{"id":751,"date":"2005-07-01T00:00:00","date_gmt":"2005-07-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=751"},"modified":"2005-07-01T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-01T00:00:00","slug":"direitos-humanos-tv-ajuda-na-busca-das-avs-da-praa-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/direitos-humanos-tv-ajuda-na-busca-das-avs-da-praa-de-maio\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: TV ajuda na busca das Av&oacute;s da Pra&ccedil;a de Maio"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 01\/07\/2005 &ndash; H&aacute; mais de 27 anos, a organiza&ccedil;&atilde;o Av&oacute;s da Pra&ccedil;a de Maio procura pessoas seq&uuml;estradas durante a &uacute;ltima ditadura argentina quando ainda eram crian&ccedil;as ou que nasceram na pris&atilde;o. Nesse trabalho, que permitiu restituir a identidade de 75 delas, o grupo apelou para m&uacute;ltiplas estrat&eacute;gias de divulga&ccedil;&atilde;o, com fazem agora com a televis&atilde;o. &quot;Para encontra os netos &eacute; preciso uma sociedade que conhe&ccedil;a o que aconteceu e seja perme&aacute;vel a valorizar o direito &agrave; identidade&quot;, explicou &agrave; IPS Irene Straus, encarregada de coordenar os trabalhos feitos por esta organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos nas escolas se valendo de cartilhas, v&iacute;deos, programas de r&aacute;dio, longas-metragens e programas de televis&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> A partir deste m&ecirc;s, a m&iacute;dia escolhida para esse trabalho &eacute; o programa educativo semanal de televis&atilde;o &quot;F&oacute;rum 21&quot;, que incorporou um bloco mensal chamado &quot;Escolas pela Identidade&quot; para divulgar em todo pa&iacute;s experi&ecirc;ncias com estudantes sobre a hist&oacute;ria recente e o direito que toda pessoa tem de conhecer sua verdadeira identidade. &quot;O ideal seria tratar do direito &agrave; identidade em um sentido amplo, que inclua o tema da diversidade cultural, o direito dos imigrantes estrangeiros reivindicarem suas origens, mas como falta encontrarmos muitos netos, ainda n&atilde;o podemos nos dar ao luxo de sermos t&atilde;o amplos&quot;, admitiu Straus.<\/p>\n<p> Durante a ditadura na Argentina, entre 1976 e 1983 desapareceram de maneira for&ccedil;ada quase 11 mil pessoas, segundo as den&uacute;ncias feitas pouco depois de recuperada a democracia e que serviram para os julgamentos contra os chefes militares desse regime. Mas organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias aumentam esse n&uacute;mero para 30 mil. Muitos dos adultos seq&uuml;estrados foram levados pelas for&ccedil;as da repress&atilde;o junto com seus filhos, e tamb&eacute;m houve numerosos casos de mulheres detidas estando gr&aacute;vidas e que deram &agrave; luz em campos de concentra&ccedil;&atilde;o. A grande maioria dessas crian&ccedil;as, pouco mais de 500, segundo estimativas das Av&oacute;s da Pra&ccedil;a de Maio, hoje s&atilde;o jovens que vivem com identidade alterada por a&ccedil;&atilde;o de quem se apropriou deles.<\/p>\n<p> At&eacute; agora, somente 75 recuperaram a identidade gra&ccedil;as ao persistente trabalho dessa organiza&ccedil;&atilde;o, criada em 1977 para procurar os netos desaparecidos junto de suas m&atilde;es e detidos por repressores ou dados em ado&ccedil;&atilde;o a c&uacute;mplices ou casais desconhecidos que n&atilde;o sabiam sua proced&ecirc;ncia. Muitas desses meninos e meninas nunca foram vistos por seus av&oacute;s porque nasceram em cativeiro. Nesse caminho, as Av&oacute;s da Pra&ccedil;a de Maio conseguiram fazer com que fosse o direito &agrave; identidade fosse incorporado &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e em seguida realizaram um constante trabalho de divulga&ccedil;&atilde;o a respeito do assunto atrav&eacute;s dos meios que tivessem ao seu alcance para atingir todas as faixas et&aacute;rias.<\/p>\n<p> Para isso organizaram concursos liter&aacute;rios, mostras fotogr&aacute;ficas, exposi&ccedil;&otilde;es de artes pl&aacute;sticas, v&iacute;deos, lan&ccedil;aram concursos de curta-metragem, festivais de &quot;Teatro pela Identidade&quot;, ciclos de &quot;M&uacute;sica pela Identidade&quot;, &quot;Rock pela Identidade&quot; e campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m no meio esportivo. As Av&oacute;s participam de todos os programas de televis&atilde;o, document&aacute;rios, filmes e programas de r&aacute;dio que sirvam ao seu objetivo, e inclusive se aderem com entusiasmo a programas de fic&ccedil;&atilde;o onde surge um problema ligado a jovens que duvidam de sua verdadeira identidade.<\/p>\n<p> Nos &uacute;ltimos meses, um comercial intitulado &quot;O Aplauso&quot; volta a recordar que ainda n&atilde;o est&aacute; conclu&iacute;da a tarefa principal das Av&oacute;s. A id&eacute;ia parte do costume argentino de bater palmas quando uma crian&ccedil;a se perde em um local p&uacute;blico para chamar a aten&ccedil;&atilde;o para sua busca. Nesse curto comercial, a busca e os aplausos come&ccedil;am com uma cena na praia e segue com uma imagem onde muitos artistas, atores, escritores, jornalistas e esportistas aplaudem junto com a presidente da Av&oacute;s, Estela Barnes de Carlotto, figura emblem&aacute;tica da organiza&ccedil;&atilde;o que ainda n&atilde;o encontrou seu neto desaparecido em m&atilde;os da repress&atilde;o ilegal.<\/p>\n<p> &quot;&Eacute; muito comum as pessoas pensarem que as crian&ccedil;as foram criadas com amor pela fam&iacute;lia que a pegou ou adotou de boa f&eacute;, independente do tanto que se tenha escondido delas sua verdadeira identidade, e isto &eacute; algo que deve mudar porque se trata de uma grave viola&ccedil;&atilde;o de direitos&quot;, explicou Strauss. Por isso, ressaltou que a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser algo alheio &agrave; defesa destes direitos. Com este objetivo, as Av&oacute;s h&aacute; muito tempo realizam visitas a escolas para divulgar sua experi&ecirc;ncia, que &eacute; um modo de contar a hist&oacute;ria do que ocorreu nos anos 70. Mas esse trabalho at&eacute; agora ficava restrito &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es educacionais de Buenos Aires. De modo que, com o apoio do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e de uma equipe de especialistas da Av&oacute;s foi preparado um v&iacute;deo e cartilhas com propostas did&aacute;ticas para serem usados em sala de aula.<\/p>\n<p> Essas cartilhas, que tamb&eacute;m cont&ecirc;m um relato resumido da hist&oacute;ria recente, foram distribu&iacute;das pelo minist&eacute;rio em todo o pa&iacute;s. &quot;Sabemos que chegaram a muitas escolas e que h&aacute; professores que as utilizam. Mas tamb&eacute;m recebemos den&uacute;ncias de prov&iacute;ncias onde foram deixadas em uma caixa&quot;, revelou Strauss. Na prov&iacute;ncia de San Juan, a mesa de supervisores educacionais do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o local resolveu n&atilde;o distribuir as cartilhas. Esse material &eacute; um ponto de partida para trabalhar assuntos ligados &agrave; identidade violada, da forma que cada professor julgar melhor, de acordo com a idade dos alunos. As experi&ecirc;ncias na sala de aula s&atilde;o depois gravadas em v&iacute;deo e apresentadas em um bloco do programa F&oacute;rum 21, transmitido para todo o pa&iacute;s. Atrav&eacute;s desse ve&iacute;culo os professores podem ter id&eacute;ias sobre como abordar um tema t&atilde;o sens&iacute;vel que ainda n&atilde;o teve seu cap&iacute;tulo final. (IPS\/Envolverde)<br \/> &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br \/> 1Iraque-EUA: A brecha entre a ret&oacute;rica e a realidade<br \/> Por Jim Lobe<\/p>\n<p> Washington, 01\/07\/2005 &#8211; Apesar de insistir em apresentar firmeza e solenidade diante de uma respeit&aacute;vel audi&ecirc;ncia militar, parece que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fracassou em sua tentativa de alinhar o p&uacute;blico atr&aacute;s de sua pol&iacute;tica no Iraque. o resultado das pesquisas divulgadas na quarta-feira indicam que, ao contr&aacute;rio do esperado por Bush, seu discurso feito no dia anterior no quartel Fort Bragg, na Carolina do Norte, n&atilde;o serviu para tranq&uuml;ilizar o p&uacute;blico nem convenc&ecirc;-lo de que a situa&ccedil;&atilde;o no Iraque est&aacute; sob controle. O presidente rejeitou os pedidos do opositor Partido Democrata e inclusive os que foram feitos desde o Partido Republicano para que estabele&ccedil;a, pelo menos, um prazo para retirar os 140 mil soldados norte-americanos que est&atilde;o no Iraque h&aacute; mais de dois anos.<br \/> Bush insistiu em dizer que manter&aacute; a situa&ccedil;&atilde;o e que retirar&aacute; o contingente somente quando as for&ccedil;as iraquianas forem capazes de ocupar seu lugar. Tampouco admitiu ter cometido algum erro na guerra do Iraque, e menos ainda em sua decis&atilde;o de invadir esse pa&iacute;s. Uma pesquisa publicada pelo jornal The Washington Post e a rede de televis&atilde;o ABC indica que 53% dos entrevistados acreditam que n&atilde;o valeu a pena ir &agrave; guerra e que para 52% Bush &quot;enganou intencionalmente&quot; seus interlocutores sobre a amea&ccedil;a que o Iraque representava antes da invas&atilde;o. O discurso coroou uma semana de ofensiva na &aacute;rea de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas por parte do governo para sustentar as pol&iacute;ticas iraquianas de Washington, que incluiu uma visita do primeiro-ministro do Iraque, Ibrahim Jafari, &agrave; Casa Branca.<br \/> No seu discurso, Bush se referiu ao inimigo dos Estados Unidos como &quot;insurgentes&quot; somente uma vez, e em duas dezenas de ocasi&otilde;es como &quot;terroristas&quot;. E inclusive citou uma frase de Osama bin Laden, a quem &eacute; atribu&iacute;da a autoria intelectual dos atentados que deixaram tr&ecirc;s mil mortos em Washington e Nova York no dia 11 de setembro de 2001, segundo a qual &quot;o mundo inteiro est&aacute; vivendo esta guerra&quot;. O nome de bin Laden esteve virtualmente proibido durante a campanha eleitoral de Bush no ano passado, pois recordava ao eleitorado que, depois da invas&atilde;o do Afeganist&atilde;o em 2001, o magnata sa&uacute;da ainda permanece foragido.<br \/> &quot;O Iraque &eacute; o &uacute;ltimo campo de batalha desta guerra&quot;, afirmou Bush, se referindo &agrave; &quot;guerra contra o terror&quot; que seu governo declarou depois do 11 de setembro. &quot;Muitos terroristas que matam homens, mulheres e crian&ccedil;as inocentes nas ruas de Bagd&aacute; s&atilde;o seguidores da mesma ideologia homicida que custou a vida de nossos cidad&atilde;os em Nova York, Washington e na Pennsylvania&quot;, acrescentou. &quot;Existe um &uacute;nico curso de a&ccedil;&atilde;o contra eles: derrot&aacute;-los antes que nos ataquem em casa&quot;, concluiu. No total, Bush se referiu aos atentados de 2001, em m&eacute;dia, dezenas de vezes. O comentarista David Gergen, ex-funcion&aacute;rio dos governos do republicano Ronald Reagan e do democrata Bill Clinton, disse &agrave; rede de televis&atilde;o CNN que se sente &quot;ofendido&quot; pelos esfor&ccedil;os de Bush em vincular o Iraque com a &quot;guerra contra o terror&quot;.<br \/> De todo modo, admitiu que poderia ser uma t&aacute;tica eficaz, pois o p&uacute;blico qualificou melhor a condu&ccedil;&atilde;o presidencial da campanha contra o terrorismo do que a pol&iacute;tica norte-americana em rela&ccedil;&atilde;o ao Iraque. &quot;Quer eu goste, quer n&atilde;o, &eacute; uma carta vencedora do presidente&quot;, disse Gergen. Mas, outros especialistas manifestaram d&uacute;vidas sobre a possibilidade de &ecirc;xito dessa t&aacute;tica. Uma pesquisa do Instituto Gallup divulgada ter&ccedil;a-feira pelo jornal USA Today e ela CNN indica que 61% dos entrevistados acreditam que Bush carece de um plano claro para manejar a situa&ccedil;&atilde;o no Iraque. de acordo com essa pesquisa, pela primeira vez uma maioria (50%) v&ecirc;em a guerra no Golfo separada da luta contra o terrorismo, enquanto 47% pensam o contr&aacute;rio.<br \/> &quot;Temo que Bush tenha recorrido em demasia a essa fonte&quot;, afirmou o ex-assessor de Clinton Paul Begala sobre o v&iacute;nculo entre os atentados e o deposto regime de Saddam Hussein no Iraque.&quot;O rel&oacute;gio corre a favor do presidente, enquanto a na&ccedil;&atilde;o analisa o ocorrido&quot; em 11 de setembro de 2001, coincidiu o consultor democrata Tad Devine. Resulta paradoxal que Bush afirme agora que o Iraque se converteu no &quot;&uacute;ltimo campo de batalha&quot; contra o terrorismo, pois antes da guerra havia afirmado que era necess&aacute;rio para evitar que se convertesse em um &quot;territ&oacute;rio de treinamento&quot; dos terroristas, lembrou o democrata Centro para o Progresso Norte-americano (CAP). E um recente informe da intelig&ecirc;ncia norte-americana advertiu que a ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque transformou o pa&iacute;s em um campo de treinamento terrorista.<br \/> Depois do discurso de Bush, seu advers&aacute;rio nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es, John F. Kerry, afirmou que &quot;a maioria dos norte-americanos sabe que nunca existiu um caldo de cultivo para o terrorismo no Iraque at&eacute; que fomos para l&aacute;&quot;. Mais de 1.700 soldados dos Estados Unidos morreram no conflito iraquiano, mais da metade deles depois da devolu&ccedil;&atilde;o formal da soberania a um governo interino, no ano passado. O The Washington Post recordou que a quantidade de atentados com carro-bomba no Iraque aumentou de 18, em junho de 2004, para 135 no m&ecirc;s passado. A brecha entre a ret&oacute;rica e a realidade ficou mais evidente na semana passada, quando o comandante da regi&atilde;o militar do Oriente M&eacute;dio, general John Abizaid, disse no congresso que a insurg&ecirc;ncia agora &eacute; t&atilde;o forte quanto h&aacute; seis meses. Ao mesmo tempo, o vice-presidente, Dick Cheney, afirmava que os rebeldes poderiam continuar em atividade mais 12 anos. (IPS\/Envolverde)<br \/> &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br \/> Terrorismo: Entidades repudiam as listas negras<br \/> Por Stefania Bianchi<\/p>\n<p> Bruxelas, 01\/07\/2005 &#8211; As listas negras governamentais, que proscrevem pessoas e grupos acusados de v&iacute;nculos com a&ccedil;&otilde;es terroristas s&atilde;o arbitr&aacute;rias, pouco transparentes e injustas, afirmam organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos civis. Em um informe conjunto divulgado na quarta-feira, os ativistas lamentam que a elabora&ccedil;&atilde;o dessas listas, feitas para &quot;penalizar suas atividades e impor-lhes san&ccedil;&otilde;es sem direito a apela&ccedil;&atilde;o&quot;, tenha se convertido em parte &quot;integral&quot; da luta mundial contra o terrorismo. O estudo intitulado &quot;Aterrorizando o imp&eacute;rio da lei: a pol&iacute;tica e a pr&aacute;tica da proscri&ccedil;&atilde;o&quot; foi elaborado pelo Statewatch, grupo que vigia as liberdades civis na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, pela Campanha Internacional contra a Criminaliza&ccedil;&atilde;o das Comunidades e pelo Instituto de Direitos Humanos e Justi&ccedil;a Social da Universidade Metropolitana de Londres.<\/p>\n<p> &quot;As listas negras de terroristas s&atilde;o uma esp&eacute;cie de receita para tomar decis&otilde;es arbitr&aacute;rias, secretas e injustas&quot;, disse o diretor da Statewatch, Tony Bunyan. A proscri&ccedil;&atilde;o toma v&aacute;rias formas e difere segundo a jurisdi&ccedil;&atilde;o, desde as completas proibi&ccedil;&otilde;es das atividades de determinados grupos at&eacute; o congelamento das contas banc&aacute;rias de pessoas acusadas de apoiarem o terrorismo. A Statewatch disse que, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, a pr&aacute;tica da proscri&ccedil;&atilde;o foi &quot;adotada sem cr&iacute;ticas&quot; pela comunidade internacional, apesar de comprometer os direitos humanos.<\/p>\n<p> Centenas de pessoas foram proscritas em todo o mundo e, em geral, n&atilde;o tiveram formas legais de enfrentar essas acusa&ccedil;&otilde;es, diz o documento. &quot;A falta de recursos legais em n&iacute;vel nacional e a escassa jurisdi&ccedil;&atilde;o dos tribunais da UE fizeram com que nenhum grupo proscrito tivesse acesso pleno &agrave; justi&ccedil;a nem oportunidade de enfrentar os assuntos legais&quot;, acrescenta. Os Estados Unidos e a Gr&atilde;-Bretanha proibiram at&eacute; agora 41 e 25 &quot;organiza&ccedil;&otilde;es terroristas internacionais&quot;, respectivamente, enquanto Washington tamb&eacute;m possui outra lista com mais de 350 grupos acusados de &quot;apoiarem&quot; o terrorismo, cujas contas banc&aacute;rias est&atilde;o congeladas.<\/p>\n<p> Por sua vez, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia elaborou uma lista de 45 pessoas e 47 grupos acusados de terrorismo, enquanto a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas congelou as contas de 322 indiv&iacute;duos e 115 grupos acusados de v&iacute;nculos com a rede terrorista Al Qaeda ou com o movimento radical isl&acirc;mico afeg&atilde;o Talib&atilde;, desalojado do poder em 2001 pelos Estados Unidos. A Statewatch afirma que estas listas negras, em geral, s&atilde;o elaboradas com base em informa&ccedil;&otilde;es secretas de intelig&ecirc;ncia e &quot;descartam&quot; o processo judicial normal requerido para esse tipo de acusa&ccedil;&otilde;es graves.<\/p>\n<p> Os grupos defensores dos direitos civis destacaram que ao menos o Parlamento brit&acirc;nico e o Senado norte-americano foram consultados sobre essas listas. Por outro lado, a UE e a ONU elaboraram suas listas com base em dados de intelig&ecirc;ncia fornecidos por seus pa&iacute;ses-membros sem nenhuma autoriza&ccedil;&atilde;o dos parlamentos. As listas e san&ccedil;&otilde;es s&atilde;o vinculantes para todos os Estados. &quot;Os &uacute;ltimos debates sobre as novas medidas antiterroristas demonstram que &eacute; inaceit&aacute;vel deixar de lado os parlamentos e excluir os tribunais. Mas &eacute; precisamente dessa forma que foram estabelecidas estas listas, pelo Executivo e somente com informa&ccedil;&atilde;o de intelig&ecirc;ncia&quot;, diz o informe conjunto.<\/p>\n<p> A Statewatch criticou o fato de essas listas n&atilde;o distinguirem grupos ou indiv&iacute;duos que lutam contra a ocupa&ccedil;&atilde;o ou a tirania em seus pa&iacute;ses, e dessa forma &quot;criminalizam combatentes pela liberdade e seus partid&aacute;rios&quot;. Segundo o informe, &quot;centenas de grupos e indiv&iacute;duos foram criminalizados em todo o mundo, e as listas aumentam, j&aacute; que os Estados tentam acrescentar todo os grupos envolvidos na resist&ecirc;ncia &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o ou &agrave; tirania&quot;, diz o documento. &quot;Aqueles que exercem o que muitas pessoas no mundo consideram um leg&iacute;timo direito &agrave; autodefesa e &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tratados da mesma forma que Osama bin Laden&quot;, l&iacute;der da Al Qaeda, acrescenta. A Statewatch alertou que os efeitos da proscri&ccedil;&atilde;o de todos esses grupos podem ser &quot;devastadores&quot;.<\/p>\n<p> Por sua vez, a Anistia Internacional concorda que v&aacute;rias das iniciativas antiterroristas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, incluindo as listas negras, colocam em risco os direitos civis. &quot;Est&aacute; claro que a falta de garantias concretas e legais aos direitos humanos n&atilde;o somente derivam em graves abusos, como tamb&eacute;m causam confus&atilde;o e incerteza legal&quot;, disse &agrave; IPS o diretor do escrit&oacute;rio europeu da Anistia, Dick Oosting. &quot;A coopera&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a para perseguir pessoas suspeitas de estarem ligadas com a&ccedil;&otilde;es terroristas est&aacute; crescendo, mas as garantias fundamentais para o respeito dos direitos humanos est&atilde;o sendo deixadas de lado&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 01\/07\/2005 &ndash; H&aacute; mais de 27 anos, a organiza&ccedil;&atilde;o Av&oacute;s da Pra&ccedil;a de Maio procura pessoas seq&uuml;estradas durante a &uacute;ltima ditadura argentina quando ainda eram crian&ccedil;as ou que nasceram na pris&atilde;o. Nesse trabalho, que permitiu restituir a identidade de 75 delas, o grupo apelou para m&uacute;ltiplas estrat&eacute;gias de divulga&ccedil;&atilde;o, com fazem agora com a televis&atilde;o. &quot;Para encontra os netos &eacute; preciso uma sociedade que conhe&ccedil;a o que aconteceu e seja perme&aacute;vel a valorizar o direito &agrave; identidade&quot;, explicou &agrave; IPS Irene Straus, encarregada de coordenar os trabalhos feitos por esta organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos nas escolas se valendo de cartilhas, v&iacute;deos, programas de r&aacute;dio, longas-metragens e programas de televis&atilde;o.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/direitos-humanos-tv-ajuda-na-busca-das-avs-da-praa-de-maio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-751","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=751"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/751\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}