{"id":7843,"date":"2011-02-21T14:19:36","date_gmt":"2011-02-21T14:19:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7843"},"modified":"2011-02-21T14:19:36","modified_gmt":"2011-02-21T14:19:36","slug":"africa-austral-conseguir-agua-potavel-para-mais-nm-milhao-de-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/africa\/africa-austral-conseguir-agua-potavel-para-mais-nm-milhao-de-pessoas\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA AUSTRAL: Conseguir \u00e1gua pot\u00e1vel para mais nm milh\u00e3o de pessoas"},"content":{"rendered":"<p>WINDHOEK, 21\/02\/2011 &ndash; Longos anos de conflito armado causaram entraves ao desenvolvimento em ambos os lados da fronteira de Angola e da Nam\u00edbia. Agora, obras no valor de 45 milh\u00f5es de dol\u00e1res, visando o melhoramento de infra-estruturas, dever\u00e3o melhorar o acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel e a saneamento adequado para um milh\u00e3o de pessoas. <!--more--> A maior parte das pessoas nesta zona de conflito n\u00e3o tem acesso adequado a \u00e1gua pot\u00e1vel e a saneamento. O sistema de abastecimento de \u00e1gua existente \u2013 v\u00e1rias centenas de quil\u00f3metros de canaliza\u00e7\u00e3o e um canal aberto \u2013 foi danificado devido a d\u00e9cadas de guerra civil e \u00e0 extrac\u00e7\u00e3o ilegal de \u00e1gua. <\/p>\n<p>\u201cDurante muitos anos, a \u00e1rea em redor da barragem de Calueque em Angola foi palco de guerras entre o governo e diversos movimentos de guerrilha,\u201d afirma o co-presidente do Projecto Transfronteiri\u00e7o de Abastecimento de \u00c1gua do Kunene, Dr. Kuiri Tjipangandjara, da Empresa de Abastecimento de \u00c1gua da Nam\u00edbia, a Namwater.<\/p>\n<p>\u201cConstruir um projecto destes numa zona p\u00f3s-conflito \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o especial e extremamente exigente. Ainda mais porque este projecto \u00e9o \u00fanico deste tipo na regi\u00e3o e, portanto, n\u00e3o temos um modelo de refer\u00eancia.\u201d <\/p>\n<p>O sistema atravessa a barragem de Calueque no sul de Angola at\u00e9 ao centro comercial de Oshakati,no norte da Nam\u00edbia, regressando novamente a Angola at\u00e9 \u00e0cidade de Ondjiva. <\/p>\n<p>A extrac\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do Rio Cunene em Angola \u00e9 vital para a zona fronteiri\u00e7a \u00e1rida e fornece \u00e1gua para a agricultura e alguma ind\u00fastria e ainda para consumo dom\u00e9stico para mais de um milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>O abastecimento de \u00e1gua no lado angolano ainda ret\u00e9m as cicatrizes de uma guerra civil devastadora e o seu passado colonial. <\/p>\n<p>\u201cDurante a ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa, escavavam-se buracos com 50 por 60 metros para captar as \u00e1guas das cheias. Estes buracos, denominados chimpacas, continuam a ser a principal fonte de \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o,\u201d afirma Thomas Kellner, assessor t\u00e9cnico da GIZ (Coopera\u00e7\u00e3o Internacional Alem\u00e3), que vai ajudar os engenheiros locais na remodela\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas estas lagoas est\u00e3olonge de ser seguras. <\/p>\n<p>\u201cO gado bebe \u00e1gua nas chimpacas mas a 25 metros de dist\u00e2ncia v\u00eaem-se pessoas a tomar banho e a lavar roupa nessa \u00e1gua enquanto que, do outro lado, as pessoas extraiem \u00e1gua para beber. A \u00e1gua tem uma cor castanho-avermelhada mas, v\u00e1rios meses depois da \u00e9poca das chuvas, a \u00e1gua fica verde, porque est\u00e1 cheia de algas.\u201d <\/p>\n<p>Esta regi\u00e3o de Angola n\u00e3o tem \u00e1gua canalizada nem esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1guas residuais ou sistemas de esgotos. Embora os n\u00edveis de doen\u00e7as transmitidas pela \u00e1gua n\u00e3o estejam bem documentados, os especialistas sublinham que a mortalidade infantil \u00e9 bastante superior \u00e0 m\u00e9dia africana. <\/p>\n<p>Nas poucas cidades da regi\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito melhor, diz Kellner. \u201cUma pessoa com um po\u00e7o pode fazer dinheiro. Vai conduzindo um autotanque e vende a \u00e1gua a 20 dol\u00e1res por metro c\u00fabico. <\/p>\n<p>Nalgumas \u00e1reas, as autoridades locais exploram os campos de po\u00e7os \u2013 um conjunto de po\u00e7os \u2013 de onde bombeiam \u00e1gua para tanques p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Mas muitos dos po\u00e7os est\u00e3o velhos e delapidados. Angola iniciou um programa designado \u2018\u00c1gua Para Todos\u2019, cujo objectivo \u00e9 a reabilita\u00e7\u00e3o de 524 po\u00e7os na prov\u00edncia do Cunene e a perfura\u00e7\u00e3o de mais de 600 novos po\u00e7os. <\/p>\n<p>Na Nam\u00edbia, a \u00e1gua do Calueque corre por um canal aberto de 150 quil\u00f3metros desde a fronteira angolana at\u00e9 Oshakati, onde \u00e9 tratada e bombeada em rede para todas as principais comunidades entre Oshakati e para o posto fronteiri\u00e7o de Oshikango. O canal \u00e9 a \u00fanica fonte de \u00e1gua pot\u00e1vel para mais de 700.000 pessoas e, muitas vezes, \u00e9 danificado pelas cheias e pela extrac\u00e7\u00e3o ilegal. <\/p>\n<p>Muitas pessoas ao longo do canal usam a \u00e1gua para fins dom\u00e9sticos ou para irrigar os campos,\u201d explica o especialista de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, Andreas Shilomboleni, que dirige um projecto financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente Global, que ajuda os agricultores da zona a adaptarem-se \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. <\/p>\n<p>\u201cMas actualmente o canal est\u00e1 aberto. Isso quer dizer que, quanto mais longe se estiver da nascente, maior ser\u00e1 a quantidade dos s\u00f3lidos dissolvidos totais, o que basicamente significa que a \u00e1gua est\u00e1 mais suja.\u201d <\/p>\n<p>A rota seguida pela vala de dois metros revestida de bet\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ideal. <\/p>\n<p>\u201cNa Nam\u00edbia, o canal n\u00e3o \u00e9 perpendicular ao fluxo da \u00e1gua na \u00e9poca das chuvas. As \u00e1guas das cheias causam estragos no canal, traduzindo-se em problemas de manuten\u00e7\u00e3o,\u201d diz Shilomboleni. O canal rapidamente se enche com sedimentos quando as \u00e1guas das cheias o atravessam. <\/p>\n<p>Ao longo do canal as pessoas habituaram-se a extrair \u00e1gua ilegalmente para consumo dom\u00e9stico e irriga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Estes s\u00e3o alguns dos muitos desafios que o Projecto Transfronteiri\u00e7o de Abastecimento de \u00c1gua do Kunene ter\u00e1 de levar em considera\u00e7\u00e3o quando iniciar a renova\u00e7\u00e3o completa das infra-estruturas h\u00eddricas na zona fronteiri\u00e7a.<\/p>\n<p>O projecto envolve repara\u00e7\u00f5es substanciais das infra-estruturas na barragem e nas condutas, o melhoramento do abastecimento de energia el\u00e9ctrica para os motores que bombeiam a \u00e1gua para o sul e a remodela\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias bombas. Construir-se-\u00e3o condutas adicionais para fornecer \u00e1gua pot\u00e1vel a Ondjiva e edificar-se-\u00e3o novas linhas de transmiss\u00e3o de energia ao longo de muitas centenas de quil\u00f3metros para alimentar as novas instala\u00e7\u00f5es de bombas. <\/p>\n<p>\u201cPela primeira vez, cerca de 300.000 pessoas no sul de Angola v\u00e3o ter acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel segura,\u201d diz Kellner. <\/p>\n<p>O passo final ser\u00e1 a substitui\u00e7\u00e3o do canal aberto na Nam\u00edbia por uma conduta. Um estudo de viabilidade sobre este projecto \u2013 que, segundo Kellner, ir\u00e1 custar 100 milh\u00f5es de dol\u00e1res \u2013provavelmente ter\u00e1 in\u00edcio ainda este ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WINDHOEK, 21\/02\/2011 &ndash; Longos anos de conflito armado causaram entraves ao desenvolvimento em ambos os lados da fronteira de Angola e da Nam\u00edbia. Agora, obras no valor de 45 milh\u00f5es de dol\u00e1res, visando o melhoramento de infra-estruturas, dever\u00e3o melhorar o acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel e a saneamento adequado para um milh\u00e3o de pessoas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/africa\/africa-austral-conseguir-agua-potavel-para-mais-nm-milhao-de-pessoas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":186,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-7843","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/186"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7843\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}