{"id":7872,"date":"2011-02-28T14:38:27","date_gmt":"2011-02-28T14:38:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7872"},"modified":"2011-02-28T14:38:27","modified_gmt":"2011-02-28T14:38:27","slug":"educacao-feminina-e-a-chave-para-o-desenvolvimento-e-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/mundo\/educacao-feminina-e-a-chave-para-o-desenvolvimento-e-a-paz\/","title":{"rendered":"\u201cEduca\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 a chave para o desenvolvimento e a paz\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 28\/02\/2011 &ndash; \u00c9 necess\u00e1rio criar sensibilidade de g\u00eanero nas escolas, o que \u201csignifica romper estere\u00f3tipos e incentivar as meninas a terem aspira\u00e7\u00f5es e a procur\u00e1-las\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), Irina Bokova.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7872\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/87391.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7872\" class=\"size-medium wp-image-7872\" title=\"Irina Bokova. - UN Photo\/Mark Garten\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/87391.jpg\" alt=\"Irina Bokova. - UN Photo\/Mark Garten\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7872\" class=\"wp-caption-text\">Irina Bokova. - UN Photo\/Mark Garten<\/p><\/div>  A IPS conversou com a m\u00e1xima dirigente da Unesco na semana passada em Nova York, por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento oficial da ONU Mulheres, a nova Entidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Igualdade de G\u00eanero e o Poder das Mulheres.<\/p>\n<p>IPS: Quais s\u00e3o as prioridades mundiais da Unesco quanto a ajudar os Estados-membros da ONU a conseguirem educa\u00e7\u00e3o universal at\u00e9 2015, data limite para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio?<\/p>\n<p>IRINA BOKOVA: Como demonstra nosso \u201cInforme de acompanhamento da educa\u00e7\u00e3o para todos no mundo\u201d, que divulgaremos no dia 1\u00ba de mar\u00e7o, na \u00faltima d\u00e9cada houve avan\u00e7os impactantes. Cinquenta e dois milh\u00f5es adicionais de meninos e meninas se matricularam nas escolas prim\u00e1rias. E a quantidade dos que abandonaram a escola caiu pela metade na \u00c1sia meridional e ocidental. V\u00e1rios pa\u00edses que iniciaram a d\u00e9cada com grandes brechas de g\u00eanero conseguiram a igualdade de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Estes \u00eaxitos s\u00e3o resultado de um forte compromisso pol\u00edtico, um gasto interno sustentado em educa\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas que tornaram a educa\u00e7\u00e3o mais acess\u00edvel. Por\u00e9m, como adverte nosso informe anual, estes avan\u00e7os est\u00e3o diminuindo. Em nossos programas enfatizamos melhorar a contrata\u00e7\u00e3o de professores e as pol\u00edticas de capacita\u00e7\u00e3o, porque para alcan\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal at\u00e9 2015 s\u00e3o necess\u00e1rios 1,9 milh\u00e3o de professores. Tamb\u00e9m os centramos na alfabetiza\u00e7\u00e3o, porque cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas adultas s\u00e3o analfabetas, e nas habilidades para o mundo do trabalho, bem como em ajudar os governos a manejar seus sistemas educacionais. O maior desafio que os sistemas educacionais enfrentam \u00e9 chegar aos marginalizados, garantir que os estudantes adquiram conhecimentos e habilidades relevantes para abrir caminho no mundo globalizado de hoje, junto com valores e atitudes que promovam o di\u00e1logo, a cidadania respons\u00e1vel e a paz.<\/p>\n<p>IPS: Acredita que uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para as meninas pode ajudar a fortalecer a agenda internacional sobre desenvolvimento e paz?<\/p>\n<p>IB: A educa\u00e7\u00e3o de meninas e mulheres \u00e9 a chave para o desenvolvimento e a paz. O fato de dois ter\u00e7os de adultos iletrados serem mulheres reflete a injusti\u00e7a do desigual acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. As sociedades pagam um alto pre\u00e7o por isto. Um menino cuja m\u00e3e pode ler tem 50% mais de probabilidade de viver al\u00e9m dos cinco anos de idade. Na \u00c1frica subsaariana, estima-se que em 2008 poderiam ter sido salvos 1,8 milh\u00e3o de crian\u00e7as se suas m\u00e3es tivessem pelo menos o ensino secund\u00e1rio. As mulheres cuja instru\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do prim\u00e1rio t\u00eam cinco vezes mais probabilidade do que as analfabetas de estarem informadas sobre a preven\u00e7\u00e3o do HIV\/aids. A educa\u00e7\u00e3o proporciona uma voz, incentiva a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e aumenta as oportunidades de trabalho. N\u00e3o pode existir uma sociedade equitativa e justa sem se conseguir a igualdade de g\u00eanero, e isto come\u00e7a com a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>IPS: Quais s\u00e3o os desafios reais para as meninas irem \u00e0 escola? Trata-se de problemas pol\u00edticos, financeiros, sociais ou culturais?<\/p>\n<p>IB: \u00c9 preciso come\u00e7ar cedo. Em muitos pa\u00edses, nascer menina ainda pode significar exclus\u00e3o em termos educacionais. A pobreza \u00e9 o obst\u00e1culo n\u00famero um. Mas h\u00e1 outros de natureza mais social e cultural. Viver em uma \u00e1rea remota, pertencer a uma comunidade ind\u00edgena, falar um idioma minorit\u00e1rio ou ter uma defici\u00eancia faz com que as meninas corram riscos ainda maiores de exclus\u00e3o. Estes obst\u00e1culos n\u00e3o s\u00e3o irremov\u00edveis, e a experi\u00eancia demonstra isso. De Bangladesh ao Senegal, muitos pa\u00edses que come\u00e7aram de baixo conseguiram a igualdade de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. O primeiro passo \u00e9 abolir as matriculas e garantir que n\u00e3o haja custos ocultos, como livros ou uniformes, que impedem que as meninas frequentem a escola. Os subs\u00eddios financeiros \u00e0s fam\u00edlias mais pobres e programas de bolsas de estudo, s\u00e3o pol\u00edticas que permitem \u00e0s meninas completarem com \u00eaxito sua escolaridade. Os programas voltados aos menores (abaixo de seis anos) s\u00e3o particularmente efetivos para combater a desigualdade. Contratar e capacitar professoras tem um impacto no desempenho escolar, especialmente em pa\u00edses pobres. Onde realmente devemos fazer mais esfor\u00e7os concertados \u00e9 no n\u00edvel secund\u00e1rio, porque as meninas t\u00eam mais probabilidades de abandon\u00e1-lo do que os homens, por v\u00e1rios motivos. O custo da escola \u00e9 um, e h\u00e1 tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00f5es sobre seguran\u00e7a, higiene e longas dist\u00e2ncias a percorrer para ir e voltar da escola. Por fim, temos que criar uma cultura sens\u00edvel ao g\u00eanero nas escolas. Isto significa romper estere\u00f3tipos e incentivar as meninas a terem aspira\u00e7\u00f5es e irem atr\u00e1s delas.<\/p>\n<p>IPS: A falta de educa\u00e7\u00e3o \u00e9, claramente, um dos custos ocultos dos conflitos e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>IB: O relat\u00f3rio que divulgaremos amanh\u00e3 documenta as devastadoras consequ\u00eancias dos conflitos armados sobre a educa\u00e7\u00e3o. A alarmante situa\u00e7\u00e3o exige uma resposta mundial forte e concertada. Devemos abordar as falhas de prote\u00e7\u00e3o controlando e informando melhor os ataques contra os sistemas educacionais e sancionando estas atrozes viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos. Este informe se centra em prioridades erradas. Atualmente, 21 pa\u00edses em desenvolvimento gastam mais em armas do que em escolas prim\u00e1rias. Se reduzirem esses gastos militares, poder\u00e3o fazer com que 9,5 milh\u00f5es a mais de meninos e meninas frequentem a escola. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 28\/02\/2011 &ndash; \u00c9 necess\u00e1rio criar sensibilidade de g\u00eanero nas escolas, o que \u201csignifica romper estere\u00f3tipos e incentivar as meninas a terem aspira\u00e7\u00f5es e a procur\u00e1-las\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), Irina Bokova. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/02\/mundo\/educacao-feminina-e-a-chave-para-o-desenvolvimento-e-a-paz\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":978,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-7872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/978"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}