{"id":770,"date":"2005-07-07T00:00:00","date_gmt":"2005-07-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=770"},"modified":"2005-07-07T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-07T00:00:00","slug":"portugal-retomando-a-emigrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/portugal-retomando-a-emigrao\/","title":{"rendered":"Portugal: Retomando a emigra&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 07\/07\/2005 &ndash; Com ou sem acordo com a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, os produtos t&ecirc;xteis da China e da &Iacute;ndia invadem Portugal, ao mesmo tempo em que companhias multinacionais da ind&uacute;stria deixam este pa&iacute;s com destino &agrave; Rom&ecirc;nia, Bulg&aacute;ria ou Marrocos para aumentar sues lucros. Este coquetel estimula novamente a emigra&ccedil;&atilde;o. A sombria situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica em gesta&ccedil;&atilde;o, especialmente no norte do pa&iacute;s, faz com que muitos portugueses tenham de partir para o exterior, uma op&ccedil;&atilde;o praticamente abandonada h&aacute; tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Nos vales de Ave e Cavado, o cora&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria t&ecirc;xtil portuguesa, uma m&eacute;dia de 88 pessoas por dia anuncia sua ren&uacute;ncia ao aux&iacute;lio-desemprego porque se preparam para partir.<br \/> <!--more--> <br \/> O Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas (INE) informou que 39 mil pessoas dessa regi&atilde;o, em 2004, e outras 10 mil, neste ano, deixaram de cobrar esse direito, que se estende por 18 meses depois de ficarem sem trabalho, depois do qual quem vive abaixo da linha da pobreza tem acesso &agrave; chamada &quot;renda m&iacute;nima garantida&quot; permanente. Os que abriram m&atilde;o do aux&iacute;lio preferem refazer suas vidas em pa&iacute;ses mais ricos da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, e para o governo a boa not&iacute;cia &eacute; dupla: deixa de pagar ao desempregado e, por outro lado, diminui o n&uacute;mero de desempregados nas estat&iacute;sticas. Os baixos sal&aacute;rios, a falta de regras trabalhistas e de leis sociais, f&eacute;rias reduzidas, inexist&ecirc;ncia de d&eacute;cimo-terceiro sal&aacute;rio e a demiss&atilde;o de trabalhadores sem grande burocracia s&atilde;o alguns dos pratos fortes do irresist&iacute;vel card&aacute;pio oferecido a empresas multinacionais para que decidam mudar-se para fora da UE, indo para pa&iacute;ses como Rom&ecirc;nia, Bulg&aacute;ria e, inclusive, China, &Iacute;ndia ou sudeste asi&aacute;tico.<\/p>\n<p> Estas &quot;empresas bedu&iacute;nas&quot;, assim chamadas por seu car&aacute;ter n&ocirc;made de levantar acampamento e mudar-se para outro pa&iacute;s sem pr&eacute;vio aviso aos seus trabalhadores, instalaram-se em Portugal devido ao baixo custo de vida e &agrave;s ajudas da UE destinadas a equiparar o n&iacute;vel econ&ocirc;mico com seus pares do bloco europeu. Outro fator que influiu na decis&atilde;o das multinacionais de partir de Portugal &eacute; que este pa&iacute;s deixou de ter um dos custos de vida mais baixos da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia para ter um dos mais altos, especialmente com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s despesas fixas com eletricidade, g&aacute;s, &aacute;gua e combust&iacute;vel. Para verificar essa realidade, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio ir t&atilde;o longe quanto Bulg&aacute;ria ou Rom&ecirc;nia, bastando uma compara&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os com a vizinha Espanha, onde o g&aacute;s e a &aacute;gua custam a metade do que &eacute; cobrado em Portugal, a gasolina 20% menos e o &iacute;ndice de pre&ccedil;os de artigos de primeira necessidade &eacute; 16% mais baixo.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, todo este c&aacute;lculo da imprensa econ&ocirc;mica especializada local foi feito antes de 1&ordm; deste m&ecirc;s, quando o imposto do valor agregado (IVA) passou ter os n&iacute;veis mais altos da Europa, pulando de 19% para 21%, somente praticado nos pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, enquanto a Espanha o mant&eacute;m nos 16%. Ao mesmo tempo, Portugal, um dos pa&iacute;ses com maior tradi&ccedil;&atilde;o no mundo quanto &agrave; ind&uacute;stria t&ecirc;xtil, de confec&ccedil;&otilde;es e cal&ccedil;ados, sofre as conseq&uuml;&ecirc;ncias do que os empres&aacute;rios do setor qualificam de &quot;competi&ccedil;&atilde;o desleal&quot; da China e &Iacute;ndia. O resultado est&aacute; &agrave; vista: o desempregou subiu para 7,8% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, quando no final dos anos 90 era o menor da UE, com 3,4% dos ativos, e disputava esse privil&eacute;gio com Luxemburgo.<\/p>\n<p> Assim, pela primeira vez desde 1974, a emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa recome&ccedil;a em grande n&uacute;mero. Gr&atilde;-Bretanha com 250 mil portugueses e Irlanda do Norte com 25 mil aparecem nas estimativas do INE como os lugares preferidos para os atuais emigrantes lusos. Outro destino de prefer&ecirc;ncia &eacute; a Su&iacute;&ccedil;a, aonde 125 mil portugueses chegaram entre 1998 e 2002, sendo que no ano passado eram calculados em 160 mil. A emigra&ccedil;&atilde;o portuguesa conheceu seu apogeu entre 1965 e 1973, alcan&ccedil;ando em todo o mundo cinco milh&otilde;es de portugueses morando em outros pa&iacute;ses, cifra excepcionalmente alta se considerar que a popula&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio de Portugal &eacute; de 10,2 milh&otilde;es de pessoas.<\/p>\n<p> A revolu&ccedil;&atilde;o dos capit&atilde;es esquerdistas do ex&eacute;rcito, que em 1974 derrubaram a ditadura corporativista instaurada em 1926, deteve os grandes fluxos migrat&oacute;rios, que levaram dois milh&otilde;es de portugueses para outros pa&iacute;ses da Europa, 1,3 milh&atilde;o para o Brasil, 600 mil para a &Aacute;frica do Sul, 400 mil para a Venezuela e 300 mil para os Estados Unidos, entre outros pa&iacute;ses. Em 1992, com a abertura de fronteiras dentro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, o fluxo migrat&oacute;rio j&aacute; era muito baixo e, a partir desse ano, praticamente n&atilde;o existia controle sobre as estat&iacute;sticas, j&aacute; que os imigrantes passaram a ser &quot;trabalhadores de livre circula&ccedil;&atilde;o&quot; no bloco.<\/p>\n<p> Entretanto, os problemas econ&ocirc;micos e os baixos sal&aacute;rios mostram uma clara tend&ecirc;ncia ao aumento da emigra&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m incentivada pelo enriquecimento da popula&ccedil;&atilde;o desde sua entrada na UE, em 1986. Muitos portugueses preferem se declarar desempregados e n&atilde;o realizar determinados trabalhos dif&iacute;ceis, deixando-os aos 600 mil imigrantes, especialmente de pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau, Mo&ccedil;ambique, S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e Timor Leste, bem como dos europeus Ucr&acirc;nia, Mold&aacute;via, R&uacute;ssia, Rom&ecirc;nia e Bulg&aacute;ria. Para um &quot;trabalhador de livre circula&ccedil;&atilde;o&quot;, fixar resid&ecirc;ncia em outro pa&iacute;s da UE &eacute; tarefa f&aacute;cil. A decis&atilde;o &eacute; fundamentalmente econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p> Pelo mesmo trabalho e com pre&ccedil;os de mercado semelhantes, na Alemanha, B&eacute;lgica, Fran&ccedil;a ou Holanda um portugu&ecirc;s ganha tr&ecirc;s vezes mais do que em seu pa&iacute;s, e na Espanha, com alimentos e despesas dom&eacute;sticas menores, recebe o dobro. Fran&ccedil;a e Alemanha eram at&eacute; agora os destinos mais procurados pelos portugueses, que parecem preferir a Gr&atilde;-Bretanha pela situa&ccedil;&atilde;o de praticamente pleno emprego e por ser o mais caro da UE, o que permite que a poupan&ccedil;a seja mais significativa no pa&iacute;s de origem do trabalhador estrangeiro. Depois da amplia&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia de 15 para 25 pa&iacute;ses, em maio de 2004, as oportunidades de trabalho se reduziram para os portugueses, &quot;porque chegaram os poloneses, que n&atilde;o trabalham por sal&aacute;rio mais baixo, mas falam melhor ingl&ecirc;s&quot;, disse em recente entrevista na televis&atilde;o Domingos Cabe&ccedil;as, dono de uma ag&ecirc;ncia de empregos para a Gr&atilde;-Bretanha.<\/p>\n<p> Para a jornalista formada na Inglaterra Gra&ccedil;a Morgado, voltar a Portugal seria o ideal, mas &quot;durante anos ningu&eacute;m me deu trabalho. Em Londres, em tr&ecirc;s semanas j&aacute; estava empregada&quot;. Quando fazia trabalhos variados para me manter como estudante, reconhece que sua fisionomia nada meridional, mas ruiva e de olhos azuis, a ajudou a conseguir emprego, e admite com ironia que &quot;isso facilitou minha vida, porque quando descobriam que eu era portuguesa era tarde demais&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 07\/07\/2005 &ndash; Com ou sem acordo com a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, os produtos t&ecirc;xteis da China e da &Iacute;ndia invadem Portugal, ao mesmo tempo em que companhias multinacionais da ind&uacute;stria deixam este pa&iacute;s com destino &agrave; Rom&ecirc;nia, Bulg&aacute;ria ou Marrocos para aumentar sues lucros. Este coquetel estimula novamente a emigra&ccedil;&atilde;o. A sombria situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica em gesta&ccedil;&atilde;o, especialmente no norte do pa&iacute;s, faz com que muitos portugueses tenham de partir para o exterior, uma op&ccedil;&atilde;o praticamente abandonada h&aacute; tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Nos vales de Ave e Cavado, o cora&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria t&ecirc;xtil portuguesa, uma m&eacute;dia de 88 pessoas por dia anuncia sua ren&uacute;ncia ao aux&iacute;lio-desemprego porque se preparam para partir.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/portugal-retomando-a-emigrao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-770","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=770"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/770\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}