{"id":7511,"date":"2010-12-06T15:32:38","date_gmt":"2010-12-06T15:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7511"},"modified":"2010-12-06T15:32:38","modified_gmt":"2010-12-06T15:32:38","slug":"economia-brasileira-cresce-mas-retrocede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/america-latina\/economia-brasileira-cresce-mas-retrocede\/","title":{"rendered":"Economia brasileira cresce, mas retrocede"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 06\/12\/2010 &ndash; A economia do Brasil se destaca como uma das que mais crescem no ocidente, mas o pa\u00eds vive o momento como um doente sem acesso f\u00e1cil a medicamentos. <!--more--> A desindustrializa\u00e7\u00e3o cristalizou em uma amea\u00e7a concreta de retrocesso e n\u00e3o v\u00ea sa\u00edda no curto prazo. Esta tend\u00eancia se reflete no com\u00e9rcio exterior. A China se converteu no principal s\u00f3cio do Brasil, com uma balan\u00e7a onde a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica importa quase exclusivamente produtos prim\u00e1rios e exporta manufaturas.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos, que perderam o primeiro lugar, compram mais produtos industriais, inclusive porque os dois pa\u00edses s\u00e3o competidores no setor agr\u00edcola. No interc\u00e2mbio com a China h\u00e1 um crescente super\u00e1vit brasileiro, que alcan\u00e7ou US$ 5,107 bilh\u00f5es nos dez primeiros meses do ano. Quanto aos Estados Unidos, a balan\u00e7a se inverteu desde 2009, ap\u00f3s o super\u00e1vit recorde de US$ 9,867 bilh\u00f5es em 2006, e no per\u00edodo janeiro-outubro o d\u00e9ficit somou US$ 6,813 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda assim, v\u00e1rios indicadores servem aos que diminuem a gravidade da acelerada perda de peso relativo da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no produto interno bruto. A economia cresceu mais de 7% este ano e as exporta\u00e7\u00f5es de janeiro a novembro aumentaram 30,7%, em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2009. Mas as importa\u00e7\u00f5es aumentam em ritmo muito mais r\u00e1pido, de 43,9% neste ano, em uma tend\u00eancia sustentada desde 2007.<\/p>\n<p>Um ano antes, o Brasil registrou super\u00e1vit comercial de US$ 46,077 bilh\u00f5es, que diminui ano a ano desde ent\u00e3o. At\u00e9 novembro, o saldo favor\u00e1vel somava US$ 14,933 bilh\u00f5es. O super\u00e1vit se mant\u00e9m, al\u00e9m disso, por produtos prim\u00e1rios, agr\u00edcolas e minera\u00e7\u00e3o. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o tem uma balan\u00e7a negativa, que neste ano chegar\u00e1 a cerca de US$ 35 bilh\u00f5es, para multiplicar por cinco em dois anos, destacou \u00e0 IPS Rog\u00e9rio Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.<\/p>\n<p>Em 2009, o setor foi o que sofreu mais intensamente no Brasil a crise financeira global surgida um ano antes e seu produto retrocedeu em 7%. Ap\u00f3s uma recupera\u00e7\u00e3o iniciada este ano, houve uma queda no segundo trimestre e uma paralisa\u00e7\u00e3o nos meses seguintes, o que ativou o alerta vermelho entre os empres\u00e1rios. A produ\u00e7\u00e3o industrial paralisou dentro de uma economia de forte crescimento. Isto agrava a queda de sua participa\u00e7\u00e3o no PIB, que j\u00e1 \u00e9 6% inferior \u00e0 de 1970, quando o Brasil vivia um nascente processo de industrializa\u00e7\u00e3o e exportava principalmente caf\u00e9, disse Rog\u00e9rio.<\/p>\n<p>Todo o setor rendeu 25,4% do PIB em 2009 e a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o representou apenas 15,5% dentro desse total. Enquanto isso, os servi\u00e7os subiram para 68,5% do PIB. Este enorme predom\u00ednio do setor terci\u00e1rio \u00e9 normal em pa\u00edses de alta renda, n\u00e3o no Brasil, onde \u201cconsolidar a ind\u00fastria ainda \u00e9 necess\u00e1rio para elevar a renda\u201d, que ainda est\u00e1 em um n\u00edvel m\u00e9dio, afirmou o economista.<\/p>\n<p>Para Rog\u00e9rio, esta mudan\u00e7a \u00e9 \u201co fator mais evidente\u201d atualmente e afeta a competitividade da ind\u00fastria brasileira, provocando uma \u201cavalanche de importa\u00e7\u00f5es\u201d que supera o n\u00edvel justific\u00e1vel pelo auge econ\u00f4mico brasileiro. A isso somam-se outros fatores de velha data, como a insuficiente infraestrutura log\u00edstica, o elevado custo do dinheiro, a enorme carga tribut\u00e1ria e o alto pre\u00e7o da energia, que encarecem a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira. Estes custos exigiram longo tempo para sua redu\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 uma emerg\u00eancia atuar sobre o cambio.<\/p>\n<p>Com o yuan chin\u00eas muito depreciado e o real supervalorizado em 42% com rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, competir se torna imposs\u00edvel, j\u00e1 que ningu\u00e9m conseguiria reduzir seus custos \u00e0 metade, argumentou, no dia 30 de novembro, Paulo Francini, diretor de Pesquisas da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo. Na ocasi\u00e3o, foi lan\u00e7ado um estudo que revela a crescente substitui\u00e7\u00e3o de insumos e produtos nacionais por importados nas f\u00e1bricas do cora\u00e7\u00e3o industrial brasileiro. O governo central deve usar todos os instrumentos em seu poder para conter a supervaloriza\u00e7\u00e3o do real, inclu\u00edda a restri\u00e7\u00e3o da entrada de capitais especulativos, atra\u00eddos pelas altas taxas de juros brasileiras, disse Rog\u00e9rio.<\/p>\n<p>Outro exemplo da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o da ind\u00fastria t\u00eaxtil, que tinha saldos favor\u00e1veis entre US$ 400 milh\u00f5es e US$ 500 milh\u00f5es, h\u00e1 cinco ou seis anos. Em 2010, no entanto, projeta-se um d\u00e9ficit de US$ 3,5 bilh\u00f5es com importa\u00e7\u00f5es de US$ 5 bilh\u00f5es, disse Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil. O setor redobra esfor\u00e7os, com elevados investimentos em novos equipamentos e tecnologia, mas s\u00e3o muitos fatores adversos, como impostos e juros altos, m\u00e1 infraestrutura e escassa inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, assegurou Fernando. \u201cO c\u00e2mbio deixa tudo mais dram\u00e1tico, n\u00e3o estar\u00edamos vivos se n\u00e3o f\u00f4ssemos criativos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria t\u00eaxtil cresce no Brasil, incluindo o setor da confec\u00e7\u00e3o, mas o faz em ritmo inferior ao geral da economia por causa da \u201ctorrente de importa\u00e7\u00f5es\u201d que tira uma grande parte da expans\u00e3o do mercado interno, queixou-se o l\u00edder empresarial. Para Fernando, a ind\u00fastria brasileira sofre pelo que acontece no pa\u00eds, mais \u201co que fazem fora\u201d, como manipula\u00e7\u00e3o cambial, taxas de juros zero e subs\u00eddios, o que a seu ver configura uma competi\u00e7\u00e3o \u201cileg\u00edtima\u201d.<\/p>\n<p>O mundo vive \u201cuma guerra por empregos\u201d e a ind\u00fastria t\u00eaxtil, com alta capacidade em ger\u00e1-los, sofre mais diretamente a batalha, acrescentou Fernando, lembrando que no Brasil cerca de oito milh\u00f5es de pessoas obt\u00eam sua renda do setor t\u00eaxtil, se aos 1,7 milh\u00e3o de empregos diretos somarmos os indiretos e dependentes da atividade.<\/p>\n<p>No Brasil os contratos de trabalho s\u00e3o r\u00edgidos e uniformes em todo o pa\u00eds, sem redu\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias para setores de uso intensivo de m\u00e3o-de-obra, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses, o que diminui a competitividade da ind\u00fastria t\u00eaxtil brasileira, lamentou. Um estudo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, divulgado na semana passada, mostra que o sal\u00e1rio brasileiro (somando sal\u00e1rio, previd\u00eancia social e outros benef\u00edcios trabalhistas) equivale a quatro vezes o da China e dez vezes o da \u00cdndia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 06\/12\/2010 &ndash; A economia do Brasil se destaca como uma das que mais crescem no ocidente, mas o pa\u00eds vive o momento como um doente sem acesso f\u00e1cil a medicamentos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/america-latina\/economia-brasileira-cresce-mas-retrocede\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,9],"tags":[],"class_list":["post-7511","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-globalizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7511\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}