{"id":7467,"date":"2010-11-26T13:42:52","date_gmt":"2010-11-26T13:42:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7467"},"modified":"2010-11-26T13:42:52","modified_gmt":"2010-11-26T13:42:52","slug":"peninsula-coreana-sobe-ao-topo-da-agenda-de-obama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/politica\/peninsula-coreana-sobe-ao-topo-da-agenda-de-obama\/","title":{"rendered":"Pen\u00ednsula coreana sobe ao topo da agenda de Obama"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 26\/11\/2010 &ndash; A \u00faltima coisa que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, precisava, tr\u00eas semanas depois de o opositor Partido Republicano vencer nas elei\u00e7\u00f5es legislativas, era um agravamento da crise na pen\u00ednsula coreana. <!--more--> A revela\u00e7\u00e3o de que a Coreia do Norte conseguiu construir uma instala\u00e7\u00e3o de enriquecimento de ur\u00e2nio capaz de fabricar armas nucleares, e o bombardeio norte-coreano contra uma ilha da Coreia do Sul esta semana, que matou dois soldados e dois civis, catapultou Pyongyang para o topo da j\u00e1 sobrecarregada agenda de Washington em mat\u00e9ria de pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>O bombardeio, respondido pelas for\u00e7as sul-coreanas, aumentou as tens\u00f5es na pen\u00ednsula ao seu m\u00e1ximo n\u00edvel em d\u00e9cadas, talvez desde o pr\u00f3prio fim da Guerra da Coreia, h\u00e1 mais de 50 anos. Esta crise tamb\u00e9m pode complicar as delicadas rela\u00e7\u00f5es entre Estados Unidos e China. Pequim \u00e9 vista em Washington como \u00fanica aliada da Coreia do Norte, cujo apoio econ\u00f4mico e diplom\u00e1tico \u00e9 o que mant\u00e9m a dinastia Kin governando os norte-coreanos.<\/p>\n<p>A China teme, h\u00e1 tempos, que um colapso do regime de Kim Jong II derive em um caos e provoque o deslocamento de milh\u00f5es de norte-coreanos para seu territ\u00f3rio, bem como uma poss\u00edvel interven\u00e7\u00e3o sul-coreana ou norte-americana a poucos metros de sua fronteira.<\/p>\n<p>O an\u00fancio feito por Washington, no dia 24, de que enviava seu porta-avi\u00f5es USS George Washington para participar de opera\u00e7\u00f5es militares conjuntas perto da costa norte-coreana a partir deste fim de semana, sem d\u00favida, aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o em Pequim e Pyongyang, sobretudo considerando a sensibilidade chinesa dos \u00faltimos meses em rela\u00e7\u00e3o a certas reclama\u00e7\u00f5es territoriais, incluindo uma sobre o Mar Amarelo.<\/p>\n<p>O envio do porta-avi\u00f5es tem o objetivo de demonstrar solidariedade com a Coreia do Sul, e tamb\u00e9m pode ser visto como uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 China. Segundo analistas em Washington, os exerc\u00edcios podem ser press\u00e1gio de um fortalecimento da capacidade militar dos Estados Unidos na regi\u00e3o, com mais de 25 mil soldados estacionados na Coreia do Sul neste momento.<\/p>\n<p>\u201cImagino que nas pr\u00f3ximas semanas e nos pr\u00f3ximos meses se ver\u00e1 maior presen\u00e7a norte-americana\u201d, disse o analista Alan Romberg, do Stimson Center, ex-conselheiro sobre \u00c1sia oriental no Departamento de Estado norte-americano. \u201cOs chineses n\u00e3o v\u00e3o gostar. Veem isso como algo dirigido contra eles. Mas isto \u00e9 parte do custo de deixar a Coreia do Norte seguir adiante e agir com o que consideramos impunidade\u201d, afirmou. Por seu lado, o porta-voz do Departamento de Estado, P. J. Crowley, disse que \u201cesperamos que a China seja clara, como n\u00f3s, em determinar sobre quem recai a responsabilidade pela atual situa\u00e7\u00e3o, pela atual tens\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os acontecimentos dos \u00faltimos dias complicaram a agenda de Obama, cuja pol\u00edtica externa se concentra em conseguir a ratifica\u00e7\u00e3o no Senado do novo Tratado de Redu\u00e7\u00e3o de Armas Estrat\u00e9gicas com a R\u00fassia at\u00e9 o final do ano. Al\u00e9m disso, sua administra\u00e7\u00e3o realiza uma grande revis\u00e3o da estrat\u00e9gia no Afeganist\u00e3o e se prepara para a visita de seu colega chin\u00eas, Hu Jintao, em janeiro, na qual, sem d\u00favida, a Coreia do Norte ser\u00e1 um dos mais importantes temas a serem discutidos, bem como a \u201cguerra de divisas\u201d.<\/p>\n<p>Os \u201cfalc\u00f5es\u201d (ala mais belicista) em Washington exigem que, tanto os Estados Unidos como a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, adotem san\u00e7\u00f5es contra Pyongyang. Tamb\u00e9m prop\u00f5em que o governo de Obama fa\u00e7a demonstra\u00e7\u00e3o de seu poder militar perto da fronteira norte-coreana, aumente as transmiss\u00f5es via sat\u00e9lite para esse pa\u00eds a fim de promover o descontentamento popular e redobre a press\u00e3o contra Pequim para que deixe de apoiar o regime norte-coreano, que estaria enfraquecido em momentos de transi\u00e7\u00e3o do poder de Kim Jong II para seu filho, Kim Jong Eun.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhando com Coreia do Sul e Jap\u00e3o, os Estados Unidos deveriam chamar uma unifica\u00e7\u00e3o das duas Coreias em termos aceit\u00e1veis para o Sul\u201d, escreveu Henry Sokolski, diretor do Centro de Educa\u00e7\u00e3o sobre N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o, na publica\u00e7\u00e3o direitista National Review. \u201cDeveriam convidar a China a participar, se quiser. Qualquer esfor\u00e7o s\u00e9rio exigir\u00e1 que a Coreia do Sul pe\u00e7a empr\u00e9stimos para financiar a transi\u00e7\u00e3o e que a China concorde em permitir a entrada de refugiados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entre as \u201cpombas\u201d (ala menos belicista), destaca-se a voz do ex-presidente Jimmy Carter (1977-1981), que prop\u00f4s o come\u00e7o de conversa\u00e7\u00f5es com Pyongyang, tanto de forma bilateral quanto no contexto da inst\u00e2ncia conhecida como Seis Partes, presidida pela China e que inclui tamb\u00e9m Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos, Jap\u00e3o e R\u00fassia.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a administra\u00e7\u00e3o Obama, que se orgulha de levar adiante uma \u201cpaciente estrat\u00e9gia\u201d, nega-se a aceitar estas sugest\u00f5es, e exige como condi\u00e7\u00e3o para qualquer aproxima\u00e7\u00e3o que Pyongyang desmantele completamente seu programa de armas nucleares. Tamb\u00e9m exige do governo norte-coreano que pe\u00e7a desculpas a Seul, ou ao menos expresse seu pesar, pelo disparo de um torpedo contra um navio de guerra sul-coreano, em mar\u00e7o deste ano, que matou 46 marinheiros. Com o apoio da China a Coreia do Norte nega terminantemente sua responsabilidade nesse epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>\u201cPara al\u00e9m das declara\u00e7\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es (pelo \u00faltimo incidente), no final das contas n\u00e3o temos muitas op\u00e7\u00f5es\u201d, segundo John Feffer, especialista em pen\u00ednsula coreana e que dirige o escrit\u00f3rio Pol\u00edtica Externa em Foco, do Instituto de Estudos Pol\u00edticos, em Washington. \u201cA paci\u00eancia estrat\u00e9gica de Obama s\u00f3 conseguiu que o Norte fa\u00e7a tudo para demonstrar sua impaci\u00eancia e que quer voltar \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o, com os Estados Unidos em particular. E as san\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiram muito, como demonstra a sofistica\u00e7\u00e3o da nova usina de enriquecimento de ur\u00e2nio da Coreia do Norte\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>*O blog de Jim Lobe sobre pol\u00edtica externa est\u00e1 em http:\/\/www.lobelog.com.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 26\/11\/2010 &ndash; A \u00faltima coisa que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, precisava, tr\u00eas semanas depois de o opositor Partido Republicano vencer nas elei\u00e7\u00f5es legislativas, era um agravamento da crise na pen\u00ednsula coreana. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/politica\/peninsula-coreana-sobe-ao-topo-da-agenda-de-obama\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[14],"class_list":["post-7467","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}