{"id":749,"date":"2005-06-30T00:00:00","date_gmt":"2005-06-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=749"},"modified":"2005-06-30T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-30T00:00:00","slug":"energia-as-polticas-do-medo-deixam-vulnerveis-os-valores-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/energia-as-polticas-do-medo-deixam-vulnerveis-os-valores-humanos\/","title":{"rendered":"Energia: As pol&iacute;ticas do medo deixam vulner&aacute;veis os valores humanos"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 30\/06\/2005 &ndash; Como ju&iacute;za no Canad&aacute; e como promotora nos tribunais internacionais para a ex-Iugosl&aacute;via e Ruanda adquiri uma valiosa percep&ccedil;&atilde;o sobre o motivo que impulsiona os atos mais espont&acirc;neos de humanidade, generosidade e compaix&atilde;o, e tamb&eacute;m o que se esconde por tr&aacute;s de graves faltas em rela&ccedil;&atilde;o aos essenciais aspectos da dignidade humana que levam ao crime e &agrave;s piores viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. Freq&uuml;entemente o medo est&aacute; na fonte dessas a&ccedil;&otilde;es, que se encontram nos extremos do espectro da intera&ccedil;&atilde;o humana. Globalmente, a inseguran&ccedil;a &eacute; alimentada pelo terrorismo, pela prolifera&ccedil;&atilde;o e a inexorabilidade dos conflitos armados e pela persist&ecirc;ncia da extrema pobreza e das priva&ccedil;&otilde;es em um mundo de conforto e consumismo.<br \/> <!--more--> <br \/> O medo pode ser o pior e o melhor dos conselheiros. Desencadeia um sentido adequado de vigil&acirc;ncia, mas tamb&eacute;m pode produzir uma resposta prematura e irracional. Diante do terrorismo, as pol&iacute;ticas do medo exigem uma capitula&ccedil;&atilde;o total da liberdade a favor da seguran&ccedil;a, do segredo, da caracteriza&ccedil;&atilde;o racial, das interpreta&ccedil;&otilde;es autom&aacute;ticas e do uso da tortura. Em um conflito armado, o medo provoca freq&uuml;entemente uma escalada do militarismo, da repress&atilde;o, da doutrina&ccedil;&atilde;o e do uso de crian&ccedil;as-soldados. Frente &agrave; pobreza extrema, as pol&iacute;ticas do medo podem ter um perverso efeito de duas faces: proporcionam uma inconveniente ferramenta de sobreviv&ecirc;ncia para os pobres, que leva ao radicalismo, ao gangsterismo e ao extremismo religioso, al&eacute;m de poder fornecer uma ferramenta impr&oacute;pria em benef&iacute;cio dos ricos; e tamb&eacute;m uma que leva &agrave; exclus&atilde;o, &agrave; mentalidade tacanha e ao escapismo por meio do consumismo.<\/p>\n<p> Estas conseq&uuml;&ecirc;ncias das pol&iacute;ticas do medo se traduzem globalmente em racismo e xenofobia, que n&atilde;o s&atilde;o outra coisa que o &quot;medo do outro&quot;. As pol&iacute;ticas do medo se alimentam de si pr&oacute;prias e conduzem a mais medo. O contexto internacional dos direitos humanos se apresenta como um contrapeso para as pol&iacute;ticas do medo. Fornece a &uacute;nica alternativa razo&aacute;vel e leg&iacute;tima diante das rea&ccedil;&otilde;es irracionais desencadeadas pelo medo. Uma resposta &agrave; inseguran&ccedil;a baseada nos direitos humanos &eacute; t&atilde;o equilibrada quanto racional e apresenta a singular vantagem de que pode desmontar em lugar de fomentar as causas fundamentais da inseguran&ccedil;a. Os direitos humanos n&atilde;o s&atilde;o um luxo que pode ser desfrutado depois de o desenvolvimento e a seguran&ccedil;a terem sido conseguidos por completo.<\/p>\n<p> Ao contr&aacute;rio, s&atilde;o uma pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o tanto para o desenvolvimento quanto para a seguran&ccedil;a, bem como um ant&iacute;doto para as pol&iacute;ticas do medo que perpetuam o subdesenvolvimento e a inseguran&ccedil;a. Os direitos humanos fornecem um contexto para resolver disputas, inclusive aquelas referentes aos nossos valores e cren&ccedil;as fundamentais, que descansa na l&oacute;gica, na imparcialidade e na raz&atilde;o, em lugar de se basear na for&ccedil;a, na intransig&ecirc;ncia e na intoler&acirc;ncia. Como estabelece claramente o pre&acirc;mbulo da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, somente os direitos humanos protegidos pelo imp&eacute;rio da lei prev&ecirc;em que os indiv&iacute;duos se vejam compelidos a utilizar, como &uacute;ltimo recurso, a rebeli&atilde;o contra a tirania e a opress&atilde;o. Os direitos humanos garantem a rendi&ccedil;&atilde;o da hostilidade para a dignidade e a liberdade.<\/p>\n<p> Os direitos humanos s&atilde;o fundamentalmente um reconhecimento dos direitos dos demais. Quando nos pedem para decidirmos quanto de nossa liberdade estamos dispostos a abandonar a t&iacute;tulo de seguran&ccedil;a, na realidade est&atilde;o nos perguntando quanto da liberdade dos demais desejamos sacrificar para nossa pr&oacute;pria seguran&ccedil;a. Quantos de meus compatriotas quero que sejam trasladados para pa&iacute;ses onde, provavelmente, ser&atilde;o torturados para que eu possa me sentir seguro? Quantos estrangeiros desejo que sejam detidos indefinidamente sem acusa&ccedil;&otilde;es se isso &eacute; o que falta para me sentir seguro? Obviamente, nunca ouvimos a pergunta se desejamos ser n&oacute;s mesmos sujeitos de uma deten&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria ou correr o risco de sermos submetidos a torturas para que nossos vizinhos se sintam mais seguros. Os direitos humanos n&atilde;o dificultam nem impedem a prote&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a nacional, pelo contr&aacute;rio, encontram-se, pelo menos nas sociedades democr&aacute;ticas, no centro da identidade nacional.<\/p>\n<p> Portanto, penso que um pa&iacute;s arrisca muito mais sua destrui&ccedil;&atilde;o e a dos ideais que o sustentam se entram em colapso suas normas de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e do imp&eacute;rio da lei do que pela explos&atilde;o de bombas em seu territ&oacute;rio. A inseguran&ccedil;a mais profunda n&atilde;o emana das amea&ccedil;as externas, mas das tenta&ccedil;&otilde;es internas de permitir que sejam minadas as bases sobre as quais se construiu a identidade nacional. Este medo pode n&atilde;o ser t&atilde;o imediato nem t&atilde;o palp&aacute;vel como o desencadeado por uma bomba, mas talvez seja o mais profundo. Combater a inseguran&ccedil;a dentro do contexto dos direitos humanos &eacute; combater com nossa arma mais poderoso, a de nossos valores mais profundos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Louise Arbour &eacute; a Alta Comiss&aacute;ria das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 30\/06\/2005 &ndash; Como ju&iacute;za no Canad&aacute; e como promotora nos tribunais internacionais para a ex-Iugosl&aacute;via e Ruanda adquiri uma valiosa percep&ccedil;&atilde;o sobre o motivo que impulsiona os atos mais espont&acirc;neos de humanidade, generosidade e compaix&atilde;o, e tamb&eacute;m o que se esconde por tr&aacute;s de graves faltas em rela&ccedil;&atilde;o aos essenciais aspectos da dignidade humana que levam ao crime e &agrave;s piores viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. Freq&uuml;entemente o medo est&aacute; na fonte dessas a&ccedil;&otilde;es, que se encontram nos extremos do espectro da intera&ccedil;&atilde;o humana. Globalmente, a inseguran&ccedil;a &eacute; alimentada pelo terrorismo, pela prolifera&ccedil;&atilde;o e a inexorabilidade dos conflitos armados e pela persist&ecirc;ncia da extrema pobreza e das priva&ccedil;&otilde;es em um mundo de conforto e consumismo.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/energia-as-polticas-do-medo-deixam-vulnerveis-os-valores-humanos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":233,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-749","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/233"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/749\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}