{"id":7899,"date":"2011-03-04T16:02:23","date_gmt":"2011-03-04T16:02:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=7899"},"modified":"2011-03-04T16:02:23","modified_gmt":"2011-03-04T16:02:23","slug":"muitas-cientistas-brasileiras-poucas-na-chefia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/america-latina\/muitas-cientistas-brasileiras-poucas-na-chefia\/","title":{"rendered":"Muitas cientistas brasileiras, poucas na chefia"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 04\/03\/2011 &ndash; A quantidade de mulheres cientistas quase se equipara \u00e0 dos homens no Brasil. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica do laborat\u00f3rio ou na vida acad\u00eamica enfrentam sutis barreiras que as impedem de ter as mesmas oportunidades de carreira ou igualdade salarial.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_7899\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/87615.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7899\" class=\"size-medium wp-image-7899\" title=\"Crian\u00e7as brasileiras aprendem a se interessar por ci\u00eancias. - Cortesia da Sangari Brasil\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/87615.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as brasileiras aprendem a se interessar por ci\u00eancias. - Cortesia da Sangari Brasil\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7899\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as brasileiras aprendem a se interessar por ci\u00eancias. - Cortesia da Sangari Brasil<\/p><\/div>  Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), em 1993 as mulheres representavam 39% do total de pesquisadores cient\u00edficos, e agora s\u00e3o 49%. Contudo, quando se trata de chefias de laborat\u00f3rios, essa porcentagem cai para 45%, e mais ainda em cargos superiores.<\/p>\n<p>\u201cDe forma geral, o n\u00famero de mulheres cresce de maneira cont\u00ednua na ci\u00eancia brasileira\u201d, disse \u00e0 IPS Jacqueline Leta, especialista na situa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero na ci\u00eancia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com dados do censo de 2008, o estudo diz que havia nos laborat\u00f3rios 60.291 homens e 57.662 mulheres. Entretanto, a situa\u00e7\u00e3o varia quando se analisa cada \u00e1rea, esclarece Jacqueline, que integra o Programa de Educa\u00e7\u00e3o, Gest\u00e3o e Difus\u00e3o em Ci\u00eancias do Instituto de Bioqu\u00edmica M\u00e9dica da UFRJ.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a \u00e9 maior nas \u00e1reas de sa\u00fade e biologia. H\u00e1 casos emblem\u00e1ticos como o da renomada geneticista Maiana Zats, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). A gen\u00e9tica \u00e9 um setor onde as mulheres s\u00e3o maioria, segundo o CNPq, com 1.049 pesquisadoras contra 976 homens. E a presen\u00e7a feminina cai em \u00e1reas como pesquisa em engenharia, onde a propor\u00e7\u00e3o de mulheres \u00e9 4.151 para 15.203 homens.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m escolhe uma carreira dez dias antes de prestar o vestibular\u201d, disse Jacqueline ao atribuir essa decis\u00e3o a \u201canos de influ\u00eancia cultural, do pai e da m\u00e3e, do clube, do que \u00e9 divulgado na Internet e nos notici\u00e1rios\u201d, onde o avental branco e o microsc\u00f3pio s\u00e3o majoritariamente para os homens. S\u00e3o \u201ccomplexas e diversas influ\u00eancias que come\u00e7am por cenas remotas na inf\u00e2ncia, de meninas brincando com bonecas ou brincadeiras de costura, e homens, com videogames ou jogos de ci\u00eancias\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A f\u00edsica Belita Koiller diz que a mudan\u00e7a deve ser cultural, com os meios de comunica\u00e7\u00e3o mostrando mais mulheres cientistas e estimulando a aproxima\u00e7\u00e3o das meninas e das adolescentes aos laborat\u00f3rios. \u201cMuitas meninas que v\u00eam em visita com suas escolas ficam fascinadas e assustadas ao mesmo tempo ao verem mulheres em um laborat\u00f3rio\u201d, contou \u00e0 IPS. S\u00e3o mitos sexistas que se desfazem em casa, mas tamb\u00e9m na escola.<\/p>\n<p>Jorge Werthein, vice-presidente da Sangari Brasil, disse \u00e0 IPS que mitos como o de que \u201cas mulheres n\u00e3o t\u00eam cabe\u00e7a para ci\u00eancia\u201d s\u00e3o rebatidos pelos n\u00fameros. A Sangari \u00e9 uma empresa com sede na cidade de S\u00e3o Paulo que promove a ci\u00eancia desde a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, mediante m\u00e9todos e materiais did\u00e1ticos inovadores. Jorge tamb\u00e9m \u00e9 diretor do Instituto Sangari, dedicado a democratizar o acesso \u00e0 ci\u00eancia, e destacou que o Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes \u201cmostra pouqu\u00edssima diferen\u00e7a no desempenho entre meninos e meninas na \u00e1rea de ci\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>Jorge considera que a melhor pol\u00edtica de inclus\u00e3o \u201c\u00e9 a universaliza\u00e7\u00e3o da qualidade do ensino fundamental, para qualquer profissional de qualquer \u00e1rea, especialmente na de ci\u00eancias\u201d. Se dermos \u201ccondi\u00e7\u00f5es iguais para mulheres e homens, ter\u00e3o oportunidades iguais. Se as meninas tiverem acesso a uma educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de qualidade desde a inf\u00e2ncia, poder\u00e3o disputar o mercado de trabalho em melhores condi\u00e7\u00f5es\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u00c9 no mercado de trabalho e na concess\u00e3o de bolsas que come\u00e7am a se manifestar as diferen\u00e7as de g\u00eanero mais vis\u00edveis. Jacqueline disse que, no Brasil, de cada cem pessoas com doutorado, 54 s\u00e3o mulheres. Por\u00e9m, apenas 25% das bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o s\u00e3o concedidas a mulheres. Uma propor\u00e7\u00e3o que, por exemplo, se mant\u00e9m nos cargos de dire\u00e7\u00e3o da UFRJ, onde trabalha, embora metade dos docentes sejam mulheres.<\/p>\n<p>Beatriz Silveira Barbuy, renomada astrof\u00edsica brasileira, disse \u00e0 IPS que a situa\u00e7\u00e3o melhora gradualmente, mas que as jovens cientistas ainda t\u00eam problemas de g\u00eanero para pesquisar. \u201cAs mulheres, nas ci\u00eancias, s\u00e3o t\u00e3o capazes, ou mais, quanto os homens. E todas as que conhe\u00e7o s\u00e3o excepcionais\u201d, afirmou. No entanto, \u201cprecisam ser melhores do que os homens para serem reconhecidas\u201d, acrescentou Beatriz, especialista do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da USP. Ela reconhece que houve avan\u00e7os no tema, como a licen\u00e7a maternidade para bolsistas de mestrado e doutorado. Entretanto, destacou a dificuldade de compatibilizar os longu\u00edssimos hor\u00e1rios nos laborat\u00f3rios com a maternidade.<\/p>\n<p>Outra renomada cientista, a f\u00edsica Belita Koiller, ironizou dizendo que, para superar este problema, a mulher acaba por continuar dependente da fam\u00edlia e do marido tamb\u00e9m no laborat\u00f3rio. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria a sensibilidade do marido para que possa assumir e compartilhar tarefas como cuidar dos filhos\u201d, disse Belita, do Instituto de F\u00edsica da UFRJ. \u201cPrecisam de uma fam\u00edlia de alta qualidade\u201d para aceitar seus hor\u00e1rios, fun\u00e7\u00f5es e viagens, acrescentou Beatriz. Como as demais entrevistadas, Jacqueline destacou que \u201co momento de ascens\u00e3o na carreira\u201d ainda representa uma barreira, \u00e0s vezes sutil, mas real, para as cientistas.<\/p>\n<p>\u00c9 neste momento que procedimentos de \u201csenso comum\u201d s\u00e3o substitu\u00eddos por um sistema de \u201cmeritocracia\u201d que beneficia os homens. \u201cExistem diferen\u00e7as enormes. Cargos de maior hierarquia e poder ainda est\u00e3o nas m\u00e3os de pesquisadores\u201d, afirmou Jacqueline. A maioria dos cargos de dire\u00e7\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o de pesquisas ou concess\u00e3o de bolsas est\u00e1 nas m\u00e3os dos homens, e \u201cos homens acabam escolhendo homens\u201d, completou.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as tamb\u00e9m s\u00e3o salariais. No Brasil, de 80% a 90% dos pesquisadores est\u00e3o nas universidades, onde tamb\u00e9m s\u00e3o docentes, e nestas institui\u00e7\u00f5es a igualdade salarial \u00e9 regulamentada. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica a remunera\u00e7\u00e3o acaba sendo menor para as mulheres. Jacqueline atribuiu isso a dois fatores, como exist\u00eancia de pontua\u00e7\u00f5es adicionais, que aumentam os sal\u00e1rios b\u00e1sicos se, por exemplo, t\u00eam cargos de comiss\u00e3o ou dire\u00e7\u00e3o de unidade, majoritariamente controlados pelos homens.<\/p>\n<p>S\u00e3o barreiras que, como os mitos sexistas, a pesquisadora considera que precisam ser derrubados tamb\u00e9m em carreiras consideradas \u201cfemininas\u201d e com car\u00eancia de homens, como as ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o, nutri\u00e7\u00e3o e enfermagem. \u201cQuando h\u00e1 homens e mulheres atuando juntos s\u00e3o potencializadas a criatividade, a diversidade do pensamento e da a\u00e7\u00e3o. Ali teremos um ganho real. S\u00f3 a soma produz o progresso, e isso tamb\u00e9m na ci\u00eancia\u201d, concluiu Jacqueline.<\/p>\n<p>*Este artigo integra a cobertura da IPS pelo Dia Internacional da Mulher, 8 de mar\u00e7o, que este ano a ONU dedica ao tema \u201cIgualdade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o, \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 tecnologia. Caminho para o trabalho decente para as mulheres\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 04\/03\/2011 &ndash; A quantidade de mulheres cientistas quase se equipara \u00e0 dos homens no Brasil. 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