{"id":8,"date":"2005-01-18T00:00:00","date_gmt":"2005-01-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8"},"modified":"2005-01-18T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-18T00:00:00","slug":"comercio-um-codigo-de-conduta-para-as-corporacoes-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/comercio-um-codigo-de-conduta-para-as-corporacoes-mundiais\/","title":{"rendered":"Com\u00e9rcio: Um c\u00f3digo de conduta para as corpora\u00e7\u00f5es mundiais"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 18\/01\/2005 &ndash; O Pacto Global da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas reuniu em sua c\u00fapula do final de junho mais de 400 dirigentes de corpora\u00e7\u00f5es empresariais, sindicatos e da sociedade civil. <!--more--> O que agora \u00e9 uma rede mundial com 1.500 empresas signat\u00e1rias come\u00e7ou em 2000 como um desafio apresentado pelo secret\u00e1rio-geral da ONU, Kofi Annan, para que as companhias adotassem nove princ\u00edpios de bom comportamento com rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, \u00e0s pautas de trabalho e ao meio ambiente. O Pacto Global engendrou organiza\u00e7\u00f5es nacionais e incorporou membros em 70 pa\u00edses.<\/p>\n<p>As companhias norte-americanas est\u00e3o praticamente ausentes, j\u00e1 que constituem menos de 5% do grupo, embora seus temores diante de poss\u00edveis lit\u00edgios e reclama\u00e7\u00f5es de responsabilidade tenham se acalmado no momento gra\u00e7as a um documento redigido com a ajuda do Col\u00e9gio de Advogados Norte-americanos, cuja inten\u00e7\u00e3o \u00e9 a de limitar a responsabilidade das empresas signat\u00e1rias do Pacto Global. Nenhuma companhia n\u00e3o-norte-americana pediu tal prote\u00e7\u00e3o. A recente c\u00fapula do Pacto Global aprovou um d\u00e9cimo princ\u00edpio, sobre a corrup\u00e7\u00e3o, com un\u00e2nimes compromissos de combater este problema como pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para a concretiza\u00e7\u00e3o de um bom comportamento cidad\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p>O pacto, inicialmente um sistema de compromisso volunt\u00e1rio com poucos controles ou responsabilidades, foi se convertendo durante a c\u00fapula em um grupo de press\u00e3o m\u00fatua. Muitos executivos apoiaram a entrada em vigor dos princ\u00edpios e a tomada de responsabilidades. Afirmaram que ap\u00f3iam o princ\u00edpio de responsabilidade social das empresas n\u00e3o s\u00f3 por motivos de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mas, tamb\u00e9m, por raz\u00f5es comerciais. Os participantes mais seriamente dedicados ao tema da responsabilidade social foram os membros de um amplo grupo de companhias brasileiras, encabe\u00e7adas pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, com sede em S\u00e3o Paulo, e por seu presidente, Oded Grajew, bem como por Raymundo Magliano Filho, presidente da BOVESPA, Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O formato inovador da c\u00fapula tamb\u00e9m foi o resultado de uma iniciativa por parte do Brasil e criou o refor\u00e7o do autodesafiante grupo de press\u00e3o, que produziu novos compromissos no sentido de melhorar a responsabilidade, acelerar a implementa\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios e dar um completo apoio financeiro ao Pacto atrav\u00e9s de quotas a cargo dos membros. Muitos propuseram que cada empresa se comprometa a recrutar pelo menos uma nova companhia. Ap\u00f3s a lideran\u00e7a da BOVESPA, outras nove bolsas de valores subscreveram o pacto.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito desses compromissos se tornar\u00e1 realidade? O Pacto Global ser\u00e1 realmente independente e se converter\u00e1 em uma organiza\u00e7\u00e3o global autofinanciada que impulsione a responsabilidade social empresarial para uma completa responsabilidade? Somente o tempo dir\u00e1. Por sua vez, a declara\u00e7\u00e3o conjunta da sociedade civil, que manteve sua pr\u00f3pria &quot;contra-c\u00fapula&quot;, defendeu uma total responsabilidade empresarial baseada nas normas de um contexto legal. As organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil encabe\u00e7adas pela Earth Rights Foundation afirmaram que o Pacto Global \u00e9 uma distra\u00e7\u00e3o da verdadeira tarefa da ONU e dos governos em estabelecer efetivos contextos intergovernamentais para a responsabilidade das corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse grupo de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil apontou signat\u00e1rios do Pacto, incluindo Shell, Total, Rio Tinto, Nestl\u00e9 e British Petroleum, como violadores dos pr\u00f3prios princ\u00edpios do pacto e insistiu em que as Normas para o Com\u00e9rcio adotadas pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da ONU em 2003 foram um passo importante para tal contexto legal global. Essas organiza\u00e7\u00f5es exortaram a dissolu\u00e7\u00e3o do Pacto por ser uma amea\u00e7a para a credibilidade da ONU.<\/p>\n<p>O comportamento mais s\u00e1bio a seguir parece ser o de separar o Pacto da ONU e fazer do mesmo uma organiza\u00e7\u00e3o independente. Isso poria \u00e0 prova o cumprimento dos compromissos por parte de suas empresas signat\u00e1rias, dos governos, dos organismos da ONU, dos sindicatos e das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais que a integram. Tamb\u00e9m protegeria a reputa\u00e7\u00e3o global da ONU e, ao mesmo tempo, daria impulso para um melhor rendimento empresarial e a um plano de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio, de maneira a melhorar a pr\u00f3pria reputa\u00e7\u00e3o do Pacto Global. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p>(*) Hazel Henderson \u00e9 autora de Planetary Citizenship e de muitos outros livros sobre sustentabilidade global e reformas financeiras, bem como fundadora e presidente do Ethical Marketplace.<\/p>\n<p>Estes dois colossos atl\u00e2nticos, aliados n\u00e3o isentos de mancha, mas dotados de credibilidade, formaram o que se conhece como &quot;Ocidente&quot;, ou, durante a Guerra Fria, como o &quot;mundo livre&quot;, considerando-se portadores de uma civiliza\u00e7\u00e3o universal ou com pretens\u00f5es de vir a s\u00ea-lo. Por este caminho entraram, no in\u00edcio do novo s\u00e9culo, em um processo muito perigoso, de progressiva irresponsabilidade pol\u00edtica que j\u00e1 se manifestava no \u00e2mbito dos neg\u00f3cios e em outros campos da vida social.<\/p>\n<p>Os atentados terroristas cometidos contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, acabando com o mito da invulnerabilidade norte-americana, causaram um tremendo choque psicol\u00f3gico na cidadania, que teve reflexos imediatos e provocou grandes divis\u00f5es na Europa. Sobretudo, pela resposta dada pelo governo Bush em termos de repres\u00e1lia, de &quot;vale-tudo&quot; independentemente dos valores proclamados. Esta nova pol\u00edtica, que relegou as Na\u00e7\u00f5es Unidas e afirmou o unilateralismo do &quot;imp\u00e9rio&quot;, contribuiu gravemente para reduzir a credibilidade da maior pot\u00eancia militar do planeta. Foi completamente irrespons\u00e1vel, como o passar do tempo demonstra cada vez mais.<\/p>\n<p>O cl\u00edmax se registrou com a infeliz C\u00fapula dos A\u00e7ores, um estigma que marcou seus participantes. Altos dirigentes pol\u00edticos do Ocidente mentiram conscientemente aos eleitores para justificarem uma guerra injustific\u00e1vel. E, aparentemente, nada aconteceu, se excetuarmos o pobre Jos\u00e9 Maria Aznar, cujo partido perdeu as elei\u00e7\u00f5es e ele o poder &#8211; gra\u00e7as \u00e0 velha sabedoria do povo espanhol. Mais ainda: diante da deteriora\u00e7\u00e3o crescente da situa\u00e7\u00e3o no Iraque, Bush e Blair resolveram antecipar, em uma cerim\u00f4nia clandestina improvisada, a transfer\u00eancia de poderes ao governo iraquiano, que n\u00e3o tem nem consegue exercer nenhuma autoridade. Com a inten\u00e7\u00e3o de enganar a quem?<\/p>\n<p>Bush esteve na Turquia, depois de ter estado semanas antes na Normandia, para fazer crer que est\u00e1 tudo bem nas rela\u00e7\u00f5es euro-americanas. Pensa, com certeza, que tem poderes m\u00e1gicos para apagar a mem\u00f3ria das pessoas, mas, ficou demonstrado que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Tamb\u00e9m resolveu opinar sobre a participa\u00e7\u00e3o da Turquia na um: &quot;Os turcos, apesar de serem majoritariamente mu\u00e7ulmanos, t\u00eam todo o direito de entrar na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia&quot;. Isso provocou uma resposta do presidente Chirac, inimagin\u00e1vel at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s: &quot;O senhor Bush n\u00e3o tem nada que opinar sobre os assuntos internos referentes \u00e0 Uni\u00e3o Europ\u00e9ia&quot;.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, a irresponsabilidade leve \u00e0 completa perda de respeito. Mas, a irresponsabilidade pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade de Bush nem de Blair. Os dirigentes da Velha Europa acabam de dar um bom exemplo de irresponsabilidade pol\u00edtica ao escolherem Jos\u00e9 Manuel Dur\u00e3o Barroso como presidente da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia. Os que o elegeram, presumivelmente, pertencem ao grupo dos que perderam clamorosamente as recentes elei\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias: Blair, Schroeder, Berlusconi, Chirac e companhia. O escolhido pertence ao mesmo clube de perdedores, com a agravante de ter sido o anfitri\u00e3o da C\u00fapula dos A\u00e7ores e amigo dileto de Bush.<\/p>\n<p>Pior ainda: abandonou seu pa\u00eds jogando-o em uma tremenda crise &#8211; na primeira oportunidade que lhe deram. Irresponsabilidade pol\u00edtica total, descr\u00e9dito de um estranho sistema democr\u00e1tico no qual a vontade dos eleitores n\u00e3o \u00e9 levada em conta. E, finalmente &#8211; custa dizer, mas, \u00e9 verdade &#8211; uma grande falta de vergonha. Felizmente, desta hecatombe de princ\u00edpios e valores que assistimos, est\u00e1 emergindo a cidadania global, que se manifesta pouco, mas o faz em todas as partes. Assim, tenhamos esperan\u00e7as e persist\u00eancia em nosso caminho, com fidelidade respons\u00e1vel aos valores de sempre. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 18\/01\/2005 &ndash; O Pacto Global da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas reuniu em sua c\u00fapula do final de junho mais de 400 dirigentes de corpora\u00e7\u00f5es empresariais, sindicatos e da sociedade civil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/comercio-um-codigo-de-conduta-para-as-corporacoes-mundiais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":292,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,5,9,4],"tags":[],"class_list":["post-8","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-economia","category-globalizacao","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/292"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}