{"id":7484,"date":"2010-11-30T13:03:03","date_gmt":"2010-11-30T13:03:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7484"},"modified":"2010-11-30T13:03:03","modified_gmt":"2010-11-30T13:03:03","slug":"um-ano-de-extremos-climaticos-expostos-em-cancun","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/mundo\/um-ano-de-extremos-climaticos-expostos-em-cancun\/","title":{"rendered":"Um ano de extremos clim\u00e1ticos expostos em Canc\u00fan"},"content":{"rendered":"<p>Canc\u00fan, M\u00e9xico, 30\/11\/2010 &ndash; Este ano, provavelmente, foi o mais quente da hist\u00f3ria: altas temperaturas oce\u00e2nicas arrasaram os corais tropicais, o calor e a seca tomaram conta da R\u00fassia e as inunda\u00e7\u00f5es devastaram o Paquist\u00e3o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7484\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/84125.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7484\" class=\"size-medium wp-image-7484\" title=\"Delegados presentes na reuni\u00e3o ministerial pr\u00e9via \u00e0 COP 16. - Gentileza COP 16\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/84125.jpg\" alt=\"Delegados presentes na reuni\u00e3o ministerial pr\u00e9via \u00e0 COP 16. - Gentileza COP 16\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7484\" class=\"wp-caption-text\">Delegados presentes na reuni\u00e3o ministerial pr\u00e9via \u00e0 COP 16. - Gentileza COP 16<\/p><\/div>  Delegados internacionais, desde ontem em Cancun, buscam solu\u00e7\u00f5es na 16\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 16) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Apesar das evid\u00eancias cient\u00edficas cada vez mais contundentes quanto \u00e0 urg\u00eancia e aos riscos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e ao fato de cada vez mais se defender a ado\u00e7\u00e3o de medidas, \u00e9 improv\u00e1vel que os representantes de quase 200 pa\u00edses, reunidos at\u00e9 o dia 10 de dezembro neste balne\u00e1rio, cheguem a um novo acordo vinculante. Quando muito, quest\u00f5es como reflorestamento, financiamento clim\u00e1tico e compromissos em mat\u00e9ria de mitiga\u00e7\u00e3o ser\u00e3o mais desenvolvidos com a escassa esperan\u00e7a de que a pr\u00f3xima confer\u00eancia, em 2011 na \u00c1frica do Sul, possa produzir algum tipo de tratado.<\/p>\n<p>\u201cAs emiss\u00f5es de carbono continuam aumentando apesar da recess\u00e3o econ\u00f4mica, e nunca vi expectativas t\u00e3o baixas em rela\u00e7\u00e3o a uma Confer\u00eancia das Partes\u201d, disse Richard Somerville, destacado cientista clim\u00e1tico da Scripps Institution of Oceanography, com sede no Estado da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos. \u201cA ci\u00eancia \u00e9 bastante convincente quanto \u00e0 necessidade de uma a\u00e7\u00e3o urgente. N\u00e3o temos outros cinco anos para chegar a um acordo\u201d, disse Richard \u00e0 IPS\/TerraViva.<\/p>\n<p>Em 2009, ele e outros cientistas elaboraram uma atualiza\u00e7\u00e3o sobre as \u00faltimas descobertas da ci\u00eancia clim\u00e1tica: \u201cThe Copenhagen Diagnosis\u201d (O Diagn\u00f3stico de Copenhague). Esse informe concluiu que as emiss\u00f5es mundiais de carbono deveriam chegar a um topo e come\u00e7ar a baixar antes de 2020, para se ter esperan\u00e7a de impedir que o aquecimento global supere os dois graus.<\/p>\n<p>Contudo, os negociadores em Canc\u00fan n\u00e3o estar\u00e3o majoritariamente agindo em nome da ci\u00eancia, mas de seus interesses nacionais indicados por suas dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que em termos gerais n\u00e3o compreendem a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, disse Richard. \u201cAs na\u00e7\u00f5es industrializadas pensam que podem adaptar-se \u00e0s temperaturas mais quentes. N\u00e3o vejo como podemos fazer para manter o aquecimento abaixo dos dois graus\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o Marco foi criada depois da C\u00fapula da Terra realizada no Rio de Janeiro em 1992 para abordar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Nessa oportunidade, praticamente todos os pa\u00edses chegaram a um acordo para reduzir as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, particularmente do di\u00f3xido de carbono. Em Kyoto, no Jap\u00e3o, os pa\u00edses industrializados prometeram, em 1997, reduzir em 5% suas emiss\u00f5es, tomando por base os \u00edndices de 1990.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as emiss\u00f5es mundiais de di\u00f3xido de carbono derivadas dos combust\u00edveis f\u00f3sseis em 2008 foram 40% maiores do que as de 1990, principalmente porque pa\u00edses ricos como os Estados Unidos n\u00e3o concretizaram redu\u00e7\u00f5es, enquanto as emiss\u00f5es de algumas na\u00e7\u00f5es emergentes, como a China, aumentaram drasticamente.<\/p>\n<p>Na COP 15, realizada h\u00e1 um ano na Dinamarca, os pa\u00edses industrializados chegaram a um acordo para manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus. No entanto, apesar de cumprirem seus vagos compromissos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es estipulados no Acordo de Copenhague, a maioria das an\u00e1lises indica que a humanidade caminha para um aquecimento de 2,6 graus at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que a maioria dos cientistas considera uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica perigosa ou catastr\u00f3fica, e inclui a perda de arrecifes coralinos e outros importantes ecossistemas. Al\u00e9m disso, as latitudes do Norte se aquecer\u00e3o muito mais do que a m\u00e9dia mundial, talvez entre sete e 14 graus, nas regi\u00f5es polares, o que quase seguramente garantir\u00e1 a libera\u00e7\u00e3o de vastas quantidades de metano do permafrost (camada de gelo permanente) do \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Isto gera \u201cgrande preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, disse na semana passada a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial em um boletim. O metano \u00e9 um g\u00e1s-estufa com potencial 25 vezes maior de aquecimento do que o di\u00f3xido de carbono, e agora apresenta n\u00edveis atmosf\u00e9ricos 158% mais elevados do que na era pr\u00e9-industrial.<\/p>\n<p>O Acordo de Copenhague tem tantas lacunas que as na\u00e7\u00f5es podem argumentar que mant\u00eam suas promessas ao mesmo tempo em que aumentam suas emiss\u00f5es, disse Sivan Kartha, cientista clim\u00e1tico Instituto Ambiental de Estocolmo, um centro internacional independente. \u201cIsto deveria ficar exposto pela vergonha que representa, para que desapare\u00e7am estas brechas e para que aumentem os compromissos nacionais de redu\u00e7\u00e3o\u201d de emiss\u00f5es contaminantes, disse Sivan \u00e0 IPS\/TerraViva.<\/p>\n<p>Perdeu-se o forte senso de fim comum que reinou na C\u00fapula da Terra de 1992 para enfrentar os perigos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e as negocia\u00e7\u00f5es se reduziram ao que parece ser apenas outra negocia\u00e7\u00e3o comercial, afirmou o cientista. \u201cEm Copenhague se desvaneceu o processo aberto, transparente e democr\u00e1tico que foi chave para as negocia\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias. Pode ocorrer o mesmo em Canc\u00fan, onde pequenos grupos de pa\u00edses forjam acordos a portas fechadas\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Esses tratos quase sempre inclinam as negocia\u00e7\u00f5es para um \u00fanico lado. O que funciona para a China e os Estados Unidos, por exemplo, pode ser muito ruim para os pa\u00edses que sofrem mais os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, explicou Sivan. \u201cA urg\u00eancia que enfrentamos n\u00e3o deveria justificar um mau acordo para alguns\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o dos interesses dos pa\u00edses pequenos e das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais em Copenhague incentivou a sociedade civil a se reunir na Confer\u00eancia Mundial dos Povos sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e os Direitos da M\u00e3e Terra, realizada em abril em Cochabamba, na Bol\u00edvia. Ali assinaram o Acordo dos Povos, no qual exigem o reconhecimento de uma Declara\u00e7\u00e3o Universal de Direitos da M\u00e3e Terra e a cria\u00e7\u00e3o de um Tribunal Internacional de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica e Ambiental.<\/p>\n<p>Entretanto, essas propostas foram exclu\u00eddas das negocia\u00e7\u00f5es formais em Canc\u00fan, segundo a Via Camponesa, movimento internacional com milh\u00f5es de membros. \u201cNos \u00faltimos momentos do debate, as promessas do acordo assinado em Cochabamba foram deixadas de lado\u201d, disse Alberto G\u00f3mez, da coordena\u00e7\u00e3o internacional dessa entidade. A organiza\u00e7\u00e3o mobiliza milhares de ativistas para que fa\u00e7am uma marcha em Cancun, a fim de pressionar os governos a adotarem as medidas estipuladas no Acordo de Cochabamba.<\/p>\n<p>Uma manifesta\u00e7\u00e3o maci\u00e7a est\u00e1 marcada para 7 de dezembro neste balne\u00e1rio e em muitas cidades do mundo. Estima-se que j\u00e1 h\u00e1 seis mil militares e policiais mexicanos fortemente armados em estado de aten\u00e7\u00e3o devido \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da COP 16. \u201cN\u00e3o concordamos com as falsas solu\u00e7\u00f5es como o mercado de carbono, porque, longe de reduzir os gases-estufa, cedo ou tarde criar\u00e1 um sistema especulativo que levar\u00e1 o mundo a outra crise financeira global\u201d, disse Alberto em um comunicado. \u201cA Via Camponesa se mobiliza para denunciar a irresponsabilidade da maioria dos governos que escolhem apoiar o capital em lugar dos interesses de suas na\u00e7\u00f5es e de toda a humanidade\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Canc\u00fan, M\u00e9xico, 30\/11\/2010 &ndash; Este ano, provavelmente, foi o mais quente da hist\u00f3ria: altas temperaturas oce\u00e2nicas arrasaram os corais tropicais, o calor e a seca tomaram conta da R\u00fassia e as inunda\u00e7\u00f5es devastaram o Paquist\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/11\/mundo\/um-ano-de-extremos-climaticos-expostos-em-cancun\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4,11],"tags":[21],"class_list":["post-7484","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7484"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7484\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}