{"id":775,"date":"2005-07-08T00:00:00","date_gmt":"2005-07-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=775"},"modified":"2005-07-08T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-08T00:00:00","slug":"colmbia-camponeses-cruzam-a-fronteira-em-busca-de-segurana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/colmbia-camponeses-cruzam-a-fronteira-em-busca-de-segurana\/","title":{"rendered":"Col&ocirc;mbia: Camponeses cruzam a fronteira em busca de seguran&ccedil;a"},"content":{"rendered":"<p>Nueva Loja,  Equador, 08\/07\/2005 &ndash; Os combates dos &uacute;ltimos dias entre a guerrilha e o ex&eacute;rcito no estado de Putumayo, na Col&ocirc;mbia, fez aumentar o n&uacute;mero de pessoas que cruzam a fronteira equatoriana de Sucumbios, al&eacute;m de provocar uma disputa diplom&aacute;tica entre os dois pa&iacute;ses. Dezenas de camponeses, entre eles mais de uma centena de abor&iacute;gines, se viram obrigados a fugir para o Equador por medo de se verem envolvidos nos confrontos armados, informou a Organiza&ccedil;&atilde;o Nacional Ind&iacute;gena Colombiana. Este deslocamento de pessoas que abandonam suas casas por causa da guerra civil na Col&ocirc;mbia cresceu em quantidade h&aacute; um ano, o que levou a um aumento de assentamentos irregulares na margem equatoriana do rio San Miguel, que separa os dois pa&iacute;ses na regi&atilde;o de Putumayo.<br \/> <!--more--> <br \/> Algumas dos moradores disseram &agrave; IPS que, embora a faixa de fronteira n&atilde;o tenha seguran&ccedil;a para a popula&ccedil;&atilde;o civil por causa dos combates que &quot;&agrave;s vezes acontecem quase dentro do territ&oacute;rio equatoriano&quot;, sempre &eacute; mais tranq&uuml;ilo viver deste lado do rio, no Equador. &quot;O mais seguro seria adentrarmos no territ&oacute;rio equatoriano, mas n&atilde;o temos dinheiro para isso. Al&eacute;m disso, nossa vida est&aacute; aqui&quot;, disse Rosa, uma das que cruzou o rio. H&aacute; mais de 40 anos a Col&ocirc;mbia sofre um conflito armado interno que j&aacute; custou a vida de 200 mil pessoas. Al&eacute;m disso, dois milh&otilde;es de seus 44 milh&otilde;es de habitantes abandonaram suas casas nos &uacute;ltimos 15 anos, o que levou este pa&iacute;s a ser o terceiro com maior n&uacute;mero de refugiados no mundo, segundo o escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados.<\/p>\n<p> O ataque realizado no dia 25 do m&ecirc;s passado pelas For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia (Farc) contra a base do ex&eacute;rcito em Teteye, em Puntumayo, quando morreram 22 soldados, voltou a colocar na agenda de discuss&atilde;o dos governos do Equador e da Col&ocirc;mbia os efeitos da guerra na fronteira comum de 660 quil&ocirc;metros. Pedro, outro refugiado que ergueu sua casa de madeira e cana do lado equatoriano, contou que os combates s&atilde;o uma parte dos problemas que afetam os moradores da regi&atilde;o. &quot;As fumiga&ccedil;&otilde;es sobre as planta&ccedil;&otilde;es de coca no lado colombiano, realizadas por pequenos avi&otilde;es, tamb&eacute;m prejudicam a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, a cria&ccedil;&atilde;o de animais e a sa&uacute;de das pessoas&quot;, explicou &aacute; IPS. Os diferentes governos do Equador ao longo dos anos negaram-se sistematicamente a se envolverem na atual guerra civil no seu vizinho do norte.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m &quot;as For&ccedil;as Armadas t&ecirc;m uma pol&iacute;tica de n&atilde;o intervir nesse conflito e isso vem sendo cumprido. Resguardamos nosso territ&oacute;rio, mas n&atilde;o seremos utilizados para regionalizar uma guerra que cabe &agrave; Col&ocirc;mbia solucionar&quot;, disse &agrave; IPS, na fronteira comum, um oficial do ex&eacute;rcito equatoriano que pediu para n&atilde;o ser identificado. O militar explicou que n&atilde;o houve nenhuma mudan&ccedil;a nesse sentido entre os governos de Alfredo Pal&aacute;cio e o anterior, de Lucio Guti&eacute;rrez, deposto em abril, e que a diferen&ccedil;a &quot;est&aacute; nas declara&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas dos porta-vozes de Quito que tentam mostrar maior rejei&ccedil;&atilde;o a se envolver. Infelizmente, foram eles (os pol&iacute;ticos) que cederam a base de Manta aos Estados Unidos, o que comprometeu nossa soberania e na n&atilde;o-interven&ccedil;&atilde;o na guerra colombiana&quot;, acrescentou o oficial.<\/p>\n<p> Washington e Quito mant&ecirc;m um acordo de 10 anos, assinado em 1999, para o acesso e uso por parte de militares norte-americanos da base e do porto equatoriano de Manta, no oceano Pac&iacute;fico e pr&oacute;ximo da Col&ocirc;mbia. Esse tratado foi questionado pelo movimento ind&iacute;gena e por organiza&ccedil;&otilde;es sociais, pois temiam que levasse o Equador a participar da guerra colombiana, al&eacute;m de sua assinatura n&atilde;o ter sido discutida plenamente pelo parlamento da &eacute;poca, como determina a Constitui&ccedil;&atilde;o. O coronel da reserva Jorge Brito, analista de quest&otilde;es militares, denuncia que desde o in&iacute;cio em 2000 do Plano Col&ocirc;mbia, de luta antidrogas e hoje tamb&eacute;m contra-insurgente, a exist&ecirc;ncia do apoio de intelig&ecirc;ncia via sat&eacute;lite norte-americana desde a base de Manta para combater a guerrilha desse pa&iacute;s.<\/p>\n<p> H&aacute; alguns dias voltou a repetir no canal de televis&atilde;o Ecuavisa que os avi&otilde;es da base de Manta fornecem informa&ccedil;&atilde;o ao ex&eacute;rcito colombiano para combater as Farc, a maior guerrilha desse pa&iacute;s. Segundo Brito, isto se deve &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o no congresso dos Estados Unidos, em 2003, de uma ordem pela qual os efetivos enviados em miss&atilde;o de detec&ccedil;&atilde;o de atividades de narcotr&aacute;fico na Col&ocirc;mbia no Equador e em outros pa&iacute;ses pr&oacute;ximos, tamb&eacute;m sejam destinados a &quot;combater o terrorismo&quot;. Os &quot;Estados Unidos reconhecem publicamente que a base de Manta &eacute; um dos pontos mais estrat&eacute;gicos na luta sustentada pelo Plano Col&ocirc;mbia&quot;, concluiu o coronel.<\/p>\n<p> Depois do ataque guerrilheiro ao quartel de Teteye, o presidente colombiano, o direitista &Aacute;lvaro Uribe, afirmou que os autores haviam sa&iacute;do do Equador e exigiu do governo vizinho maior controle fronteiri&ccedil;o e prop&ocirc;s inclusive a&ccedil;&otilde;es conjuntas contra-insurgentes. A fonte militar consultada pela IPS disse que essa &quot;&eacute; uma proposta feita insistentemente por Col&ocirc;mbia e Estados Unidos desde que come&ccedil;ou o Plano Col&ocirc;mbia. Embora sempre neguemos, eles n&atilde;o perdem a oportunidade de continuar sugerindo a necessidade de regionalizar o conflito&quot;, acrescentou. As autoridades equatorianas informaram oficialmente que n&atilde;o aceitaram a iniciativa de Uribe, depois da reuni&atilde;o dos altos chefes militares dos dois pa&iacute;ses realizada na semana passada na cidade fronteiri&ccedil;a de Tulc&aacute;n.<\/p>\n<p> &quot;Fica totalmente descartado o que vem sendo comentado, no sentido de que vamos conduzir opera&ccedil;&otilde;es combinadas ou coisas do tipo&quot;, afirmou o chefe do comando conjunto das For&ccedil;as Armadas do Equador, vice-almirante Manuel Zapater. Por sua vez, o comandante das For&ccedil;as Militares da Col&ocirc;mbia, general Carlos Ospina, admitiu que desde 2004 as autoridades dos dois pa&iacute;ses definiram que cada um &eacute; soberano no controle da fronteira. &quot;Nunca sugerimos for&ccedil;as conjuntas nem nada parecido. Cada pa&iacute;s &eacute; soberano em seu territ&oacute;rio. Naturalmente deve existir uma coordena&ccedil;&atilde;o militar em todos os n&iacute;veis para evitar problemas e qualquer mau-entendido&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Analistas equatorianos consideram que Quito n&atilde;o deve ceder diante da &quot;press&atilde;o diplom&aacute;tica exercida por Uribe, que deseja que o Equador colabore no combate &agrave; guerrilha de seu pa&iacute;s&quot;, O ex-chanceler Julio Prado Vallejo concorda com a postura atual desse minist&eacute;rio. &quot;Frente a Col&ocirc;mbia, temos de ser um pa&iacute;s que n&atilde;o se intrometa direta nem indiretamente em seu conflito&quot;, disse. Afirmou ainda que seu pa&iacute;s n&atilde;o recebeu um tratamento justo no caso das fumiga&ccedil;&otilde;es a&eacute;reas na linha de fronteira. &quot;Pedimos a Bogot&aacute; que suspendesse as aplica&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas ao Equador, mas n&atilde;o o fez&quot;, recordou.<\/p>\n<p> O atual chanceler, Antonio Parra, disse que &quot;ao falar que n&atilde;o vamos intervir significa que somos neutros, n&atilde;o somos parte e n&atilde;o temos motivo para participar. Lutamos contra todos os crimes dentro de nossa fronteira&quot;. Parra tamb&eacute;m assinalou que o Equador se interessa por discutir temas relacionados com a seguran&ccedil;a na fronteira, refugiados, imigrantes, fumiga&ccedil;&otilde;es e extradi&ccedil;&atilde;o, que estar&atilde;o na mesa durante a reuni&atilde;o que manter&aacute; no pr&oacute;ximo dia 19, em Quito, com sua colega colombiana, Carolina Barco. Cerca de oito mil militares equatorianos est&atilde;o na faixa de fronteira, segundo informa&ccedil;&otilde;es oficiais.<\/p>\n<p> O presidente do Congresso do Equador, Wilfrido Lucero, afirmou que as autoridades colombianas descuidam da fronteira sul para que haja o deslocamento de guerrilhas para o pa&iacute;s, e assim provocar a interven&ccedil;&atilde;o equatoriana no conflito. Tamb&eacute;m confirmou que o parlamento anunciar&aacute; sua posi&ccedil;&atilde;o a respeito, que ser&aacute; coerente com o discurso do governo de Pal&aacute;cio de n&atilde;o-interven&ccedil;&atilde;o. &quot;O pa&iacute;s deve se apresentar frente ao conflito com uma &uacute;nica voz, que seja coerente, forte e soberana. Agora, vejo com clareza que querem nos empurrar para que fa&ccedil;amos parte do conflito e n&atilde;o temos motivo para isso&quot;, argumentou Lucero.<\/p>\n<p> Por sua vez, Ra&uacute;l Reyes, um dos chefes das FARC, negou que combatentes busquem abrigo no Equador, porque &quot;sempre respeitamos sua soberania&quot;, e acusou Uribe de urdir um plano para envolver este pa&iacute;s e os demais da regi&atilde;o no conflito armado colombiano. Reyes negou a vers&atilde;o de Bogot&aacute; sobre a proced&ecirc;ncia dos atacantes de Teteye, acrescentando que na a&ccedil;&atilde;o morreram 50 militares e cinco guerrilheiros, contrariando os n&uacute;meros do ex&eacute;rcito. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nueva Loja,  Equador, 08\/07\/2005 &ndash; Os combates dos &uacute;ltimos dias entre a guerrilha e o ex&eacute;rcito no estado de Putumayo, na Col&ocirc;mbia, fez aumentar o n&uacute;mero de pessoas que cruzam a fronteira equatoriana de Sucumbios, al&eacute;m de provocar uma disputa diplom&aacute;tica entre os dois pa&iacute;ses. Dezenas de camponeses, entre eles mais de uma centena de abor&iacute;gines, se viram obrigados a fugir para o Equador por medo de se verem envolvidos nos confrontos armados, informou a Organiza&ccedil;&atilde;o Nacional Ind&iacute;gena Colombiana. Este deslocamento de pessoas que abandonam suas casas por causa da guerra civil na Col&ocirc;mbia cresceu em quantidade h&aacute; um ano, o que levou a um aumento de assentamentos irregulares na margem equatoriana do rio San Miguel, que separa os dois pa&iacute;ses na regi&atilde;o de Putumayo.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/colmbia-camponeses-cruzam-a-fronteira-em-busca-de-segurana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":590,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-775","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/775","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/590"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=775"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/775\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}