{"id":8009,"date":"2011-03-29T16:03:57","date_gmt":"2011-03-29T16:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8009"},"modified":"2011-03-29T16:03:57","modified_gmt":"2011-03-29T16:03:57","slug":"crise-humanitaria-marfinense-alem-da-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/africa\/crise-humanitaria-marfinense-alem-da-fronteira\/","title":{"rendered":"Crise humanit\u00e1ria marfinense al\u00e9m da fronteira"},"content":{"rendered":"<p>Butuo, Lib\u00e9ria, 29\/03\/2011 &ndash; Milhares de marfinenses fogem para a Lib\u00e9ria por causa da viol\u00eancia desatada no pa\u00eds, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de novembro que o deixaram \u00e0 beira de uma guerra civil. <!--more--> O questionado presidente da Costa do Marfim, Laureng Gbagbo, n\u00e3o cede \u00e0s press\u00f5es internacionais para que deixe o cargo ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral, avalizada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), de seu tradicional advers\u00e1rio, Alassane Ouattara. A disputa de poder que se seguiu \u00e0 vota\u00e7\u00e3o deixou centenas de mortos, quase um milh\u00e3o de refugiados e uma economia deteriorada.<\/p>\n<p>O conflito tem consequ\u00eancias sobre os pa\u00edses vizinhos, que se recuperam de seus pr\u00f3prios problemas. Os moradores do Butuo, a um par de quil\u00f4metros da fronteira com a Costa do Marfim, recebem dezenas de marfinenses em suas pequenas casas e, em alguns casos, literalmente lhes d\u00e3o comida de seus pratos e a roupa que est\u00e3o usando. Eles recordam o que \u00e9 perder tudo e ter que fugir ao som dos disparos de armas autom\u00e1ticas. N\u00e3o se esquecem dos que os ajudaram quando estiveram com problemas. V\u00e1rios milhares de liberianos se refugiaram na Costa do Marfim durante os 14 anos da guerra civil que terminou em 2003.<\/p>\n<p>Desde que refugiados da aldeia marfinense de Bin Houye, do outro lado da fronteira, come\u00e7aram a chegar a Butuo, Titos Peter abrigou cerca de 60 pessoas, al\u00e9m da dezena de familiares com os quais convive. Muitas das pessoas que recebeu s\u00e3o parentes, mas tamb\u00e9m h\u00e1 estranhos que precisam de ajuda, disse Titos, que vive h\u00e1 anos neste povoado, depois de estar durante anos em Bin Houye, durante a guerra na Lib\u00e9ria. \u201cEstamos todos relacionados\u201d, explicou. \u201cSe algo acontece deste lado, vamos para l\u00e1. Quando algo acontece l\u00e1, v\u00eam para c\u00e1\u201d, disse.<\/p>\n<p>H\u00e1 meses que chegam marfinenses a este povoado e isto esgota os escassos recursos de \u00e1gua e comida. As tens\u00f5es come\u00e7am a surgir com a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e da fome, que afeta cada vez mais pessoas. Os refugiados lotam as casas da popula\u00e7\u00e3o local e comem sua comida, sem importar se s\u00e3o convidados ou n\u00e3o, e a doen\u00e7a se espalha porque as pessoas defecam em espa\u00e7os p\u00fablicos por falta de instala\u00e7\u00f5es adequadas, lamentou a representante distrital Annie W. Kwaleh. \u201cO pouco que t\u00eam dividem com os estrangeiros. Estes n\u00e3o querem ir para os acampamentos e n\u00e3o podemos abandon\u00e1-los. Comeram tudo, n\u00e3o nos resta nada. N\u00e3o sabemos o que fazer\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) desloca lentamente as pessoas para o acampamento de Bahn, a 60 quil\u00f4metros, por um caminho em mau estado. O lugar tem capacidade para 15 mil pessoas, mas s\u00f3 h\u00e1 2.500. H\u00e1 outro acampamento em constru\u00e7\u00e3o e v\u00e1rios provis\u00f3rios em todo o condado de Nimba, onde se concentra a crise humanit\u00e1ria neste momento.<\/p>\n<p>O trabalho da organiza\u00e7\u00e3o se complicou a partir de 24 de fevereiro, quando eclodiu um forte enfrentamento na fronteira ocidental da Costa do Marfim entre for\u00e7as de Gbagbo e ex-integrantes do ex\u00e9rcito rebelde, leais a Ouattara. \u201cAquele dia come\u00e7ou com um telefonema informando que havia duas mil pessoas na fronteira\u201d, contou Dina Sinigallia, respons\u00e1vel de Rela\u00e7\u00f5es Externas do escrit\u00f3rio do Acnur em Saclepea, perto de Bahn.<\/p>\n<p>O Acnur deve enfrentar uma crescente quantidade de pessoas na fronteira e a deteriora\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a. Agora, seu objetivo \u00e9 tirar as pessoas da regi\u00e3o. A ag\u00eancia recomenda aos refugiados que se dirijam para Bahn ou a uma das 15 comunidades com \u00e1reas para aloj\u00e1-los, explicou Dina. \u201cN\u00e3o haver\u00e1 mais assist\u00eancia na fronteira e \u00e9 pouco prov\u00e1vel que continuem sendo distribu\u00eddos alimentos\u201d, acrescentou. No entanto, muitos refugiados se negam a ir para Bahn porque n\u00e3o querem se afastar de seus familiares que ficaram na Costa do Marfim. Al\u00e9m disso, dizem que o bulgur (alimento \u00e0 base de trigo) entregue pelo Acnur faz mal. \u201cN\u00e3o podemos obrigar as pessoas a irem. Tem de ser volunt\u00e1rio\u201d, ressaltou Dina.<\/p>\n<p>O pouco alimento distribu\u00eddo era inadequado, o mesmo bulgur que faz com que os refugiados n\u00e3o queiram ir para os acampamentos, e as condi\u00e7\u00f5es de higiene se deterioram, disse P. Zoyeagbander D. Gberardeu, assistente do superintendente de Butuo. Desde que come\u00e7ou a aflu\u00eancia de refugiados, no final de fevereiro, morreram, pelo menos, sete pessoas de diarreia, afirmou. \u201cDizemos a eles que \u00e9 melhor irem para os acampamentos porque nossa comida acabou. Se ficarem, todos teremos de partir ou morreremos de fome\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. O distrito de 47 mil habitantes tem tr\u00eas policiais, 13 funcion\u00e1rios de fronteira e oito de migra\u00e7\u00e3o. Os combates aconteceram t\u00e3o perto que a popula\u00e7\u00e3o ouviu disparos e artilharia pesada, acrescentou Gberardeu. \u201cN\u00e3o queremos que nada de mal aconte\u00e7a, mas se chegar a ocorrer estaremos em uma situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Butuo, Lib\u00e9ria, 29\/03\/2011 &ndash; Milhares de marfinenses fogem para a Lib\u00e9ria por causa da viol\u00eancia desatada no pa\u00eds, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de novembro que o deixaram \u00e0 beira de uma guerra civil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/africa\/crise-humanitaria-marfinense-alem-da-fronteira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-8009","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8009\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}