{"id":7887,"date":"2011-03-01T14:13:57","date_gmt":"2011-03-01T14:13:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7887"},"modified":"2011-03-01T14:13:57","modified_gmt":"2011-03-01T14:13:57","slug":"em-busca-de-uma-revolucao-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/africa\/em-busca-de-uma-revolucao-africana\/","title":{"rendered":"Em busca de uma revolu\u00e7\u00e3o africana"},"content":{"rendered":"<p>Durban, \u00c1frica do Sul (IPS\/Al Jazeera), 01\/03\/2011 &ndash; Os protestos no Oriente M\u00e9dio s\u00f3 s\u00e3o interrompidos quando chega a hora da ora\u00e7\u00e3o, com os manifestantes mu\u00e7ulmanos se ajoelhando sobre seus tapetes baratos enquanto a pol\u00edcia antimotins faz uma pausa para tomar ch\u00e1. <!--more--> Enquanto isso, na \u00c1frica negra \u2013 mas longe das c\u00e2meras \u2013 n\u00e3o faltam sinais de instabilidade pol\u00edtico e social. A crise na \u00c1frica subsaariana n\u00e3o atrai a aten\u00e7\u00e3o dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o como as revoltas populares no Norte do continente e no Oriente M\u00e9dio, embora se deva a condi\u00e7\u00f5es semelhantes de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo observa o desenvolvimento dos acontecimentos no Egito por sua import\u00e2ncia para o Oriente M\u00e9dio, embora seus bancos se alimentem da \u00c1frica central. Poucos parecem lembrar que o Egito fica na \u00c1frica, um continente com milhares de milh\u00f5es de habitantes, a maioria vivendo sob regimes desp\u00f3ticos, sofrendo dificuldades econ\u00f4micas e sem direitos pol\u00edticos, nem mais nem menos que seus vizinhos eg\u00edpcios.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o deve ser apoiada a tentativa do Norte de dividir os pa\u00edses do Norte da \u00c1frica do resto do continente\u201d, disse Firoze Manji, editor do Pambazuka Online, um site dedicado a promover a justi\u00e7a social neste continente. \u201cSuas hist\u00f3rias est\u00e3o unidas h\u00e1 mil\u00eanios. Alguns eg\u00edpcios podem n\u00e3o se sentir africanos, mas isso nada muda. S\u00e3o parte da heran\u00e7a continental\u201d, afirmou. Como em outras partes do mundo, os africanos acompanham o que ocorre no Norte do continente com grande interesse. E tamb\u00e9m \u201cse inspiram para suas pr\u00f3prias lutas\u201d, ressaltou Firoze.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o e a consequente liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica fizeram com que as popula\u00e7\u00f5es do Sul compartilhassem experi\u00eancias muito similares, insistiu Firoze. Esses problemas que compartilham s\u00e3o \u201cmaior empobrecimento, crescente desemprego, limitadas possibilidades de cobrar seus governantes, menos renda para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, crescente concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e, portanto, despojo, e a disposi\u00e7\u00e3o dos governos para cumprir os desejos pol\u00edticos e econ\u00f4micos do Norte\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Tampouco h\u00e1 semelhan\u00e7as entre os governantes. \u201cPeguemos o Gab\u00e3o, pa\u00eds exportador de petr\u00f3leo com uma tr\u00e1gica falta de desenvolvimento e cujo produto interno bruto por habitante \u00e9 mais do que o dobro do eg\u00edpcio, com uma popula\u00e7\u00e3o que subsiste com sal\u00e1rios que fazem o Egito parecer a terra do pleno emprego\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cA fam\u00edlia Bongo governou esse pa\u00eds h\u00e1 quatro d\u00e9cadas, antes que Mubarak pudesse lidar com algo maior que n\u00e3o fosse um avi\u00e3o da for\u00e7a a\u00e9rea, e ainda continuam ali\u201d, disse Drew Hinshaw, jornalista norte-americano que vive na \u00c1frica oriental. \u201c\u00c9 compreens\u00edvel que a oposi\u00e7\u00e3o do Gab\u00e3o promova uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es ao ver o que aconteceu no Egito e na Tun\u00edsia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No Sul tamb\u00e9m \u201ch\u00e1 muitos africanos jovens e desempregados que n\u00e3o t\u00eam perspectivas de futuro e que s\u00e3o governados por elites pol\u00edticas que controlam seus pa\u00edses h\u00e1 25, 30 ou 35 anos\u201d, disse Scott Baldauf, editor-chefe do Christian Science Monitor. \u201cOs mesmos problemas do Egito est\u00e3o presentes no Sul. H\u00e1 governantes que ostentam o poder h\u00e1 d\u00e9cadas e acreditam que o pa\u00eds s\u00f3 pode funcionar com eles\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A agita\u00e7\u00e3o e o descontentamento n\u00e3o s\u00e3o alheios aos africanos. Os protestos e a consequente repress\u00e3o s\u00e3o moeda corrente em alguns regimes opressivos do continente. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos houve violentos protestos na \u00c1frica do Sul e dist\u00farbios por causa do pre\u00e7o dos alimentos em Camar\u00f5es, Madagascar, Mo\u00e7ambique e Senegal. Contudo, \u00e9 imposs\u00edvel saber se a crescente insatisfa\u00e7\u00e3o derivar\u00e1 em manifesta\u00e7\u00f5es do teor das de Egito, L\u00edbia ou Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>\u201cA mesma madeira seca da m\u00e1 governan\u00e7a existe em muitos pa\u00edses africanos \u00e0 espera de um f\u00f3sforo que a acenda\u201d, disse Scott. \u201cNo entanto, \u00e9 preciso lideran\u00e7a e organiza\u00e7\u00e3o social\u201d, uma vari\u00e1vel que, segundo ele, n\u00e3o existe nos pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana. A diferen\u00e7a entre o \u00eaxito dos protestos no Norte da \u00c1frica e as do Sul do Saara pode ser a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica das duas regi\u00f5es, disse Emmanuel Kisiangani, pesquisador do Programa de Preven\u00e7\u00e3o de Conflitos Africanos do Instituto de Estudos de Seguran\u00e7a, da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>\u201cNa maioria dos pa\u00edses onde os protestos conseguiram a mudan\u00e7a, as sociedades s\u00e3o bastante homog\u00eaneas em compara\u00e7\u00e3o com as da \u00c1frica subsaariana, onde h\u00e1 m\u00faltiplas etnias com seus pr\u00f3prios problemas\u201d, explicou Emmanuel. \u201cNo Sul, onde os governos puderam dividir as pessoas por sua origem \u00e9tnica, \u00e9 mais f\u00e1cil apropriar-se de uma rebeli\u00e3o, o que n\u00e3o acontece no Norte da \u00c1frica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um ano importante para a \u00c1frica. Est\u00e3o previstas elei\u00e7\u00f5es em mais de 20 pa\u00edses do continente, entre eles Nig\u00e9ria e Zimb\u00e1bue. Com o aumento do pre\u00e7o dos alimentos e as dificuldades econ\u00f4micas que a regi\u00e3o sofre, \u00e9 poss\u00edvel imaginar os africanos se rebelando, abandonando as elei\u00e7\u00f5es e recorrendo a outros m\u00e9todos para remover seus governantes do poder.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas querem a democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade, da produ\u00e7\u00e3o, da economia e, de fato, de todos os aspectos da vida\u201d, insistiu Firoze. \u201cPor outro lado, s\u00e3o oferecidas as urnas. As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o atendem os grandes problemas das pessoas nem permitem por si s\u00f3 que as pessoas possam determinar seus destinos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Isso se deve ao fato de \u201co processo de democratiza\u00e7\u00e3o em muitos pa\u00edses africanos ser mais ilus\u00f3rio do que substancial\u201d, explicou Emmanuel. \u201cOs protestos criaram a esperan\u00e7a de que as pessoas comuns podem forjar seu pr\u00f3prio destino pol\u00edtico. As revoltas populares deixam os africanos mais conscientes de sua capacidade para definir seu pr\u00f3prio destino pol\u00edtico\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>*Publicado sob acordo com a Al-Jazeera<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durban, \u00c1frica do Sul (IPS\/Al Jazeera), 01\/03\/2011 &ndash; Os protestos no Oriente M\u00e9dio s\u00f3 s\u00e3o interrompidos quando chega a hora da ora\u00e7\u00e3o, com os manifestantes mu\u00e7ulmanos se ajoelhando sobre seus tapetes baratos enquanto a pol\u00edcia antimotins faz uma pausa para tomar ch\u00e1. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/africa\/em-busca-de-uma-revolucao-africana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1063,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[28],"class_list":["post-7887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica","tag-africa-do-sul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1063"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}