{"id":7674,"date":"2011-01-17T15:28:50","date_gmt":"2011-01-17T15:28:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7674"},"modified":"2011-01-17T15:28:50","modified_gmt":"2011-01-17T15:28:50","slug":"eslovenia-privatizacao-lenta-mas-segura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/economia\/eslovenia-privatizacao-lenta-mas-segura\/","title":{"rendered":"ESLOV\u00caNIA: Privatiza\u00e7\u00e3o lenta, mas segura"},"content":{"rendered":"<p>Budapeste, Hungria, 17\/01\/2011 &ndash; Quando caiu o Muro de Berlim, em 1989, foi promovida a privatiza\u00e7\u00e3o radical como solu\u00e7\u00e3o para os males da economia do bloco socialista europeu. <!--more--> A Eslov\u00eania, \u00fanico pa\u00eds que ignorou a receita do Ocidente, parece ter conseguido um desempenho muito melhor. Desde o colapso do bloco socialista, os pa\u00edses que o integravam foram pressionados para criar economias de mercado, a despeito da necessidade de preservar seus sistemas estatais de previd\u00eancia social.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o contou com a assist\u00eancia de pot\u00eancias ocidentais, do Fundo Monet\u00e1rio Internacional e do Banco Mundial, bem como de v\u00e1rias funda\u00e7\u00f5es, principalmente norte-americanas, que, entre outras coisas, promoveram a venda de bens p\u00fablicos, adquiridos com grandes investimentos estrangeiros diretos. A maioria desses atores externos acreditava que a democracia poderia surgir somente se fosse instalada uma economia de mercado, por isso seus primeiros esfor\u00e7os se centraram nela.<\/p>\n<p>Bulg\u00e1ria, Eslov\u00e1quia, Eslov\u00eania, Est\u00f4nia, Hungria, Let\u00f4nia, Litu\u00e2nia, Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica Checa e Rom\u00eania est\u00e3o completamente integradas \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, na qual ingressaram em 2004. As economias da regi\u00e3o dependem de investimentos do exterior, por isto suas economias se integram ao Ocidente, al\u00e9m de a maioria de suas principais ind\u00fastrias e servi\u00e7os estarem em m\u00e3os estrangeiras.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o foi uma das quest\u00f5es mais quentes da regi\u00e3o, para muitos um fen\u00f4meno que se materializou muito rapidamente e beneficiou uma pequena elite que se tornou pol\u00edtica e economicamente poderosa. A nova posi\u00e7\u00e3o destes pa\u00edses na economia mundial n\u00e3o lhes d\u00e1 muito espa\u00e7o para manobra, sendo a Eslov\u00eania uma exce\u00e7\u00e3o, pois privilegiou a venda de bens p\u00fablicos a capitais nacionais e integrou v\u00e1rios grupos de interesse no processo legislativo.<\/p>\n<p>Na outra ponta est\u00e3o os pa\u00edses do B\u00e1ltico \u2013 Est\u00f4nia, Let\u00f4nia e Litu\u00e2nia \u2013, ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas com economias centralizadas at\u00e9 1991. Depois de sua independ\u00eancia foram se inclinando por governos direitistas que adotaram uma vers\u00e3o radical do liberalismo econ\u00f4mico. Na Europa centro-oriental, Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica Checa, Eslov\u00e1quia e Hungria buscaram um caminho intermedi\u00e1rio, que permitisse reformas de mercado e ao mesmo tempo a manuten\u00e7\u00e3o de alguma forma de prote\u00e7\u00e3o social e a aposta em pol\u00edticas industriais.<\/p>\n<p>Somente a Eslov\u00eania se afastou muito deste caminho e, mais do que qualquer outro pa\u00eds na regi\u00e3o, criou uma sociedade socialmente inclusiva, sem sacrificar seu desempenho macroecon\u00f4mico. Seus governos esquerdistas seguiram o exemplo dos acordos social-democratas e corporativistas, t\u00edpicos de pa\u00edses do norte da Europa, como Alemanha ou Su\u00e9cia. No corporativismo, o empresariado, os trabalhadores e outros grupos sociais s\u00e3o aceitos como s\u00f3cios na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, por exemplo, acordando o sal\u00e1rio m\u00ednimo ou os benef\u00edcios por desemprego.<\/p>\n<p>A Eslov\u00eania tamb\u00e9m seguiu algumas tend\u00eancias neoliberais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Neste pa\u00eds, o \u201cdi\u00e1logo social era uma tradi\u00e7\u00e3o, e continuou depois da independ\u00eancia\u201d, disse Rastko Plohl, presidente dos Sindicatos Independentes da Eslov\u00eania. \u201cFoi criado um Conselho Econ\u00f4mico Social onde h\u00e1 di\u00e1logos tripartites na \u00e1rea dos direitos trabalhistas e outras legisla\u00e7\u00f5es\u201d, explicou. O corporativismo esloveno leva mais em conta os trabalhadores do que a maioria dos pa\u00edses ocidentais, o que ajudou a legitimar as reformas de mercado, como a privatiza\u00e7\u00e3o, mais do que em outros pa\u00edses da regi\u00e3o, onde se costuma v\u00ea-las como injustas e precipitadas.<\/p>\n<p>Seu passado, como a rep\u00fablica mais liberal e economicamente mais inclinada ao Ocidente na ex-Iugosl\u00e1via, e a persistente propriedade comunit\u00e1ria foram um contexto fundamental para a inclus\u00e3o dos sindicatos nas batalhas legislativas p\u00f3s-comunistas que definiram os novos direitos de propriedade. Em fevereiro de 1989, \u201cos Sindicatos Independentes participaram do Conselho Constitucional, e apresentaram artigos sobre os direitos dos trabalhadores para serem inclu\u00eddos na Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou Rastko.<\/p>\n<p>A central sindical \u201ctamb\u00e9m reclamou uma participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de seis meses no debate, e abriu o caminho para que organiza\u00e7\u00f5es e a cidadania em geral pudessem apresentar suas propostas\u201d, afirmou Rastko. Assim, os capitais internacionais n\u00e3o podem ingressar t\u00e3o facilmente como no B\u00e1ltico ou no resto da Europa centro-oriental. Por outro lado, foi incentivada a participa\u00e7\u00e3o estrangeira seletiva nas tradicionais ind\u00fastrias leves do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Eslov\u00eania e os Estados da Europa centro-oriental se acertaram pra criar ind\u00fastrias exportadoras que, de modo semelhante \u00e0s dos pa\u00edses ocidentais, dependem de uma tecnologia complexa e de m\u00e3o-de-obra qualificada, e que em muitos casos j\u00e1 existiam na era socialista. O resultado apresenta melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os eslovenos, em parte gra\u00e7as a um maior poder de negocia\u00e7\u00e3o de seus trabalhadores qualificados.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do B\u00e1ltico foram elogiados por alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais por sua capacidade macroecon\u00f4mica e por suas equilibradas finan\u00e7as p\u00fablicas, mas estes \u00eaxitos se deram \u00e0 custa de uma crescente desigualdade e exclus\u00e3o social. Pa\u00edses como Est\u00f4nia e Let\u00f4nia combinaram pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais com o nacionalismo, assegurando-se de que os custos das reformas reca\u00edssem nas costas das numerosas minorias russas que vivem nestes pa\u00edses.<\/p>\n<p>Temerosos de perderem sua independ\u00eancia, os pa\u00edses do B\u00e1ltico cortaram todo v\u00ednculo econ\u00f4mico poss\u00edvel com Moscou, e as ind\u00fastrias da era sovi\u00e9tica que empregavam enormes quantidades de russos foram especialmente prejudicadas. Em meados da d\u00e9cada de 1990, a Eslov\u00eania e v\u00e1rios pa\u00edses da Europa centro-oriental recuperaram parte de sua capacidade industrial, mas a produ\u00e7\u00e3o do B\u00e1ltico caiu cada vez mais. As exporta\u00e7\u00f5es das na\u00e7\u00f5es do B\u00e1ltico se concentram em setores de explora\u00e7\u00e3o intensiva de recursos naturais ou m\u00e3o-de-obra n\u00e3o qualificada, como em muitos dos pa\u00edses menos adiantados. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Budapeste, Hungria, 17\/01\/2011 &ndash; Quando caiu o Muro de Berlim, em 1989, foi promovida a privatiza\u00e7\u00e3o radical como solu\u00e7\u00e3o para os males da economia do bloco socialista europeu. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/economia\/eslovenia-privatizacao-lenta-mas-segura\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":218,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,11],"tags":[18,21],"class_list":["post-7674","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/218"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}