{"id":792,"date":"2005-07-13T00:00:00","date_gmt":"2005-07-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=792"},"modified":"2005-07-13T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-13T00:00:00","slug":"energia-gerador-termonuclear-gera-dvidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/energia-gerador-termonuclear-gera-dvidas\/","title":{"rendered":"Energia: Gerador termonuclear gera d&uacute;vidas"},"content":{"rendered":"<p>Paris, 13\/07\/2005 &ndash; A euforia depois da decis&atilde;o de construir na Fran&ccedil;a o Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER) parecer ter evaporado. Ficam d&uacute;vidas e temores se &eacute; fact&iacute;vel e sobre o custo de semelhante projeto. Trata-se de um plano piloto para introduzir uma nova tecnologia nuclear. Com o ITER se tentar&aacute; a fus&atilde;o dos is&oacute;topos de hidrog&ecirc;nio (o deut&eacute;rio, em abund&acirc;ncia na natureza, e o tr&iacute;tio, um is&oacute;topo sint&eacute;tico) para produzir h&eacute;lio com grande liberaliza&ccedil;&atilde;o de energia e assim gerar eletricidade. O projeto internacional &eacute; financiado por China, Cor&eacute;ia do Sul, Estados Unidos, Jap&atilde;o, R&uacute;ssia e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, com participa&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica. Prev&ecirc;-se que estar&aacute; funcionando at&eacute; 2016.<br \/> <!--more--> <br \/> Uma comiss&atilde;o formada por estes cinco pa&iacute;ses mais a UE decidiu no m&ecirc;s passado que o ITER fosse constru&iacute;do no centro de pesquisa nuclear de Cadarache, na regi&atilde;o sudeste francesa de Provence, a 900 quil&ocirc;metros de Paris. O presidente da Fran&ccedil;a, Jacques Chirac, disse que a decis&atilde;o foi um &quot;enorme &ecirc;xito&quot; para seu pa&iacute;s, porque o projeto &quot;abre o caminho para uma tecnologia essencial na busca de fontes alternativas de energia para enfrentar o aquecimento global&quot;. O aquecimento do planeta &eacute; causado pelas atividades humanas, segundo a grande maioria dos cientistas, sobretudo pelo efeito dos gases liberados pela combust&atilde;o de petr&oacute;leo, g&aacute;s e carv&atilde;o, sendo o di&oacute;xido de carbono o principal deles.<\/p>\n<p> A maioria dos jornais franceses comemorou o an&uacute;ncio, e o Le Parisi&eacute;n afirmou que se trata de &quot;boas not&iacute;cias para a Fran&ccedil;a, finalmente&quot;. No entanto, cientistas e grupos ambientalistas alertaram que o ITER poderia esgotar recursos que deveriam ser destinados ao financiamento de pesquisas na busca de melhores fontes de energia. O projeto em si, afirmaram, n&atilde;o garante sucesso no futuro imediato. O ex-ministro de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Claude Allegre, um renomado pesquisador em geoqu&iacute;mica, afirmou que o ITER &eacute; apenas &quot;outro projeto de prest&iacute;gio&quot; para o governo com &quot;poucas possibilidades de &ecirc;xito&quot;. Os estimados US$ 12 bilh&otilde;es necess&aacute;rios para o reator desviar&atilde;o recursos de outros projetos de pesquisa &quot;sem d&uacute;vida mais urgentes do que o ITER&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Apenas a constru&ccedil;&atilde;o do complexo demandar&aacute; investimento superior a US$ 5 bilh&otilde;es, e a Fran&ccedil;a se comprometeu a cobrir a metade destes custos. O ITER em Cadarache ser&aacute; apenas um teste. Se a tecnologia demonstrar ser efetiva, seria poss&iacute;vel construir o primeiro reator termonuclear de trabalho depois de 2050. O reator necessitar&aacute; de poderosa tecnologia. As autoridades disseram que a fus&atilde;o na central se conseguir&aacute; somente a uma temperatura de aproximadamente 100 milh&otilde;es de graus, o que produzir&aacute; 500 megawatts de energia. Atingir essa temperatura j&aacute; &eacute; um problema, porque nenhum material conhecido pode resistir a esse calor.<\/p>\n<p> &quot;O an&uacute;ncio oficial descreve o processo de funcionamento do ITER como colocar a energia das estrelas em uma caixa. O problema &eacute; que n&atilde;o sabemos como construir essa caixa&quot;, disse o cientista S&eacute;bastien Balibar, professor de f&iacute;sica nuclear na Escola Normal Superior de Paris. Balibar e seus colegas Yves Pomeau e Jacques Treioner disseram em um estudo publicado no ano passado pelo jornal Le Monde que um reator termonuclear implica tr&ecirc;s problemas t&eacute;cnicos: produ&ccedil;&atilde;o dos elementos que ser&atilde;o levados &aacute; fus&atilde;o (deut&eacute;rio e Tr&iacute;tio), a resist&ecirc;ncia a essa fus&atilde;o e o controle da rea&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Os cientistas disseram que o projeto do ITER somente est&aacute; interessado neste &uacute;ltimo problema &quot;e ignora os outros dois, cuja solu&ccedil;&atilde;o, entretanto, &eacute; essencial&quot;. O presidente da Academia Francesa de Ci&ecirc;ncias, Edouard Br&eacute;zin, afirmou que as expectativas a respeito do ITER s&atilde;o extremamente otimistas. &quot;Devemos estar muito confiantes no desenvolvimento cient&iacute;fico para acreditar que o uso industrial da fus&atilde;o nuclear estar&aacute; pronto em menos de 50 anos&quot;, disse &agrave; IPS. A pesquisa nessa tecnologia deve continuar, mas &quot;os combust&iacute;veis f&oacute;sseis e o aquecimento global s&atilde;o problemas urgentes, e n&atilde;o temos 50 anos para buscar solu&ccedil;&otilde;es. Necessitamos de medidas urgentes, e o ITER n&atilde;o deveria roubar os recursos dessas pesquisas&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Por sua vez, Stephane Lhomme, da organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista francesa Sortir du Nucl&eacute;aire (Sair do Nuclear), disse &agrave; IPS que o reator apresenta uma tecnologia muito perigosa e sem futuro. Lhomme considera prov&aacute;vel que o ITER nunca produza energia, o que o converteria em um novo fracasso do governo. O Estado franc&ecirc;s investiu quase US$ 9 bilh&otilde;es no reator nuclear Superph&eacute;nix antes de fech&aacute;-lo em 1998 porque n&atilde;o chegou a gerar um &uacute;nico watt de energia, recordou o cientista. &quot;Claro que o ITER estar&aacute; conectado &agrave; rede francesa de eletricidade, mas apenas com o prop&oacute;sito de receber energia para seu funcionamento&quot;, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, 13\/07\/2005 &ndash; A euforia depois da decis&atilde;o de construir na Fran&ccedil;a o Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER) parecer ter evaporado. Ficam d&uacute;vidas e temores se &eacute; fact&iacute;vel e sobre o custo de semelhante projeto. Trata-se de um plano piloto para introduzir uma nova tecnologia nuclear. Com o ITER se tentar&aacute; a fus&atilde;o dos is&oacute;topos de hidrog&ecirc;nio (o deut&eacute;rio, em abund&acirc;ncia na natureza, e o tr&iacute;tio, um is&oacute;topo sint&eacute;tico) para produzir h&eacute;lio com grande liberaliza&ccedil;&atilde;o de energia e assim gerar eletricidade. O projeto internacional &eacute; financiado por China, Cor&eacute;ia do Sul, Estados Unidos, Jap&atilde;o, R&uacute;ssia e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, com participa&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica. 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