{"id":7810,"date":"2011-02-14T13:20:31","date_gmt":"2011-02-14T13:20:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7810"},"modified":"2011-02-14T13:20:31","modified_gmt":"2011-02-14T13:20:31","slug":"forum-social-mundial-o-dificil-espaco-do-feminismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/africa\/forum-social-mundial-o-dificil-espaco-do-feminismo\/","title":{"rendered":"F\u00d3RUM SOCIAL MUNDIAL: O dif\u00edcil espa\u00e7o do feminismo"},"content":{"rendered":"<p>Dacar, Senegal, 14\/02\/2011 &ndash; Embora o caminho para a grande tenda verde fosse poeirento e bastante confuso, ao chegar ali era f\u00e1cil se perder na vers\u00e3o sonora da Torre de Babel. <!--more--> As vozes femininas buscavam seu lugar no F\u00f3rum Social Mundial (FSM). A barraca de campanha, escondida entre o vento e o p\u00f3, a certa dist\u00e2ncia dos principais acontecimentos do FSM, se tornou a sede n\u00e3o oficial das mulheres no encontro da sociedade civil, que terminou no dia 11, em Dacar.<\/p>\n<p>Demorou uns dias para ser instalada. O espa\u00e7o f\u00edsico era uma quest\u00e3o pol\u00eamica, devido ao cancelamento de muitos locais destinados \u00e0s reuni\u00f5es. Assim, as ativistas lideradas pela Marcha Mundial das Mulheres, sentiram a necessidade de reclamar um espa\u00e7o onde pudessem falar livremente, sem ter de negociar um espa\u00e7o discursivo. Jovens e nem t\u00e3o jovens gritavam fervorosamente ou tocavam tambores, enquanto outras ouviam atentamente os temas em debate.<\/p>\n<p>Sob esta tela verde, um debate colorido e vibrante sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres na conflitiva regi\u00e3o de Casamance, no sul do Senegal, viol\u00eancia de g\u00eanero, HIV\/aids e outros desafios que enfrentam as sociedades patriarcais, bem como a marginaliza\u00e7\u00e3o que se percebe de temas femininos no pr\u00f3prio FSM. Embora algumas aplaudissem o esp\u00edrito da barraca, outras se preocupavam com sua transforma\u00e7\u00e3o em um s\u00edmbolo de que os assuntos das mulheres eram marginalizados no contexto mais amplo do F\u00f3rum. A assembleia onde foi lida uma declara\u00e7\u00e3o recebeu muitas cr\u00edticas por ser considerado que n\u00e3o representava plenamente a voz de todas as mulheres.<\/p>\n<p>\u201cFiquei impressionada com o tipo de discuss\u00e3o. Pela primeira vez a \u00c1frica debate sobre o imperialismo e a crise do capitalismo e seus efeitos sobre a popula\u00e7\u00e3o\u201d, disse Fatima Aloo, uma veterana feminista da Tanz\u00e2nia, afirmando que o FSM foi uma grande plataforma para as mulheres que queriam propor quest\u00f5es espec\u00edficas. Fatima acrescentou que o feminismo sempre esteve arraigado no continente e que agora se faz sentir mais \u201cporque as mulheres africanas fixaram sua pr\u00f3pria agenda\u201d.<\/p>\n<p>Para Amina Mama, entretanto, a maioria dos debates do FSM sobre criar uma solidariedade entre o mundo em desenvolvimento \u201cignorou quase completamente o que acontece no feminismo\u201d. Esta feminista nigeriana disse que \u201ctivemos pessoas interessantes do Egito, com apresenta\u00e7\u00f5es que mereceram aten\u00e7\u00e3o, que listaram todas as for\u00e7as sociais que precisavam se mobilizar, menos o movimento de mulheres\u201d. Amina, do Fundo Global para Mulheres, comparou a experi\u00eancia do FSM com a do F\u00f3rum Feminista Africano realizado em outubro de 2010, tamb\u00e9m em Dacar. \u201cPor alguns momentos senti que experimentava uma altera\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. Penso que os movimentos sociais devem levar isto mais a s\u00e9rio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A zimbabuense Tendai Makanza, da organiza\u00e7\u00e3o Alternativas ao Neoliberalismo na \u00c1frica Austral, concordou. \u201cSe vejo a quantidade de acontecimentos que ocorrem no FSM, n\u00e3o tenho a ideia de que as quest\u00f5es de g\u00eanero fa\u00e7am parte do debate. \u00c9 muito decepcionante\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A brasileira J\u00falia Di Giovanni, ativista da Marcha Mundial das Mulheres, admitiu que \u00e9 dif\u00edcil organizar reuni\u00f5es que se centrem no movimento feminista. \u201cTivemos que trabalhar muito para garantir que seriam ouvidas as vozes da sociedade civil. Trouxemos mulheres da Col\u00f4mbia e da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo para que falassem sobre a viol\u00eancia de g\u00eanero e o impacto das for\u00e7as armadas sobre as mulheres\u201d, afirmou. O FSM proporcionou \u201cum espa\u00e7o seguro para que as mulheres falassem\u201d sobre estes temas, acrescentou.<\/p>\n<p>A ativista italiana Francesca Rossi disse \u00e0 IPS que considerou gratificante ouvir os depoimentos de mulheres africanas sobre viol\u00eancia de g\u00eanero. Sara Longwe, feminista de Z\u00e2mbia, destacou que \u201ca viol\u00eancia com base no g\u00eanero ainda \u00e9 vista como um problema de sa\u00fade e bem-estar. Mas temos de falar sobre ela do ponto de vista do poder. Trata-se de rela\u00e7\u00f5es de poder. As mulheres est\u00e3o falando sobre isto e as leis dos diferentes pa\u00edses n\u00e3o fazem frente \u00e0 viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>As mulheres jovens presentes ao FSM disseram que se sentiram exclu\u00eddas e marginalizadas. Cristina Calvo Alamillo, da Funda\u00e7\u00e3o Mulheres, da Espanha, disse que \u201cas jovens n\u00e3o s\u00e3o ouvidas no FSM. Por\u00e9m, tamb\u00e9m lutam para consegui-lo, ou, pelo menos, para que lhes seja dado o espa\u00e7o para apresentarem suas preocupa\u00e7\u00f5es\u201d. A ativista acrescentou que \u201cas mulheres jovens t\u00eam muitas ideias, mas \u00e9 dif\u00edcil mostr\u00e1-las devido \u00e0 press\u00e3o social para se casarem e terem filhos\u201d.<\/p>\n<p>A estudante norte-americana Colleen Brewster disse \u00e0 IPS que considerou o FSM interessante pela variedade de debates realizados. E Amina resumiu sua experi\u00eancia: \u201cParticipar do FSM \u00e9 uma maneira de se reabastecer e de desafiar os irm\u00e3os, lembrar-lhes o que est\u00e1 ocorrendo com as mulheres e tentar faz\u00ea-los participar\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dacar, Senegal, 14\/02\/2011 &ndash; Embora o caminho para a grande tenda verde fosse poeirento e bastante confuso, ao chegar ali era f\u00e1cil se perder na vers\u00e3o sonora da Torre de Babel. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/africa\/forum-social-mundial-o-dificil-espaco-do-feminismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":672,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,4],"tags":[21,24,29],"class_list":["post-7810","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-mundo","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres","tag-sul-sul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7810","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/672"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7810"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7810\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7810"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7810"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7810"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}