{"id":8018,"date":"2011-03-30T16:34:40","date_gmt":"2011-03-30T16:34:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=8018"},"modified":"2011-03-30T16:34:40","modified_gmt":"2011-03-30T16:34:40","slug":"america-latina-diminui-o-entusiasmo-pela-energia-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/america-latina\/america-latina-diminui-o-entusiasmo-pela-energia-nuclear\/","title":{"rendered":"AM\u00c9RICA LATINA: Diminui o entusiasmo pela energia nuclear"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 30\/03\/2011 &ndash; A cat\u00e1strofe nuclear no Jap\u00e3o reabriu na Am\u00e9rica Latina o debate sobre a conveni\u00eancia de avan\u00e7ar em planos de expans\u00e3o de centrais at\u00f4micas  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_8018\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/88575.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8018\" class=\"size-medium wp-image-8018\" title=\"Central nuclear de Angra do Reis, no Brasil. - Licencia Creative Commons\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/88575.jpg\" alt=\"Central nuclear de Angra do Reis, no Brasil. - Licencia Creative Commons\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8018\" class=\"wp-caption-text\">Central nuclear de Angra do Reis, no Brasil. - Licencia Creative Commons<\/p><\/div>  Por esse caminho seguir\u00e3o Argentina e Brasil, que fizeram as apostas mais fortes, mas outros pa\u00edses que tinham apenas projetos, no momento os congelaram. Na regi\u00e3o h\u00e1 cinco centrais nucleares operando. Duas est\u00e3o na Argentina, que fornecem mais de 7% da eletricidade consumida no pa\u00eds, duas no Brasil, que somam 2,5% da matriz energ\u00e9tica nacional, e uma com dois reatores no M\u00e9xico, que atendem 2,3% da demanda.<\/p>\n<p>Argentina e Brasil constroem cada um uma terceira central e seus governos se manifestaram decididos a manter esses planos, apesar das debilidades mostradas pelas centrais de Fukushima, severamente prejudicadas pelo tsunami ocorrido ap\u00f3s o terremoto que atingiu o nordeste do Jap\u00e3o no dia 11. A crise nuclear no complexo de Fukushima ainda est\u00e1 em desenvolvimento e por isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber o alcance dos danos que provocar\u00e3o \u00e0 sa\u00fade humana e ao meio ambiente o vazamento de radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Argentina opera a Atucha I, na prov\u00edncia de Buenos Aires, a cem quil\u00f4metros da capital do pa\u00eds, que funciona desde 1974 com pot\u00eancia de 370 megawatts. H\u00e1 tamb\u00e9m a usina de Embalse, na prov\u00edncia de C\u00f3rdoba, em funcionamento desde 1984, que gera mais de 600 megawatts. <\/p>\n<p> O programa nuclear argentino, congelado em meados da d\u00e9cada de 1990, foi retomado em 2004 pelo governo de N\u00e9stor Kirchner, falecido no ano passado. Nesse contexto, a previs\u00e3o para este ano \u00e9 o t\u00e9rmino das obras de Atucha II, localizada junto a Atucha I, mas com o dobro de pot\u00eancia. Tamb\u00e9m est\u00e1 em processo o prolongamento da vida \u00fatil dos dois reatores mais antigos, com milion\u00e1rios investimentos para aumentar sua seguran\u00e7a.  \u201cN\u00e3o encontro raz\u00f5es t\u00e9cnicas para que a Argentina adie seus projetos nucleares pelo que aconteceu no Jap\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS o engenheiro Jorge Bar\u00f3n, professor da Universidade Nacional de Cuyo. \u201cAcredito que existam ensinamentos para melhorar nossos planos de gest\u00e3o de emerg\u00eancia. Nossas centrais t\u00eam altos padr\u00f5es de seguran\u00e7a, com inspetores da Autoridade Reguladora Nuclear residentes nos pr\u00f3prios complexos e planos de emerg\u00eancia testados para que um acidente n\u00e3o tenha impacto relevante na popula\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima. Entretanto, isto n\u00e3o significa que acidentes n\u00e3o possam ocorrer\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Argentina participa da Conven\u00e7\u00e3o de Seguran\u00e7a Nuclear, um conv\u00eanio pelo qual os pa\u00edses com centrais at\u00f4micas informam eventos e se supervisionam mutuamente. \u201cNa \u00faltima vez, este pa\u00eds revisou a seguran\u00e7a nuclear da Alemanha e depois os alem\u00e3es fizeram o mesmo na Argentina. \u00c9 um excelente m\u00e9todo para detectar falhas\u201d, explicou Jorge. \u201cO projeto de extens\u00e3o da vida \u00fatil de Embalse aumentar\u00e1 seus n\u00edveis de seguran\u00e7a e colocar\u00e1 a central na crista da onda\u201d, disse o especialista, utilizando uma met\u00e1fora pouco apropriada por estes dias.  Por sua vez, o engenheiro Rodolfo Touzet, da Comiss\u00e3o Nacional de Energia At\u00f4mica, assegurou \u00e0 IPS que as centrais argentinas possuem um sistema de conten\u00e7\u00e3o \u201cmuito melhor\u201d do que as japonesas, de dupla cobertura \u2013 a\u00e7o e concreto \u2013 apesar de n\u00e3o estarem submetidas a risco de cat\u00e1strofes naturais como as do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, as centrais est\u00e3o localizadas em Angra dos Reis, 170 quil\u00f4metros ao Sul da cidade do Rio de Janeiro. Angra I, inaugurada em 1985, j\u00e1 prolongou sua vida \u00fatil e tem pot\u00eancia de 657 megawatts, enquanto Angra II opera desde 2001 e produz 1.350 megawatts. No ano passado, foi retomada a constru\u00e7\u00e3o de Angra III, que at\u00e9 2015 tamb\u00e9m produzir\u00e1 outros 1.350 megawatts.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 agora, nenhum pa\u00eds declarou explicitamente que vai interromper seu programa de gera\u00e7\u00e3o termonuclear por causa do desastre no Jap\u00e3o. O que se diz \u00e9 que ser\u00e3o verificados os sistemas de seguran\u00e7a das usinas em funcionamento\u201d, disse \u00e0 IPS Francisco Rondinelli, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Nuclear.<\/p>\n<p>Por sua vez, Carlos Figueiredo, engenheiro da estatal Nuclebras Equipamentos Pesados, que produz equipamentos para centrais, destacou que a estrutura at\u00f4mica brasileira \u00e9 muito diferente da de Fukushima. \u201cNossa seguran\u00e7a \u00e9 total porque depende de mecanismos naturais. A \u00e1gua para esfriar os reatores est\u00e1 em um dep\u00f3sito elevado e cair\u00e1 por for\u00e7a da gravidade, sem exigir energia\u201d, afirmou. Al\u00e9m disso, os reatores s\u00e3o de \u00e1gua pressurizada, mais seguro do que os de \u00e1gua fervendo usados no complexo japon\u00eas, acrescentou.<\/p>\n<p>Tanto na Argentina quanto no Brasil, os reatores s\u00e3o operados por empresas estatais e os \u00f3rg\u00e3os de regulamenta\u00e7\u00e3o, embora fa\u00e7am parte do sistema p\u00fablico, s\u00e3o integrados por especialistas independentes, asseguraram os especialistas consultados.  Ao contr\u00e1rio dos dois grandes pa\u00edses sul-americanos, o M\u00e9xico, que nos \u00faltimos anos havia namorado um aumento de seu parque at\u00f4mico, agora se mostra menos decidido. O diretor da Comiss\u00e3o Nacional de Seguran\u00e7a Nuclear e Salvaguardas, Juan Eibenschutz, disse este m\u00eas que n\u00e3o h\u00e1 nenhum plano de expans\u00e3o em seu pa\u00eds. \u201cO M\u00e9xico deve abandonar a energia nuclear o mais r\u00e1pido poss\u00edvel porque \u00e9 suja, cara e ineficiente, al\u00e9m de depender de tecnologia estrangeira\u201d, disse \u00e0 IPS Eduardo Rinc\u00f3n, especialista em energia da Universidade Aut\u00f4noma da Cidade do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O complexo Laguna Verde, operado pela Comiss\u00e3o Federal de Eletricidade, localizado no Estado de Veracruz, ligou seu primeiro reator em 1989 e somou outro em 1995, que produzem quase 1.400 megawatts. O plano estrat\u00e9gico da Comiss\u00e3o contemplava construir entre dois e dez reatores at\u00e9 2028, embora ainda n\u00e3o tenham sido dados passos nessa dire\u00e7\u00e3o. Laguna Verde emprega tecnologia semelhante \u00e0 de Fukushima, j\u00e1 que produz com \u00e1gua em ebuli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> Nos tr\u00eas pa\u00edses, houve eventos que obrigaram a ajustar medidas de seguran\u00e7a e tamb\u00e9m acidentes com material radiativo, nenhum de grande magnitude.<\/p>\n<p> Em raz\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico da Am\u00e9rica Latina, pa\u00edses que nunca haviam incursionado nesse campo come\u00e7aram a analisar a alternativa nos \u00faltimos anos. A Venezuela foi um deles, mas o acidente no Jap\u00e3o levou o presidente Hugo Ch\u00e1vez a se comprometer a congelar os planos que estavam em um n\u00edvel preliminar. Tamb\u00e9m o Chile, que se mostrava mais decidido a avan\u00e7ar nesse caminho, agora resolveu adiar. \u201cDurante nosso governo n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00edda nem planejada nenhuma usina de energia nuclear\u201d, assegurou o presidente Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era esta semana, ap\u00f3s visita de seu colega norte-americano, Barack Obama.<\/p>\n<p>Embora esses dois pa\u00edses tenham assinado um conv\u00eanio de coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nuclear, a ideia \u00e9 estar preparado e com conhecimento dessa alternativa, nada mais, destacou Pi\u00f1era. H\u00e1 exatamente um ano, o Chile sofreu um terremoto de magnitude quase igual \u00e0 do que atingiu o Jap\u00e3o seguido de um maremoto que deixou cerca de 600 mortos.  O f\u00edsico nuclear Roberto Morales, da Universidade do Chile, disse \u00e0 IPS que seu pa\u00eds \u201cainda n\u00e3o est\u00e1 preparado para ter uma usina nuclear\u201d, embora n\u00e3o sem descartar a op\u00e7\u00e3o. \u201cOs dispositivos de seguran\u00e7a dos reatores podem funcionar em qualquer parte do mundo\u201d, disse, mas para isso falta um n\u00facleo maior de recursos humanos, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com colabora\u00e7\u00f5es de Mario Osava (Rio de Janeiro), Pamela Sep\u00falveda (Santiago), Emilio Godoy (M\u00e9xico).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 30\/03\/2011 &ndash; A cat\u00e1strofe nuclear no Jap\u00e3o reabriu na Am\u00e9rica Latina o debate sobre a conveni\u00eancia de avan\u00e7ar em planos de expans\u00e3o de centrais at\u00f4micas <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2011\/03\/america-latina\/america-latina-diminui-o-entusiasmo-pela-energia-nuclear\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,10,11],"tags":[],"class_list":["post-8018","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8018\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}