{"id":7704,"date":"2011-01-26T11:59:44","date_gmt":"2011-01-26T11:59:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7704"},"modified":"2011-01-26T11:59:44","modified_gmt":"2011-01-26T11:59:44","slug":"sobre-jornalistas-cibercidadania-e-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/mundo\/sobre-jornalistas-cibercidadania-e-etica\/","title":{"rendered":"Sobre jornalistas, cibercidadania e \u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 26\/01\/2011 &ndash; A revolu\u00e7\u00e3o digital transforma as pessoas produtoras em consumidores de conte\u00fados. <!--more--> Uma realidade ainda em digest\u00e3o que coloca os profissionais da informa\u00e7\u00e3o diante de algumas inc\u00f3gnitas e mais perplexidades sobre seu papel social, seus deveres e, tamb\u00e9m seus direitos. Para o catedr\u00e1tico brasileiro Rosental Calmon Alves, o mundo atravessa \u201cuma revolu\u00e7\u00e3o com pouqu\u00edssimos precedentes hist\u00f3ricos, compar\u00e1vel com a produzida por Johannes Gutenberg\u201d, o inventor da imprensa moderna, em meados do S\u00e9culo 15.<\/p>\n<p>Rosental \u00e9 um dos maiores evangelizadores do jornalismo em rede e promotor do que chama um \u201cecossistema de m\u00eddia\u201d, muito diferente do dominante no S\u00e9culo 20, cuja maior pot\u00eancia ser\u00e1 a plataforma digital multim\u00eddia e o setor impresso ser\u00e1 secund\u00e1rio. Um elemento desta diversidade \u00e9 a mudan\u00e7a de um sistema \u201cm\u00eddia-central\u201d para outro \u201ceu-c\u00eantrico\u201d, diz o cibercientista brasileiro, onde cada pessoa \u00e9 potencialmente um micro-organismo. Entramos na sociedade do \u201cprosumer\u201d, do produtor-consumidor de conte\u00fados, afirmou Rosental ao jornal espanhol El Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os suportes de express\u00e3o desta sociedade s\u00e3o m\u00faltiplos e \u00e9 uma aventura prever quais sobreviver\u00e3o antes de secarem os cimentos da nova era. Entre eles destacam-se as redes sociais e, em particular, o Twitter, um meio de comunica\u00e7\u00e3o baseado na participa\u00e7\u00e3o da cidadania na ciberinforma\u00e7\u00e3o. Quais s\u00e3o os direitos e as responsabilidades dos profissionais da comunica\u00e7\u00e3o nestas m\u00eddias sociais? Sua profiss\u00e3o limita seu direito de cidad\u00e3o de se expressar em redes como o Twitter? Os empres\u00e1rios da m\u00eddia podem limitar o que \u00e9 dito nas redes como pessoas?<\/p>\n<p>Especialistas latino-americanos refletiram para a IPS sobre estas e outras d\u00favidas em que navegam os jornalistas atualmente. O colombiano Javier Dar\u00edo Restrepo, uma das maiores e mais pr\u00f3ximas refer\u00eancias regionais de \u00e9tica jornal\u00edstica, fixou uma premissa: \u201cA \u00e9tica n\u00e3o muda com as tecnologias. A que foi v\u00e1lida para Gutenberg continua sendo v\u00e1lida para o cibernauta. \u00c9 mais rigorosa para este porque a ferramenta que utiliza \u00e9 mais poderosa. Para maior poder t\u00e9cnico, maior exig\u00eancia na responsabilidade\u201d, afirmou. \u201cTenho um compromisso \u00e9tico com a verdade como redator de um jornal e como twitteiro\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s suas responsabilidades, para o jornalista que twitta h\u00e1 diferen\u00e7as entre o que divulga no meio para o qual trabalha e o que posta na rede de microconte\u00fados, disse Javier, diretor do Consult\u00f3rio \u00c9tico da Funda\u00e7\u00e3o Novo Jornalismo Iberoamericano. \u201cNo jornal, fala em nome de um meio que tem uma credibilidade real e conferida pelos leitores. No Twitter, fala a t\u00edtulo pessoal, o que diminui sua responsabilidade, mas n\u00e3o seu compromisso com a verdade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Javier, sempre que comunica, o jornalista deve ter em conta que \u201cn\u00e3o \u00e9 livre para decidir o que tem vontade, mas o que deve dizer\u201d e que \u201cnem a liberdade de express\u00e3o, nem os direitos s\u00e3o absolutos. Sempre h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es em seu exerc\u00edcio, que resultam dos direitos e das liberdades dos demais\u201d.<\/p>\n<p>Margarita Torres, professora na faculdade de comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Iberoamericana do M\u00e9xico, disse que o jornalista tem os mesmos direitos que o restante dos cidad\u00e3os em usar as redes sociais, mas \u201co cuidado e o respeito da pr\u00f3pria profiss\u00e3o marcar\u00e3o os limites\u201d em seu uso. Para Margarita, \u00e9 dif\u00edcil separar os direitos humanos dos comunicadores de sua profiss\u00e3o. \u201cN\u00e3o posso deixar de lado a ideia de integridade\u201d, afirmou a professora, que tamb\u00e9m integra a Rede de Jornalistas de A Pie, muito ativa na Internet.<\/p>\n<p>\u201cOs direitos humanos dos jornalistas n\u00e3o podem ser limitados, devem ser iguais aos de qualquer cidad\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, ele \u00e9 um dos guardi\u00f5es do ultra-aclamado direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, e tudo o que isto implica\u201d, afirmou a acad\u00eamica mexicana. Quando atua em redes como o Twitter, o jornalista n\u00e3o pode esquecer que seus seguidores, o p\u00fablico neste caso, querem \u201cinforma\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel\u201d, apresentada de maneira diferente, disse a especialista em responsabilidade social dos comunicadores.<\/p>\n<p>Margarita citou casos registrados de jornalistas cujos seguidores exigem retifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o incorreta dada no Twitter em contas pessoais, ou de responsabilidade de meios de comunica\u00e7\u00e3o convencionais que s\u00e3o cobrados nas redes por decis\u00f5es editoriais de sua publica\u00e7\u00e3o. Sobre os limites ou confrontos que j\u00e1 surgiram entre o meio empregador e o jornalista por sua participa\u00e7\u00e3o pessoal no Twitter e em outras redes, o mantra \u00e9tico de Restrepo, Torres acrescentou a autorregula\u00e7\u00e3o como ferramenta, em particular de transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>Os c\u00f3digos de deveres e os regulamentos internos dos meios ajudam, como se fossem um mapa. Quando seu ponto de vista colide com o do meio de comunica\u00e7\u00e3o onde o jornalista trabalha, isso n\u00e3o impedir\u00e1 as demiss\u00f5es ou puni\u00e7\u00f5es pelo que digam em espa\u00e7os pessoais como cibernautas, ou em colunas e an\u00e1lises em sua pr\u00f3pria publica\u00e7\u00e3o. O problema, segundo Torres, \u201c\u00e9 que n\u00e3o se exige que os meios sejam claros em suas pol\u00edticas trabalhistas e \u00e9ticas, e agora surgem as relacionadas com as redes sociais\u201d.<\/p>\n<p>Raisa Uribarri, professora e pesquisadora da venezuelana Universidade de Los Andes, acrescentou outro problema enfrentado pelos jornalistas ao expressarem suas opini\u00f5es pessoais nas redes ou na blogosfera: o uso que deles possa fazer o poder pol\u00edtico, ou econ\u00f4mico, para denegrir o jornalista. \u201cO rastro que sua vida privada deixa nas redes gera opini\u00f5es que podem trabalhar a favor ou contra quando voc\u00ea se v\u00ea no olho do furac\u00e3o\u201d, disse Raisa, citando como exemplo o caso de uma jornalista que fez uma pergunta inc\u00f4moda ao presidente da Venezuela, Hugo Ch\u00e1vez. A imprensa oficial e funcion\u00e1rios do governo utilizaram as opini\u00f5es registradas pela jornalista no Twitter, desfavor\u00e1veis ao governo, para desqualific\u00e1-la, contou Raisa, tamb\u00e9m especialista em comunica\u00e7\u00e3o e novas tecnologias.<\/p>\n<p>\u201cAs redes sociais, por seu f\u00e1cil uso, contribuem para a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos jornalistas, j\u00e1 n\u00e3o como trabalhadores de um meio em particular, mas como cidad\u00e3os com opini\u00f5es pr\u00f3prias que, obviamente, n\u00e3o t\u00eam necessariamente de coincidir com as posturas editoriais dos meios de comunica\u00e7\u00e3o onde trabalham\u201d, acrescentou Raissa. Em uma situa\u00e7\u00e3o ideal, a especialista considera que essa dicotomia n\u00e3o deveria causar mais problemas aos jornalistas al\u00e9m de seus compromissos \u00e9ticos, mas h\u00e1 repres\u00e1lias documentadas de \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o contra empregados \u201cquando manifestam, de maneira pessoal ou n\u00e3o, opini\u00f5es divergentes\u201d.<\/p>\n<p>Diante do que fazer, Raisa encarou perguntas: Nos autocensurarmos? Nos mantermos como uma esp\u00e9cie de seres ang\u00e9licos, sem opini\u00f5es? Deixar de usar as redes? Nos limitarmos a tratar de temas alheios \u00e0s nossas fontes profissionais? Levar uma vida paralela nas redes? Isso seria toler\u00e1vel para os \u00f3rg\u00e3os de imprensa? Valer-se do anonimato? Isso \u00e9 \u00e9tico?<\/p>\n<p>Raisa contou que em um recente \u201cwebin\u00e1rio\u201d (semin\u00e1rio sobre web) internacional sobre a gest\u00e3o da identidade jornal\u00edstica na rede, uma jovem latino-americana rec\u00e9m-formada em comunica\u00e7\u00e3o, mas com anos de atividade digital e uma identidade estabelecida, perguntou: \u201cQuer dizer que quando come\u00e7ar a trabalhar em um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderei mais ser eu\u201d? A especialista deu sua pr\u00f3pria receita: \u201cCuido de cada twitter, de cada atualiza\u00e7\u00e3o no Facebook, de cada linha no meu blog. Porque sou cidad\u00e3, sim, mas uma cidad\u00e3 com responsabilidades muito especiais derivadas da minha profiss\u00e3o\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 26\/01\/2011 &ndash; A revolu\u00e7\u00e3o digital transforma as pessoas produtoras em consumidores de conte\u00fados. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/mundo\/sobre-jornalistas-cibercidadania-e-etica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":72,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4],"tags":[19],"class_list":["post-7704","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-arte-y-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/72"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7704"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7704\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}