{"id":7497,"date":"2010-12-02T13:22:29","date_gmt":"2010-12-02T13:22:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7497"},"modified":"2010-12-02T13:22:29","modified_gmt":"2010-12-02T13:22:29","slug":"mais-da-metade-dos-mocambicanos-passa-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/africa\/mais-da-metade-dos-mocambicanos-passa-fome\/","title":{"rendered":"Mais da metade dos mo\u00e7ambicanos passa fome"},"content":{"rendered":"<p>Maput, Mo\u00e7ambique, 02\/12\/2010 &ndash; Baptista Macule est\u00e1 sentado sobre um saco de amendoins em um poeirento beco perto do mercado de Malanga, na periferia da capital mo\u00e7ambicana.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7497\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/84251.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7497\" class=\"size-medium wp-image-7497\" title=\"Mercado de Malanga, em Maputo. - Nastasya Tay\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/84251.jpg\" alt=\"Mercado de Malanga, em Maputo. - Nastasya Tay\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7497\" class=\"wp-caption-text\">Mercado de Malanga, em Maputo. - Nastasya Tay\/IPS<\/p><\/div>  Cerra os olhos diante do Sol, enquanto tenta explicar como a pobreza afeta seu pa\u00eds. \u201cAs pessoas n\u00e3o t\u00eam comida suficiente em casa. N\u00e3o h\u00e1 emprego suficiente, e, quando existem, os sal\u00e1rios s\u00e3o baixos. Os sal\u00e1rios n\u00e3o sobem, mas os pre\u00e7os aumentam\u201d, afirmou. <\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique \u00e9 um dos pa\u00edses mais pobres da \u00c1frica. Apesar de contar com uma ampla terra ar\u00e1vel e um litoral que oferece oportunidades para o com\u00e9rcio mar\u00edtimo, mais da metade de seus 22 milh\u00f5es de habitantes passam fome todos os dias. Em setembro, violentos protestos em cidades e na periferia da capital deste pa\u00eds da \u00c1frica austral chamaram a aten\u00e7\u00e3o internacional. Pelo menos 13 pessoas morreram e centenas ficaram feridas. Tr\u00eas meses depois, os pneus queimados e abandonados nas estradas servem de lembran\u00e7a do descontentamento popular.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es aconteceram em alguns dos bairros mais pobres. As pessoas foram \u00e0s ruas protestar contra os altos pre\u00e7os do p\u00e3o, da eletricidade e da \u00e1gua. Tamb\u00e9m exigiam justi\u00e7a e transpar\u00eancia de um governo acusado de corrup\u00e7\u00e3o. Depois de se negar veementemente a controlar os pre\u00e7os, as autoridades finalmente anunciaram um subs\u00eddio para o trigo e garantiram que n\u00e3o aumentariam a \u00e1gua nem e a eletricidade. <\/p>\n<p>Em 2008, houve manifesta\u00e7\u00f5es semelhantes em torno da capital por causa do aumento da passagem do transporte p\u00fablico. Ent\u00e3o, para deter os protestos, o governo reverteu o aumento e colocou um teto ao pre\u00e7o do combust\u00edvel. Os importadores foram obrigados a sofrer a carga do aumento nos pre\u00e7os do mercado, estimada em milh\u00f5es, que o governo ainda deve devolver a eles.<\/p>\n<p>O subs\u00eddio ao trigo termina este m\u00eas, e n\u00e3o h\u00e1 conversa\u00e7\u00f5es para mant\u00ea-lo em 2011. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 certo que tenha o efeito desejado no m\u00e9dio e longo prazos. Cerca de 70% dos mo\u00e7ambicanos vivem em extrema pobreza fora das \u00e1reas urbanas. Est\u00e3o afastados da infraestrutura e de servi\u00e7os b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>A Terceira Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Pobreza, divulgada em setembro, mostra que, entre 2003 e 2009, apesar de substanciais avan\u00e7os em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, os n\u00edveis de pobreza se mantiveram inalterados, mesmo com o crescimento econ\u00f4mico de mais de 6% na \u00faltima d\u00e9cada. As melhorias em acesso a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e qualidade da moradia atestam a tend\u00eancia de desenvolvimento do pa\u00eds, mas a pobreza, medida em termos de consumo de alimentos, permanece essencialmente no mesmo n\u00edvel.<\/p>\n<p>Quase 55% dos mo\u00e7ambicanos comem menos calorias por dia do que as necess\u00e1rias para manter um adulto. Quando os pre\u00e7os dos alimentos sobem, mais pessoas passam fome. Mais da metade dos mo\u00e7ambicanos vive com cerca de US$ 0,50 por dia, afirmou Lisa Kurbiel, especialista em pol\u00edticas sociais do escrit\u00f3rio do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) em Maputo. Assim, os novos subs\u00eddios n\u00e3o necessariamente os ajudar\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, 0,25% do or\u00e7amento nacional \u00e9 destinado a subsidiar o trigo, e 1,5% o combust\u00edvel. Por\u00e9m, a maioria dos que vivem em \u00e1reas rurais n\u00e3o pode comer p\u00e3o nem tem autom\u00f3vel. \u201cDevemos nos perguntar se estas medidas s\u00e3o a favor dos pobres. S\u00e3o progressistas?\u201d, questiona Lisa. A especialista disse que o dinheiro poderia ser melhor utilizado, atacando as ra\u00edzes da pobreza, concentrando-o em prote\u00e7\u00e3o social, gera\u00e7\u00e3o de emprego e estimulando as melhores pr\u00e1ticas em setores como agricultura.<\/p>\n<p>Victor Lledo, representante do Fundo Monet\u00e1rio Internacional em Maputo, afirmou que o fato de o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o se traduzir em uma redu\u00e7\u00e3o da pobreza deve ser analisado de maneira equilibrada. \u201cEntre 1996 e 2002\u201d, vimos uma significativa queda, de 69% para 54%, da pobreza absoluta, mas, desde ent\u00e3o, n\u00e3o houve muita mudan\u00e7a\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Em grande parte, isto se deve \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o da produtividade na agricultura de subsist\u00eancia, da qual a maioria dos pobres mo\u00e7ambicanos depende para sobreviver. Para enfrentar este problema, o governo procura melhorar a tecnologia, investir em infraestrutura e facilitar o acesso ao financiamento.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os tamb\u00e9m aumentam de forma dr\u00e1stica devido \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda local, o metical. \u201cOs dist\u00farbios chegaram atr\u00e1s da infla\u00e7\u00e3o e do aumento do custo de vida\u201d, disse Victor. A infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada com a deprecia\u00e7\u00e3o da taxa de juros, explicou. O significativo volume das importa\u00e7\u00f5es neste pa\u00eds faz com que os pre\u00e7os da comida aumentem. Isto impulsiona o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor, onde os alimentos s\u00e3o um componente fundamental.<\/p>\n<p>O FMI aconselhou o governo a tomar v\u00e1rias iniciativas, disse Victor, incluindo a coordena\u00e7\u00e3o de ajustes nas pol\u00edticas fiscais e monet\u00e1rias, e um aumento nas reservas nos bancos comerciais. Segundo Victor, o Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as adotou medidas no or\u00e7amento de 2011 para aumentar a poupan\u00e7a fiscal, embora estas n\u00e3o afetem os investimentos em setores priorit\u00e1rios, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, agricultura e desenvolvimento de infraestrutura. \u201cO governo v\u00ea os \u00faltimos dist\u00farbios como um claro ind\u00edcio da necessidade de relan\u00e7ar e repensar sua estrat\u00e9gia para combater a pobreza\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>As autoridades apresentar\u00e3o um novo plano contra a pobreza no come\u00e7o do ano que vem, embora ainda falte saber se efetivamente beneficiar\u00e1 os mo\u00e7ambicanos. Baptista disse n\u00e3o saber se haver\u00e1 mais manifesta\u00e7\u00f5es. Ele vende sapatos no mercado e sente-se melhor longe dos que incitam os protestos, mas ainda luta para alimentar sua fam\u00edlia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maput, Mo\u00e7ambique, 02\/12\/2010 &ndash; Baptista Macule est\u00e1 sentado sobre um saco de amendoins em um poeirento beco perto do mercado de Malanga, na periferia da capital mo\u00e7ambicana. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/africa\/mais-da-metade-dos-mocambicanos-passa-fome\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-7497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7497\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}