{"id":7717,"date":"2011-01-26T12:58:57","date_gmt":"2011-01-26T12:58:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7717"},"modified":"2011-01-26T12:58:57","modified_gmt":"2011-01-26T12:58:57","slug":"argentina-brasil-a-hora-delas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/america-latina\/argentina-brasil-a-hora-delas\/","title":{"rendered":"ARGENTINA-BRASIL: A hora delas"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 26\/01\/2011 &ndash; O alto n\u00edvel de aprova\u00e7\u00e3o de seus antecessores no cargo preparou o caminho para a Presid\u00eancia. <!--more--> Agora, Dilma Rousseff e Cristina Fern\u00e1ndez enfrentam o desafio de governar os dois maiores pa\u00edses do Mercosul e que s\u00e3o fundamentais para a integra\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p>A posse de Dilma, no dia 1\u00ba, formou a dupla com Cristina, no governo argentino desde dezembro de 2007, para mostrar as qualidades da lideran\u00e7a feminina, de avan\u00e7ar para a igualdade de g\u00eanero e aprofundar a democracia em uma regi\u00e3o tradicionalmente machista.<\/p>\n<p>\u201cAmbas devem enfrentar o desafio de serem quem s\u00e3o, e, ao mesmo tempo, competirem com seus antecessores, dois l\u00edderes de peso\u201d, disse \u00e0 IPS a brasileira Monica Hirst, especialista em pol\u00edtica da Universidade Torcuato Di Tella, da Argentina.<\/p>\n<p>Suas trajet\u00f3rias s\u00e3o diferentes, mas o desafio as une. Tanto Cristina, da ala centro-esquerda do Partido Justicialista (peronista), quanto Dilma, do esquerdista Partido dos Trabalhadores, foram precedidas por presidentes que encerraram seus mandatos com alt\u00edssima popularidade e foram escolhidas como suas sucessoras.<\/p>\n<p>Essa circunst\u00e2ncia que lhes facilitou o triunfo eleitoral agora as for\u00e7a a manter e expandir os \u00eaxitos da gest\u00e3o anterior, enfrentar os novos problemas que surgirem e fazer tudo isso sob a sombra do sucesso obtido por dois l\u00edderes muito populares.<\/p>\n<p>N\u00e9stor Kirchner, marido de Cristina que faleceu em outubro do ano passado aos 60 anos, culminou seu governo com 70% de popularidade, enquanto Luiz In\u00e1cio Lula da Silva estabeleceu um recorde brasileiro, com 87% de aprova\u00e7\u00e3o ao t\u00e9rmino de seus dois mandatos consecutivos de quatro anos cada um.<\/p>\n<p>Dilma disse isso ao assumir. Lula foi \u201co maior l\u00edder popular\u201d do Brasil e \u201ca tarefa de suced\u00ea-lo ser\u00e1 um desafio\u201d. Ela prometeu honrar o legado e a ousadia de Lula, que \u201ctornou poss\u00edvel\u201d pela primeira vez uma mulher chegar \u00e0 Presid\u00eancia brasileira.<\/p>\n<p>Agora, ambas est\u00e3o sozinhas em cena. Elas marcam o rumo, decidem as pol\u00edticas, escolhem colaboradores. Se fizerem um bom governo, haver\u00e1 outras. Dilma antecipou isso: \u201cvim abrir portas, para que muitas mulheres no futuro possam ser presidentas\u201d.<\/p>\n<p>No dia 31, as duas se reunir\u00e3o em Buenos Aires durante a primeira viagem de Dilma ao exterior. Ent\u00e3o, a imagem das duas presidentes juntas come\u00e7ar\u00e1 a ser um fato mais natural do que excepcional.<\/p>\n<p>Para a especialista argentina Natalia Gherardi, as presid\u00eancias femininas nos dois maiores pa\u00edses s\u00f3cios do Mercosul (que se completa com Paraguai, Uruguai e Venezuela, esta em processo de ades\u00e3o plena) \u00e9 \u201cuma excelente oportunidade de mostrar qualidades da lideran\u00e7a feminina e trabalhar de forma coordenada para avan\u00e7ar na agenda das mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Natalia alertou que, para haver essa articula\u00e7\u00e3o, primeiro deve existir uma pol\u00edtica de g\u00eanero consistente em cada um dos pa\u00edses, e, nesse sentido, considerou que \u00e9 muito o que cada um deveria fazer para \u201cerradicar estere\u00f3tipos que ainda s\u00e3o muitos e bastante arraigados\u201d.<\/p>\n<p>Com 233 milh\u00f5es de pessoas nos dois pa\u00edses, Brasil e Argentina abrigam 60% da popula\u00e7\u00e3o sul-americana e ocupam 62% da superf\u00edcie. Sem d\u00favidas, s\u00e3o as duas maiores economias da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A chegada de Dilma e Cristina ao governo pode ajudar para a igualdade social e de g\u00eanero, para aprofundar a democracia e colocar em xeque o estere\u00f3tipo do machismo latino-americano, que come\u00e7a a mostrar algumas rachaduras, disse Natalia, diretora da Equipe Latino-Americana de Justi\u00e7a e G\u00eanero.<\/p>\n<p>Elas est\u00e3o conscientes desta expectativa que pesa sobre suas administra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao saber da vit\u00f3ria de Dilma no segundo turno, Cristina lhe telefonou para cumpriment\u00e1-la. \u201cBem-vinda ao clube de companheiras de g\u00eanero\u201d, disse, destacando a import\u00e2ncia da elei\u00e7\u00e3o de sua colega brasileira. Cristina sabe disto por experi\u00eancia. Dilma dever\u00e1 lidar com preconceitos j\u00e1 cl\u00e1ssicos. Se uma mulher governante \u00e9 vaidosa pode ser taxada de fr\u00edvola, se tem um tom suave pode ser considerada fraca, e se sua voz \u00e9 firme ser\u00e1 a \u201cdama de ferro\u201d.<\/p>\n<p>Nisso, as novas presidentes poder\u00e3o acumular um longo anedot\u00e1rio. No caso de Cristina, costuma-se criticar seu excesso de zelo com sua apar\u00eancia pessoal e quanto a Dilma tenta-se rebaix\u00e1-la por agir de maneira contr\u00e1ria.<\/p>\n<p>As trajet\u00f3rias de uma e outra s\u00e3o diferentes, mesmo quando apresentam elementos comuns. \u201cV\u00eam de culturas pol\u00edticas muito diferentes, mas penso que a diversidade soma mais do que a simbiose\u201d, destacou Monica. Em sua opini\u00e3o, \u201cambas t\u00eam antecedentes de luta pela democracia e uma preocupa\u00e7\u00e3o com a necessidade de seus pa\u00edses de refor\u00e7ar o que \u00e9 a estrutura do Estado, as vantagens e amarras do aparato burocr\u00e1tico\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Cristina chegou \u00e0 Presid\u00eancia ap\u00f3s ter sido legisladora e depois deputada e senadora no Congresso Nacional. Nunca foi prefeita, governadora ou ministra.<\/p>\n<p>Por sua vez, Dilma praticamente come\u00e7ou a trabalhar no Poder Executivo. Foi ministra de Minas e Energia do governo Lula e depois chefe da Casa Civil, um cargo a partir do qual se converteu rapidamente na m\u00e3o direita do presidente.<\/p>\n<p>Monica est\u00e1 convencida de que as rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses se aprofundar\u00e3o com as duas mulheres \u00e0 frente dos respectivos governos. \u201cS\u00e3o duas mulheres da mesma gera\u00e7\u00e3o, com grande compromisso pol\u00edtico e criar\u00e3o uma qu\u00edmica para trabalhar bem, sem competi\u00e7\u00f5es pessoais, al\u00e9m das pautadas pela rela\u00e7\u00e3o bilateral\u201d, previu.<\/p>\n<p>Para Monica, a coincid\u00eancia \u201c\u00e9 positiva, porque representa um novo cap\u00edtulo de inclus\u00e3o, de avan\u00e7o sobre a desigualdade e a discrimina\u00e7\u00e3o do passado. \u00c9 uma nova fase de civiliza\u00e7\u00e3o em nossos pa\u00edses\u201d. Monica lamentou que a simultaneidade n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado tamb\u00e9m a chilena Michelle Bachelet, que governou seu pa\u00eds entre 2006 e 2010 e agora est\u00e1 \u00e0 frente da ONU Mulher, novo organismo especializado da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma pena, seria fant\u00e1stico um \u2018ABC\u2019 comandado por mulheres, talvez aconte\u00e7a se Michelle voltar \u00e0 Presid\u00eancia\u201d, disse Monica. Michelle, que tamb\u00e9m foi a primeira mulher a presidir o Chile, encerrou seu mandato com um n\u00edvel de aprova\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximo ao de Lula. Foi essa popularidade que a fez merecedora da oferta de liderar o escrit\u00f3rio da ONU, outro assento destacado no sistema pol\u00edtico internacional ocupado por uma mulher sul-americana. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 26\/01\/2011 &ndash; O alto n\u00edvel de aprova\u00e7\u00e3o de seus antecessores no cargo preparou o caminho para a Presid\u00eancia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/01\/america-latina\/argentina-brasil-a-hora-delas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-7717","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7717\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}