{"id":7583,"date":"2010-12-20T14:02:22","date_gmt":"2010-12-20T14:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7583"},"modified":"2010-12-20T14:02:22","modified_gmt":"2010-12-20T14:02:22","slug":"europa-a-guerra-nao-e-uma-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/economia\/europa-a-guerra-nao-e-uma-ciencia\/","title":{"rendered":"EUROPA: A guerra n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, B\u00e9lgica, 20\/12\/2010 &ndash; Os comerciantes de armas buscam convencer a Uni\u00e3o Europeia (UE) de que os subs\u00eddios p\u00fablicos para as pesquisas cient\u00edficas sejam usados para fabricar apetrechos com vistas a futuras guerras. <!--more--> Em uma s\u00e9rie de debates secretos, funcion\u00e1rios de Bruxelas e representantes da ind\u00fastria armamentista examinam se o multimilion\u00e1rio \u201cprograma marco\u201d da UE destinado \u00e0s pesquisas pode ser usado para projetos de natureza militar.<\/p>\n<p>Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, que deixaram tr\u00eas mil mortos em Washington e Nova York, funcion\u00e1rios da Comiss\u00e3o Europeia, bra\u00e7o executivo do bloco, se mostram ansiosos para garantir maior participa\u00e7\u00e3o dos fabricantes de armas no programa. Mas, como alguns governos da UE resistem a dar \u00e0 Comiss\u00e3o maior voz em quest\u00f5es militares, o alcance das \u201cpesquisas de seguran\u00e7a\u201d at\u00e9 agora limitaram-se a projetos que, segundo funcion\u00e1rios desse organismo, podem ser inclu\u00eddos na categoria de \u201ccivis\u201d e \u201cn\u00e3o letais\u201d.<\/p>\n<p>Cerca de 1,4 bilh\u00e3o de euros (US$ 1,826 bilh\u00e3o) foram destinados a assuntos de seguran\u00e7a no atual programa, que se estende entre 2007 e 2013 e tem or\u00e7amento total de 53 bilh\u00f5es de euros (US$ 70 bilh\u00f5es). Com o planejamento j\u00e1 em marcha para a pr\u00f3xima fase do programa (de 2014 a 2020), a ind\u00fastria armamentista leva adiante projetos militares mais complexos que ainda precisam ser financiados. Muitos integrantes de grupos de press\u00e3o da ind\u00fastria armamentista veem o programa de pesquisa como uma importante fonte de dinheiro em um momento em que o gasto militar diminui em toda a Europa.<\/p>\n<p>Embora a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) trabalhe para que seus membros dediquem ao menos 2% de seu produto interno bruto a quest\u00f5es militares, Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia e Gr\u00e3-Bretanha s\u00e3o os \u00fanicos pa\u00edses da UE que o fazem. As conversa\u00e7\u00f5es secretas sobre como os subs\u00eddios cient\u00edficos podem ajudar as for\u00e7as armadas s\u00e3o organizadas pela rede Sandera (sigla em ingl\u00eas de \u201cseguran\u00e7a e defesa na \u00e1rea das pesquisas europeias\u201d).<\/p>\n<p>Burkhard Theile, representante da ind\u00fastria armamentista que participa das conversa\u00e7\u00f5es, disse esperar que os subs\u00eddios da UE \u00e0s pesquisas sejam usados para desenvolver novos avi\u00f5es. Israel usou essas armas para matar e ferir civis durante a guerra contra Gaza, entre 27 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009. Tamb\u00e9m s\u00e3o usadas pelos Estados Unidos para realizar execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, que frequentemente causam mortes civis no Paquist\u00e3o, Afeganist\u00e3o, I\u00eamen e Som\u00e1lia. Os avi\u00f5es n\u00e3o tripulados \u201ct\u00eam tanto uso civil quanto militar, e deveriam ser financiados pela Uni\u00e3o\u201d, argumentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cPodem ser igualmente usados para patrulha de fronteira e miss\u00f5es como a que temos no Afeganist\u00e3o\u201d, acrescentou Burkhard, que j\u00e1 foi vice-presidente da Rheinmetall, fabricante de tanques e avi\u00f5es de guerra e agora dirige sua pr\u00f3pria consultoria sobre com\u00e9rcio de armas. Andrew James, conferencista da brit\u00e2nica Manchester Business School e coordenador da Sendera, reconheceu que dar \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia maior inger\u00eancia nas pesquisas cient\u00edficas pode criar resist\u00eancias entre os governos da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios dos atores poderosos e influentes de Bruxelas e outras partes querem que a defesa seja financiada de maneira mais ampla do que a atual, e n\u00e3o \u00e9 um motivo menor que o gasto de defesa entre os Estados-membros da UE obviamente esteja diminuindo. Isto \u00e9 politicamente controvertido. Nem todos os Estados-membros se sentir\u00e3o c\u00f4modos vendo a Comiss\u00e3o Europeia participar das pesquisas de defesa\u201d, afirmou. Em lugar de financiar um projeto \u201cde seguran\u00e7a\u201d, o trabalho da Sendera est\u00e1 coberto pela se\u00e7\u00e3o do programa de pesquisas da UE reservado para ci\u00eancias sociais e humanidades.<\/p>\n<p>Acad\u00eamicos da Universidade Livre de Berlim se mostram preocupados porque o programa de pesquisa se centra menos em quest\u00f5es de aut\u00eantica natureza social. Um estudo elaborado por Tanja B\u00f6rzel, professora nessa universidade, lamenta que os projetos de ci\u00eancias sociais financiados pela UE estejam frequentemente guiados por interesses de empresas privadas. Embora cerca da metade de todo pessoal acad\u00eamico das principais universidades europeias trabalhe em ci\u00eancias sociais, apenas 2% do programa de pesquisas da Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o destinados a esta \u00e1rea, diz o informe.<\/p>\n<p>Bem Hayes, ativista da organiza\u00e7\u00e3o pelas liberdades civis Statewatch, afirmou que o programa de pesquisas deveria se concentrar mais em quest\u00f5es sociais do que militares. \u201cH\u00e1 um enorme conflito de interesses em permitir que os grupos de press\u00e3o a favor das for\u00e7as armadas e da seguran\u00e7a estabele\u00e7am a agenda do financiamento que \u00e9 oferecido\u201d, afirmou. \u201cEles est\u00e3o desenvolvendo suas mercadorias com dinheiro dos contribuintes, e depois as vendem novamente ao Estado. Trata-se de uma destina\u00e7\u00e3o muito mal dirigida do dinheiro e dos escassos recursos fiscais\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Mark English, porta-voz da Comiss\u00e3o Europeia sobre ci\u00eancia, este \u00f3rg\u00e3o espera aumentar os subs\u00eddios concedidos para pesquisa sociais de 84 milh\u00f5es de euros (US$ 110 milh\u00f5es) no pr\u00f3ximo ano para 111 milh\u00f5es de euros (US$ 144,8 milh\u00f5es) em 2013. O porta-voz tamb\u00e9m negou que estejam ocorrendo debates sobre o uso de dinheiro concedido pela UE com fins militares.<\/p>\n<p>Entretanto, um estudo publicado em outubro pelo Parlamento Europeu concluiu que a ind\u00fastria armamentista j\u00e1 \u00e9 apta a receber fundos do or\u00e7amento da UE. O relat\u00f3rio diz que as principais benefici\u00e1rias s\u00e3o \u201cgrandes companhias de defesa, as mesmas que participaram da defini\u00e7\u00e3o das pesquisas de seguran\u00e7a patrocinadas pela UE\u201d. Entre os principais receptores destes subs\u00eddios, at\u00e9 agora, figuram a Verint, fabricante israelense de vigil\u00e2ncia, e as empresas Fraunhofer (alem\u00e3) e Thales (francesa).<\/p>\n<p>Embora Israel n\u00e3o integre formalmente a UE, participa das atividades cient\u00edficas do bloco desde a d\u00e9cada de 1990. Um estudo do Conselho Qu\u00e1quer para os Assuntos Europeus afirma que o Estado judeu \u201cparece estar se destacando\u201d em sua capacidade de receber fundos destinados \u00e0s pesquisas de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m expressou preocupa\u00e7\u00e3o pelo fato de empresas que forneceram armas usadas contra os palestinos, bem como servi\u00e7os, aos assentamentos ilegais da Cisjord\u00e2nia estejam entre as receptoras de fundos de pesquisa da UE. \u201cAs ind\u00fastrias israelenses que se beneficiam economicamente da ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina n\u00e3o deveriam estar aptas a se candidatarem a financiamento da Uni\u00e3o Europeia\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, B\u00e9lgica, 20\/12\/2010 &ndash; Os comerciantes de armas buscam convencer a Uni\u00e3o Europeia (UE) de que os subs\u00eddios p\u00fablicos para as pesquisas cient\u00edficas sejam usados para fabricar apetrechos com vistas a futuras guerras. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/economia\/europa-a-guerra-nao-e-uma-ciencia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":438,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,5,11],"tags":[18,16],"class_list":["post-7583","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-europa","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/438"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7583\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}