{"id":769,"date":"2005-07-06T00:00:00","date_gmt":"2005-07-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=769"},"modified":"2005-07-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-06T00:00:00","slug":"g-8-a-diviso-na-europa-ameaa-a-iniciativa-de-blair-para-a-frica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/g-8-a-diviso-na-europa-ameaa-a-iniciativa-de-blair-para-a-frica\/","title":{"rendered":"G-8: A divis&atilde;o na Europa amea&ccedil;a a iniciativa de Blair para a &Aacute;frica"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 06\/07\/2005 &ndash; No dia 1&ordm; deste m&ecirc;s, o Reino Unido assumiu a presid&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. N&atilde;o ser&aacute;, de modo algum, um passeio tranq&uuml;ilo para o primeiro-ministro Tony Blair, a quem agora se culpa pela rachadura cada vez mais profunda que est&aacute; ocorrendo na Europa. A posi&ccedil;&atilde;o de Blair &eacute; a de que o recente voto pelo N&Atilde;O na Fran&ccedil;a e na Holanda, longe de constituir uma rejei&ccedil;&atilde;o &agrave; id&eacute;ia de Europa, significa a exist&ecirc;ncia de uma profunda insatisfa&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o a uma institui&ccedil;&atilde;o fora de moda que simplesmente n&atilde;o est&aacute; reconhecendo a realidade da globaliza&ccedil;&atilde;o. Blair quer que a UE reforme sua Pol&iacute;tica Agr&iacute;cola Comum (PAC) atrav&eacute;s de uma redu&ccedil;&atilde;o radical de seus enormes subs&iacute;dios agr&iacute;colas. De outra maneira, o Reino Unido n&atilde;o renunciar&aacute; ao desconto anual (atualmente de tr&ecirc;s bilh&otilde;es de libras) do or&ccedil;amento da UE.<br \/> <!--more--> <br \/> O beco sem sa&iacute;da sobre a Europa pode ter s&eacute;rias repercuss&otilde;es para a c&uacute;pula do G-8 em Gleneagles (entre os dias 6 e 8 de julho), quando Blair espera fortalecer sua imagem de campe&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o da pobreza na &Aacute;frica. Tamb&eacute;m pode afetar seriamente a luta geral contra a pobreza. Coletivamente, a Europa &eacute; a maior doadora de ajuda do mundo. Para muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento, a UE tamb&eacute;m &eacute; o maior s&oacute;cio comercial. E recentemente, todos os Estados que integram o bloco europeu estabeleceram um calend&aacute;rio para cumprir a meta de destinar &agrave; ajuda externa 0,7% de seus respectivos produtos internos brutos a fim de poder alcan&ccedil;ar as Metas para o Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, que se prop&otilde;e a reduzir a pobreza no mundo at&eacute; 2015. Portanto, precisamos nos perguntar se o efeito combinado dos votos pelo N&Atilde;O e do fracasso em chegar a acordos nas finan&ccedil;as da UE provocar&atilde;o uma ruptura na capacidade da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia no sentido de levar adiante o desenvolvimento na &Aacute;frica.<\/p>\n<p> A quantia de dinheiro que a UE gastar&aacute; a m&eacute;dio prazo (2007-2013), inclusive para o desenvolvimento, depende em grande parte do resultado da atual batalha sobre os gastos na Europa. Os holandeses s&atilde;o os maiores contribuintes &quot;l&iacute;quidos&quot; per capita no or&ccedil;amento da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, um fator que influi claramente no referendo sobre a Constitui&ccedil;&atilde;o Europ&eacute;ia nesse pa&iacute;s. Depois das vota&ccedil;&otilde;es pelo N&Atilde;O na Holanda e na Fran&ccedil;a, a posi&ccedil;&atilde;o negociadora da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia contra os seis &quot;pagadores l&iacute;quidos&quot; &eacute; consideravelmente mais fraca. Os &quot;pagadores l&iacute;quidos&quot; querem destinar apenas o m&aacute;ximo de 1% de seus respectivos produtos brutos nacionais para os gastos de Bruxelas. Os votos pelo N&Atilde;O tornam prov&aacute;vel que os pagadores fa&ccedil;am sua pr&oacute;pria vontade.<\/p>\n<p> O que parece claro &eacute; que este debate tamb&eacute;m afetar&aacute; o gasto externo da UE e, com isso, a pol&iacute;tica de desenvolvimento. Se o n&iacute;vel geral baixar, provavelmente afetar&aacute; os recursos para o desenvolvimento no contexto da Pol&iacute;tica Externa e da Seguran&ccedil;a Comum, um empenho voltado ao fortalecimento da posi&ccedil;&atilde;o internacional da UE que sofre cronicamente de um financiamento insuficiente. Para al&eacute;m do problema or&ccedil;ament&aacute;rio, os votos pelo N&Atilde;O mudaram tangivelmente o clima pol&iacute;tico na Europa. Muitos interpretam a diversa combina&ccedil;&atilde;o de raz&otilde;es para os votos negativos na Fran&ccedil;a como uma express&atilde;o de mal-estar com a globaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Isto poderia tentar alguns governos europeus a endurecerem suas posi&ccedil;&otilde;es nas negocia&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; confer&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) de Hong Kong em dezembro pr&oacute;ximo. Poderia tamb&eacute;m colocar em perigo a Rodada sobre Desenvolvimento de Doha, cujo fracasso teria s&eacute;rias repercuss&otilde;es nas economias de alguns pa&iacute;ses em desenvolvimento. Inclusive, poderia ser pior do ponto de vista do Reino Unido, j&aacute; que os desacordos na Europa poderiam arruinar os esfor&ccedil;os de Blair para converter em um marco a c&uacute;pula de Gleneagles. Depois de tudo, por que algum l&iacute;der europeu desejaria fazer com que Gleneagles parecesse um &ecirc;xito de Blair, depois do que ocorreu nas &uacute;ltimas semanas?<\/p>\n<p> Ao assumir a presid&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, o Reino Unido tem a pouco invej&aacute;vel, mas importante, tarefa de governar um barco bastante grande atrav&eacute;s de &aacute;guas agitadas. A posi&ccedil;&atilde;o do Reino Unido sobre o desconto faz com que seu papel como presidente seja ainda mais dif&iacute;cil. Um fracasso em conduzir a Europa para &aacute;guas mais calmas poderia significar o fim da campanha de Blair para eliminar a pobreza na &Aacute;frica. Deixar a UE em um atoleiro ser&aacute; prejudicial para os pa&iacute;ses em desenvolvimento, mais prejudicial do que o custo para o Reino Unido de chegar a compromissos para conseguir um acordo em n&iacute;vel comunit&aacute;rio. Dar pequenos passos conjuntos europeus para que a pobreza na &Aacute;frica se converta em hist&oacute;ria parecer se melhor do que nada. <\/p>\n<p> (*) Sven Grimm, pesquisador do Overseas Develpment Institute de Londres (www.odi.org.uk).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 06\/07\/2005 &ndash; No dia 1&ordm; deste m&ecirc;s, o Reino Unido assumiu a presid&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. 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