{"id":7574,"date":"2010-12-17T12:15:51","date_gmt":"2010-12-17T12:15:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7574"},"modified":"2010-12-17T12:15:51","modified_gmt":"2010-12-17T12:15:51","slug":"a-ue-deve-pescar-com-responsabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/mundo\/a-ue-deve-pescar-com-responsabilidade\/","title":{"rendered":"A UE deve pescar com responsabilidade"},"content":{"rendered":"<p>Madri, Espanha, 17\/12\/2010 &ndash; A perda de biodiversidade marinha avan\u00e7a a um ritmo sem precedentes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7574\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/84929.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7574\" class=\"size-medium wp-image-7574\" title=\"Ricardo Aguilar, diretor cient\u00edfico da Oceana. - Gentileza da Oceana\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/84929.jpg\" alt=\"Ricardo Aguilar, diretor cient\u00edfico da Oceana. - Gentileza da Oceana\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7574\" class=\"wp-caption-text\">Ricardo Aguilar, diretor cient\u00edfico da Oceana. - Gentileza da Oceana<\/p><\/div>  Quase 80% dos recursos pesqueiros mundiais s\u00e3o explorados plenamente ou em excesso, ou est\u00e3o diretamente esgotados, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO). Al\u00e9m disso, cientistas marinhos sugerem que, se essa tend\u00eancia continuar, todas as pescas ter\u00e3o colapsado ou desaparecido at\u00e9 2048.<\/p>\n<p>As medidas implementadas para manejar os recursos marinhos fracassaram totalmente. N\u00e3o s\u00f3 fizeram os oceanos ca\u00edrem em uma situa\u00e7\u00e3o ambiental cr\u00edtica, como causaram v\u00edtimas socioecon\u00f4micas entre os povos e as economias do mundo. Da popula\u00e7\u00e3o mundial, 8% subsistem direta ou indiretamente gra\u00e7as \u00e0 ind\u00fastria pesqueira, e aproximadamente um bilh\u00e3o de habitantes dos pa\u00edses mais pobres depende do pescado como principal fonte de prote\u00ednas animais.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Europeia, bra\u00e7o executivo da Uni\u00e3o Europeia (UE), reconhece que 88% das reservas sobre as quais se tem dados s\u00e3o exploradas acima dos n\u00edveis sustent\u00e1veis. Por outro lado, a demanda por pescado continua crescendo, sem que haja um final \u00e0 vista, e o maior desafio que devemos enfrentar \u00e9 como equilibrar nosso crescente apetite com o manejo adequado dos oceanos que nos abastecem.<\/p>\n<p>A UE tem a responsabilidade perante seus pescadores, seus cidad\u00e3os e as gera\u00e7\u00f5es futuras de reverter sua tend\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o excessiva e ao manejo errado de nossos recursos. \u00c9 essencial adotar um enfoque exaustivo para reverter a mar\u00e9 e centrar-se no estado dos oceanos e das pescas da Europa e do mundo, abordando os fatores que contribuem para a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas marinhos, que incluem sobrepesca, destrui\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat, contamina\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A simples solu\u00e7\u00e3o da sobrepesca \u00e9 pescar menos e de maneira mais respons\u00e1vel e come\u00e7ar a concretizar mudan\u00e7as agora. Reduzindo as capturas hoje, e cumprindo o compromisso da UE de conseguir o \u201cm\u00e1ximo rendimento sustent\u00e1vel\u201d at\u00e9 2015, haver\u00e1 possibilidade de se recuperar as reservas pesqueiras, aumentando em at\u00e9 80% as oportunidades de pescas no futuro.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, n\u00e3o se trata apenas de reduzir as cotas, mas tamb\u00e9m de limitar a capacidade das frotas, sendo seletivas com os equipamentos, colocando freio na pesca ilegal, desenvolvendo planos de manejo s\u00f3lidos do ponto de vista cient\u00edfico e criando santu\u00e1rios marinhos onde as popula\u00e7\u00f5es amea\u00e7adas possam ressurgir e voltar a prosperar.<\/p>\n<p>Um modo l\u00f3gico para come\u00e7ar \u00e9 frear as pr\u00e1ticas pesqueiras que implicam alta captura acidental, bem como de descartes, e que destroem os entornos marinhos. Anualmente, s\u00e3o jogadas fora 7,3 milh\u00f5es de toneladas de capturas no mundo, quantidade pr\u00f3xima de todo o consumo anual de produtos marinhos na \u00c1frica. Na Europa, a not\u00edcia \u00e9 igualmente ruim. H\u00e1 pouco, informes perturbadores (mas n\u00e3o surpreendentes) revelaram que mais de um quarto (alguns estimam a metade) das capturas no Mar do Norte \u00e9 devolvido \u00e0s \u00e1guas, mortas ou agonizantes.<\/p>\n<p>Portanto, melhorar a seletividade das artes de pesca, usando redes de tamanhos maiores para permitir a fuga dos animais mais jovens, \u00e9 um componente crucial de qualquer plano de manejo. Tamb\u00e9m tem um papel importante em impedir a destrui\u00e7\u00e3o do h\u00e1bitat. Deveriam ser eliminadas, por exemplo, as redes de arrasto, que destroem leitos marinhos inteiros em busca de umas poucas esp\u00e9cies. Enquanto isso, a pesca ilegal continua sendo praticada. Durante expedi\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas anuais, a Oceana observou e registrou que numerosas embarca\u00e7\u00f5es ainda usavam destrutivas redes flutuantes, proibidas em 2002 pela UE.<\/p>\n<p>Os Estados-membros do bloco, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m ultrapassam as cotas, como ocorreu com a Fran\u00e7a em 2007, quando pescou 5.192,6 toneladas acima de sua cota anual de atum de barbatana azul. A menos que sejam fiscalizadas de maneira mais r\u00edgida as normas existentes, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel cumprir os objetivos de um manejo sustent\u00e1vel. E o pior \u00e9 que os pr\u00f3prios subs\u00eddios da UE \u00e0s vezes financiam, sem saber, atividades ilegais.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s frotas europeias que pescam ilegalmente fora de \u00e1guas do bloco, al\u00e9m do \u00f3bvio impacto prejudicial que isto tem sobre os ecossistemas marinhos incapazes de manejar a press\u00e3o adicional, tamb\u00e9m impedem que os pa\u00edses em desenvolvimento se beneficiem da abund\u00e2ncia de seus pr\u00f3prios mares. Para fazer com que as exist\u00eancias voltem a n\u00edveis aceit\u00e1veis, \u00e9 fundamental desenvolver uma rede de \u00e1reas marinhas protegidas, particularmente em h\u00e1bitats essenciais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos benef\u00edcios ambientais, os estudos demonstram que estas \u00e1reas, que permitem a regenera\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat e a reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, tamb\u00e9m s\u00e3o economicamente rent\u00e1veis no m\u00e9dio e no longo prazo. Comprovou-se que as \u00e1reas marinhas protegidas causam uma propaga\u00e7\u00e3o de biomassa nas \u00e1guas circundantes, na medida em que aumentam as popula\u00e7\u00f5es protegidas, incrementando, assim, o tamanho e o volume das capturas nas proximidades.<\/p>\n<p>O Conv\u00eanio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Diversidade Biol\u00f3gica exige proteger um m\u00ednimo de 10% dos oceanos at\u00e9 2012, mas os pa\u00edses n\u00e3o est\u00e3o cumprindo este objetivo. De fato, a \u00faltima reuni\u00e3o das partes do Conv\u00eanio, na cidade japonesa de Nagoya, lamentavelmente, adiou o objetivo de 2012 para 2020. Atualmente, menos de 1% dos oceanos est\u00e3o protegidos de alguma maneira, embora apenas 0,1% o esteja totalmente. No entanto, apenas 4% da superf\u00edcie oce\u00e2nica mundial \u00e9 considerada \u201ca salvo\u201d de todo impacto humano.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria pesqueira, os ecossistemas marinhos e o sustento de milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o intrinsecamente ligados e, portanto, devem ser considerados os planos de manejo. Infelizmente, as medidas atuais simplesmente n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura da tarefa e frequentemente ignoram os conselhos cient\u00edficos, quando estes existem.<\/p>\n<p>Em 2010, 48% das recomenda\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre capturas totais permitidas para as reservas pesqueiras da EU foram ignoradas, e recentes decis\u00f5es ministeriais sobre oportunidades de pesca para 2011 ignoraram 35% das recomenda\u00e7\u00f5es. Naturalmente, nada disto importa se n\u00e3o forem aplicadas regula\u00e7\u00f5es, cotas e capturas totais permitidas. Um dos maiores defeitos do sistema atual \u00e9 que muitos pa\u00edses e embarca\u00e7\u00f5es infringem impunemente as normas. Isto n\u00e3o pode continuar ocorrendo.<\/p>\n<p>Finalmente, outro fator que afeta o estado dos oceanos \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O aumento das temperaturas afeta a abund\u00e2ncia e a distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, e amea\u00e7am os vibrantes arrecifes, mediante um fen\u00f4meno conhecido como \u201cdescolora\u00e7\u00e3o de corais\u201d.<\/p>\n<p>Neste \u00ednterim, na medida em que se emite mais di\u00f3xido de carbono na atmosfera, os oceanos, que atuam como filtros para o planeta, absorvem em demasia este g\u00e1s, criando um fen\u00f4meno conhecido como acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica. Isto torna mais dif\u00edcil para muitos organismos constru\u00edrem suas valvas e esqueletos de carbonato de c\u00e1lcio e impede que os arrecifes coralinos cres\u00e7am de modo apropriado.<\/p>\n<p>Conseguir que os oceanos recuperem sua gl\u00f3ria de outrora \u00e9 uma tarefa esmagadora. A lista de m\u00e1s not\u00edcias parece infinita, mas as solu\u00e7\u00f5es reais existem. \u00c9 por isto que n\u00e3o devemos cruzar os bra\u00e7os: o momento para fazer estas mudan\u00e7as \u00e9 agora. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Ricardo Aguilar \u00e9 diretor cient\u00edfico da Oceana, maior organiza\u00e7\u00e3o internacional de conserva\u00e7\u00e3o dedicada exclusivamente aos oceanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, Espanha, 17\/12\/2010 &ndash; A perda de biodiversidade marinha avan\u00e7a a um ritmo sem precedentes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/mundo\/a-ue-deve-pescar-com-responsabilidade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":840,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,4,11],"tags":[18,21],"class_list":["post-7574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-mundo","category-politica","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/840"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7574\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}