{"id":794,"date":"2005-07-14T00:00:00","date_gmt":"2005-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=794"},"modified":"2005-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-14T00:00:00","slug":"eua-homossexuais-cobram-na-justia-direito-de-ser-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/eua-homossexuais-cobram-na-justia-direito-de-ser-militares\/","title":{"rendered":"EUA: Homossexuais cobram na Justi&ccedil;a direito de ser militares"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 14\/07\/2005 &ndash; Doze pessoas exclu&iacute;das das For&ccedil;as Armadas norte-americanas por causa de sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual foram &agrave; Justi&ccedil;a contra o governo, questionando a pol&iacute;tica que vem sendo aplicada desde 1992 de dar baixa for&ccedil;ada a gays e l&eacute;sbicas. Os seis homens e seis mulheres foram desligados das For&ccedil;as Armadas depois que seus superiores se inteiraram de sua orienta&ccedil;&atilde;o homossexual, e pedem a reincorpora&ccedil;&atilde;o. Esses desligamentos tiveram por base a pol&iacute;tica do &quot;N&atilde;o perguntar, n&atilde;o dizer, n&atilde;o perseguir, n&atilde;o assediar&quot;, estabelecida no come&ccedil;o do governo do presidente Bill Clinton (1993-2001), respons&aacute;vel pelo afastamento das For&ccedil;as Armadas de quase 10 mil pessoas.<br \/> <!--more--> <br \/> Clinton haviam prometido em sua campanha eleitoral eliminar as restri&ccedil;&otilde;es &agrave; entrada de homossexuais nas For&ccedil;as Armadas. Sua iniciativa desembocou em normas que proibiram &agrave;s autoridades militares indagar sobre a orienta&ccedil;&atilde;o sexual de seus subordinados, mas tamb&eacute;m permitiram o afastamento daqueles que se identificaram publicamente como homo ou bissexuais. Os advogados do governo neste caso &#8211; chamado &quot;Cook contra Rumsfeld&quot; (pelo secret&aacute;rio da Defesa, Donald Rumsfeld) &#8211; pediram ao juiz distrital George A. O&acute;Toole, da cidade de Boston, que n&atilde;o aceitasse a demanda, argumentando que &quot;os tribunais n&atilde;o devem especular sobre as inten&ccedil;&otilde;es&quot; de uma decis&atilde;o do Congresso.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o pode haver lit&iacute;gio sobre quest&otilde;es que foram razoavelmente revisadas pelo Poder Legislativo&quot;, alegou o advogado governamental Mark Quinlivan, que tamb&eacute;m afirmou que excluir os que declaram sua homossexualidade ajuda a manter a coes&atilde;o entre os integrantes das For&ccedil;as Armadas, ao &quot;reduzir tens&otilde;es sexuais e promover a privacidade pessoal&quot;. Mas Stuart Delery, representante legal dos demandantes, replicou dizendo que a pol&iacute;tica de &quot;N&atilde;o perguntar, n&atilde;o dizer&quot; se ap&oacute;ia em preconceitos e viola os direitos &agrave; liberdade de express&atilde;o, &agrave; privacidade e &agrave; igualdade perante a lei, sem que tenha demonstrado produzir coes&atilde;o nas unidades militares. O&acute;Toole n&atilde;o informou quando pretende decidir se aceita o pedido do Executivo.<\/p>\n<p> De oito processos anteriores contra a pol&iacute;tica estabelecida durante o governo Clinton seis fracassaram e ainda est&atilde;o sem senten&ccedil;as as outras duas, que incluem a chamada &quot;Republicanos de Log Cabin contra (o presidente George W.) Bush&quot;, apresentada na cidade de Los Angeles no &uacute;ltimo outono. Os demandantes em &quot;Cook contra Rumsfeld&quot; s&atilde;o os primeiros a invocarem como antecedente uma decis&atilde;o de 2003 da Suprema Corte sobre o caso &quot;Lawrence contra Texas&quot;, que deixou sem efeito uma senten&ccedil;a baseada em leis desse Estado contra a sodomia. Essa senten&ccedil;a da Suprema Corte &quot;mudou o panorama&quot;, argumentou C. Dixon Osburn, diretor-executivo da Rede de Defesa Legal para Membros das For&ccedil;as Armadas (SLDN), uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental contra a discrimina&ccedil;&atilde;o relacionada com a pol&iacute;tica de &quot;N&atilde;o perguntar, n&atilde;o dizer&quot;, que apresentou a demanda em Boston.<\/p>\n<p> Calcula-se que entre os integrantes ativos das For&ccedil;as Armadas existam 65 mil homossexuais, em um total de 1,4 milh&otilde;es de pessoas, e que gays e l&eacute;sbicas na reserva somam um milh&atilde;o, afirmou Osburn. Segundo este ativista, excluir os homossexuais &eacute;, inclusive, inconveniente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades puramente militares das For&ccedil;as Armadas, &quot;que n&atilde;o est&atilde;o alcan&ccedil;ando suas metas de recrutamento&quot;. A SLDN est&aacute; disposta a levar o caso at&eacute; &agrave; Suprema Corte, que nunca examinou um caso contra a pol&iacute;tica do &quot;N&atilde;o perguntar, n&atilde;o dizer&quot;. Megan Dresch, de 22 anos, foi a &uacute;nica dos demandantes que esteve presente na primeira audi&ecirc;ncia do caso em Boston. Ela se incorporou ao ex&eacute;rcito em 2001 e foi desligada um ano depois, ap&oacute;s dizer a um oficial superior que &eacute; l&eacute;sbica.<\/p>\n<p> Segundo a ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias Associated Press, Dresch disse que quando servia na Companhia 230 da Pol&iacute;cia Militar do Ex&eacute;rcito, na Alemanha, pediu ao seu sargento que lhe permitisse conversar com um capel&atilde;o porque se sentia &quot;estressada&quot;, mas quando o sargento lhe perguntou qual o problema, outro integrante da Companhia interveio dizendo que o problema era o fato de Dresch ser homossexual. Quando o sargento perguntou a ela se isso era verdade, ela disse que sim. &quot;Nunca fui boa mentindo, assim disse a verdade. Fiquei sabendo que seria desligada e me senti frustrada, porque gostava de ser militar&quot;, afirmou &agrave; Associated Press. O ex&eacute;rcito &quot;era minha vida nesse momento, afirmou Dresch, que estuda mec&acirc;nica de autom&oacute;veis na cidade de Phoenix, dizendo que agora preferiria estar no Iraque com a Companhia onde servia. &quot;Voltaria ao ex&eacute;rcito sem duvidar. Este &eacute; meu pa&iacute;s, e quer servi-lo. Quero voltar a lutar pelas liberdades nas quais acredito&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Segundo a Uni&atilde;o Norte-americana pelas Liberdades Civis (ACLU), a pol&iacute;tica de &quot;N&atilde;o perguntar, n&atilde;o dizer&quot; &eacute; uma &quot;viola&ccedil;&atilde;o inconstitucional do direito &agrave; livre express&atilde;o dos integrantes das For&ccedil;as Armadas e uma nega&ccedil;&atilde;o da cl&aacute;usula constitucional que estabelece igualdade de prote&ccedil;&atilde;o&quot; legal para todos os cidad&atilde;os. &quot;N&atilde;o h&aacute; base racional&quot; para essa pol&iacute;tica, disse &agrave; IPS a advogada Rose Saxe, integrante da ACLU e que trabalha no projeto dessa organiza&ccedil;&atilde;o para defender os direitos de l&eacute;sbicas e gays. Paralelamente, aumenta o interesse pelo livro &quot;Servi&ccedil;o secreto: Hist&oacute;rias n&atilde;o contadas de l&eacute;sbicas militares&quot;, que apresenta testemunhos de integrantes de todos ramos das For&ccedil;as Armadas. Sua autora &eacute; Zsa Zsa Gershick, l&eacute;sbica que foi reservista entre 1978 e 1983.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o perguntar, n&atilde;o dizer&quot; &eacute; invi&aacute;vel e &quot;se baseia em preconceitos&quot;, afirmou a pesquisadora em um programa de C-Spam, a rede norte-americana de servi&ccedil;o p&uacute;blico financiada pelas empresas de televis&atilde;o a cabo. &quot;Em um hospital de campanha no Iraque, para os soldados feridos n&atilde;o importa em absoluto a orienta&ccedil;&atilde;o sexual das pessoas que salvam suas vidas&quot;, ressaltou Greshick. N&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncia de que a presen&ccedil;a de homossexuais nas For&ccedil;as Armadas tenha algum efeito na coes&atilde;o ou no estado de &acirc;nimo das unidades, e o &uacute;nico resultado da pol&iacute;tica iniciada por Clinton &eacute; &quot;obrigar as pessoas a viverem na mentira&quot;, disse a autora. Entre as 10 mil pessoas homossexuais exclu&iacute;das h&aacute; tradutores, ling&uuml;istas e outras altamente especializadas, que receberam treinamento muito caro e das quais as For&ccedil;as Armadas necessitam desesperadamente hoje em dia, acrescentou. &quot;De onde v&atilde;o sair os substitutos?&quot;, perguntou Gershick. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 14\/07\/2005 &ndash; Doze pessoas exclu&iacute;das das For&ccedil;as Armadas norte-americanas por causa de sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual foram &agrave; Justi&ccedil;a contra o governo, questionando a pol&iacute;tica que vem sendo aplicada desde 1992 de dar baixa for&ccedil;ada a gays e l&eacute;sbicas. Os seis homens e seis mulheres foram desligados das For&ccedil;as Armadas depois que seus superiores se inteiraram de sua orienta&ccedil;&atilde;o homossexual, e pedem a reincorpora&ccedil;&atilde;o. Esses desligamentos tiveram por base a pol&iacute;tica do &quot;N&atilde;o perguntar, n&atilde;o dizer, n&atilde;o perseguir, n&atilde;o assediar&quot;, estabelecida no come&ccedil;o do governo do presidente Bill Clinton (1993-2001), respons&aacute;vel pelo afastamento das For&ccedil;as Armadas de quase 10 mil pessoas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/eua-homossexuais-cobram-na-justia-direito-de-ser-militares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-794","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/794\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}