{"id":7649,"date":"2011-01-11T11:49:04","date_gmt":"2011-01-11T11:49:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7649"},"modified":"2011-01-11T11:49:04","modified_gmt":"2011-01-11T11:49:04","slug":"reportagem-el-nino-e-la-nina-crescem-e-perturbam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/america-latina\/reportagem-el-nino-e-la-nina-crescem-e-perturbam\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a crescem e perturbam"},"content":{"rendered":"<p>UXBRIDGE, Canad\u00e1, 11\/01\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Cientistas acreditam que o aquecimento pode estar influindo no sistema clim\u00e1tico-atmosf\u00e9rico El Ni\u00f1o, cuja fase fria, La Ni\u00f1a, j\u00e1 repercute na produ\u00e7\u00e3o de alimentos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7649\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/508_Fitzroy_inundado_foto1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7649\" class=\"size-medium wp-image-7649\" title=\"A bacia do Rio Fitzroy, na Austr\u00e1lia, no dia 4 de janeiro de 2011. A superf\u00edcie inundada aparece em azul escuro e as manchas celestes s\u00e3o nuvens - Cortesia Nasa\/FSFC, Modis Rapid Response\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/508_Fitzroy_inundado_foto1.jpg\" alt=\"A bacia do Rio Fitzroy, na Austr\u00e1lia, no dia 4 de janeiro de 2011. A superf\u00edcie inundada aparece em azul escuro e as manchas celestes s\u00e3o nuvens - Cortesia Nasa\/FSFC, Modis Rapid Response\" width=\"192\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7649\" class=\"wp-caption-text\">A bacia do Rio Fitzroy, na Austr\u00e1lia, no dia 4 de janeiro de 2011. A superf\u00edcie inundada aparece em azul escuro e as manchas celestes s\u00e3o nuvens - Cortesia Nasa\/FSFC, Modis Rapid Response<\/p><\/div>  O planeta vive a manifesta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica mais forte do La Ni\u00f1a em 50 anos, com inunda\u00e7\u00f5es sem precedentes na Austr\u00e1lia e secas no Brasil, Uruguai e Argentina, que afetam inclusive os pre\u00e7os dos alimentos. Os cientistas come\u00e7am a considerar que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica poderia estar potencializando os impactos do El Ni\u00f1o\/Oscila\u00e7\u00e3o do Sul (Enos), um ciclo que afeta periodicamente os padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos em todo o mundo.<\/p>\n<p>La Ni\u00f1a e El Ni\u00f1o s\u00e3o, respectivamente, as fases fria e quente do Enos, e fazem parte do sistema de regula\u00e7\u00e3o do calor no Oceano Pac\u00edfico equatorial. Ambos se apresentam quando as mudan\u00e7as oce\u00e2nicas e atmosf\u00e9ricas s\u00e3o simult\u00e2neas. Em condi\u00e7\u00f5es definidas pelos especialistas em clima como \u201cneutras\u201d, as altas press\u00f5es costumam dominar a atmosfera do Pac\u00edfico oriental, enquanto as baixas predominam no oeste. A diferen\u00e7a de press\u00e3o gera os ventos al\u00edsios, que sopram de leste para oeste sobre a superf\u00edcie do Pac\u00edfico equatorial, levando as \u00e1guas quentes para o ocidente. As \u00e1guas profundas e mais frias emergem, ent\u00e3o, no leste para substituir as quentes.<\/p>\n<p>Nos eventos do La Ni\u00f1a, estas diferen\u00e7as de press\u00e3o s\u00e3o mais acentuadas, os al\u00edsios sopram com mais for\u00e7a e geram uma corrente fria mais intensa no Pac\u00edfico oriental. Por outro lado, com o El Ni\u00f1o a press\u00e3o alta se apresenta no Pac\u00edfico ocidental, e a baixa pr\u00f3ximo das costas americanas. Os al\u00edsios enfraquecem ou mudam de dire\u00e7\u00e3o e as \u00e1guas quentes se expandem pelo leste do oceano. \u201cEm 2010 houve uma transi\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida do El Ni\u00f1o para o La Ni\u00f1a\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o especialista em clima Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosf\u00e9ricas, com sede no Estado do Colorado, centro dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o foi forte, durou um ano e terminou em maio, e no prazo de apenas dois meses surgiu o La Ni\u00f1a, explicou. O atual La Ni\u00f1a n\u00e3o s\u00f3 p\u00f4s fim a dez anos de seca na Austr\u00e1lia como inundou cerca de 850 mil quil\u00f4metros quadrados nesse pa\u00eds, \u00e1rea equivalente \u00e0 da Fran\u00e7a e Alemanha juntas. Tamb\u00e9m causou inunda\u00e7\u00f5es mortais no norte da Am\u00e9rica do Sul e criou condi\u00e7\u00f5es de seca nas partes central e sul do continente. Em consequ\u00eancia, foram afetados os rendimentos agr\u00edcolas. Os pre\u00e7os internacionais dos alimentos alcan\u00e7aram um recorde em dezembro, informou no dia 5 a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO).<\/p>\n<p>\u201cDesde a d\u00e9cada de 1970 s\u00e3o registradas mudan\u00e7as no fen\u00f4meno El Ni\u00f1o-La Ni\u00f1a. Trata-se de um ciclo complexo, mas as secas, inunda\u00e7\u00f5es e outras manifesta\u00e7\u00f5es associadas a ele foram mais fortes nos \u00faltimos 30 a 40 anos\u201d, disse Kevin. Como o aquecimento altera os fundamentos do sistema clim\u00e1tico mundial, prendendo mais calor e at\u00e9 4% mais vapor de \u00e1gua na atmosfera, \u00e9 razo\u00e1vel concluir que tamb\u00e9m influa no Enos. \u201cSeria surpreendente se n\u00e3o o fizesse\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Foram os pescadores peruanos que criaram o nome El Ni\u00f1o, por causa do Menino Jesus, pois notavam os efeitos do aquecimento das \u00e1guas nessa \u00e1rea do Pac\u00edfico pr\u00f3ximo ao Natal. Com o passar dos meses, e \u00e0s vezes dos anos, o calor superficial do oceano se dissipa e as \u00e1guas mais frias e profundas sobem para a superf\u00edcie. Assim s\u00e3o restauradas as condi\u00e7\u00f5es naturais ou se apresenta o La Ni\u00f1a, que traz consigo correntes ricas em nutrientes que causam uma explos\u00e3o da vida marinha e boas temporadas de pesca.<\/p>\n<p>Os pescadores podem esperar um bom ano para 2011, pois um La Ni\u00f1a intenso domina o Pac\u00edfico. \u201cEste \u00e9 um dos eventos mais fortes do La Ni\u00f1a no \u00faltimo meio s\u00e9culo, e, provavelmente, persistir\u00e1 no ver\u00e3o boreal\u201d, disse em um comunicado Bill Patzert, ocean\u00f3grafo e especialista em clima do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da Nasa, a ag\u00eancia espacial norte-americana.<\/p>\n<p>O Enos tem um ciclo de tr\u00eas a sete anos, com m\u00e9dia de quatro anos para passar de El Ni\u00f1o para La Ni\u00f1a. Por\u00e9m, varia consideravelmente, tanto em periodicidade como em for\u00e7a, segundo Kevin. Cada ciclo \u00e9 diferente e imprescind\u00edvel e no momento \u00e9 imposs\u00edvel tentar reproduzi-lo mediante modelos clim\u00e1ticos informatizados, acrescentou. Apesar de haver provas de que as inunda\u00e7\u00f5es e as secas pioraram, a ci\u00eancia ainda n\u00e3o conta com provas claras de que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afetou o ritmo do Enos, por exemplo, encurtando o ciclo, como ocorre agora, \u201cmas poderia estar acontecendo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es poluentes em raz\u00e3o das atividades humanas agem como uma dupla coberta sobre a atmosfera, prendendo mais calor do que o retido naturalmente. Quase todo este calor extra \u00e9 absorvido pelos oceanos. Estes v\u00eam esquentando desde os anos 1970, e \u00e9 prov\u00e1vel que isso tamb\u00e9m influa no Enos, disse Julia Cole, cientista clim\u00e1tica do Instituto do Meio Ambiente da Universidade do Arizona. O Enos sempre teve uma enorme varia\u00e7\u00e3o, e suas for\u00e7as motrizes ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente conhecidas, o que torna muito dif\u00edcil determinar como \u00e9 afetado pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica ou prever futuras modifica\u00e7\u00f5es do ciclo, disse Julia ao Terram\u00e9rica em entrevista por correio eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Contudo, as \u00faltimas pesquisas sugerem que no futuro \u201cpoderemos, inclusive, termos novos \u2018sabores\u2019 do ENOS\u201d, acrescentou a cientista. As inunda\u00e7\u00f5es causadas pelo La Ni\u00f1a na Austr\u00e1lia n\u00e3o tem precedentes. Pelo menos dez pessoas morreram e as perdas s\u00e3o calculadas em milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Boa parte das inunda\u00e7\u00f5es ocorreu no Estado de Queensland, cujos rios fluem para o Mar do Coral, e espera-se que tenham repercuss\u00f5es importantes na Grande Barreira de Coral.<\/p>\n<p>As \u00e1guas das chuvas varreram as terras, removendo e arrastando para o mar enormes quantidades de sedimentos e subst\u00e2ncias contaminantes. \u00c9 prov\u00e1vel que tenham \u201cum impacto enorme\u201d no maior sistema de arrecifes do mundo, disse Charlie Veron, ex-chefe cient\u00edfico do Instituto Australiano de Ci\u00eancias Marinhas. \u201cSem d\u00favida, este La Ni\u00f1a t\u00e3o forte est\u00e1 provocando as inunda\u00e7\u00f5es, mas a mudan\u00e7a clim\u00e1tica poderia estar potencializando seus efeitos\u201d, disse Charlie por correio eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>As vastas planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar de Queensland submergiram, mas os cultivos no Brasil, Uruguai e Argentina est\u00e3o ressecados pela falta de chuva que, no final de dezembro, j\u00e1 causou carestia dos alimentos, segundo um informe da FAO divulgado no dia 5. As cont\u00ednuas secas na Argentina e o mortal frio na Europa e Am\u00e9rica do Norte poderiam ajudar a elevar ainda mais o pre\u00e7o dos alimentos, alerta a FAO. Embora o La Ni\u00f1a mantenha fria boa parte do Pac\u00edfico sul h\u00e1 meses, 2010 igualou 1998, quando o El Ni\u00f1o se manifestou com intensidade. S\u00e3o os dois anos mais quentes da hist\u00f3ria desde que come\u00e7aram os registros.<\/p>\n<p>* * O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UXBRIDGE, Canad\u00e1, 11\/01\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Cientistas acreditam que o aquecimento pode estar influindo no sistema clim\u00e1tico-atmosf\u00e9rico El Ni\u00f1o, cuja fase fria, La Ni\u00f1a, j\u00e1 repercute na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/america-latina\/reportagem-el-nino-e-la-nina-crescem-e-perturbam\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21],"class_list":["post-7649","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7649","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7649"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7649\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}