{"id":8013,"date":"2011-03-30T12:54:06","date_gmt":"2011-03-30T12:54:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8013"},"modified":"2011-03-30T12:54:06","modified_gmt":"2011-03-30T12:54:06","slug":"energia-republica-democratica-do-congo-o-que-e-pequeno-e-bonito-e-electrizante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/africa\/energia-republica-democratica-do-congo-o-que-e-pequeno-e-bonito-e-electrizante\/","title":{"rendered":"ENERGIA-REP\u00daBLICA DEMOCR\u00c1TICA DO CONGO: O que \u00e9 pequeno \u00e9 bonito \u2013 E Electrizante"},"content":{"rendered":"<p>KIKWIT, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo,, 30\/03\/2011 &ndash; Enquanto o debate sobre a energia hidroel\u00e9ctrica no Rio Congo \u00e9 dominado pelo gigantesco projecto do Grand Inga e pelo sonho de proporcionar energia el\u00e9ctrica a todo o continente, a constru\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de barragens mais pequenas que beneficiem as comunidades locais pode produzir resultados tang\u00edveis muito mais rapidamente. <!--more--> O projecto do Grand Inga poder\u00e1 produzir 39.000 megawatts de electricidade. No in\u00edcio de Fevereiro, um contrato de dois anos no valor de 13.4 milh\u00f5es de dol\u00e1res foi adjudicado \u00e0 Aecom Technology Company e \u00e0 Electricit\u00e9 de France, respons\u00e1veis pelos estudos de viabilidade referentes ao complexo de produ\u00e7\u00e3o de energia hidroel\u00e9ctrica e pelas linhas de transmiss\u00e3o que transportam energia a s\u00edtios t\u00e3o long\u00ednquos como o Egipto, a Nig\u00e9ria e a \u00c1frica do Sul. <\/p>\n<p>Demasiado grande para ser bem sucedido?<\/p>\n<p>Mas o projecto do Grand Inga j\u00e1 se deparou com dificuldades e atra\u00edu cr\u00edticas. <\/p>\n<p>A Westcor, um cons\u00f3rcio composto por companhias de energia estatais de cinco na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica Austral, tinha proposto um projecto de 10 mil milh\u00f5es de dol\u00e1res para produzir 4.000 megawatts num local conhecido como Inga 3 rejeitado pela governo da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo em Fevereiro de 2010. Em vez disso, as autoridades da RDC aceitaram um projecto mais pequeno no mesmo local, em conjunto com a BHP Billiton, uma gigantesca empresa de minera\u00e7\u00e3o, que fornecer\u00e1 energia a uma nova fundi\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio a ser constru\u00edda pela companhia a 150 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O projecto da Billiton tem sido criticado por grupos ambientais, como a International Rivers. S\u00f3 seis por cento dos congoleses t\u00eam acesso \u00e0 electricidade, segundo a International Rivers, e o projecto da BHP Billiton prioriza o abastecimento de energia a ind\u00fastrias de produ\u00e7\u00e3o intensiva do ponto de vista energ\u00e9tico em vez de atender \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os ambientalistas tamb\u00e9m t\u00eam d\u00favidas quanto \u00e0 promessa representada pelos grandes planos que a Aecom est\u00e1 agora a analisar, sustentando que o continente carece de uma rede de distribui\u00e7\u00e3o para transportar energia de um \u00fanico mega-projecto para a maioria da popula\u00e7\u00e3o que dela precisa. Explicam tamb\u00e9m que o pre\u00e7o previsto de 80 mil mih\u00f5es de dol\u00e1res seria melhor gasto na produ\u00e7\u00e3o descentralizada de energia, incluindo centrais e\u00f3licas e solares e tamb\u00e9m micro-centrais hidroel\u00e9ctricas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m citam o risco de corrup\u00e7\u00e3o e m\u00e1 gest\u00e3o, um aviso cred\u00edvel depois do desaparecimento de 6.5 milh\u00f5es de dol\u00e1res em 2008 destinados \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o de duas velhas centrais j\u00e1 existentes em Inga.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o mais modesta<\/p>\n<p>Enquanto decorre o debate em volta dos grandes projectos, em Fevereiro iniciou-se o trabalho numa barragem de Kakobola, uma das primeiras das cerca de 351 barragens muito mais pequenas projectadas em v\u00e1rias localidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A barragem de Kakobola vai proproporcionar electricidade a tr\u00eas \u00e1reas povoadas no sudoeste da prov\u00edncia de Bandundu, na RDC. V.K. Sharma, director da empresa indiana Angelique International Limited, que vai construir a barragem, afirma que a barragem ter\u00e1 uma capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 9.3 megawatts. <\/p>\n<p>\u201cEstamos a trabalhar neste projecto para o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o em Gunfu, Idiofa e Kikwit,\u201d diz Sharma. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mais f\u00e1cil construir uma barragem num rio onde existem quedas como esta,\u201d disse Sharma \u00e0 IPS durante uma entrevista no local da barragem em Gungu, a cerca de 200 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia de Kikwit, a capital da prov\u00edncia.<\/p>\n<p>Servir as necessidades locais<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, aguarda-se com expectativa que a barragem fique conclu\u00edda. \u201cQuero que o abastecimento de energia venha rapidamente. N\u00e3o \u00e9 normal que uma cidade com o tamanho de Kikwit (perto de um milh\u00e3o de habitantes) n\u00e3o tenha electricidade,\u201d queixa-se Mave Kupe, um dos muitos estudantes na cidade que t\u00eam de estudar \u00e0 luz de lanterna. <\/p>\n<p>Prev\u00ea-se que o projecto esteja conclu\u00eddo em Janeiro de 2014. Os mais de tr\u00eas milh\u00f5es de residentes desta zona actualmente dependem de l\u00e2mpadas de parafina, velas ou sistemas adaptados que alimentam l\u00e2mpadas de lanternas a partir de uma caixa contendo um conjunto de pilhas. <\/p>\n<p>A barragem de Kakobola ir\u00e1 tamb\u00e9m contribuir para proporcionar acesso regular a \u00e1gua pot\u00e1vel, especialmente em Kikwit, onde 800.000 pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Banco de Importa\u00e7\u00e3o-Exporta\u00e7\u00e3o da \u00cdndia vai emprestar 42 milh\u00f5es de dol\u00e1res para constru\u00e7\u00e3o, sendo o saldo proveniente do or\u00e7amento da RDC. Not\u00edcias de ag\u00eancias noticiosas indicam que a RDC vai come\u00e7ar a pagar o empr\u00e9stimo em 2016, a 1.75 por cento de juros durante 20 anos.<\/p>\n<p>Louis Kasende, membro da oposi\u00e7\u00e3o no parlamento e tamb\u00e9m Vice-Presidente da Comiss\u00e3o Para Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento na Assembleia Provincial de Bandundu, exige que o governo da RDC indique claramente quando \u00e9 que os fundos do Banco de Importa\u00e7\u00e3o-Exporta\u00e7\u00e3o da \u00cdndia ser\u00e3o reembolsados.<\/p>\n<p>Maxime Pakumu, director da zona administrativa de Gungu, afirma que a constru\u00e7\u00e3o do projecto ajudar\u00e1 a reduzir o desemprego na regi\u00e3o e tamb\u00e9m ir\u00e1 melhorar a qualidade de vida, o poder de compra e at\u00e9 a sa\u00fade gra\u00e7as \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de electricidade nos estabelecimentos de sa\u00fade na zoona.<\/p>\n<p>Embora as pequenas barragens, como a que existe em Kabobola, n\u00e3o d\u00eaem resposta \u00e0 quest\u00e3o do abastecimento de energia a ind\u00fastrias com elevado consumo energ\u00e9tico na RDC e noutras \u00e1reas, se a barragem produzir os benef\u00edcios esperados na regi\u00e3o onde est\u00e1 localizada, poder\u00e1 criar alternativas \u00e0 traject\u00f3ria de desenvolvimento que tanto depende da extrac\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KIKWIT, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo,, 30\/03\/2011 &ndash; Enquanto o debate sobre a energia hidroel\u00e9ctrica no Rio Congo \u00e9 dominado pelo gigantesco projecto do Grand Inga e pelo sonho de proporcionar energia el\u00e9ctrica a todo o continente, a constru\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de barragens mais pequenas que beneficiem as comunidades locais pode produzir resultados tang\u00edveis muito mais rapidamente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/africa\/energia-republica-democratica-do-congo-o-que-e-pequeno-e-bonito-e-electrizante\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":929,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-8013","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8013","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/929"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8013"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8013\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}