{"id":781,"date":"2005-07-11T00:00:00","date_gmt":"2005-07-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=781"},"modified":"2005-07-11T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-11T00:00:00","slug":"direitos-humanos-encontrados-restos-mortais-de-trs-mes-da-praa-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/direitos-humanos-encontrados-restos-mortais-de-trs-mes-da-praa-de-maio\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Encontrados restos mortais de tr&ecirc;s M&atilde;es da Pra&ccedil;a de Maio"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 11\/07\/2005 &ndash; A Equipe Argentina de Antropologia Forense anunciou na sexta-feira passada que foram encontrados os restos de tr&ecirc;s mulheres desaparecidas em 1977, fundadoras do movimento M&atilde;es da Pra&ccedil;a de Maio em plena ditadura (1976-1983). Ao lado dos filhos das tr&ecirc;s mulheres, os pesquisadores confirmaram que os corpos de Azucena Villaflor de De Vicenti, Esther Ballestrino de Carega e Maria Eugenia Ponce de Bianco haviam sido jogados no mar pouco depois do seq&uuml;estro destas defensoras dos direitos humanos. &quot;Eu tinha 16 anos quando a seq&uuml;estraram. N&atilde;o tinha nenhuma esperan&ccedil;a de encontr&aacute;-la, mas em abril nos avisaram de um poss&iacute;vel achado e ent&atilde;o fizemos o teste gen&eacute;tico&quot;, contou &agrave; IPS Cec&iacute;lia de Vicentini, filha de Villaflor.<br \/> <!--more--> <br \/> Cec&iacute;lia, de 44 anos, guarda a melhor recorda&ccedil;&atilde;o de sua m&atilde;e. &quot;Era uma mulher muito carinhosa com seus quatro filhos, uma dona de casa t&iacute;pica da &eacute;poca, que gostava de esperar os filhos na volta da escola&quot;, contou. A confirma&ccedil;&atilde;o chegou em maio, quase 28 anos depois do seq&uuml;estro. &quot;Sinto imensa alegria e ao mesmo tempo uma grande impot&ecirc;ncia. Meu pai morreu em 1980 acreditando que ela voltaria, mas j&aacute; a haviam assassinado&quot;, comentou. Segundo explicou &agrave; IPS Silvana Turner, da equipe de antrop&oacute;logos forenses, os corpos an&ocirc;nimos das tr&ecirc;s mulheres apareceram em dezembro de 1977 nas praias da localidade de Santa Teresita, prov&iacute;ncia de Buenos Aires.<\/p>\n<p> Desse lugar, cerca de 400 quil&ocirc;metros ao sul da capital, foram levados para o cemit&eacute;rio General Lavalle, em Santa Teresita, e enterrados como &quot;NN&quot; depois de tirar as impress&otilde;es digitais dos corpos. Com esses elementos e outros dados do expediente da investiga&ccedil;&atilde;o, a equipe iniciou uma pesquisa que apresentou resultados preliminares em 2004. Com esses dados, conseguiram autoriza&ccedil;&atilde;o para exuma&ccedil;&atilde;o, e depois os exames gen&eacute;ticos confirmaram as hip&oacute;teses. Essa pesquisa tamb&eacute;m permitiu corroborar que as tr&ecirc;s mulheres que, de acordo com sobreviventes da repress&atilde;o, foram vistas na Escola de Mec&acirc;nica da Armada &#8211; que funcionou como centro clandestino de deten&ccedil;&atilde;o, tortura e execu&ccedil;&atilde;o &#8211; teriam sido levadas nos chamados &quot;v&ocirc;os da morte&quot;.<\/p>\n<p> Atrav&eacute;s dessas incurs&otilde;es a&eacute;reas sobre o oceano, os repressores se desfaziam de centenas de pessoas detidas ilegalmente durante os primeiros anos do regime, freq&uuml;entemente jogando-as ainda vivas no mar. Para a filha de Villaflor, esta comprova&ccedil;&atilde;o foi uma verdadeira como&ccedil;&atilde;o. &quot;Sabia que minha m&atilde;e tinha sido torturada, mas sup&uacute;nhamos que depois poderia ter sido levada para uma ilha do Tigre&quot;, contou. Agora soube que n&atilde;o foi assim, e tamb&eacute;m confirmou que sua morte ocorreu duas semanas depois de ser seq&uuml;estrada. A hist&oacute;ria come&ccedil;ou pouco depois do golpe de Estado de 1976. Desesperada pelo seq&uuml;estro de seu filho mais velho, N&eacute;stor de Vincenti, Villaflor come&ccedil;ou a se reunir com outros familiares de seq&uuml;estrados na par&oacute;quia Stella Maris de Buenos Aires.<\/p>\n<p> Ao ver que os pedidos de h&aacute;beas corpus n&atilde;o davam resultado, ela prop&ocirc;s uma caminhada em torno da pir&acirc;mide da Pra&ccedil;a de Maio, em frente &agrave; sede da presid&ecirc;ncia, at&eacute; chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos ditadores. Tamb&eacute;m foi Villaflor quem teve a id&eacute;ia de que a caminhada tivesse apenas mulheres, acreditando que os militares n&atilde;o se atreveriam a reprimi-las. Mas estava errada. Uma opera&ccedil;&atilde;o contra o grupo come&ccedil;ou com a infiltra&ccedil;&atilde;o de Adolfo Astiz, ent&atilde;o um jovem integrante da Marinha de Guerra, que simulou ser irm&atilde;o de um desaparecido. No dia 8 de dezembro de 1977, quando o grupo se reuniu na Igreja da Santa Cruz em Buenos Aires, Astiz aponto as que logo seriam suas v&iacute;timas.<\/p>\n<p> &Agrave; sa&iacute;da da igreja, um grupo de militares seq&uuml;estrou Careaga, Ponce, a religiosa francesa Alice Domon, que apoiava as mulheres em sua busca, e mais quatro familiares de desaparecidos. Ponce tamb&eacute;m procurava sua filha. Careaga j&aacute; havia recuperado a sua (que aos 16 anos, e gr&aacute;vida, ficou seq&uuml;estrada por quatro meses em 1977), mas resolveu acompanhar o movimento, apoiando outras m&atilde;es. Villaflor e a freira Leonie Duquet foram seq&uuml;estradas perto de suas casas dois dias depois dessa opera&ccedil;&atilde;o, junto com outras tr&ecirc;s v&iacute;timas. Todas ficaram em condi&ccedil;&otilde;es de desaparecidas. Turner disse &agrave; IPS que no momento n&atilde;o h&aacute; mais informa&ccedil;&otilde;es para divulgar, mas sugeriu que pode haver outros corpos do mesmo grupo em processo de identifica&ccedil;&atilde;o, embora tenha preferido n&atilde;o adiantar dados para n&atilde;o criar falsas expectativas.<\/p>\n<p> A Equipe Argentina de Antropologia Forense foi criada em 1984 para dar apoio cient&iacute;fico e n&atilde;o-governamental a familiares na busca e identifica&ccedil;&atilde;o de corpos de pessoas que foram v&iacute;timas de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. Desde ent&atilde;o foram exumados mais de 600 corpos sem identifica&ccedil;&atilde;o, dos quais 150 pertenceram a pessoas desaparecidas durante o regime, segundo comprovou a equipe. Seu trabalho ganhou fama em 1977 quando exumaram e identificaram o corpo do argentino Ernesto Che Guevara, assassinado na Bol&iacute;via. Mas realizaram tamb&eacute;m trabalhos no Brasil, Chile, Paraguai, Guatemala, Venezuela, Peru, El Salvador, Equador, Panam&aacute;, Honduras, Rom&ecirc;nia, Eti&oacute;pia, Curdist&atilde;o, &Aacute;frica do Sul, Cro&aacute;cia e Uruguai. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 11\/07\/2005 &ndash; A Equipe Argentina de Antropologia Forense anunciou na sexta-feira passada que foram encontrados os restos de tr&ecirc;s mulheres desaparecidas em 1977, fundadoras do movimento M&atilde;es da Pra&ccedil;a de Maio em plena ditadura (1976-1983). Ao lado dos filhos das tr&ecirc;s mulheres, os pesquisadores confirmaram que os corpos de Azucena Villaflor de De Vicenti, Esther Ballestrino de Carega e Maria Eugenia Ponce de Bianco haviam sido jogados no mar pouco depois do seq&uuml;estro destas defensoras dos direitos humanos. &quot;Eu tinha 16 anos quando a seq&uuml;estraram. N&atilde;o tinha nenhuma esperan&ccedil;a de encontr&aacute;-la, mas em abril nos avisaram de um poss&iacute;vel achado e ent&atilde;o fizemos o teste gen&eacute;tico&quot;, contou &agrave; IPS Cec&iacute;lia de Vicentini, filha de Villaflor.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/mundo\/direitos-humanos-encontrados-restos-mortais-de-trs-mes-da-praa-de-maio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/781\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}