{"id":7635,"date":"2011-01-07T13:15:17","date_gmt":"2011-01-07T13:15:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7635"},"modified":"2011-01-07T13:15:17","modified_gmt":"2011-01-07T13:15:17","slug":"a-namibia-no-caminho-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/africa\/a-namibia-no-caminho-nuclear\/","title":{"rendered":"A Nam\u00edbia no caminho nuclear"},"content":{"rendered":"<p>Windhoek, Nam\u00edbia, 07\/01\/2011 &ndash; A Nam\u00edbia aproveitar\u00e1 suas abundantes reservas de ur\u00e2nio para ampliar sua matriz energ\u00e9tica. <!--more--> Prev\u00ea enriquecer o mineral em seu territ\u00f3rio e construir uma central el\u00e9trica nuclear. Especialistas da Autoridade Nuclear e de Radia\u00e7\u00e3o da Finl\u00e2ndia colaboram com o Minist\u00e9rio de Minas e Energia para criar o primeiro marco pol\u00edtico do pa\u00eds, que estar\u00e1 pronto em meados deste ano, bem como leis vinculadas ao assunto. A Nam\u00edbia prev\u00ea gerar eletricidade com seu reator nuclear em 2018.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma decis\u00e3o expressa do governo considerar seriamente o desenvolvimento da tecnologia nuclear e completar a variedade de fontes de energia para produzir uma quantidade suficiente para nosso desenvolvimento\u201d, afirmou o ministro, Isak Katali, na abertura de uma confer\u00eancia sobre o assunto. \u201cO marco pol\u00edtico cobrir\u00e1 todo o ciclo de produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel, desde a extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio at\u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de energia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, incluir\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de um fundo de gest\u00e3o de dejetos, fortalecimento da economia local mediante a participa\u00e7\u00e3o de capitais na explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio, transfer\u00eancia de capacidades \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o do mineral apenas com fins pac\u00edficos. A Nam\u00edbia produz cinco mil toneladas de ur\u00e2nio por ano. Em 2009, foi o quarto produto, cobrindo quase 10% da demanda mundial.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 nenhum segredo que o governo tomou a decis\u00e3o de desenvolver a energia nuclear, a demanda cresce\u201d, disse Joseph Iita, secret\u00e1rio permanente do Minist\u00e9rio. \u201cTemos grandes quantidades de ur\u00e2nio. Trabalhamos com a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA) para criar um contexto que garanta uma pol\u00edtica nuclear segura, eficiente e com fins pac\u00edficos\u201d, acrescentou. A Nam\u00edbia \u00e9 signat\u00e1ria do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (TPN), do Acordo Integral de Salvaguardas e do Protocolo Adicional. Este pa\u00eds criou, em fevereiro de 2009, a Junta de Energia At\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cA Nam\u00edbia aposta em um mundo livre de armas nucleares, no qual na\u00e7\u00f5es e povos possam viver em paz e harmonia, e aplaude a entrada em vigor do Tratado de Pelindaba\u201d, disse o chanceler Utoni Nujoma, na Confer\u00eancia de Revis\u00e3o do TPN, realizada em 2010 em Nova York. O tratado se refere \u00e0 Zona Livre de Armas Nucleares (ZLAN) na \u00c1frica, redigido no centro nuclear de Pelindaba, na cidade sul-africana de Johannesburgo, em junho de 1995, e aberto para assinaturas no Cairo, no dia 11 de abril do ano seguinte. \u201cParece um \u00eaxito fundamental para a seguran\u00e7a e a paz regionais. A Nam\u00edbia est\u00e1 em processo de ratificar este importante instrumento\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A falta de um marco pol\u00edtico levou o governo a impor, em 2007, uma morat\u00f3ria sobre a emiss\u00e3o de licen\u00e7as exclusivas de explora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 66 companhias, a maioria da Austr\u00e1lia, China e Canad\u00e1, com licen\u00e7as de explora\u00e7\u00e3o na Nam\u00edbia, principalmente na regi\u00e3o costeira de Erongo. H\u00e1 apenas quatro empresas com licen\u00e7as que possuem duas minas operacionais e outras duas em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mina mais antiga, R\u00f6ssing Uranium, da British Rio Tinto, come\u00e7ou a operar em 1976. Em 2007, uniu-se \u00e0 Langer Heinrich Uranium (LHU), do grupo australiano Paladin Energy, que em 2009 produziu 1.170 toneladas de torta amarela, como \u00e9 conhecido o \u00f3xido de ur\u00e2nio concentrado. O governo do Ir\u00e3 tem participa\u00e7\u00e3o de 15% na R\u00f6ssing Uranium. Pelo menos outras cinco minas de ur\u00e2nio entrar\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos tr\u00eas ou quatro anos. A companhia nacional de eletricidade NamPower amplia a rede de fornecimento e as capacidades de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica.<\/p>\n<p>As novas \u00e1reas de extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio est\u00e3o localizadas, em parte, em um parque nacional e em um dos centros tur\u00edsticos mais populares do pa\u00eds. \u201cA menos que seja bem gerida e existam as salvaguardas necess\u00e1rias, a febre de ur\u00e2nio prejudicar\u00e1 o meio ambiente, em cada mina e por efeito acumulativo. Tamb\u00e9m afetar\u00e1 o sentido de lugar, o turismo, a vida das pessoas e suas fontes de renda\u201d, disse Peter Tarr, um dos especialistas que realizou um estudo de impacto.<\/p>\n<p>\u201cEstamos muito preocupados com as consequ\u00eancias negativas que o auge do ur\u00e2nio possa ter neste belo pa\u00eds e pela possibilidade de ser constru\u00eddo um reator nuclear\u201d, disse Peter Versveld, que trabalha em uma empresa tur\u00edstica no Deserto da Nam\u00edbia. \u201cPrejudicar\u00e1 o litoral e o deserto\u201d, disse Peter, que leva turistas para desfrutar da imponente vista desde as montanhas escarpadas, conhecidas como \u201cpaisagem lunar\u201d, e das famosas plantas welwitschia, algumas com milhares de anos.<\/p>\n<p>Contudo, Johannes Goraseb, cuja fam\u00edlia vive h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es em casas humildes, espera conseguir um trabalho. Johannes vive 80 quil\u00f4metros a leste do balne\u00e1rio de Swakopmund, perto de outro importante centro tur\u00edstico, as montanhas de Spitzkoppe, que possui pinturas rupestres. \u201cN\u00e3o h\u00e1 turistas suficientes para nos sustentar, assim, espero conseguir trabalho quando come\u00e7ar a funcionar a mina de ur\u00e2nio que est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o\u201d, disse Johannes. \u201cAreva, propriet\u00e1rio da nova mina, j\u00e1 nos doou tanques de \u00e1gua. Al\u00e9m disso, construir\u00e3o um povoado para o pessoal e isso ajudar\u00e1 a fomentar o desenvolvimento no deserto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O governador de Erongo, Samuel Nuuyoma, disse que a mina de ur\u00e2nio \u00e9 um importante pilar econ\u00f4mico e que espera que aumente de 5,54% do produto interno bruto da Nam\u00edbia, em 2008, para 14,78% em 2015. \u201cEspera-se que a contribui\u00e7\u00e3o para a economia se multiplique por dois ou mais, dos atuais US$ 150 milh\u00f5es para US$ 305 milh\u00f5es em 2015\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cNos pa\u00edses produtores de ur\u00e2nio, inevitavelmente surgem d\u00favidas a respeito de quest\u00f5es de sa\u00fade, ambientais, seguran\u00e7a por causa das radia\u00e7\u00f5es, desperd\u00edcios e n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Mike Leech, presidente da C\u00e2mara Mineira. Estima-se que, com as novas minas previstas e os projetos de amplia\u00e7\u00e3o existentes, sejam criados milhares de postos de trabalho apenas em Erongo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Windhoek, Nam\u00edbia, 07\/01\/2011 &ndash; A Nam\u00edbia aproveitar\u00e1 suas abundantes reservas de ur\u00e2nio para ampliar sua matriz energ\u00e9tica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/africa\/a-namibia-no-caminho-nuclear\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":566,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,5,11],"tags":[],"class_list":["post-7635","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/566"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}