{"id":793,"date":"2005-07-14T00:00:00","date_gmt":"2005-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=793"},"modified":"2005-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-14T00:00:00","slug":"tibete-histrias-do-inferno-chegam-justia-espanhola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/tibete-histrias-do-inferno-chegam-justia-espanhola\/","title":{"rendered":"Tibete: Hist&oacute;rias do inferno chegam &agrave; Justi&ccedil;a espanhola"},"content":{"rendered":"<p>Dharamsala,  &Iacute;ndia, 14\/07\/2005 &ndash; Para Adhe Tapontsang, os 27 anos que passou em uma pris&atilde;o da China por ajudar a resist&ecirc;ncia do Tibete na d&eacute;cada de 50 podem ser resumidos em uma palavra: inferno. &quot;Tenho sorte de estar viva&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;No centro de deten&ccedil;&atilde;o de Gothang Gyalgo havia 300 prisioneiras tibetanas. Somente quatro sobreviveram&quot;, acrescentou. Adhe Tapontsang, ou Amah Adhe (m&atilde;e Adhe), como &eacute; conhecida afetuosamente em Dharamsala, falou sobre a fome que ela e as demais prisioneiras passavam na pris&atilde;o. &quot;Muitas de n&oacute;s decidimos cortar nossos sapatos de couro para com&ecirc;-los, tamanha era a fome que sent&iacute;amos. Os guardas nos davam umas lavagens de aspecto repugnante, mas isso n&atilde;o era suficiente. Sempre acreditei que chegaria o dia em que poderia deixar a pris&atilde;o e reencontrar meus filhos, mas &agrave;s vezes sentia que n&atilde;o havia muitas possibilidades, porque todas morriam &agrave; minha volta&quot;, recordou.<br \/> <!--more--> <br \/> Tapontsang foi libertada em 1985, e em 1987 fugiu para a &Iacute;ndia, deixando para tr&aacute;s sua fam&iacute;lia. Atualmente vive em Dharamsala, sede do governo tibetano no ex&iacute;lio, ao p&eacute; do monte Himalaia. &quot;Fico triste por ter de viver com meu povo em uma comunidade de refugiados. Mas somente no ex&iacute;lio estou livre&quot;, afirmou. Em 1951, cerca de 40.000 soldados chineses invadiram Kham, no leste do Tibete, e rapidamente avan&ccedil;aram rumo &agrave; capital, Lhasa, segundo um plano militar concebido pelo falecido l&iacute;der comunista Deng Xiaoping. Mais de 1,2 milh&atilde;o de tibetanos morreram na invas&atilde;o chinesa e cerca de seis mil monast&eacute;rios foram destru&iacute;dos pelo Ex&eacute;rcito de Liberta&ccedil;&atilde;o do Povo. Outros milhares ficaram cercados e foram presos<\/p>\n<p> De acordo com a Campanha Internacional para o Tibete, com sede em Washington, a deten&ccedil;&atilde;o, aprisionamento e tortura de tibetanos continua sendo parte da estrat&eacute;gia de Pequim para reprimir a insurg&ecirc;ncia no Tibete, de maioria budista. &quot;Distribuir panfletos, gritar palavras de ordem revolucion&aacute;rias ou estimular para que sejam gritadas, hastear ou possuir a bandeira tibetana e participar de manifesta&ccedil;&otilde;es podem ser motivo de pris&atilde;o&quot;, acrescentou a organiza&ccedil;&atilde;o. O &uacute;ltimo informe anual do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre direitos humanos vai al&eacute;m e afirma que as autoridades chinesas cometem &quot;execu&ccedil;&otilde;es extrajudiciais, torturas, pris&otilde;es arbitr&aacute;rias e deten&ccedil;&otilde;es sem julgamento p&uacute;blico, e prendem tibetanos por longos per&iacute;odos por expressarem pacificamente suas opini&otilde;es pol&iacute;ticas ou religiosas&quot;. O documento acrescenta que a repress&atilde;o pol&iacute;tica e social amea&ccedil;a &quot;o patrim&ocirc;nio cultural, religioso e ling&uuml;&iacute;stico do Tibete&quot;.<\/p>\n<p> Ngawang Sangdrol, uma jovem monja tibetana que passou mais de 10 anos na pris&atilde;o, disse que atualmente Pequim utiliza uma nova estrat&eacute;gia para reprimir o povo tibetano. Segundo Sangdrol, o governo chin&ecirc;s est&aacute; investindo milhares de milh&otilde;es no Tibete que somente beneficiam os chineses e que levam consigo uma onda de imigra&ccedil;&atilde;o de chineses da etnia han e a conseq&uuml;ente acultura&ccedil;&atilde;o tibetana. &quot;A China quer erradicar a ra&ccedil;a tibetana&quot;, afirmou Sangdrol, que foi presa pela primeira vez aos 13 anos por gritar &quot;independ&ecirc;ncia para o Tibete&quot; e &quot;longa vida ao Dalai Lama&quot;, o l&iacute;der espiritual do Tibete, durante um protesto em Lhasa. Os posteriores desafios contra as autoridades lhe valeram uma extens&atilde;o de sua pena de pris&atilde;o para 23 anos, embora h&aacute; tr&ecirc;s tenha sido comutada repentinamente &agrave;s v&eacute;speras de uma visita do presidente chin&ecirc;s, Jiang Zemin, ao seu colega George W. Bush, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p> Mas Jiang e outros seis funcion&aacute;rios de Pequim, incluindo o ex-primeiro-ministro Li Peng, foram processados no m&ecirc;s passado perante um tribunal espanhol por crimes contra a humanidade e genoc&iacute;dio cometidos no Tibete. O demandante &eacute; o Comit&ecirc; de Apoio ao Tibet, uma associa&ccedil;&atilde;o cultural espanhola apoiada por 31 especialistas legais, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais tibetanas, indiv&iacute;duos e grupos de direitos humanos. O Comit&ecirc; iniciou um processo que pode abrir as portas da Justi&ccedil;a para milhares de v&iacute;timas tibetanas de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. Ju&iacute;zes espanh&oacute;is assumiram um papel protagonista no julgamento de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos, baseados na doutrina da &quot;justi&ccedil;a universal&quot;.<\/p>\n<p> Em abril deste ano, um tribunal espanhol condenou o ex-capit&atilde;o de navio argentino Adolfo Scilingo a 640 anos de pris&atilde;o por crimes contra a humanidade durante a &uacute;ltima ditadura militar na Argentina (1976-1983). Antes de designar um juiz, a Audi&ecirc;ncia Nacional espanhola deve concluir que o sistema legal chin&ecirc;s n&atilde;o reconhece os crimes alegados nem &eacute; capaz de prender os culpados e deve inclusive embargar suas propriedades. &quot;Este &eacute; um triunfo n&atilde;o s&oacute; para o povo tibetano, mas para todos aqueles que defendem um Tibete livre&quot;, afirmou Tapontsang. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dharamsala,  &Iacute;ndia, 14\/07\/2005 &ndash; Para Adhe Tapontsang, os 27 anos que passou em uma pris&atilde;o da China por ajudar a resist&ecirc;ncia do Tibete na d&eacute;cada de 50 podem ser resumidos em uma palavra: inferno. &quot;Tenho sorte de estar viva&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;No centro de deten&ccedil;&atilde;o de Gothang Gyalgo havia 300 prisioneiras tibetanas. Somente quatro sobreviveram&quot;, acrescentou. Adhe Tapontsang, ou Amah Adhe (m&atilde;e Adhe), como &eacute; conhecida afetuosamente em Dharamsala, falou sobre a fome que ela e as demais prisioneiras passavam na pris&atilde;o. &quot;Muitas de n&oacute;s decidimos cortar nossos sapatos de couro para com&ecirc;-los, tamanha era a fome que sent&iacute;amos. Os guardas nos davam umas lavagens de aspecto repugnante, mas isso n&atilde;o era suficiente. Sempre acreditei que chegaria o dia em que poderia deixar a pris&atilde;o e reencontrar meus filhos, mas &agrave;s vezes sentia que n&atilde;o havia muitas possibilidades, porque todas morriam &agrave; minha volta&quot;, recordou.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/tibete-histrias-do-inferno-chegam-justia-espanhola\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1532,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1532"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}