{"id":7819,"date":"2011-02-15T14:05:04","date_gmt":"2011-02-15T14:05:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7819"},"modified":"2011-02-15T14:05:04","modified_gmt":"2011-02-15T14:05:04","slug":"economia-paises-gigantes-potencias-tardias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/mundo\/economia-paises-gigantes-potencias-tardias\/","title":{"rendered":"ECONOM\u00cdA: Pa\u00edses gigantes, pot\u00eancias tardias"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15\/02\/2011 &ndash; H\u00e1 duas d\u00e9cadas, a amea\u00e7a \u00e0 primazia econ\u00f4mica mundial dos Estados Unidos era o Jap\u00e3o, que se diluiu antes de ingressar neste s\u00e9culo. <!--more--> Agora, os novos campe\u00f5es do crescimento, China e \u00cdndia, sugerem que o tamanho da popula\u00e7\u00e3o se converteu em fator decisivo. Os dois pa\u00edses emergentes mais populosos do mundo ganharam voz e protagonismo no cen\u00e1rio internacional, a ponto de tentarem ter uma identidade grupal, como \u00e9 o Bric (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China), apesar de seu desenvolvimento e hist\u00f3ria totalmente diferentes.<\/p>\n<p>O peso deste quarteto de na\u00e7\u00f5es n\u00e3o era, na \u00e9poca, proporcional diante de seu escasso poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, com exce\u00e7\u00e3o da R\u00fassia quando liderava a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em compara\u00e7\u00e3o com a proje\u00e7\u00e3o internacional de pa\u00edses como Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e It\u00e1lia, com cerca de 60 milh\u00f5es de habitantes cada um, um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira e um vig\u00e9simo da chinesa.<\/p>\n<p>Agora essa \u201cconverg\u00eancia\u201d entre os poderosos pa\u00edses industrializados e os grandes do mundo em desenvolvimento dever\u00e1 se acentuar com a continua\u00e7\u00e3o do ciclo de maior crescimento dos emergentes, prevista pelo Banco Mundial e por outras institui\u00e7\u00f5es, disse o brasileiro Claudio Dedecca, professor da Universidade de Campinas e pesquisador em Economia do Trabalho. A igualdade entre esses pa\u00edses diminui, mas restam \u201cos desequil\u00edbrios internacionais de forma diferente\u201d, explicou, ap\u00f3s lamentar a sorte da \u00c1frica, com esses problemas ainda sem rumo de solu\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio de Am\u00e9rica Latina e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Muitos pa\u00edses africanos est\u00e3o entre os que mais crescer\u00e3o economicamente nos pr\u00f3ximos anos, segundo as previs\u00f5es, e isso ser\u00e1 devido aos investimentos da China e \u00e0s vendas que os africanos fazem de produtos prim\u00e1rios, em um com\u00e9rcio desequilibrado que tamb\u00e9m afeta o Brasil. Este pa\u00eds, China e \u00cdndia se beneficiam de sua enorme popula\u00e7\u00e3o porque adotaram pol\u00edticas que \u201ccombinam desenvolvimento do mercado interno e inser\u00e7\u00e3o internacional\u201d para um crescimento acelerado, disse Claudio.<\/p>\n<p>Nos anos 1980 e 1990, a hegemonia do que Claudio chama de pensamento conservador e a economia-cassino, \u201chavia desacreditado a import\u00e2ncia do mercado interno\u201d, cujo potencial aumenta em pa\u00edses de popula\u00e7\u00e3o gigante e baixo n\u00edvel de consumo. O trabalho tamb\u00e9m se tornou \u201cpreponderante\u201d depois do desprezo anterior, acrescentou. A liberaliza\u00e7\u00e3o comercial das \u00faltimas d\u00e9cadas favoreceu esse processo ao promover o deslocamento das ind\u00fastrias em busca de m\u00e3o-de-obra barata e abundante, como a chinesa e a indiana, e a escala de produ\u00e7\u00e3o permitida pelos imensos mercados internos.<\/p>\n<p>A menor prote\u00e7\u00e3o nos mercados nacionais acentuou a competi\u00e7\u00e3o internacional, for\u00e7ando as empresas a reduzirem custos, pelas migra\u00e7\u00f5es ou pressionando seu pr\u00f3prio pa\u00eds para flexibilizar as leis trabalhistas, baixar os tributos, os sal\u00e1rios e os direitos sociais, reconheceu Claudio. A press\u00e3o \u201cse dilui\u201d quando a economia cresce, ressaltou. Esta migra\u00e7\u00e3o para custos menores, por exemplo, contribui para o desenvolvimento do Nordeste, regi\u00e3o mais pobre do Brasil e onde mais cresce o produto industrial ultimamente, devido \u00e0 atra\u00e7\u00e3o de empresas intensivas em trabalho. Os trabalhadores locais j\u00e1 n\u00e3o partem, como antes, em busca de empregos em outras partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Paraguai se beneficia do alto custo da energia e da m\u00e3o-de-obra no Brasil. Muitas ind\u00fastrias est\u00e3o se mudando para o pa\u00eds mais pobre do Mercosul, que ambos compartilham com Argentina e Uruguai, atra\u00eddos por sua ampla oferta de eletricidade barata e sal\u00e1rios menores. Este \u00e9 um processo recente. O auge japon\u00eas se destacou no final do S\u00e9culo 20 com a tecnologia, a ind\u00fastria e marcas de qualidade, a gest\u00e3o eficiente e a obsess\u00e3o educacional.<\/p>\n<p>Os ve\u00edculos e bens econ\u00f4micos produzidos no Jap\u00e3o invadiam todos os mercados, seus rel\u00f3gios digitais Seiko, Citizen e Orient destronaram a imagem de precis\u00e3o su\u00ed\u00e7a e suas m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas se tornaram onipresentes. Sony, Toshiba, Toyota, Honda, Nikon, Canon e muitas outras marcas conquistaram a prefer\u00eancia de consumidores em todo o mundo. Al\u00e9m disso, na esteira japonesa surgiram os \u201ctigres asi\u00e1ticos\u201d, fortalecendo a bacia do Pac\u00edfico como novo eixo central da economia global.<\/p>\n<p>Isso confirmava, ao que parece, as opini\u00f5es que apontavam a tecnologia como o principal fator do desenvolvimento, acima dos recursos naturais e da maior popula\u00e7\u00e3o. O Jap\u00e3o, carente de mat\u00e9rias-primas, especialmente petr\u00f3leo, conseguiu manter um forte crescimento econ\u00f4mico mesmo ap\u00f3s a crise desse combust\u00edvel na d\u00e9cada de 1970. O pa\u00eds acumulou tamb\u00e9m um poder financeiro que permitiu que estendesse seus tent\u00e1culos pelo mundo.<\/p>\n<p>Seus investimentos externos aumentaram de US$ 85 bilh\u00f5es para US$ 300 bilh\u00f5es entre 1985 e 1990. Em 1989, a Sony adquiriu a gigante do cinema, a Columbia Pictures, e a Mitsubishi comprou o Rockfeller Center, em Nova York, em um desafiador golpe simb\u00f3lico \u00e0 hegemonia norte-americana. A essa altura, no entanto, o Jap\u00e3o j\u00e1 havia selado sua queda, ao aceitar valorizar sua moeda, o iene, em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, em um acordo assinado em 1985 com quatro pot\u00eancias ocidentais.<\/p>\n<p>Agora, a China se nega a repetir esse \u201cerro\u201d, enquanto o Brasil luta para atenuar o fortalecimento de sua moeda, o que tira competitividade de seus produtos industriais, especialmente diante dos chineses. Ainda assim, o Brasil conseguiu criar 15 milh\u00f5es de novos empregos nos \u00faltimos oito anos, ampliando seu mercado interno tamb\u00e9m com aumentos reais do sal\u00e1rio m\u00ednimo e programas sociais que tiraram da pobreza 28 milh\u00f5es de pessoas. Gerar empregos tamb\u00e9m \u00e9 uma obsess\u00e3o da China atualmente, inclusive no exterior, onde seus investimentos s\u00e3o feitos com numerosa participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores desse pa\u00eds. Na \u00cdndia, estima-se ser necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de 200 milh\u00f5es de postos de trabalho nos pr\u00f3ximos 20 anos para absorver os jovens.<\/p>\n<p>Com seu crescimento, esses tr\u00eas pa\u00edses, que somam 40% da popula\u00e7\u00e3o mundial, destacam um passado que dissociava tamanho e economia. Apenas em meados do S\u00e9culo 20 teve fim a era na qual na\u00e7\u00f5es pequenas, como B\u00e9lgica, Holanda e Portugal, dominavam pa\u00edses e territ\u00f3rios muito mais extensos. Por\u00e9m, era latente a tend\u00eancia de predom\u00ednio de Estados grandes, da qual \u201ctalvez a disputa entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tenha sido o primeiro cap\u00edtulo\u201d e a Zona do Euro uma resposta, disse o soci\u00f3logo Willian Nozaki, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e doutorando em Desenvolvimento Econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O crescimento econ\u00f4mico de Brasil, China e \u00cdndia pode ser considerado uma continua\u00e7\u00e3o desse processo, mas s\u00e3o casos distintos e mant\u00eam \u201crela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas\u201d entre eles, com o Brasil exportando quase unicamente mat\u00e9rias-primas para esses s\u00f3cios asi\u00e1ticos, alertou Willian. China e \u00cdndia possuem parques produtivos inovadores e complexos e estimularam avan\u00e7os industriais e tecnol\u00f3gicos, destacou. Os pa\u00edses com territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es grandes tendem a se sobressair na economia internacional contempor\u00e2nea, mas \u201co lugar de cada um depender\u00e1 de como se posicionarem regionalmente, al\u00e9m da for\u00e7a de suas moedas e suas armas\u201d, concluiu o pesquisador. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15\/02\/2011 &ndash; H\u00e1 duas d\u00e9cadas, a amea\u00e7a \u00e0 primazia econ\u00f4mica mundial dos Estados Unidos era o Jap\u00e3o, que se diluiu antes de ingressar neste s\u00e9culo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/mundo\/economia-paises-gigantes-potencias-tardias\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-7819","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7819\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}