{"id":7842,"date":"2011-02-21T14:17:35","date_gmt":"2011-02-21T14:17:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7842"},"modified":"2011-02-21T14:17:35","modified_gmt":"2011-02-21T14:17:35","slug":"africa-austral-juntos-contra-a-subida-da-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/africa\/africa-austral-juntos-contra-a-subida-da-agua\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA AUSTRAL: Juntos contra a subida da \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p>WINDHOEK, 21\/02\/2011 &ndash; Uma d\u00e9cada depois de fortes inunda\u00e7\u00f5es terem causado grandes estragos na \u00c1frica Austral, a regi\u00e3o est\u00e1 mais bem preparada para monitorizar e responder \u00e0s cheias sazonais. Esta situa\u00e7\u00e3o deve-se tanto \u00e0 for\u00e7a crescente das institui\u00e7\u00f5es transfronteiri\u00e7as como ao aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico. <!--more--> Os n\u00edveis das \u00e1guas durante a \u00e9poca das cheias este ano na \u00c1frica Austral provavelmente ir\u00e3o ultrapassar os das inunda\u00e7\u00f5es desastrosas de 2000. <\/p>\n<p>Nesse ano, a capital mo\u00e7ambicana, Maputo, foi inundada, as margens do Limpopo transbordaram e cerca de 40.000 pessoas tiverem de ser salvas. As inunda\u00e7\u00f5es foram agravadas por doen\u00e7as transmitidas pela \u00e1gua e por um ciclone tropical. As autoridades da regi\u00e3o foram criticadas por n\u00e3o terem antecipado que \u00e1reas seriam mais afectadas e tamb\u00e9m pela fraca e lenta resposta \u00e0 crise, que custou 800 vidas. <\/p>\n<p>Sistema de alerta em todas as bacias hidrogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>Uma resposta aos desastres de 2000 assentou no fortalecimento dos sistemas de alerta nas numerosas bacias hidrogr\u00e1ficas da regi\u00e3o. <\/p>\n<p>Desenvolveu-se um sistema de alerta precoce avan\u00e7ado para a regi\u00e3o. O Sistema de Observa\u00e7\u00e3o do Ciclo Hidrol\u00f3gico da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC-HYCOS) teve por objectivo estabelecer 128 esta\u00e7\u00f5es metereol\u00f3gicas, que transmitem informa\u00e7\u00f5es atempadas e precisas para um sat\u00e9lite. Um instituto alem\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o devia descodificar essas informa\u00e7\u00f5es e coloc\u00e1-las num s\u00edtio Web \u2013 informa\u00e7\u00f5es essas que deviam aparecer num s\u00edtio da responsabilidade do Departamento dos Assuntos H\u00eddricos da \u00c1frica do Sul. <\/p>\n<p>\u201cA ideia do HYCOS era que todas as esta\u00e7\u00f5es transmitissem em tempo real para a mesma base de dados de forma a poder ser usada para prever as inunda\u00e7\u00f5es,\u201d disse Guido van Langenhove, o principal hidr\u00f3logo da Nam\u00edbia. Mas, embora alguns pa\u00edses como a Namibia e a \u00c1frica do Sul, tenham montado eles pr\u00f3prios parte do sistema, o HYCOS parece ter-se tornado num elefante branco molhado.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o Departamento dos Assuntos H\u00eddricos da \u00c1frica do Sul (DWAF), foram instaladas 108 das projectadas 128 esta\u00e7\u00f5es \u2013 custando 10.000 dol\u00e1res cada uma. Mas s\u00f3 uma em cinco actualmente transmite informa\u00e7\u00f5es seguras. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 esta\u00e7\u00f5es operacionais no norte da Nam\u00edbia.\u201d disse van Langenhove. Contudo, de acordo com o Departamento dos Assuntos H\u00eddricos da \u00c1frica do Sul, Angola e Z\u00e2mbia deviam ter 17 esta\u00e7\u00f5es de monitoriza\u00e7\u00e3o automatizadas.\u201d <\/p>\n<p>\u201cFoi um desperd\u00edcio de dinheiro,\u201d declarou Langenhove. \u201cMuito equipamento electr\u00f3nico foi abandonado, n\u00e3o houve refor\u00e7o de capacidades nem forma\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos. Por vezes as esta\u00e7\u00f5es funcionavam durante uma semana, outras vezes durante um ano. Quando avariavam n\u00e3o havia ningu\u00e9m que as arranjasse. Ou ent\u00e3o funcionavam mal e davam informa\u00e7\u00f5es erradas. A Nam\u00edbia tinha nove esta\u00e7\u00f5es mas nenhuma delas funcionava; tivemos de as arranjar n\u00f3s pr\u00f3prios.\u201d <\/p>\n<p>Ele calcula que o projecto tenha custado 4 milh\u00f5es de dol\u00e1res. O seu patrocinador, o governo hol\u00e2ndes, abandonou o projecto. O escrit\u00f3rio do SADC-HYCOS em Pret\u00f3ria foi desmantelado, estando o projecto actualmente suspenso. <\/p>\n<p>Gest\u00e3o de \u00e1gua sem fronteiras<\/p>\n<p>\u201cO HYCOS n\u00e3o est\u00e1 a funcionar da melhor forma,\u201d afirmou Phera Ramoeli, engenheiro chefe da Divis\u00e3o de Recursos H\u00eddricos da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral. \u201cAlgumas esta\u00e7\u00f5es foram afectadas pelas inunda\u00e7\u00f5es e as informa\u00e7\u00f5es podem estar erradas. O projecto tamb\u00e9m se atrasou porque tivemos de mudar os sistemas da base de dados depois de um dos sistemas do Reino Unido se ter tornado obsoleto.\u201d<\/p>\n<p>O futuro do HYCOS \u00e9 incerto, mas os pa\u00edses parecem estar a monitorizar as inunda\u00e7\u00f5es em conjunto na regi\u00e3o com base na crescente qualidade dos seus recursos humanos. <\/p>\n<p>A montante do Rio Zambezi, funcion\u00e1rios zambianos respons\u00e1veis pelos recursos h\u00eddricos medem o n\u00edvel deste poderoso rio e enviam os resultados por via telef\u00f3nica para a capital, Lusaka. A partir de Lusaka, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 enviada por correio electr\u00f3nico para os departamentos de recursos h\u00eddricos de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cIsto d\u00e1-nos duas semanas de aviso,\u201d afirmou van Langenhove. \u201cCome\u00e7\u00e1mos a faz\u00ea-lo depois de 2008, altura em que vastas regi\u00f5es no norte da Nam\u00e1bia ficaram inundadas sem qualquer aviso.\u201d <\/p>\n<p>No Rio Kavango, os hidr\u00f3logos namibianos fazem o mesmo para os seus colegas Batswana que trabalham no delta do Okavango. Em toda a regi\u00e3o, existem sistemas ad hoc semelhantes. \u201c\u00c9 um pouco informal mas funciona,\u201d disse van Langenhove. <\/p>\n<p>O sistema constitui a prova de que se estabeleceram rela\u00e7\u00f5es entre colegas e que elas se mantiveram em parte devido \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es das bacias hidrogr\u00e1ficas que foram criadas por toda a regi\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, afirmou Ramoeli. <\/p>\n<p>\u201cA coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses est\u00e1 a melhorar. H\u00e1 dez anos, as organiza\u00e7\u00f5es das bacias hidrogr\u00e1ficas eram uma raridade. Agora temos bacias como a ORASECOM e a OKACOM, onde protocolos sobre a utiliza\u00e7\u00e3o fluvial foram acordados entre diferentes Estados. <\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es das bacias hidrogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>A ORASECOM \u2013 a Comiss\u00e3o do Rio Orange-Senqu \u2013 e a OKACOM \u2013 a Comiss\u00e3o Permanente das \u00c1guas da Bacia do Okavango \u2013 s\u00e3o duas das mais consolidadas organiza\u00e7\u00f5es das bacias hidrogr\u00e1ficas, facilitando a partilha de informa\u00e7\u00e3o a n\u00edvel regional, entre outras fun\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>\u201cEspecialistas de pa\u00edses diferentes efectuam estudos conjuntos que conduzem a um melhor entendimento da bacia como um todo. Mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 qualquer organiza\u00e7\u00e3o formal respons\u00e1vel pelas bacias hidrogr\u00e1ficas, verificamos que os hidr\u00f3logos partilham informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de correio electr\u00f3nico. Por isso, tem havido importantes desenvolvimentos neste dom\u00ednio,\u201d afirmou Ramoeli. <\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos dez anos, as organiza\u00e7\u00f5es das bacias hidrogr\u00e1ficas ficaram com uma percep\u00e7\u00e3o mais profunda sobre o que acontece nas bacias,\u201d disse Peter Pyke, engenheiro chefe do Departamento dos Assuntos H\u00eddricos da \u00c1frica do Sul, que est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 ORASECOM. O Rio Orange, que corre das terras altas do Lesoto at\u00e9 ao Oceano Atl\u00e2ntico na fronteira entre a \u00c1frica do Sul e a Nam\u00edbia, \u00e9 um dos rios que est\u00e1 actualmente inundado. <\/p>\n<p>As inunda\u00e7\u00f5es est\u00e3o aqui para ficar, afirmou Pyke. \u201cNeste momento, a informa\u00e7\u00e3o a montante n\u00e3o \u00e9 fi\u00e1vel. Se alguma inunda\u00e7\u00e3o vier por a\u00ed abaixo, ser\u00e1 dif\u00edcil controlar a situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um n\u00famero demasiado reduzido de esta\u00e7\u00f5es que indicam o n\u00edvel das \u00e1guas e pode facilmente desenvolver-se uma cheia na zona interm\u00e9dia.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 suficiente saber a quantidade de chuva que caiu a montante. E tamb\u00e9m n\u00e3o se podem abrir as comportas s\u00f3 por se pensar que vai haver uma cheia. E se n\u00e3o aparecer? A\u00ed n\u00e3o haver\u00e1 \u00e1gua durante a esta\u00e7\u00e3o seca.\u201d <\/p>\n<p>Segundo Pyke, a \u00c1frica do Sul desenvolveu modelos de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos que partilha com as outras bacias hidrogr\u00e1ficas da regi\u00e3o. \u201cEstes modelos ajudam a prever o que \u00e9 que est\u00e1 a acontecer na bacia.\u201d <\/p>\n<p>Estas previs\u00f5es podem ajudar as autoridades a planear a sua actua\u00e7\u00e3o no caso de haver qualquer imin\u00eancia de inunda\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>\u201cDevido ao nosso ambiente \u00e1rido, nunca poderemos eliminar completamente as cheias. As autoridades respons\u00e1veis pelos recursos h\u00eddricos na regi\u00e3o ter\u00e3o sempre de encontrar um equil\u00edbrio entre manter as barragens o mais cheias poss\u00edvel durante a esta\u00e7\u00e3o seca ou permitir o escoamento da \u00e1gua.\u201d <\/p>\n<p>\u201cO controlo efectivo das inunda\u00e7\u00f5es pode manter as barragens t\u00e3o vazias quanto poss\u00edvel. Mas isso n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o visto que, no final das inunda\u00e7\u00f5es, precisamos de ter as barragens cheias. Por isso, temos de gerir o escoamento cuidadosamente, usando as diversas barragens para nivelar as enchentes de \u00e1gua e evitar que elas se transformem em enormes inunda\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WINDHOEK, 21\/02\/2011 &ndash; Uma d\u00e9cada depois de fortes inunda\u00e7\u00f5es terem causado grandes estragos na \u00c1frica Austral, a regi\u00e3o est\u00e1 mais bem preparada para monitorizar e responder \u00e0s cheias sazonais. Esta situa\u00e7\u00e3o deve-se tanto \u00e0 for\u00e7a crescente das institui\u00e7\u00f5es transfronteiri\u00e7as como ao aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/africa\/africa-austral-juntos-contra-a-subida-da-agua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":186,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-7842","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/186"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7842\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}