{"id":767,"date":"2005-07-06T00:00:00","date_gmt":"2005-07-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=767"},"modified":"2005-07-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-06T00:00:00","slug":"frica-g-8-deve-ajudar-o-povo-no-os-governos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/frica-g-8-deve-ajudar-o-povo-no-os-governos\/","title":{"rendered":"&Aacute;frica: G-8 deve ajudar o povo, n&atilde;o os governos"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 06\/07\/2005 &ndash; Ativistas exortaram os l&iacute;deres do Grupo dos Oitos pa&iacute;ses mais poderosos a destinarem uma parte substancial de sua assist&ecirc;ncia diretamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica, n&atilde;o aos governos. &quot;Consideramos que pelo menos a metade da ajuda ao desenvolvimento, que deveria ser duplicada, seja destinada a iniciativas locais&quot;, disse &agrave; IPS a diretora do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED), Camilla Toulmin. Trata-se de um instituto de pesquisa no campo do desenvolvimento sustent&aacute;vel, voltado especialmente para &Aacute;frica, Am&eacute;rica Latina e &Aacute;sia. O desenvolvimento da &Aacute;frica ser&aacute; um dos temas centrais da reuni&atilde;o de c&uacute;pula do G-8. Chefes de Estado e de governo da Alemanha, Canad&aacute;, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha, It&aacute;lia, Jap&atilde;o e R&uacute;ssia se reunir&atilde;o na localidade escocesa de Gleneagles, entre esta quarta-feira e sexta-feira.<br \/> <!--more--> <br \/> O IIED afirmou que um dos principais obst&aacute;culos para o desenvolvimento da &Aacute;frica &eacute; o &quot;d&eacute;ficit de poder&quot;, isto &eacute;, a incapacidade da popula&ccedil;&atilde;o para controlar seu pr&oacute;prio destino, e em particular, as mulheres, que representam a maioria dos pequenos agricultores. A ajuda deveria ser direta para dar for&ccedil;a &agrave; voz e &agrave; influ&ecirc;ncia dos moradores e das organiza&ccedil;&otilde;es locais, pois dessa maneira as pessoas poderiam mudar por si mesmas seu futuro, afirmou o instituto. O IIED teme que as popula&ccedil;&otilde;es marginalizadas camponesas ou habitantes de assentamentos irregulares n&atilde;o sejam consideradas no debate sobre o futuro da &Aacute;frica. &quot;A assist&ecirc;ncia que vai de governo para governo faz com que o poder fique concentrado nos &acirc;mbitos centrais, e por isso as atividades em n&iacute;vel local n&atilde;o se beneficiam dos recursos&quot;, disse Toulmin.<\/p>\n<p> Os governos africanos apelam para pot&ecirc;ncias ocidentais para conseguir financiamento, distorcendo dessa maneira a din&acirc;mica do sistema impositivo em cada pa&iacute;s, acrescentou o ativista. Obter recursos atrav&eacute;s de impostos &quot;obriga os governos a ouvir a popula&ccedil;&atilde;o. Se os governos dependem de outros pa&iacute;ses para conseguir 80% ou 90% de seus recursos, rompe-se o v&iacute;nculo com o povo, ao qual devem prestar conta. Por isso, quando o Ocidente pede a esses governos que escutem sua popula&ccedil;&atilde;o, tem in&iacute;cio um processo de consulta in&uacute;til&quot;, explicou Toulmin. A ativista tamb&eacute;m ressaltou que destinar a ajuda apenas aos governos muitas vezes fomenta a corrup&ccedil;&atilde;o. &quot;&Eacute; um grave problema se 40% da riqueza da &Aacute;frica terminam em contas banc&aacute;rias pessoais ou investida em outras atividades no Ocidente. O sudeste da &Aacute;sia tem elites ricas, mas pelo menos estas reinvestiram o dinheiro em seus pr&oacute;prios pa&iacute;ses&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Toulmin destacou que a transpar&ecirc;ncia e a luta contra a corrup&ccedil;&atilde;o s&atilde;o partes essenciais da agenda do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.&quot;Esse &eacute; um aspecto no qual Bush &eacute; relativamente forte. O problema &eacute; que combina isso como o fato de ser incrivelmente mesquinho&quot;, afirmou. O IIED tamb&eacute;m insistiu que os l&iacute;deres do G-8 n&atilde;o considerem os africanos como &quot;v&iacute;timas e pessoas passivas&quot; e nem o continente como um lugar onde s&oacute; existem &quot;crimes e hist&oacute;rias de desastres&quot;. Isso &quot;pode ser verdade em alguns poucos lugares, mas a &Aacute;frica est&aacute; cheia de energia e atividade. Boa parte do continente cresce e se desenvolve&quot;, e isto gra&ccedil;as a uma &quot;agenda popular&quot; que n&atilde;o &eacute; considerada atualmente pelos governos, acrescentou a ativista.<\/p>\n<p> Por sua vez, a presidente do IIED e ex-Alta Comiss&aacute;ria das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos, a irlandesa Mary Robinson, criticou a falta de vontade para ajudar a popula&ccedil;&atilde;o africana. &quot;A &Aacute;frica n&atilde;o &eacute; um fracasso nem est&aacute; atrasada, ocorre que foi marginalizada pela falta de vontade da comunidade internacional e dos governos locais para confiar &agrave; popula&ccedil;&atilde;o a dire&ccedil;&atilde;o de projetos pr&oacute;prios, como cultivos em pequena escala&quot;, afirmou. Robinson, que foi presidente da Irlanda entre 1990 e 1997, ressaltou em um comunicado que as mulheres africanas necessitam de particular aten&ccedil;&atilde;o. &quot;Elas &#8211; afirmou &#8211; enfrentam os maiores obst&aacute;culos para ter acesso &agrave;s terras e aos mercados, e por isso necessitam de maior apoio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pobreza e aos direitos de heran&ccedil;a, sobretudo porque sua vulnerabilidade aumentou devido &agrave; pandemia de aids&quot;.<\/p>\n<p> &quot;Quem sabe como administrar melhor a terra e outros recursos naturais? &Eacute; a popula&ccedil;&atilde;o local, com centenas de anos de experi&ecirc;ncia e conhecimento, ou os governos distantes e os grandes empres&aacute;rios que promovem um modelo econ&ocirc;mico que j&aacute; falhou em todo o planeta?&quot;, perguntou Robinson. A presidente do IIED afirmou que a verdadeira solu&ccedil;&atilde;o &eacute; investir diretamente nos produtores agr&iacute;colas africanos e criar um mercado mais justo, pondo fim aos subs&iacute;dios dos pa&iacute;ses ricos e ao escoamento de excedentes de produ&ccedil;&atilde;o nas na&ccedil;&otilde;es pobres. A comunidade internacional deve ajustar melhor suas lentes para reconhecer as coisas positivas da &Aacute;frica e de todas as regi&otilde;es pobres para assim ajud&aacute;-las a crescer, e n&atilde;o sufoc&aacute;-las&quot;, acrescentou.(IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 06\/07\/2005 &ndash; Ativistas exortaram os l&iacute;deres do Grupo dos Oitos pa&iacute;ses mais poderosos a destinarem uma parte substancial de sua assist&ecirc;ncia diretamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica, n&atilde;o aos governos. &quot;Consideramos que pelo menos a metade da ajuda ao desenvolvimento, que deveria ser duplicada, seja destinada a iniciativas locais&quot;, disse &agrave; IPS a diretora do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED), Camilla Toulmin. Trata-se de um instituto de pesquisa no campo do desenvolvimento sustent&aacute;vel, voltado especialmente para &Aacute;frica, Am&eacute;rica Latina e &Aacute;sia. O desenvolvimento da &Aacute;frica ser&aacute; um dos temas centrais da reuni&atilde;o de c&uacute;pula do G-8. Chefes de Estado e de governo da Alemanha, Canad&aacute;, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha, It&aacute;lia, Jap&atilde;o e R&uacute;ssia se reunir&atilde;o na localidade escocesa de Gleneagles, entre esta quarta-feira e sexta-feira.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/frica-g-8-deve-ajudar-o-povo-no-os-governos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":185,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-767","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/185"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/767\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}