 20, n\u00e3o resolveu a desconfian\u00e7a sobre as finan\u00e7as europ\u00e9ias, e em particular sobre a dos pa\u00edses ib\u00e9ricos.<\/p>\n<p>Ao que parece, a sorte est\u00e1 lan\u00e7ada para Portugal sob forte press\u00e3o da especula\u00e7\u00e3o financeira global, que obrigaria Lisboa a recorrer ao fundo de emerg\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia e ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional. Por outro lado, o efeito domin\u00f3 tamb\u00e9m colocou a Espanha em zona de risco e teme-se o pior: uma ruptura financeira grave em toda a zona do euro. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 26\/11\/2010 &ndash; O protesto sindical que percorre a Europa chegou ontem a Portugal, na segunda greve geral em 22 anos, em um pa\u00eds com as duas grandes centrais de trabalhadores separadas entre comunistas e socialistas, por suas orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas irreconcili\u00e1veis. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/economia\/a-juventude-europeia-nova-vitima-do-neoliberalismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,9],"tags":[18],"class_list":["post-7460","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-globalizacao","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7460\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}