{"id":799,"date":"2005-07-15T00:00:00","date_gmt":"2005-07-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=799"},"modified":"2005-07-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-07-15T00:00:00","slug":"populao-portugal-reconhece-seus-filhos-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/populao-portugal-reconhece-seus-filhos-naturais\/","title":{"rendered":"Popula&ccedil;&atilde;o: Portugal reconhece seus filhos naturais"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 15\/07\/2005 &ndash; Brasileiros que conhecem seu Pa&iacute;s apenas pela televis&atilde;o e por relatos de seus pais. Africanos que nunca viveram nem visitaram a &Aacute;frica. S&atilde;o os (mal) chamados &quot;imigrantes de segunda e terceira gera&ccedil;&atilde;o&quot;. Nasceram e se criaram em Portugal, mas permanecem estrangeiros. S&atilde;o, sobretudo, filhos e netos de trabalhadores de l&iacute;ngua portuguesa como Brasil, Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau, Mo&ccedil;ambique, S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e Timor Leste, aos quais nos &uacute;ltimos anos somaram-se imigrantes da Ucr&acirc;nia e Mold&aacute;via. Portugal &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s que conhecem, mas s&atilde;o estrangeiros na terra que os viu nascer, contradizendo a premissa hist&oacute;rica do governador do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s do Oriente no s&eacute;culo XVI, dom Afonso de Albuquerque: &quot;A mesti&ccedil;agem &eacute; o dicion&aacute;rio privilegiado de nossa cultura&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;A cidadania n&atilde;o &eacute; apenas um detalhe. Ser estrangeiro no &uacute;nico pa&iacute;s que se conhece gera conflitos de identidade&quot;, alerta a analista Alexandra Correia em seu estudo &quot;Filhos de uma P&aacute;tria Menor&quot;, publicado esta semana pela revista Vis&atilde;o, coincidindo com o an&uacute;ncio do governo socialista sobre uma reforma da lei da nacionalidade. A legisla&ccedil;&atilde;o atual se baseia no princ&iacute;pio de jus sanguini&quot; (direito de sangue, em latim) que confere nacionalidade segundo a dos pais. O governo do primeiro-ministro Jos&eacute; S&oacute;crates, que assumiu em abril, pretende introduzir o jus soli (direito de solo) para os imigrantes de terceira gera&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, aqueles nascidos em Portugal de pais que tamb&eacute;m nasceram nesse territ&oacute;rio, mas filhos de estrangeiros.<\/p>\n<p> Com esta medida, o governo pretende evitar que pessoas com visto de turista tenham filhos em Portugal para poderem solicitar a cidadania portuguesa, o que seria &quot;um convite &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o clandestina&quot;, advertiu o ministro da Presid&ecirc;ncia do Conselho, Pedro Silva Pereira. Atualmente, &quot;um passaporte n&atilde;o &eacute; apenas portugu&ecirc;s, &eacute; europeu (da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia) e devemos ter essa responsabilidade diante de nossos pares&quot;, acrescentou o ministro, de cuja pasta dependem os assuntos relacionados com a pol&iacute;tica de imigra&ccedil;&atilde;o, enquanto o controle da mesma cabe ao Minist&eacute;rio do Interior. A reforma da lei &eacute; considerada antecipadamente aprovada, porque os socialistas contam com maioria absoluta no parlamento unicameral de S&atilde;o Bento.<\/p>\n<p> Pereira espera que esta mudan&ccedil;a &quot;seja uma forte contribui&ccedil;&atilde;o para o refor&ccedil;o da integra&ccedil;&atilde;o, uma quest&atilde;o de justi&ccedil;a e paz social&quot;. O ministro explicou que os mesmos direitos se estender&atilde;o aos imigrantes de segunda gera&ccedil;&atilde;o, sempre que forem filhos de pais naturais de um pa&iacute;s de l&iacute;ngua portuguesa e tenham autoriza&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncia por, pelo menos, seis anos. Para os procedentes dos demais pa&iacute;ses, o tr&acirc;mite &eacute; mais complicado. O prazo m&iacute;nimo &eacute; de 10 anos de resid&ecirc;ncia legal, que pode ser obtido ap&oacute;s cinco anos de autoriza&ccedil;&atilde;o de perman&ecirc;ncia, uma categoria intermedi&aacute;ria criada no in&iacute;cio da d&eacute;cada passada para controlar os grandes fluxos migrat&oacute;rios provenientes da Europa oriental.<\/p>\n<p> O governo tamb&eacute;m busca acelerar os tr&acirc;mites em curso no Servi&ccedil;o de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), como os pedidos de autoriza&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncia que em certos casos demora at&eacute; tr&ecirc;s anos, por causa de uma burocracia que &quot;semeia a ang&uacute;stia&quot;, reconheceu Pereira. O SEF tamb&eacute;m acumula atrasos no processo dos pedidos de nacionalidade. Das quase cinco mil solicita&ccedil;&otilde;es apresentadas em 2004, menos da metade foram conclu&iacute;das, apesar de o n&uacute;mero parecer irrelevante diante dos 400 mil imigrantes legais que vivem em Portugal. A imensa maioria de pedidos de nacionalidade &eacute; de imigrantes luso-africanos. Cabo Verde encabe&ccedil;a a lista, com 1.790 pedidos, seguido de Guin&eacute;-Bissau (1.654), Angola (475), S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe (269) e Mo&ccedil;ambique (109).<\/p>\n<p> Residentes procedentes da Am&eacute;rica Latina apresentaram 338 pedidos de cidadania, 293 deles por brasileiros. Essa pequena quantidade se deve ao fato de uma boa parte dos 100 mil residentes no Brasil serem filhos ou netos de portugueses, o que lhes d&aacute; direito &agrave; nacionalidade lusa com um simples tr&acirc;mite que pode durar de uma semana a um m&ecirc;s. No projeto de lei que ser&aacute; apresentado ao parlamento nos pr&oacute;ximos dias, os partidos de oposi&ccedil;&atilde;o de esquerda reconhecem algum progresso em mat&eacute;ria de integra&ccedil;&atilde;o dos imigrantes. Mas segundo o deputado comunista Antonio Filipe, &quot;muitos casos de segunda gera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&atilde;o resolvidos devido aos crit&eacute;rios r&iacute;gidos&quot; para o tr&acirc;mite.<\/p>\n<p> Enquanto os comunistas defendem o jus soli para filhos de residentes no pa&iacute;s, o Bloco de Esquerda (ex-trotskista) vai mais longe, exigindo o direito autom&aacute;tico &agrave; nacionalidade&quot; para todo indiv&iacute;duo nascido em Portugal, independentemente da situa&ccedil;&atilde;o de seus pais&quot;. Os dois partidos da oposi&ccedil;&atilde;o direitista ainda n&atilde;o se pronunciaram, &agrave; espera de debates internos nos quais se levar&aacute; em conta a situa&ccedil;&atilde;o do restante da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. No bloco predomina o direito de sangue, mas quatro dos 25 pa&iacute;ses-membros adotaram tamb&eacute;m o jus soli quando se trata de imigrante devidamente documentado. A Fran&ccedil;a &eacute; o pa&iacute;s mais aberto da UE. Para optar pela nacionalidade basta ter nascido em territ&oacute;rio franc&ecirc;s ou ter residido cinco anos como imigrante e falar a l&iacute;ngua nacional.<\/p>\n<p> Na Alemanha, meninos e meninas podem adquirir a nacionalidade se o pai ou a m&atilde;e viveu no pa&iacute;s pelo menos por oito anos, se integrou &agrave; comunidade e domina a l&iacute;ngua. Na Holanda, a nacionalidade &eacute; autom&aacute;tica para a terceira gera&ccedil;&atilde;o, e para a segunda &eacute; concedida com cinco anos de resid&ecirc;ncia no pa&iacute;s, conhecimento da l&iacute;ngua e integra&ccedil;&atilde;o na sociedade. A Espanha &eacute; flex&iacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a imigrantes de alguns pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, Portugal e Filipinas, que podem aspirar &agrave; cidadania ap&oacute;s dois anos de resid&ecirc;ncia legal no pa&iacute;s. A lei disp&otilde;e ainda que os filhos de pais desconhecidos ou de ap&aacute;tridas recebam automaticamente a nacionalidade espanhola. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 15\/07\/2005 &ndash; Brasileiros que conhecem seu Pa&iacute;s apenas pela televis&atilde;o e por relatos de seus pais. Africanos que nunca viveram nem visitaram a &Aacute;frica. S&atilde;o os (mal) chamados &quot;imigrantes de segunda e terceira gera&ccedil;&atilde;o&quot;. Nasceram e se criaram em Portugal, mas permanecem estrangeiros. S&atilde;o, sobretudo, filhos e netos de trabalhadores de l&iacute;ngua portuguesa como Brasil, Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau, Mo&ccedil;ambique, S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e Timor Leste, aos quais nos &uacute;ltimos anos somaram-se imigrantes da Ucr&acirc;nia e Mold&aacute;via. Portugal &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s que conhecem, mas s&atilde;o estrangeiros na terra que os viu nascer, contradizendo a premissa hist&oacute;rica do governador do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s do Oriente no s&eacute;culo XVI, dom Afonso de Albuquerque: &quot;A mesti&ccedil;agem &eacute; o dicion&aacute;rio privilegiado de nossa cultura&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/07\/america-latina\/populao-portugal-reconhece-seus-filhos-naturais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-799","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=799"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/799\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}