{"id":797,"date":"2005-07-14T00:00:00","date_gmt":"2005-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=797"},"modified":"2005-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-14T00:00:00","slug":"naes-unidas-os-oito-grandes-evitam-os-grandes-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/naes-unidas-os-oito-grandes-evitam-os-grandes-problemas\/","title":{"rendered":"Na&ccedil;&otilde;es Unidas: Os oito grandes evitam os grandes problemas"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 14\/07\/2005 &ndash; A declara&ccedil;&atilde;o divulgada pelo G-8 no &uacute;ltimo dia 8 apresenta muitos pontos fracos, profundas divis&otilde;es, falta de ambi&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, o fracasso em exercer a lideran&ccedil;a mundial por parte de oito presidentes e primeiros-ministros. Seus pontos fracos aumentaram enormemente, suas divis&otilde;es se aprofundaram e suas ambi&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e o continente africano foram radicalmente reduzidas ao n&iacute;vel da apatia e das companhias petrol&iacute;feras norte-americanas e dos grandes contribuintes. A pergunta que devemos fazer &eacute; estes homens merecem a honra de serem chamados &quot;l&iacute;deres mundiais&quot;?<br \/> <!--more--> <br \/> Primeiro devemos examinar seus pontos fracos. O governo de George W. Bush, apoiado pelas companhias de petr&oacute;leo, finge n&atilde;o ver o perigo do aquecimento global do planeta (por certo que insistiu em eliminar a primeira fase de uma declara&ccedil;&atilde;o que se referia ao &quot;aquecimento da terra&quot;). Ao fazer tal coisa, Bush e seu governo colocam em perigo o planeta e o futuro de todos seus habitantes. Outros presidentes e primeiros-ministros mais conscientes do perigo resistiram e isolaram Bush. No entanto, capitularam ao divulgar uma pobre declara&ccedil;&atilde;o, mais fraca ainda do que pronunciamentos anteriores do G-8 sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica que inclu&iacute;am, significativamente, Bush pai.<\/p>\n<p> O G-8, no momento em que os cientistas de todo o mundo est&atilde;o aterrorizados diante do aquecimento mundial, n&atilde;o chegou a nenhum compromisso concreto para reduzir as emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa. Em lugar disso, os integrantes do G-8 colocaram suas assinaturas em frases sem sentido concreto &#8211; &quot;abordar a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, promover uma energia limpa e alcan&ccedil;ar um desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot; &#8211; que denotam falta de vis&atilde;o, de coer&ecirc;ncia, de coragem e de ambi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> O segundo ponto fraco tem a ver com a economia mundial. Muitos analistas est&atilde;o alertando sobre perigosos desequil&iacute;brios e instabilidade na economia mundial. Eles se referem concretamente &agrave;s amea&ccedil;as que surgem da, historicamente sem precedentes, expans&atilde;o do endividamento externo dos Estados Unidos e ao crescimento de enormes e improdutivas reservas dos bancos centrais daqueles pa&iacute;ses que est&atilde;o financiando o d&eacute;ficit norte-americano, ou seja, Jap&atilde;o, China e &Iacute;ndia. Os analistas tamb&eacute;m advertem sobre os riscos que representa a transfer&ecirc;ncia de capitais de pa&iacute;ses pobres, onde s&atilde;o escassos, para pa&iacute;ses ricos, onde existem em abund&acirc;ncia, com Estados Unidos e Reino Unido.<\/p>\n<p> Outros alertam sobre os perigos do encarecimento do petr&oacute;leo, da crescente demanda de combust&iacute;vel f&oacute;sseis e sua escassez. Sobretudo, observam que o desemprego em algumas partes do mundo rico &eacute; t&atilde;o alto &#8211; se n&atilde;o mais alto &#8211; quanto no per&iacute;odo que levou &agrave; Grande Depress&atilde;o, enquanto em muitos pa&iacute;ses pobres &eacute; muito maior do que durante a d&eacute;cada de 30. Nenhuma destas amea&ccedil;as e crises parece ter tirado o sono do grupo dos oito governantes que se reuniu em Gleneagles (Esc&oacute;cia). Sua declara&ccedil;&atilde;o sobre a economia global resume complac&ecirc;ncia e autoconfian&ccedil;a. Os oito discutiram e nos disseram que &quot;a perspectiva para o crescimento da economia global&#8230; &eacute; a de que continue sendo vigoroso&quot;. Apesar das amea&ccedil;as deflacion&aacute;rias sugeridas pelos &quot;mercados abertos&quot; de capitais e de bens que giram vertiginosamente e sem controles, eles &quot;reafirmaram seu compromisso de abrir mais amplamente os mercados&#8230;&quot; e reduzir &quot;os subs&iacute;dios dom&eacute;sticos que distorcem o com&eacute;rcio&#8230; para uma data final cr&iacute;vel&quot;. Isso &eacute; tudo.<\/p>\n<p> Mas &eacute; na rela&ccedil;&atilde;o com a &Aacute;frica que esses oito homens deixam mais exposta a fraqueza de sua lideran&ccedil;a. Estava em discuss&atilde;o a proposta de aumentar a ajuda para esse continente em US$ 50 bilh&otilde;es em 2006 para enfrentar a praga da aids, recompensar pelo passado despojo de ativos e bens africanos e fazer frente ao empobrecimento africano. Em lugar disso, depois de uma longa declara&ccedil;&atilde;o exortando os l&iacute;deres africanos a realizarem &quot;bom governo&quot; e &quot;promover o crescimento&quot;, os oitos n&atilde;o prometeram novas contribui&ccedil;&otilde;es em dinheiro em 2006. Simplesmente reiteraram velhos compromissos de aumentar a ajuda &agrave; &Aacute;frica no valor de US$ 25 bilh&otilde;es no prazo de cinco anos.<\/p>\n<p> Como lembrou uma ONG do Reino Unido, apenas US$ 10 bilh&otilde;es deste compromisso constituiriam uma contribui&ccedil;&atilde;o nova em 2010, ou seja, muito menos do que os US$ 50 bilh&otilde;es adicionais para 2006 pelos quais o movimento social &quot;Fazer com que a pobreza seja hist&oacute;ria&quot; fez campanha. A C&uacute;pula de Gleneagles de 2005 mostrou o perigoso vazio existente na lideran&ccedil;a mundial. Ser&aacute; provavelmente lembrada por futuras gera&ccedil;&otilde;es como uma reuni&atilde;o de oito homens ineficazes que, &agrave;s custas de seus contribuintes, se isolaram em remotas colinas da Esc&oacute;cia das realidades da instabilidade econ&ocirc;mica, clim&aacute;tica e pol&iacute;tica. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Ann Pettifor, diretora do Advocacy International e editora do Real Word Economic Outlook, Macmillan, Londres (pettiforann@yahoo.co.uk).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 14\/07\/2005 &ndash; A declara&ccedil;&atilde;o divulgada pelo G-8 no &uacute;ltimo dia 8 apresenta muitos pontos fracos, profundas divis&otilde;es, falta de ambi&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, o fracasso em exercer a lideran&ccedil;a mundial por parte de oito presidentes e primeiros-ministros. Seus pontos fracos aumentaram enormemente, suas divis&otilde;es se aprofundaram e suas ambi&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e o continente africano foram radicalmente reduzidas ao n&iacute;vel da apatia e das companhias petrol&iacute;feras norte-americanas e dos grandes contribuintes. 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