{"id":7846,"date":"2011-02-22T13:12:11","date_gmt":"2011-02-22T13:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7846"},"modified":"2011-02-22T13:12:11","modified_gmt":"2011-02-22T13:12:11","slug":"destaques-agrocombustiveis-a-polemica-se-instala-na-america-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/america-latina\/destaques-agrocombustiveis-a-polemica-se-instala-na-america-central\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Agrocombust\u00edveis: a pol\u00eamica se instala na Am\u00e9rica Central"},"content":{"rendered":"<p>CIDADE DA GUATEMALA, Guatemala, 22\/02\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Seguindo o caminho hist\u00f3rico da banana, a cana-de-a\u00e7\u00facar e a palma ganham impulso como monoculturas industriais na Am\u00e9rica Central.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7846\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/514_campesinos_guatemaltecos_siembran_palma_africana_Laura_Hurtado_Action_Aid_Guatemala.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7846\" class=\"size-medium wp-image-7846\" title=\"Camponeses plantam palma africana no munic\u00edpio de Fray Bartolom\u00e9 de las Casas, no departamento de Alta Verapaz, no Norte - Laura Hurtado\/Cortesia ActionAid Guatemala\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/514_campesinos_guatemaltecos_siembran_palma_africana_Laura_Hurtado_Action_Aid_Guatemala.jpg\" alt=\"Camponeses plantam palma africana no munic\u00edpio de Fray Bartolom\u00e9 de las Casas, no departamento de Alta Verapaz, no Norte - Laura Hurtado\/Cortesia ActionAid Guatemala\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7846\" class=\"wp-caption-text\">Camponeses plantam palma africana no munic\u00edpio de Fray Bartolom\u00e9 de las Casas, no departamento de Alta Verapaz, no Norte - Laura Hurtado\/Cortesia ActionAid Guatemala<\/p><\/div>  Cresce a pol\u00eamica na Am\u00e9rica Central sobre o verdadeiro alcance da expans\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es industriais em \u00e1reas florestais ou dedicadas \u00e0 cultura de subsist\u00eancia e seu impacto na fraca fonte de alimentos da popula\u00e7\u00e3o rural. \u201cH\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da \u00e1rea destinada ao plantio de cultivos b\u00e1sicos porque, quando os camponeses vendem suas terras, deixam de cultiv\u00e1-las. E o impacto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre a fam\u00edlia que perdeu sua terra ou a vendeu, mas em tr\u00eas ou quatro que as arrendavam\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a ativista Laura Hurtado, da n\u00e3o governamental ActionAid Guatemala.<\/p>\n<p>Neste pa\u00eds, que tem metade de seus 14 milh\u00f5es de habitantes na pobreza e 17% na indig\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o rural subsiste plantando milho, feij\u00e3o e hortali\u00e7as. E \u201cgrandes agroempres\u00e1rios est\u00e3o comprando enormes extens\u00f5es de terras para plantar cana-de-a\u00e7\u00facar e palma africana, o que amea\u00e7a os meios de subsist\u00eancia dessas fam\u00edlias\u201d, acrescentou Laura. O maior cultivo da Guatemala depois do caf\u00e9 \u00e9 o da cana-de-a\u00e7\u00facar, com 28,4% da superf\u00edcie com planta\u00e7\u00f5es permanentes, segundo o \u00faltimo Censo Nacional Agropecu\u00e1rio, de 2003. Al\u00e9m disto, at\u00e9 40% da superf\u00edcie agr\u00edcola est\u00e1 apta para este cultivo.<\/p>\n<p>A palma \u00e9 o quinto cultivo permanente, com 4,7% da \u00e1rea plantada, e o potencial para sua expans\u00e3o \u00e9 de 40%, diz o informe \u201cCana-de-a\u00e7\u00facar e palma africana: combust\u00edveis para um novo ciclo de ac\u00famulo e dom\u00ednio na Guatemala\u201d, publicado em 2008 por v\u00e1rias entidades n\u00e3o governamentais. A \u00e1rea de cana passou de 84 mil hectares em 1985 para 220 mil em 2009, sobretudo na costa Sul, enquanto a palma tinha, em 2008, 56 mil hectares no Norte e Nordeste, e para esse mesmo ano se planejava somar outros 11 mil hectares, segundo o estudo da ActionAid intitulado \u201cO mercado dos agrocombust\u00edveis: destino da produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar e palma africana da Guatemala\u201d, publicado em 2010.<\/p>\n<p>As empresas respons\u00e1veis cresceram adquirindo terras frequentemente mediante coa\u00e7\u00e3o contra os camponeses, os quais \u201cdepois devem viver com um sal\u00e1rio e sem acesso a recursos como \u00e1gua, lenha e outros produtos florestais\u201d, disse Laura. Ov\u00eddio P\u00e9rez, do Centro Guatemalteco de Pesquisa e Capacita\u00e7\u00e3o da Cana-de-A\u00e7\u00facar, disse que este cultivo se concentra no Sul, em \u00e1reas j\u00e1 degradadas pelo gado ou por outras monoculturas, como o algod\u00e3o. Por isso, \u201cn\u00e3o est\u00e1 se deslocando nem afetando o meio ambiente\u201d, disse ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>Mais do que amea\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar das fam\u00edlias, a cana fornece emprego para milhares de pessoas, acrescentou Ov\u00eddio. \u201cN\u00e3o creio que haja outro cultivo que gere aqui tantas fontes de trabalho e desenvolvimento para as comunidades\u201d, destacou. Outro informe da Actionaid, \u201cPlanta\u00e7\u00f5es para agrocombust\u00edvies e a perda de terra para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos na Guatemala\u201d, de 2008, exp\u00f5e exemplos em mat\u00e9ria de concentra\u00e7\u00e3o de terras, como a fazenda San Rom\u00e1n, no munic\u00edpio de Sayaxch\u00e9, no departamento de Pet\u00e9n, no Norte.<\/p>\n<p>Essa propriedade de 90 mil hectares foi ocupada a partir de 1978 por refugiados da guerra interna (1960 1996), que deixou 200 mil mortos e desaparecidos. Terminado o conflito e ap\u00f3s longo processo de legaliza\u00e7\u00e3o, o Fundo Nacional de Terras entregou em 2001 t\u00edtulos de propriedade a 2.113 fam\u00edlias. No entanto, os interessados em comprar terras \u201ccompareciam \u00e0 entrega dos t\u00edtulos para oferecer dinheiro aos camponeses em troca das escrituras. Em junho de 2008, 60% da fazenda estava nas m\u00e3os dos empres\u00e1rios da palma\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>Em Honduras, camponeses e ativistas reiteram a queixa. \u201cEnquanto a palma e a cana prosperam, a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os b\u00e1sicos caiu, ao ponto de o pa\u00eds ser obrigado a importar milho e feij\u00e3o\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a dirigente Miriam Miranda, da Organiza\u00e7\u00e3o Fraternal Negra Hondurenha, que aglutina as 46 comunidades gar\u00edfunas do pa\u00eds. \u201cNo come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, eram 40 mil hectares de palma africana, e hoje s\u00e3o 120 mil\u201d, concentrados no Norte, no Vale del Agu\u00e1n, e no departamento de Cort\u00e9s, acrescentou.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bem vista pelos gar\u00edfunas, uma etnia nascida da mescla de nativos e africanos, que viveu na primeira metade do S\u00e9culo 20 o auge e a queda das planta\u00e7\u00f5es de banana. A expans\u00e3o da palma causa perda do \u201ch\u00e1bitat funcional\u201d desses povos, que subsistem da planta\u00e7\u00e3o de mandioca amarga e outros cultivos. Na vizinha Nicar\u00e1gua, \u201ca monocultura de palma se converteu em uma das principais amea\u00e7as aos recursos naturais\u201d, queixou-se o ambientalista Sa\u00fal Obreg\u00f3n, da Funda\u00e7\u00e3o do Rio.<\/p>\n<p>Em El Castillo, uma reserva biol\u00f3gica \u00e0s margens do Rio San Juan, uma empresa teve autoriza\u00e7\u00e3o para plantar palma em 3.200 hectares, mas se estendeu para mais de seis mil, disse Sa\u00fal ao Terram\u00e9rica. \u201cCada vez que esta empresa compra uma fazenda, contribui para que a fam\u00edlia que a vende compre novas propriedades no n\u00facleo da reserva ou que deixe de produzir alimentos e seus membros se convertam em pe\u00f5es agr\u00edcolas\u201d, afirmou. \u201cEm 2009, a vegeta\u00e7\u00e3o florestal caiu at\u00e9 60%. Enquanto isso, a palma africana aumentava 92%, entre 2002 e 2009\u201d, afirma o informe divulgado em setembro de 2010 pela Funda\u00e7\u00e3o do Rio.<\/p>\n<p>A\u00edda Lorenzo, da Associa\u00e7\u00e3o de Combust\u00edveis Renov\u00e1veis da Guatemala, respondeu que \u201cexiste muita desinforma\u00e7\u00e3o\u201d sobre os biocombust\u00edveis, a cana e a palma. Neste pa\u00eds, \u201ccom a palma africana n\u00e3o se produz biodiesel, mas \u00f3leo vegetal\u201d, explicou. Quase metade da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 usada na ind\u00fastria alimentar nacional e o restante \u00e9 exportado. Al\u00e9m disso, \u201cn\u00e3o dever\u00edamos plantar mais cana para produzir etanol. A totalidade da cana \u00e9 usada para produzir a\u00e7\u00facar, na Guatemala\u201d, que \u00e9 o quinto exportador mundial, enquanto o \u00e1lcool \u00e9 obtido do mela\u00e7o, subproduto do refino do a\u00e7\u00facar, ressaltou.<\/p>\n<p>Cinco destilarias produzem 180 milh\u00f5es de litros de \u00e1lcool, exportados em mais de 90%, segundo dados da ind\u00fastria do setor. Em 2008, mais de 74% foram para usos industriais e 25% foram usados como \u00e1lcool combust\u00edvel. Os principais mercados s\u00e3o Uni\u00e3o Europeia e Estados Unidos, diz estudo da ActionAid. Gra\u00e7as ao Sistema Generalizado de Prefer\u00eancias Plus da Uni\u00e3o Europeia, a Guatemala vende seu etanol livre de tarifa alfandeg\u00e1ria ao bloco desde 2006.<\/p>\n<p>Se este pa\u00eds misturasse etanol \u00e0 gasolina na propor\u00e7\u00e3o de 10%, \u201cpoderia economizar US$ 67 milh\u00f5es ao ano\u201d em combust\u00edveis f\u00f3sseis importados. \u201cIsto \u00e9 o que promovemos, porque tamb\u00e9m diminui as emiss\u00f5es\u201d de gases que esquentem a atmosfera, disse A\u00edda. Para Ricardo Navarro, diretor da Amigos da Terra El Salvador, os agrocombust\u00edveis tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o ambiental. Embora sua combust\u00e3o libere menos gases do que a gasolina, \u201cpara produzir etanol s\u00e3o necess\u00e1rios muitos insumos que demandam combust\u00edveis f\u00f3sseis, e frequentemente, para produzir um agrocombust\u00edvel, antes uma selva \u00e9 destru\u00edda\u201d.<\/p>\n<p>* * O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CIDADE DA GUATEMALA, Guatemala, 22\/02\/2011 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Seguindo o caminho hist\u00f3rico da banana, a cana-de-a\u00e7\u00facar e a palma ganham impulso como monoculturas industriais na Am\u00e9rica Central. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/america-latina\/destaques-agrocombustiveis-a-polemica-se-instala-na-america-central\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-7846","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7846\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}