{"id":7741,"date":"2011-02-04T15:23:47","date_gmt":"2011-02-04T15:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7741"},"modified":"2011-02-04T15:23:47","modified_gmt":"2011-02-04T15:23:47","slug":"reportagem-brasil-e-china-inundam-a-america-latina-de-represas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/america-latina\/reportagem-brasil-e-china-inundam-a-america-latina-de-represas\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Brasil e China inundam a Am\u00e9rica Latina de represas"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 04\/02\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A competi\u00e7\u00e3o entre empresas brasileiras e chinesas, capacitadas para grandes obras, cria condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para o aproveitamento energ\u00e9tico dos caudalosos rios latino-americanos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7741\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/511_Rio_Inambari3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7741\" class=\"size-medium wp-image-7741\" title=\"Floresta e um dos rios na regi\u00e3o peruana de Cusco que ser\u00e1 coberta pela represa Inambari. - Milagros Salazar\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/511_Rio_Inambari3.jpg\" alt=\"Floresta e um dos rios na regi\u00e3o peruana de Cusco que ser\u00e1 coberta pela represa Inambari. - Milagros Salazar\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7741\" class=\"wp-caption-text\">Floresta e um dos rios na regi\u00e3o peruana de Cusco que ser\u00e1 coberta pela represa Inambari. - Milagros Salazar\/IPS<\/p><\/div>  A crescente presen\u00e7a de capitais brasileiros e chineses no setor energ\u00e9tico da Am\u00e9rica Latina facilita a constru\u00e7\u00e3o de numerosos complexos hidrel\u00e9tricos, al\u00e9m de incentivar posturas nacionalistas que se somam aos questionamentos ambientais sobre esses grandes projetos. As tr\u00eas maiores obras hidrel\u00e9tricas do Equador est\u00e3o a cargo de empresas chinesas, o que rompe a hegemonia que tinham nessa \u00e1rea construtoras brasileiras como Odebrecht e Andrade Gutierrez.<\/p>\n<p>O financiamento pelo Exim Bank (banco de com\u00e9rcio exterior) da China, que cobre quase todos os custos, tornou vi\u00e1veis estas centrais num momento em que o Equador havia limitado o acesso ao cr\u00e9dito devido \u00e0 revis\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica feita pelo governo, a partir de 2007, e que o levou a n\u00e3o pagar US$ 4 bilh\u00f5es por entender que n\u00e3o eram devidos. O Brasil tamb\u00e9m financia obras por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p>Entretanto, esses investimentos foram afetados a partir de 2008, quando o governo equatoriano do presidente Rafael Correa expulsou a Odebrecht, acusando-a de falhas na constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica San Francisco e reclamando repara\u00e7\u00e3o no valor de US$ 210 milh\u00f5es. A competi\u00e7\u00e3o entre Brasil e China, ambos com capitais excedentes e que possuem construtoras especializadas em grandes projetos, cria condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para o aproveitamento energ\u00e9tico dos abundantes rios latino-americanos.<\/p>\n<p>E esta luta j\u00e1 tem um ganhador no Peru, no que se refere aos cinco complexos hidrel\u00e9tricos que ser\u00e3o constru\u00eddos na Amaz\u00f4nia. Est\u00e3o \u201cplanejados em fun\u00e7\u00e3o dos interesses brasileiros\u201d, que ser\u00e3o os \u00fanicos beneficiados, disse ao Terram\u00e9rica o diretor da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental ProNatureza, Alfredo Novoa. O ativista questionou esses projetos por entender que o Peru conta com gera\u00e7\u00e3o suficiente para seu consumo el\u00e9trico atual e pode atender sua demanda futura pelo potencial da Cordilheira dos Andes e dos ventos costeiros, que n\u00e3o representam danos ambientais e sociais como acontece com as represas na selva amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Esta rea\u00e7\u00e3o nacionalista \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas tamb\u00e9m condena o financiamento pelo BNDES, que tem como condi\u00e7\u00e3o a importa\u00e7\u00e3o de equipamentos e insumos brasileiros para execu\u00e7\u00e3o das obras. \u00c9 um mecanismo usado pelo Brasil para aumentar as exporta\u00e7\u00f5es de grande valor agregado, al\u00e9m da cobran\u00e7a de juros e dos lucros de suas empresas, que ser\u00e3o s\u00f3cias ou construtoras das centrais.<\/p>\n<p>O acordo energ\u00e9tico entre os dois pa\u00edses, assinado em junho de 2010 para a constru\u00e7\u00e3o de cinco hidrel\u00e9tricas na selva peruana, foi resultado de uma \u201cnegocia\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica\u201d, segundo Alfredo, j\u00e1 que estabelece a venda para o Brasil da energia excedente pelo prazo de 30 anos. Como o Peru \u201cn\u00e3o precisa\u201d de novas fontes na Amaz\u00f4nia, \u201ce o Brasil sim\u201d, fica evidente a quem servem os projetos, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cCom o Brasil n\u00e3o se negocia, s\u00f3 se aceita\u201d, disse o presidente do Peru, Alan Garc\u00eda, em reuni\u00e3o privada com empres\u00e1rios, diplomatas e l\u00edderes sociais no Chile, afirmou no dia 20 o analista pol\u00edtico chileno Patricio Navia em seu Twitter. As represas e linhas de transmiss\u00e3o a serem constru\u00eddas implicam desmatamento de 1,5 milh\u00e3o de hectares amaz\u00f4nicos, estimou o engenheiro peruano Jos\u00e9 Serra em um estudo para a ProNatureza.<\/p>\n<p>A China concentrou seus investimentos no setor de minera\u00e7\u00e3o do Peru, enquanto o Brasil se voltou aos hidrocarbonos, obras de infraestrutura de transporte e hidrel\u00e9tricas nas \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0 fronteira comum. Esses capitais dos dois gigantes emergentes tiveram um papel importante no crescimento econ\u00f4mico peruano e reduziram a depend\u00eancia desse pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos, que ainda n\u00e3o superou a crise surgida em 2008, disse ao Terram\u00e9rica a analista pol\u00edtica Cynthia Sanborn.<\/p>\n<p>As empresas brasileiras atuam em diversos setores da economia peruana, e \u201cn\u00e3o se v\u00ea muita resist\u00eancia a esses investimentos por parte da sociedade civil, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do caso das hidrel\u00e9tricas\u201d, disse Cynthia, especialista norte-americana que dirige o Centro de Pesquisa da Universidade do Pac\u00edfico, no Peru. Tampouco tem boa aceita\u00e7\u00e3o o capital chin\u00eas, depois que a Shougang Hierro, que explora minas no pa\u00eds desde 1992, provocou grande contamina\u00e7\u00e3o por vazamento de \u00f3leos e lubrificantes e foi acusada de n\u00e3o respeitar leis trabalhistas, enquanto outras duas empresas chinesas geraram conflitos, com mortos e feridos.<\/p>\n<p>A Nicar\u00e1gua \u00e9 outro pa\u00eds onde as hidrel\u00e9tricas est\u00e3o nas m\u00e3os de firmas brasileiras, favorecidas pelo fato de este pa\u00eds n\u00e3o ter rela\u00e7\u00f5es com a China, porque as mant\u00e9m com Taiwan. O projeto hidrel\u00e9trico Brito, concedido em 2007 \u00e0 construtora Andrade Gutierrez, tamb\u00e9m gerou pol\u00eamicas e cr\u00edticas de ambientalistas, porque represar\u00e1 as \u00e1guas do rio San Juan para inverter seu curso natural para o Mar do Caribe e faz\u00ea-lo desaguar no Pac\u00edfico. Ter\u00e1 capacidade de gera\u00e7\u00e3o de 250 megawatts, ao custo inicial de US$ 600 milh\u00f5es. Outra central, a Tumar\u00edn, de 220 megawatts, foi ganha pela tamb\u00e9m brasileira Queiroz Galv\u00e3o.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, os investimentos chineses cresceram abruptamente nos \u00faltimos dois anos, em variados setores. Em energia, curiosamente, foram destinados \u00e0 compra de empresas de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de eletricidade, al\u00e9m de outras participa\u00e7\u00f5es em po\u00e7os de petr\u00f3leo. S\u00e3o dois tipos de investimentos, um para adquirir reservas de recursos naturais n\u00e3o renov\u00e1veis e atender a demanda da pr\u00f3pria China, e outro para gerar empregos para chineses no exterior e exportar equipamentos, disse ao Terram\u00e9rica Adriano Pires, consultor em energia e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.<\/p>\n<p>A China \u00e9 um dos poucos pa\u00edses que desenvolveram tecnologia para executar as grandes obras de infraestrutura, mas dificilmente penetrar\u00e1 nesse setor no Brasil, como fez na \u00c1frica e no Equador, porque as construtoras brasileiras s\u00e3o muito competitivas, disse Adriano. Por\u00e9m, participam do atual auge dos complexos hidrel\u00e9tricos e termel\u00e9tricos, vendendo turbinas e equipamentos, gra\u00e7as aos seus pre\u00e7os baixos.<\/p>\n<p>Os investimentos chineses parecem \u201ct\u00edmidos\u201d, porque muitos n\u00e3o aparecem nas estat\u00edsticas, como os que compraram o controle acion\u00e1rio de empresas importantes, disse ao Terram\u00e9rica o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais, Luis Afonso Lima. \u00c9 o caso da montadora de ve\u00edculos sueca Volvo, acrescentou. Contudo, sua orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece priorizar a energia el\u00e9trica no Brasil, afirmou. Com quase US$ 3 trilh\u00f5es em reservas internacionais, a China tenta transferir seus investimentos em t\u00edtulos do Tesouro norte-americano para outros ativos, concordou Adriano.<\/p>\n<p>* * O autor \u00e9 correspondente da IPS. Com colabora\u00e7\u00f5es de Gonzalo Ortiz (Quito), Jos\u00e9 Ad\u00e1n Silva (Man\u00e1gua) e Milagros Salazar (Lima).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 04\/02\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A competi\u00e7\u00e3o entre empresas brasileiras e chinesas, capacitadas para grandes obras, cria condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para o aproveitamento energ\u00e9tico dos caudalosos rios latino-americanos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/america-latina\/reportagem-brasil-e-china-inundam-a-america-latina-de-represas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-7741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}