{"id":750,"date":"2005-07-01T00:00:00","date_gmt":"2005-07-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=750"},"modified":"2005-07-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-01T00:00:00","slug":"terrorismo-entidades-repudiam-as-listas-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/terrorismo-entidades-repudiam-as-listas-negras\/","title":{"rendered":"Terrorismo: Entidades repudiam as listas negras"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 01\/07\/2005 &ndash; As listas negras governamentais, que proscrevem pessoas e grupos acusados de v&iacute;nculos com a&ccedil;&otilde;es terroristas s&atilde;o arbitr&aacute;rias, pouco transparentes e injustas, afirmam organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos civis. Em um informe conjunto divulgado na quarta-feira, os ativistas lamentam que a elabora&ccedil;&atilde;o dessas listas, feitas para &quot;penalizar suas atividades e impor-lhes san&ccedil;&otilde;es sem direito a apela&ccedil;&atilde;o&quot;, tenha se convertido em parte &quot;integral&quot; da luta mundial contra o terrorismo. O estudo intitulado &quot;Aterrorizando o imp&eacute;rio da lei: a pol&iacute;tica e a pr&aacute;tica da proscri&ccedil;&atilde;o&quot; foi elaborado pelo Statewatch, grupo que vigia as liberdades civis na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, pela Campanha Internacional contra a Criminaliza&ccedil;&atilde;o das Comunidades e pelo Instituto de Direitos Humanos e Justi&ccedil;a Social da Universidade Metropolitana de Londres.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;As listas negras de terroristas s&atilde;o uma esp&eacute;cie de receita para tomar decis&otilde;es arbitr&aacute;rias, secretas e injustas&quot;, disse o diretor da Statewatch, Tony Bunyan. A proscri&ccedil;&atilde;o toma v&aacute;rias formas e difere segundo a jurisdi&ccedil;&atilde;o, desde as completas proibi&ccedil;&otilde;es das atividades de determinados grupos at&eacute; o congelamento das contas banc&aacute;rias de pessoas acusadas de apoiarem o terrorismo. A Statewatch disse que, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, a pr&aacute;tica da proscri&ccedil;&atilde;o foi &quot;adotada sem cr&iacute;ticas&quot; pela comunidade internacional, apesar de comprometer os direitos humanos.<\/p>\n<p> Centenas de pessoas foram proscritas em todo o mundo e, em geral, n&atilde;o tiveram formas legais de enfrentar essas acusa&ccedil;&otilde;es, diz o documento. &quot;A falta de recursos legais em n&iacute;vel nacional e a escassa jurisdi&ccedil;&atilde;o dos tribunais da UE fizeram com que nenhum grupo proscrito tivesse acesso pleno &agrave; justi&ccedil;a nem oportunidade de enfrentar os assuntos legais&quot;, acrescenta. Os Estados Unidos e a Gr&atilde;-Bretanha proibiram at&eacute; agora 41 e 25 &quot;organiza&ccedil;&otilde;es terroristas internacionais&quot;, respectivamente, enquanto Washington tamb&eacute;m possui outra lista com mais de 350 grupos acusados de &quot;apoiarem&quot; o terrorismo, cujas contas banc&aacute;rias est&atilde;o congeladas.<\/p>\n<p> Por sua vez, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia elaborou uma lista de 45 pessoas e 47 grupos acusados de terrorismo, enquanto a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas congelou as contas de 322 indiv&iacute;duos e 115 grupos acusados de v&iacute;nculos com a rede terrorista Al Qaeda ou com o movimento radical isl&acirc;mico afeg&atilde;o Talib&atilde;, desalojado do poder em 2001 pelos Estados Unidos. A Statewatch afirma que estas listas negras, em geral, s&atilde;o elaboradas com base em informa&ccedil;&otilde;es secretas de intelig&ecirc;ncia e &quot;descartam&quot; o processo judicial normal requerido para esse tipo de acusa&ccedil;&otilde;es graves.<\/p>\n<p> Os grupos defensores dos direitos civis destacaram que ao menos o Parlamento brit&acirc;nico e o Senado norte-americano foram consultados sobre essas listas. Por outro lado, a UE e a ONU elaboraram suas listas com base em dados de intelig&ecirc;ncia fornecidos por seus pa&iacute;ses-membros sem nenhuma autoriza&ccedil;&atilde;o dos parlamentos. As listas e san&ccedil;&otilde;es s&atilde;o vinculantes para todos os Estados. &quot;Os &uacute;ltimos debates sobre as novas medidas antiterroristas demonstram que &eacute; inaceit&aacute;vel deixar de lado os parlamentos e excluir os tribunais. Mas &eacute; precisamente dessa forma que foram estabelecidas estas listas, pelo Executivo e somente com informa&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia&quot;, diz o informe conjunto.<\/p>\n<p> A Statewatch criticou o fato de essas listas n&atilde;o distinguirem grupos ou indiv&iacute;duos que lutam contra a ocupa&ccedil;&atilde;o ou a tirania em seus pa&iacute;ses, e dessa forma &quot;criminalizam combatentes pela liberdade e seus partid&aacute;rios&quot;. Segundo o informe, &quot;centenas de grupos e indiv&iacute;duos foram criminalizados em todo o mundo, e as listas aumentam, j&aacute; que os Estados tentam acrescentar todo os grupos envolvidos na resist&ecirc;ncia &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o ou &agrave; tirania&quot;, diz o documento. &quot;Aqueles que exercem o que muitas pessoas no mundo consideram um leg&iacute;timo direito &agrave; autodefesa e &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tratados da mesma forma que Osama bin Laden&quot;, l&iacute;der da Al Qaeda, acrescenta. A Statewatch alertou que os efeitos da proscri&ccedil;&atilde;o de todos esses grupos podem ser &quot;devastadores&quot;.<\/p>\n<p> Por sua vez, a Anistia Internacional concorda que v&aacute;rias das iniciativas antiterroristas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, incluindo as listas negras, colocam em risco os direitos civis. &quot;Est&aacute; claro que a falta de garantias concretas e legais aos direitos humanos n&atilde;o somente derivam em graves abusos, como tamb&eacute;m causam confus&atilde;o e incerteza legal&quot;, disse &agrave; IPS o diretor do escrit&oacute;rio europeu da Anistia, Dick Oosting. &quot;A coopera&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a para perseguir pessoas suspeitas de estarem ligadas com a&ccedil;&otilde;es terroristas est&aacute; crescendo, mas as garantias fundamentais para o respeito dos direitos humanos est&atilde;o sendo deixadas de lado&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 01\/07\/2005 &ndash; As listas negras governamentais, que proscrevem pessoas e grupos acusados de v&iacute;nculos com a&ccedil;&otilde;es terroristas s&atilde;o arbitr&aacute;rias, pouco transparentes e injustas, afirmam organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos civis. Em um informe conjunto divulgado na quarta-feira, os ativistas lamentam que a elabora&ccedil;&atilde;o dessas listas, feitas para &quot;penalizar suas atividades e impor-lhes san&ccedil;&otilde;es sem direito a apela&ccedil;&atilde;o&quot;, tenha se convertido em parte &quot;integral&quot; da luta mundial contra o terrorismo. O estudo intitulado &quot;Aterrorizando o imp&eacute;rio da lei: a pol&iacute;tica e a pr&aacute;tica da proscri&ccedil;&atilde;o&quot; foi elaborado pelo Statewatch, grupo que vigia as liberdades civis na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, pela Campanha Internacional contra a Criminaliza&ccedil;&atilde;o das Comunidades e pelo Instituto de Direitos Humanos e Justi&ccedil;a Social da Universidade Metropolitana de Londres.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/terrorismo-entidades-repudiam-as-listas-negras\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1478,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-750","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1478"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/750\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}