{"id":7531,"date":"2010-12-08T13:38:49","date_gmt":"2010-12-08T13:38:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7531"},"modified":"2010-12-08T13:38:49","modified_gmt":"2010-12-08T13:38:49","slug":"a-duvida-entre-menos-carbono-e-mais-creditos-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/america-latina\/a-duvida-entre-menos-carbono-e-mais-creditos-sociais\/","title":{"rendered":"A d\u00favida entre menos carbono e mais cr\u00e9ditos sociais"},"content":{"rendered":"<p>Canc\u00fan, M\u00e9xico, 08\/12\/2010 &ndash; As economias latino-americanas t\u00eam um longo caminho a percorrer para reduzir seu consumo de carbono sem deter o desenvolvimento econ\u00f4mico e social. <!--more--> \u00c9 urgente aumentar as energias renov\u00e1veis e os processos de aprendizagem de novas tecnologias.<\/p>\n<p>\u201cA ideia b\u00e1sica \u00e9 gerar crescimento econ\u00f4mico com inclus\u00e3o social e uma pegada baixa em carbono, com regulamenta\u00e7\u00f5es e subs\u00eddios para alternativas energ\u00e9ticas\u201d, disse ao TerraViva o economista mexicano Luis Galindo, que coordena um estudo sobre crescimento econ\u00f4mico e baixo carbono no M\u00e9xico para a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>O M\u00e9xico emite por ano 715,2 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2), o principal g\u00e1s-estufa que aquece o planeta, segundo o invent\u00e1rio nacional correspondente a 2006. Delas, 61% se originam na produ\u00e7\u00e3o de energia, 22% na ind\u00fastria e 14% no desmatamento. A gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, baseada principalmente no uso de hidrocarbonos, responde por 114 milh\u00f5es de toneladas. Um pa\u00eds pequeno como o Chile lan\u00e7a 95 milh\u00f5es de toneladas na atmosfera, das quais 85% do ramo energ\u00e9tico, segundo o informe \u201cA Economia da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica no Chile\u201d, coordenado pela Cepal.<\/p>\n<p>\u201cO que ocorre na Am\u00e9rica Latina \u00e9 importante para o resto do mundo. Importa o que se faz n\u00e3o apenas para reduzir as emiss\u00f5es, mas em adapta\u00e7\u00e3o. Podem ser criados impostos sobre carbono, mercados de b\u00f4nus de carbono, diferentes combina\u00e7\u00f5es para diferentes partes da economia\u201d, disse ao TerraViva o economista ingl\u00eas Nicholas Stern. Este especialista \u00e9 autor do primeiro informe mundial sobre a economia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, publicado em 2007.<\/p>\n<p>Nicholas e Luis participam em Canc\u00fan da 16\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 16) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que terminar\u00e1 no dia 10, neste balne\u00e1rio mexicano. Um dos temas centrais da reuni\u00e3o \u00e9 como reduzir a pegada de carbono das economias, um desafio que gira essencialmente em torno da produ\u00e7\u00e3o e do consumo de energia.<\/p>\n<p>O estudo \u201cA Economia da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica no M\u00e9xico\u201d, coordenador por Luis, prev\u00ea um ritmo de aumento no uso de energia de 2,4% ao ano entre 2008 e 2100, e reconhece que um ajuste de pre\u00e7os e uma ligeira baixa no consumo seriam insuficientes para controlar o aumento da demanda. Pa\u00edses como o M\u00e9xico destinam quantias milion\u00e1rias de fundos p\u00fablicos para subs\u00eddios ao consumo de \u00e1gua, eletricidade e gasolina, ineficiente, segundo os especialistas e diversos estudos.<\/p>\n<p>Por exemplo, as ajudas aos combust\u00edveis superam os US$ 2 bilh\u00f5es anuais, enquanto o or\u00e7amento deste ano do Programa Especial de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica 2009-2012, anunciado pelo presidente do M\u00e9xico, Felipe Calder\u00f3n, situa-se em US$ 1,3 bilh\u00e3o. As emiss\u00f5es globais de CO\u00b2 rondam os 48 bilh\u00f5es de toneladas e, com crescimento econ\u00f4mico nulo, teriam de baixar para 44 bilh\u00f5es em dez anos, para estacionarem em 20 bilh\u00f5es em 2050, segundo as estimativas de Nicholas. A m\u00e9dia mundial n\u00e3o deveria superar as duas toneladas por habitante.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma economia prim\u00e1ria muito atrasada, politizada, e isso dificulta a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas adequadas\u201d, disse ao TerraViva o mexicano Boris Graizbord, coordenador do Programa de Estudos Avan\u00e7ados em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e Meio Ambiente do estatal Col\u00e9gio do M\u00e9xico, tamb\u00e9m presente em Canc\u00fan.<\/p>\n<p>Os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica podem exigir anualmente 6% do PIB mexicano at\u00e9 2100, se n\u00e3o forem tomadas medidas para mitigar e adaptar-se a essas consequ\u00eancias, segundo o estudo da Cepal, solicitado pelos minist\u00e9rios da Fazenda e de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat). No caso chileno, esse n\u00famero seria 1,1% do PIB anual at\u00e9 2100, segundo proje\u00e7\u00f5es da Cepal.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma rela\u00e7\u00e3o importante entre o consumo de energia por pessoa e as emiss\u00f5es de carbono por pessoa, e entre o consumo de energia e a renda per capita. Um crescimento econ\u00f4mico se traduz em maior consumo de energia e em mais emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa\u201d, disse Luis, acad\u00eamico da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, a contamina\u00e7\u00e3o por habitante dispararia a partir de 2040, enquanto no Chile as emiss\u00f5es aumentariam para 233 milh\u00f5es de toneladas em 2030, com m\u00e9dia individual de 11,9 toneladas anuais. A na\u00e7\u00e3o norte-americana se comprometeu em reduzir 50 milh\u00f5es de toneladas anuais at\u00e9 2012, plano que cumpriu em 42%, segundo o Semarnat. \u201cTodo pa\u00eds tem de eliminar os subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis. H\u00e1 muito mais sentido dirigir esse dinheiro para energias renov\u00e1veis e processos de aprendizado das novas tecnologias. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso corrigir os erros do mercado\u201d, recomendou Nicholas.<\/p>\n<p>O governo mexicano iniciou programas de substitui\u00e7\u00e3o de refrigeradores, aquecedores de \u00e1gua a g\u00e1s e l\u00e2mpadas incandescentes para promover a efici\u00eancia e a economia de energia.<\/p>\n<p>O documento da Cepal sobre o M\u00e9xico recomenda a revis\u00e3o dos subs\u00eddios para gasolina, \u00e1gua e eletricidade, a transi\u00e7\u00e3o para um crescimento econ\u00f4mico com menor conte\u00fado contaminante e a cria\u00e7\u00e3o de um mercado nacional de b\u00f4nus de carbono. \u201c\u00c9 preciso obrigar a Petr\u00f3leos Mexicanos e a Comiss\u00e3o Federal de Eletricidade (estatais) a desenvolverem estrat\u00e9gias sustent\u00e1veis\u201d, disse Boris. Estes dois monop\u00f3lios t\u00eam uma incid\u00eancia direta na emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>No Chile, a Cepal colabora com a elabora\u00e7\u00e3o de um estudo sobre a economia baixa em carbono e na Argentina com a medi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Canc\u00fan, M\u00e9xico, 08\/12\/2010 &ndash; As economias latino-americanas t\u00eam um longo caminho a percorrer para reduzir seu consumo de carbono sem deter o desenvolvimento econ\u00f4mico e social. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/america-latina\/a-duvida-entre-menos-carbono-e-mais-creditos-sociais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5,4],"tags":[21],"class_list":["post-7531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}