{"id":784,"date":"2005-07-12T00:00:00","date_gmt":"2005-07-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=784"},"modified":"2005-07-12T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-12T00:00:00","slug":"direitos-humanos-as-feridas-de-srebrenica-no-cicatrizam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/direitos-humanos-as-feridas-de-srebrenica-no-cicatrizam\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: As feridas de Srebrenica n&atilde;o cicatrizam"},"content":{"rendered":"<p>Tuzla, 12\/07\/2005 &ndash; Herzegovina, 12\/07\/2005 &#8211; Como muitos mu&ccedil;ulmanos b&oacute;snios que vivem no exterior, Eldvin viaja todos os anos desde seu atual lar no Arizona, Estados Unidos, at&eacute; sua terra natal, B&oacute;snia-Herzegovina. Mas n&atilde;o o faz para visitar sua fam&iacute;lia, e sim para tentar descobrir o que aconteceu com seu irm&atilde;o mais novo, Samir, &quot;que n&atilde;o sobreviveu a julho de 1995&quot;, explica o jovem de 27 anos, que n&atilde;o quis dar o sobrenome. Eldvin e Samir procuravam fugir do territ&oacute;rio mu&ccedil;ulmano de Srebrenica quando foram capturados pelo ex&eacute;rcito s&eacute;rvio da B&oacute;snia, no dia 11 de julho de 1995, nos dias finais da guerra dessa antiga prov&iacute;ncia iugoslava. Eldvin teve a sorte de escapar ileso, mas Samir foi executado junto com cerca de oito mil homens e adolescentes masculinos de Srebrenica, depois da queda da cidade em m&atilde;os s&eacute;rvio-b&oacute;snias.<br \/> <!--more--> <br \/> Seu corpo nunca foi encontrado, mas Eldvin e seus pais n&atilde;o abandonaram a busca. Sua esperan&ccedil;a est&aacute; depositadas nas amostras de sangue que entregaram ao laborat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Internacional de Pessoas Desaparecidas, com sede na localidade b&oacute;snia de Tuzla. Se os cientistas conseguirem identificar os restos de Samir, sua fam&iacute;lia poder&aacute; enterr&aacute;-lo. &quot;Isso seria o ponto final. Por fim terminar&iacute;amos aceitando o que aconteceu com Samir&quot;, disse Eldvin &agrave; IPS. Em uma cerim&ocirc;nia que marcou o d&eacute;cimo anivers&aacute;rio do massacre de Srebrenica, mais de 600 cad&aacute;veres identificados foram enterrados nesta segunda-feira no s&iacute;tio de recorda&ccedil;&atilde;o de Potocari, perto dessa cidade.<\/p>\n<p> Participaram da cerim&ocirc;nia ministros da Gr&atilde;-Bretanha, Fran&ccedil;a, Holanda e dos Estados Unidos, e, um sinal de reconcilia&ccedil;&atilde;o, o presidente da s&eacute;rvia, Boris Tadic. Mais de 1.200 v&iacute;timas identificadas j&aacute; haviam sido enterradas, enquanto outras centenas foram exumadas em diferentes locais da B&oacute;snia, onde suas fam&iacute;lias se reinstalaram em 1995. Srebrenica era o territ&oacute;rio mu&ccedil;ulmano do leste da B&oacute;snia, onde viviam mais de 40 mil pessoas durante a guerra. Depois de sua queda, os habitantes foram expulsos para Tuzla e outras cidades, e as autoridades s&eacute;rvio-b&oacute;snias levaram s&eacute;rvios de toda a B&oacute;snia para viverem na &aacute;rea. Atualmente, Srebrenica tem menos de 10 mil habitantes, em sua maioria s&eacute;rvios.<\/p>\n<p> Segundo o Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados, cerca de 2.800 mu&ccedil;ulmanos regressaram &agrave;s suas casas de antes da guerra, em sua maioria aldeias nos arredores de Srebrenica. A Comiss&atilde;o Internacional sobre Pessoas Desaparecidas foi criada em 1996, uma vez finalizada as guerras de desintegra&ccedil;&atilde;o da antiga Iugosl&aacute;via, que deixaram mais de 250 mil mortos e pelo menos 40 mil desaparecidos. Inicialmente, especialistas forenses nacionais e estrangeiros trabalhavam com os restos encontrados em fossas comuns para tentar identificar as v&iacute;timas. Esse processo levou &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de apenas 52 v&iacute;timas, em 2001, segundo dados da Comiss&atilde;o. A identifica&ccedil;&atilde;o foi dificultada pelo fato de os s&eacute;rvios-b&oacute;snios reenterrarem suas v&iacute;timas em diferentes locais.<\/p>\n<p> Mais de 3.500 sacos com restos das v&iacute;timas de Srebrenica permanecem no necrot&eacute;rio de Tuzla &agrave; espera de identifica&ccedil;&atilde;o. &quot;A inaugura&ccedil;&atilde;o do laborat&oacute;rio de DNA, h&aacute; quatro anos, acelerou o processo&quot;, destacou o diretor de programa da Comiss&atilde;o, Zlatan Sabanovic, em Tuzla. &quot;&Eacute; um grande quebra-cabe&ccedil;a cient&iacute;fico. O objetivo &eacute; oferecer aos familiares das v&iacute;timas uma confirma&ccedil;&atilde;o com 9,99% de certeza&quot;, disse &agrave; imprensa. Para isso, comparam amostras de DNA (&aacute;cido desoxirribonucl&eacute;ico) dos familiares com amostras de DNA dos restos. Essa compara&ccedil;&atilde;o &eacute; mais f&aacute;cil quando os pais das v&iacute;timas est&atilde;o vivos e fornecem amostras de sangue, explicou Sabanovic.<\/p>\n<p> Mas em muitos casos, as v&iacute;timas eram pais, e isso reduz a possibilidade de identifica&ccedil;&atilde;o de seus filhos assassinados. O material gen&eacute;tico de uma filha sobrevivente n&atilde;o pode ser usado para identificar seu pai morto, nem o de uma irm&atilde; para identificar seu irm&atilde;o. &quot;Ainda nos resta muito por fazer, mas estamos orgulhosos do que foi realizado at&eacute; agora&quot;, afirmou &agrave; imprensa Rifat Kesetovic, chefe de patologia forense da Comiss&atilde;o, que ajudou a identificar as v&iacute;timas dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e do maremoto de dezembro passado na &Aacute;sia.<\/p>\n<p> &quot;A dor dos familiares &eacute; a mesma em todas as partes. O m&iacute;nimo que se pode fazer &eacute; ajudar a ferida a cicatrizar&quot;, afirmou Nura Begovic, diretora da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental M&atilde;es de Srebrenica, de Tuzla. Al&eacute;m da identifica&ccedil;&atilde;o, os familiares tamb&eacute;m esperam justi&ccedil;a. O ex-l&iacute;der s&eacute;rvio-b&oacute;snio Radovan Karadzic e o comandante de seu ex&eacute;rcito, general Ratko Mladic, acusados da matan&ccedil;a, permanecem foragidos. (IPS\/Envolverde).<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tuzla, 12\/07\/2005 &ndash; Herzegovina, 12\/07\/2005 &#8211; Como muitos mu&ccedil;ulmanos b&oacute;snios que vivem no exterior, Eldvin viaja todos os anos desde seu atual lar no Arizona, Estados Unidos, at&eacute; sua terra natal, B&oacute;snia-Herzegovina. Mas n&atilde;o o faz para visitar sua fam&iacute;lia, e sim para tentar descobrir o que aconteceu com seu irm&atilde;o mais novo, Samir, &quot;que n&atilde;o sobreviveu a julho de 1995&quot;, explica o jovem de 27 anos, que n&atilde;o quis dar o sobrenome. Eldvin e Samir procuravam fugir do territ&oacute;rio mu&ccedil;ulmano de Srebrenica quando foram capturados pelo ex&eacute;rcito s&eacute;rvio da B&oacute;snia, no dia 11 de julho de 1995, nos dias finais da guerra dessa antiga prov&iacute;ncia iugoslava. Eldvin teve a sorte de escapar ileso, mas Samir foi executado junto com cerca de oito mil homens e adolescentes masculinos de Srebrenica, depois da queda da cidade em m&atilde;os s&eacute;rvio-b&oacute;snias.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/direitos-humanos-as-feridas-de-srebrenica-no-cicatrizam\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":208,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/208"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}