{"id":7611,"date":"2010-12-28T12:28:04","date_gmt":"2010-12-28T12:28:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7611"},"modified":"2010-12-28T12:28:04","modified_gmt":"2010-12-28T12:28:04","slug":"reportagem-aquecimento-pede-novas-medidas-fitossanitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/12\/america-latina\/reportagem-aquecimento-pede-novas-medidas-fitossanitarias\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Aquecimento pede novas medidas fitossanit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 28\/12\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Os problemas fitossanit\u00e1rios podem se transformar drasticamente nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas em raz\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Um projeto brasileiro dedica-se a investig\u00e1-los e oferecer solu\u00e7\u00f5es.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7611\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/507_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7611\" class=\"size-medium wp-image-7611\" title=\"Planta\u00e7\u00f5es de palma africana no Estado do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/507_1.jpg\" alt=\"Planta\u00e7\u00f5es de palma africana no Estado do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7611\" class=\"wp-caption-text\">Planta\u00e7\u00f5es de palma africana no Estado do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A agricultura, j\u00e1 afetada por secas, calor excessivo e eventos meteorol\u00f3gicos extremos, deve se preparar para as novidades que o aquecimento global trar\u00e1 em mat\u00e9ria de pragas e doen\u00e7as. No Brasil, o projeto Impacto da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica Global sobre Problemas Fitossanit\u00e1rios (Climapest) re\u00fane 134 pesquisadores de 37 institui\u00e7\u00f5es, dedicados a avaliar poss\u00edveis efeitos e riscos futuros e a orientar pol\u00edticas e alternativas de adapta\u00e7\u00e3o para esta pot\u00eancia agr\u00edcola sul-americana e mundial.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as \u201cn\u00e3o necessariamente agravam as doen\u00e7as\u201d agr\u00edcolas. O aumento da temperatura ou do g\u00e1s carb\u00f4nico pode favorecer, ou n\u00e3o, a prolifera\u00e7\u00e3o de certos micro-organismos, mas \u00e9 importante prever cen\u00e1rios futuros, j\u00e1 que \u201cgerar solu\u00e7\u00f5es exige tempo\u201d, explicou Raquel Ghini, l\u00edder do projeto. Os pequenos problemas de hoje podem se converter em causa de grandes perdas nas futuras condi\u00e7\u00f5es, disse ao Terram\u00e9rica Raquel, agr\u00f4noma e fitopatologista do Centro de Meio Ambiente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p>Os fungos, v\u00edrus e outros agentes de danos agr\u00edcolas est\u00e3o entre os organismos que reagem com maior rapidez \u00e0s mudan\u00e7as, por seu curto ciclo de vida e sua capacidade de multiplicar-se em grande velocidade. O Climapest come\u00e7ou em janeiro de 2009 e tem prazo de quatro anos para estudar 85 problemas fitossanit\u00e1rios de 16 cultivos, entre eles produtos de grande exporta\u00e7\u00e3o, como caf\u00e9, soja, frutas (banana, ma\u00e7\u00e3 e uva), e palma africana e r\u00edcino, que come\u00e7am a ganhar import\u00e2ncia como mat\u00e9ria-prima do biodiesel.<\/p>\n<p>Os aspectos a serem avaliados s\u00e3o os efeitos do aumento do di\u00f3xido de carbono atmosf\u00e9rico, da temperatura e da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta B sobre micro-organismos, doen\u00e7as, pragas e esp\u00e9cies invasoras. A futura distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e temporal destes inimigos da produtividade agr\u00edcola \u00e9 outro objeto das pesquisas. Por exemplo, as \u00e1reas com tend\u00eancia \u00e0 doen\u00e7a que mais afeta o rendimento da banana diminuir\u00e3o de forma gradual no Brasil \u2013 especialmente na hip\u00f3tese mais pessimista de aumento dos gases-estufa \u2013, disse Raquel. Isto porque haver\u00e1 menos umidade, necess\u00e1ria para o fungo que a provoca, a sigatoka negra (Mycosphaerella fijiensis), explicou.<\/p>\n<p>Por outro lado, o nemat\u00f3ide Meloidogyne incognita e outra praga conhecida como bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) se tornar\u00e3o mais daninhos para o caf\u00e9, porque o aumento da temperatura far\u00e1 com que tenham gera\u00e7\u00f5es mais curtas e, portanto, uma infesta\u00e7\u00e3o mais intensa. O projeto est\u00e1 elaborando mapas que indicam a evolu\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos inimigos de cada cultivo, segundo os melhores e piores cen\u00e1rios clim\u00e1ticos tra\u00e7ados para 2020, 2050 e 2080, a partir dos cinco modelos globais do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC).<\/p>\n<p>Para o final de 2012, o Climapest espera dispor de um conjunto de mapas e informa\u00e7\u00f5es sistematizadas sobre riscos fitossanit\u00e1rios, para orientar estrat\u00e9gias de tomada de decis\u00e3o dos diferentes setores, afirmou Em\u00edlia Hamada, vice-l\u00edder do projeto e encarregada de cen\u00e1rios futuros. Estes materiais s\u00e3o importantes tamb\u00e9m para \u201cdirigir pesquisas complementares\u201d e para o melhoramento gen\u00e9tico destinado a gerar resist\u00eancia \u00e0s pragas e doen\u00e7as mais graves, disse ao Terram\u00e9rica Em\u00edlia, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Investigar, \u201cum por um\u201d, os principais problemas fitossanit\u00e1rios de cada cultivo e sua evolu\u00e7\u00e3o de acordo com as hip\u00f3teses clim\u00e1ticas tem sua complexidade. Em geral, a temperatura em aumento favorece as pragas, mas pode haver \u201cexce\u00e7\u00f5es se determinado limite \u00e9 ultrapassado\u201d, observou Em\u00edlia. No caso do curuquer\u00ea (Alabama argillacea), uma praga que ataca o algod\u00e3o, ainda se estuda como reage ao aquecimento, se este acelera, ou n\u00e3o, seus ciclos vitais e, portanto, sua reprodu\u00e7\u00e3o, afirmou.<\/p>\n<p>A resposta \u00e0s migra\u00e7\u00f5es e modifica\u00e7\u00f5es das pragas, doen\u00e7as e esp\u00e9cies invasoras ser\u00e1 recorrer em primeira inst\u00e2ncia aos agroqu\u00edmicos, porque s\u00e3o os produtos dispon\u00edveis, mas \u201cno longo prazo\u201d deve-se desenvolver o controle biol\u00f3gico, que faz parte da \u201cnova cultura\u201d e da tend\u00eancia ambiental, reconheceu Raquel. \u00c0s vezes, consegue-se solu\u00e7\u00f5es criativas de \u201ccontrole alternativo\u201d, como o uso de leite dilu\u00eddo em \u00e1gua contra o o\u00eddio, uma praga provocada pelo fungo Sphaerotheca fugilinea. \u00c9 um m\u00e9todo \u201cmais barato do que os fungicidas, com a vantagem de n\u00e3o gerar resist\u00eancia\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O fungo \u00e9 vulner\u00e1vel aos micro-organismos presentes no leite de vaca, e basta uma mistura de 5% com 95% de \u00e1gua para evitar a enfermidade que branqueia as folhas da videira, das leguminosas e de v\u00e1rias hortali\u00e7as, enfraquecendo as plantas por reduzir sua capacidade de fotoss\u00edntese, explicou Raquel. O o\u00eddio \u00e9 \u201ca enfermidade da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d: se espalha com o aumento da temperatura e a menor umidade das folhas, mas encontrou um ant\u00eddoto muito barato e de f\u00e1cil acesso, que j\u00e1 foi adotado em v\u00e1rios pa\u00edses. Al\u00e9m disso, como n\u00e3o tem patente, seu uso \u00e9 livre.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do clima \u00e9 uma prioridade da Embrapa, um sistema de 42 centros de pesquisa distribu\u00eddos pelo Brasil que, em seus 37 anos de exist\u00eancia, contribuiu de forma decisiva para o rendimento deste pa\u00eds que \u00e9 um gigante agropecu\u00e1rio, abrindo fronteiras para cultivos antes considerados inadequados ao clima tropical, como a soja. Contudo, em suas pesquisas falta estudar o papel dos agrot\u00f3xicos na expans\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o das pragas, ao fomentar a resist\u00eancia de fungos e outros micro-organismos aos mesmos venenos qu\u00edmicos, disse Jean Marc, coordenador da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Assessoria e Servi\u00e7os a Projetos em Agricultura Alternativa.<\/p>\n<p>Os efeitos do clima alterado se apresentam em uma \u201cnatureza com desequil\u00edbrios provocados pelos agrot\u00f3xicos\u201d que retroalimentam problemas fitossanit\u00e1rios, tratados, por sua vez, \u201ccom mais agrot\u00f3xico\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica o economista e defensor da agroecologia Jean Marc. O mesmo controle biol\u00f3gico desenvolvido pela Embrapa, embora bem-vindo, \u201ctem o v\u00edcio de tornar-se um agrot\u00f3xico limpo\u201d, ao introduzir novos micro-organismos na natureza, alertou Jean Marc. \u201cA melhor preven\u00e7\u00e3o \u00e9 manter o equil\u00edbrio natural, que reduz riscos e danos\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 28\/12\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Os problemas fitossanit\u00e1rios podem se transformar drasticamente nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas em raz\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. 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