{"id":798,"date":"2005-07-15T00:00:00","date_gmt":"2005-07-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=798"},"modified":"2005-07-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-15T00:00:00","slug":"direitos-humanos-governo-cubano-reage-com-violncia-a-protestos-de-oposio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/direitos-humanos-governo-cubano-reage-com-violncia-a-protestos-de-oposio\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Governo cubano reage com viol&ecirc;ncia a protestos de oposi&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Havana, 15\/07\/2005 &ndash; Opositores consideraram &quot;desproporcional&quot; a resposta do governo de Cuba a umas poucas manifesta&ccedil;&otilde;es de dissidentes que tentaram lembrar a afundamento h&aacute; 11 anos de uma embarca&ccedil;&atilde;o com emigrantes n&atilde;o autorizados. &quot;Foi uma exibi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a por parte do governo&quot;, disse &agrave; IPS o ativista Elizardo S&aacute;nchez, da Comiss&atilde;o Cubana de Direitos Humanos e Reconcilia&ccedil;&atilde;o Nacional, sem reconhecimento legal no pa&iacute;s, ao se referir aos acontecimentos de quarta-feira em dois pontos do centro de Havana. Segundo o ativista, algumas dezenas de manifestantes &quot;apanharam&quot; de membros das Brigadas de Resposta R&aacute;pida, integradas por civis defensores do governo de Fidel Castro, que costumam intervir em lugar da pol&iacute;cia para impedir qualquer conota&ccedil;&atilde;o &quot;contra-revolucion&aacute;ria&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> Os dissidentes lan&ccedil;aram flores no mar em mem&oacute;ria de 40 pessoas que morreram no dia 13 de julho de 1994 quando afundou o rebocador &quot;13 de Marzo&quot;, no qual tentavam fugir para os Estados Unidos sem autoriza&ccedil;&atilde;o das autoridades cubanas. A embarca&ccedil;&atilde;o, que havia sido roubada do porto e tinha mais de 60 pessoas a bordo, naufragou depois de ser atingida por outra das que sa&iacute;ram em sua persegui&ccedil;&atilde;o. Segundo as autoridades, a colis&atilde;o foi acidental, mas grupos de oposi&ccedil;&atilde;o insistiram em afirmar que foi intencional. Unidades navais de guarda-fronteiras chegaram ao local depois do afundamento e colaboraram no resgate dos sobreviventes. De acordo com a organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Anistia Internacional, morreram afogadas 40 pessoas, incluindo mulheres e crian&ccedil;as.<\/p>\n<p> Na quarta-feira, oposicionistas gritaram algumas palavras de ordem contra o governo, mas logo foram violentamente dispersados por centenas de brigadistas e moradores do lugar. V&aacute;rios manifestantes ficaram feridos e cerca de 10 foram detidos pela pol&iacute;cia. Como &eacute; habitual, a imprensa estatal cubana ignorou estes fatos, enquanto algumas ag&ecirc;ncias internacionais de not&iacute;cias foram avisadas pelos manifestantes sobre hor&aacute;rios e locais de reuni&atilde;o. Em anos anteriores, opositores e familiares das v&iacute;timas do naufr&aacute;gio se manifestaram para recordar o ocorrido, mas sem incidentes. S&aacute;nchez afirmou que nas &uacute;ltimas semanas surgiram mostras de descontentamento popular em todo o pa&iacute;s, preferencialmente &agrave; noite e durante as interrup&ccedil;&otilde;es no fornecimento de energia el&eacute;trica.<\/p>\n<p> &quot;Trata-se mais de manifesta&ccedil;&otilde;es isoladas, desconexas e espont&acirc;neas, mais em protesto pelas pen&uacute;rias (econ&ocirc;micas) do que com fins pol&iacute;ticos&quot;, disse S&aacute;nchez &agrave; IPS. O ativista enumerou a coloca&ccedil;&atilde;o de cartazes com dizeres contra o regime em locais p&uacute;blicos, quebra de vitrines no com&eacute;rcio do Estado, e pedras jogadas contra r&aacute;dio-patrulhas e &ocirc;nibus. &quot;H&aacute; certa inquieta&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica agravada pelo impacto do furac&atilde;o Dennis, na semana passada&quot;, disse S&aacute;nchez, estimando que a evacua&ccedil;&atilde;o de mais de um milh&atilde;o de pessoas &quot;ultrapassou&quot; a capacidade do governo para garantir sua aten&ccedil;&atilde;o. Dennis afetou quase todo o pa&iacute;s e surpreendeu seus 11,2 milh&otilde;es de habitantes, afetados pelos prolongados cortes no fornecimento de energia que pioraram a partir de maio e junho, pelos trabalhos de manuten&ccedil;&atilde;o das centrais termel&eacute;tricas e cont&iacute;nuas avarias nos equipamentos.<\/p>\n<p> Nos piores momentos vividos na d&eacute;cada passada, quando cortes de energia podiam durar mais de 12 horas, o governo de Fidel Castro evitou a mistura explosiva das altas temperaturas de julho e agosto (no ver&atilde;o boreal), com as interrup&ccedil;&otilde;es no servi&ccedil;o de eletricidade. Os irritantes apag&otilde;es somam-se &agrave;s dificuldades no transporte, outro grande problema sem solu&ccedil;&atilde;o &aacute; vista, e ao encarecimento do custo de vida, apesar das recentes altas nos sal&aacute;rios. O ano de 1994 foi um dos mais tensos da crise econ&ocirc;mica sofrida por Cuba depois do desaparecimento do bloco socialista e da dissolu&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica em 1991, da qual dependia em grande parte a economia cubana.<\/p>\n<p> Menos de um m&ecirc;s depois do naufr&aacute;gio do &quot;13 de Marzo&quot;, o Malec&oacute;n de Havana foi palco dos dist&uacute;rbios de 5 de agosto. Nesse dia, centenas de pessoas come&ccedil;aram desde cedo a se dirigir para essa avenida que margeia a costa norte da capital, convocadas por emissoras anticastristas baseadas nos Estados Unidos, segundo as quais em Miami estava sendo preparada uma pequena frota de iates particulares para retirar quem quisesse deixar Cuba. A R&aacute;dio Mart&iacute;, financiada por Washington, desmentiu a not&iacute;cia no final da manh&atilde;, mas centenas de pessoas j&aacute; esperavam na zona de chegada dos iates prometidos. Segundo testemunhas, nesse cen&aacute;rio come&ccedil;aram os primeiros protestos contra o governo, que inclu&iacute;ram apedrejamento de estabelecimentos comerciais.<\/p>\n<p> Simpatizantes do governo, sobretudo oper&aacute;rios da constru&ccedil;&atilde;o do contingente Blas Roca, interceptaram os manifestantes, dando in&iacute;cio a uma briga de rua com v&aacute;rios feridos e sem interven&ccedil;&atilde;o policial. Somente &agrave;s 13 horas a pol&iacute;cia interveio. Mas os manifestantes n&atilde;o se retiraram totalmente, recobraram as for&ccedil;as e protagonizaram novos choques, desta vez com for&ccedil;as policiais. No meio da tarde, Fidel Castro chegou ao local e percorreu a p&eacute; boa parte do cen&aacute;rio de brigas, provocando movimenta&ccedil;&atilde;o entre os &uacute;ltimos opositores e a rea&ccedil;&atilde;o de seus partid&aacute;rios, que haviam se mobilizado em diferentes pontos da cidade. Cerca de 300 pessoas foram detidas nessa oportunidade. Nessa mesma noite, pela televis&atilde;o Castro culpou o governo norte-americano e reclamou que deixasse de instigar a emigra&ccedil;&atilde;o ilegal, amea&ccedil;ando eliminar os obst&aacute;culos para uma sa&iacute;da em massa de cubanos, n&atilde;o desejada por Havana nem por Washington. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, 15\/07\/2005 &ndash; Opositores consideraram &quot;desproporcional&quot; a resposta do governo de Cuba a umas poucas manifesta&ccedil;&otilde;es de dissidentes que tentaram lembrar a afundamento h&aacute; 11 anos de uma embarca&ccedil;&atilde;o com emigrantes n&atilde;o autorizados. &quot;Foi uma exibi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a por parte do governo&quot;, disse &agrave; IPS o ativista Elizardo S&aacute;nchez, da Comiss&atilde;o Cubana de Direitos Humanos e Reconcilia&ccedil;&atilde;o Nacional, sem reconhecimento legal no pa&iacute;s, ao se referir aos acontecimentos de quarta-feira em dois pontos do centro de Havana. Segundo o ativista, algumas dezenas de manifestantes &quot;apanharam&quot; de membros das Brigadas de Resposta R&aacute;pida, integradas por civis defensores do governo de Fidel Castro, que costumam intervir em lugar da pol&iacute;cia para impedir qualquer conota&ccedil;&atilde;o &quot;contra-revolucion&aacute;ria&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/direitos-humanos-governo-cubano-reage-com-violncia-a-protestos-de-oposio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":171,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/171"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/798\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}