{"id":776,"date":"2005-07-08T00:00:00","date_gmt":"2005-07-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=776"},"modified":"2005-07-08T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-08T00:00:00","slug":"direitos-humanos-impunidade-freia-a-estabilizao-no-afeganisto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/direitos-humanos-impunidade-freia-a-estabilizao-no-afeganisto\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Impunidade freia a estabiliza&ccedil;&atilde;o no Afeganist&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 08\/07\/2005 &ndash; A organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch pediu que sejam levados perante a justi&ccedil;a os &quot;senhores da guerra&quot; respons&aacute;veis por atrocidades no Afeganist&atilde;o na d&eacute;cada de 90, muitos dos quais ocupam cargos no governo de Hamid Karzai, apoiado pelos Estados Unidos. Em um documento de 133 p&aacute;ginas divulgado em Cabul, a HRW, nesta semana, afirma que muitos respons&aacute;veis por crimes de guerra e outros abusos em uma das piores fases da guerra civil que, com interrup&ccedil;&otilde;es, tem quase 30 anos, est&atilde;o agora por tr&aacute;s de mesas nos minist&eacute;rios de Defesa e do Interior, enquanto outros s&atilde;o candidatos nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas e locais de setembro pr&oacute;ximo.<br \/> <!--more--> <br \/> Enquanto isso, outros senhores da guerra continuam exercendo autoridade regional, sem interven&ccedil;&atilde;o do governo central nem dos 30 mil soldados dos Estados Unidos e da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan) que est&atilde;o no Afeganist&atilde;o desde que Washington e seus aliados derrubaram o grupo extremista isl&acirc;mico Talib&atilde;, no final de 2001. &quot;Este relat&oacute;rio n&atilde;o &eacute; apenas uma li&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria&quot;, disse Brad Adams, diretor da HRW\/&Aacute;sia, se referindo ao combate entre mujaidines que quase destruiu Cabul entre abril de 1992 e mar&ccedil;o de 1993. As atrocidades cometidas nesse per&iacute;odo &quot;s&atilde;o algumas das mais graves na hist&oacute;ria do Afeganist&atilde;o, mas, hoje em dia, muitos dos respons&aacute;veis ocupam cargos de poder&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Os abusos cometidos nesse ano (1371, pelo calend&aacute;rio afeg&atilde;o) depois da queda do regime pr&oacute;-sovi&eacute;tico foram os piores de toda a guerra civil e inclu&iacute;ram bombardeios e ataques com foguetes contra &aacute;reas civis, que ficaram em escombros, al&eacute;m de roubos, seq&uuml;estros, assassinatos e viola&ccedil;&otilde;es de civis, inclusive mulheres e crian&ccedil;as. O documento, intitulado &quot;M&atilde;os vermelhas de sangue: Atrocidades do passado em Cabul e o legado de impunidade no Afeganist&atilde;o&quot;, se baseia em dois anos de investiga&ccedil;&otilde;es e mais de 150 entrevistas com testemunhas, sobreviventes, funcion&aacute;rios de governo e ex-soldados mujaidines, bem como no trabalho da Comiss&atilde;o Afeg&atilde; Independente de Direitos Humanos.<\/p>\n<p> O documento vem a p&uacute;blico quando aumenta a preocupa&ccedil;&atilde;o em Washington e Cabul pelo ressurgimento de for&ccedil;as do Talib&atilde;, em particular no sul e leste do pa&iacute;s, regi&otilde;es majoritariamente habitadas pela etnia pashtun. Na semana passada, rebeldes derrubaram um helic&oacute;ptero dos Estados Unidos, perto da fronteira com o Paquist&atilde;o, e mataram 16 membros das For&ccedil;as de Opera&ccedil;&otilde;es Especiais. O helic&oacute;ptero ia refor&ccedil;ar um destacamento de outros quatro soldados dessas for&ccedil;as, dos quais pelo menos dois tamb&eacute;m foram mortos. Dias depois, at&eacute; 17 civis morreram na mesma regi&atilde;o v&iacute;timas de um ataque norte-americano contra uma suposta base terrorista.<\/p>\n<p> O incidente gerou uma incomum cr&iacute;tica p&uacute;blica por parte do governo de Karzai, na defensiva diante das cr&iacute;ticas de seus rivais pol&iacute;ticos sobre as t&aacute;ticas utilizadas pelas for&ccedil;as norte-americanas, apenas tr&ecirc;s meses antes das elei&ccedil;&otilde;es. Ao mesmo tempo, foi informado que mais de 450 soldados afeg&atilde;os morreram desde mar&ccedil;o em choques com o Talib&atilde; e for&ccedil;as aliadas, que cada vez mais recorrem a dispositivos explosivos e atentados suicidas, como os grupos rebeldes do Iraque. &quot;Cresce o perigo de o Afeganist&atilde;o ficar cada vez mais parecido com o Iraque, com uma insurg&ecirc;ncia entrincheirada que causa transtornos &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o e se torna um im&atilde; para os extremistas isl&acirc;micos&quot;, advertiu esta semana o The Washington Post em um editorial.<\/p>\n<p> Por sua vez, o The New York Times advertiu, tamb&eacute;m na semana passada, que o ressurgimento do Talib&atilde; coincide com um aumento do sentimento antinorte-americano, exacerbado porque Karzai n&atilde;o conseguiu convencer seu colega norte-americano, George W. Bush, durante a visita que fez em maio, a dar ao governo afeg&atilde;o mais controle sobre as opera&ccedil;&otilde;es militares norte-americanas, e ainda pelos abusos de soldados contra presos mu&ccedil;ulmanos. O informe publicado pela HRW n&atilde;o sugere que a situa&ccedil;&atilde;o atual seja compar&aacute;vel &aacute; do per&iacute;odo 1992-1993, mas sim que a impunidade de que ainda gozam comandantes mujaidines e senhores da guerra trabalha contra o prop&oacute;sito dos Estados Unidos e de Karzai de estabilizar o pa&iacute;s.<\/p>\n<p> &quot;Se o Afeganist&atilde;o n&atilde;o come&ccedil;ar a enfrentar sua hist&oacute;ria, o passado pode se repetir&quot;, alertou Adams, que criticou duramente Washington e seus aliados por n&atilde;o perseguirem os respons&aacute;veis por atrocidades no passado depois da queda do Talib&atilde;, h&aacute; quase quatro anos. Entre os comandantes e l&iacute;deres respons&aacute;veis por tais atos est&atilde;o Abdul Rabb al-Rasul Sayyaf, um comandante isl&acirc;mico radical que atualmente &eacute; assessor de Karzai e que designou v&aacute;rios de seus seguidores para o sistema judicial e outros &oacute;rg&atilde;os de governo, afirma a HRW. Sayyaf &eacute; o l&iacute;der do grupo extremista Ittihad-e Islami. Outro dos apontados pela HRW &eacute; Abdul Radhid Dostum, um senhor da guerra da etnia uzbeka que domina v&aacute;rias regi&otilde;es do norte nos arredores de Mazar-i-Sharif e que ocupa um alto cargo no Minist&eacute;rio da Defesa. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 08\/07\/2005 &ndash; A organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch pediu que sejam levados perante a justi&ccedil;a os &quot;senhores da guerra&quot; respons&aacute;veis por atrocidades no Afeganist&atilde;o na d&eacute;cada de 90, muitos dos quais ocupam cargos no governo de Hamid Karzai, apoiado pelos Estados Unidos. Em um documento de 133 p&aacute;ginas divulgado em Cabul, a HRW, nesta semana, afirma que muitos respons&aacute;veis por crimes de guerra e outros abusos em uma das piores fases da guerra civil que, com interrup&ccedil;&otilde;es, tem quase 30 anos, est&atilde;o agora por tr&aacute;s de mesas nos minist&eacute;rios de Defesa e do Interior, enquanto outros s&atilde;o candidatos nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas e locais de setembro pr&oacute;ximo.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/direitos-humanos-impunidade-freia-a-estabilizao-no-afeganisto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-776","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/776\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}